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Deputado americano critica excessos do STF e compara Lula a Biden

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No mês passado, os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Bia Kicis (PL-DF) estiveram na capital americana para discutir as violações de direitos humanos e da liberdade de expressão no Brasil. Um dos congressistas visitados pelos políticos da oposição foi o republicano Brian Babin, representante do Texas no Congresso dos EUA desde 2015. 

Babin, de 76 anos, é dentista de formação e veterano do Exército. Reeleito neste ano, ele assumirá em 2025 a presidência da Comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara. Suas prioridades são a proteção das fronteiras, o corte de impostos e gastos desnecessários, a defesa do direito ao porte de armas e o avanço do programa espacial americano. 

Na entrevista a seguir, o deputado conservador fala sobre o novo governo de Donald Trump, imigração, drones misteriosos e a situação política do Brasil. Babin, aliás, já esteve algumas vezes no país a passeio — seu filho Lucas, hoje promotor de justiça no Texas, é casado com uma carioca e morou no Rio de Janeiro por dois anos. 

Qual a sua avaliação sobre a atual situação política do Brasil, após se reunir com os deputados Marcel Van Hatten e Bia Kicis? 

A reunião foi organizada por um amigo da minha nora [o empresário brasileiro Thomas Fink]. Entendo que [Jair] Bolsonaro perdeu a eleição em circunstâncias semelhantes às do presidente Trump em 2020: situações de anomalias e irregularidades muito parecidas. Tivemos coisas muito estranhas acontecendo aqui, de fato ilegais em vários estados e condados. E é por isso que sou solidário ao povo brasileiro. 

Tem uma frase do ditador soviético Joseph Stalin que diz: “Aqueles que votam não decidem nada. Aqueles que contam os votos decidem tudo”. O povo precisa confiar que o líder da nação foi eleito em uma eleição justa. Muitos de nós não sentimos isso quando o presidente Trump perdeu. Mas agora houve uma virada impressionante a favor dele. Não se questionava quem ganharia essa eleição. 

Eu realmente espero que algo parecido aconteça no Brasil no futuro, pois o país está trilhando um caminho semelhante ao dos Estados Unidos com Trump. É realmente interessante a similaridade. 

Como o senhor vê o futuro do Brasil se o presidente Lula continuar com sua política econômica e internacional e o Supremo Tribunal Federal mantiver a postura politizada que vem adotando?  

Vimos algo semelhante com o presidente Biden, que gastou US$ 7 trilhões nos primeiros três anos de governo, o que gerou inflação e desvalorização do dólar. Não me surpreende que o presidente Lula esteja seguindo um caminho semelhante, provavelmente desempenhando um papel muito parecido ao de Biden. 

A inflação que vivenciamos foi a pior que já vi em mais de 40 anos. Lembro que, durante a administração do presidente [democrata Jimmy] Carter, a inflação estava provavelmente tão alta quanto agora. E, claro, Carter foi derrotado nas eleições de 1980, quando o presidente Reagan assumiu e controlamos a inflação. 

Você não pode ter uma economia socialista-comunista, não pode ter controles de preços, fronteiras abertas, taxas extremamente altas e esse tipo de gasto do governo federal sem gerar pressões inflacionárias que ferem a população do país. A inflação é, na prática, um imposto sobre o povo. 

Sofremos durante os quatro anos da administração de Biden e vocês estão sofrendo sob a autoridade de Lula e da Suprema Corte. Isso precisa ser controlado. Precisamos reduzir os gastos, reduzir os impostos e incentivar o crescimento econômico. O crescimento econômico é a chave para superar a inflação e estabilizar a economia. 

Coisas ruins estão acontecendo no Brasil com o regime de Lula e, para saber o resultado no futuro, basta olhar para a Venezuela — um país que tem recursos naturais e no passado foi uma nação muito próspera, mas que, com a chegada do partido comunista, dos marxistas, dos socialistas, foi à ruína. São milhões de venezuelanos hoje fugindo da pobreza.  

Como o senhor acredita que será a política de Trump em relação à Venezuela? 

Maduro, o ditador comunista, libertou seus prisioneiros e os enviou para os Estados Unidos. Agora se recusa a trazê-los de volta. Muitos são criminosos, membros de gangues. Mas tenho fé no presidente Trump. Ele sabe como negociar um acordo. Tenho a sensação de que haverá um lugar na Venezuela ou em alguma nação vizinha para enviar esses criminosos de volta. O presidente Trump aplicará tarifas de 100% sobre nações que não quiserem cumprir suas obrigações. O mesmo vale para as nações do Brics, com as quais o Brasil está envolvido.  

A que exatamente o senhor se refere? 

Os planos deles [Brics] não são mantidos em segredo. As nações do Brics querem substituir o dólar como a moeda de reserva mundial, e eu posso dizer que isso é muito ruim. O presidente Trump também prometeu que qualquer nação — e isso inclui o Brasil, sob Lula — que tentar mudar o dólar terá tarifas de 100%. 

Em setembro, dois congressistas dos EUA pediram o cancelamento dos vistos americanos do ministro do STF, Alexandre de Moraes, após o bloqueio do X no Brasil. Além disso, eles fizeram uma proposta de lei para barrar a entrada no país de autoridades estrangeiras que violem a liberdade de expressão. O que o senhor pensa sobre isso? 

Apoio totalmente essa medida. Sei que o Supremo Tribunal Federal do Brasil está fazendo coisas absolutamente inconstitucionais. Moraes e alguns outros estão, de fato, infringindo os direitos constitucionais do povo brasileiro. Nós queremos ter boas relações com o Brasil. O Texas e o Brasil têm uma ótima relação agora. O Brasil é o nosso sexto ou sétimo maior parceiro comercial no estado. E, francamente, queremos continuar assim. Mas precisamos ter o Estado de direito.  

Sei que o Supremo Tribunal Federal do Brasil é, na prática, o poder que governa o país neste momento. Quando uma nação é liderada por juízes, coisas ruins podem acontecer. 

O senhor falou em imigrantes ilegais criminosos. Como está a situação na divisa do Texas com o México?  

Essa questão tem sido o principal problema para muitos de nós que vivemos no Texas, com cerca de 10 a 15 milhões de imigrantes ilegais que cruzaram nossa fronteira durante a administração Biden. Biden, junto com Alejandro Mayorkas, o secretário de Segurança Interna, desrespeitou a lei, ignorando a Constituição e as normas legais. Ele mentiu para mim pessoalmente e para o Congresso de forma geral. 

Eles afirmaram que a fronteira está segura, que estão cumprindo seu trabalho, que as operações estão funcionando. Mas isso é uma mentira flagrante, uma falsidade absoluta. Milhões de pessoas chegaram, muitas delas criminosas, muitas delas com vínculos com terroristas. Ele tem dado a essas pessoas enormes quantias de dinheiro oriundo dos nossos impostos para educá-las, oferecer cuidados de saúde gratuitos e até expulsar cidadãos americanos e veteranos militares de suas casas. 

Essa foi uma das razões pelas quais o Partido Democrata sofreu uma derrota esmagadora nas últimas eleições. Acredito que eles pagaram o preço por tentar implementar esse tipo de política. 

O que vai mudar depois de 20 de janeiro, com a posse de Trump? 

Muita coisa. Garanto que o presidente Trump vai manter essa fronteira sob controle, assim como fez no seu primeiro mandato.  A missão de Joe Biden, Alejandro Mayorkas e Kamala Harris era simplesmente abrir a fronteira e permitir a entrada de criminosos, deixando os suspeitos de terrorismo passarem. Isso tem que parar, e vai parar. 

De tudo o que o presidente Trump anunciou que fará, o que o senhor considera mais urgente?  

Justamente garantir o controle da fronteira. Isso tem de acontecer. Esse é o primeiro ordenamento. Deportar muitos desses criminosos que vieram e fazem mal para a população americana e para o nosso país. Essas pessoas serão deportadas e, se voltarem, vai ser muito ruim para elas.  

Em março deste ano, o comandante do Pentágono, general Gregory Guillot, alertou ao Congresso que mais de mil drones espiões haviam cruzado a fronteira dos EUA. O senhor acredita que isso pode estar relacionado com os objetos que estão sendo vistos agora, causando todo esse clima de mistério? 

Pode ser. Sabemos sobre esses drones há um tempo. O FBI e o Departamento de Defesa afirmam que os americanos realmente acreditam nisso. Eu acho que há pessoas que se perguntam quem está por trás desses drones agora. Seria o nosso próprio militar, que nega envolvimento nisso? Ou é uma potência estrangeira? Ou talvez um grupo ou indivíduo aqui nos EUA fazendo isso? 

E quando eles [o governo] nos dizem que realmente há uma preocupação, mas que não precisamos nos preocupar, isso me deixa alarmado. Há relatos sobre algumas de nossas bases militares terem sido afetadas por esses drones, inclusive impactando nossos aviões. Me preocupa muito. 

Será que vamos ter que esperar mais um mês até que o presidente Trump assuma o cargo para descobrir o que está acontecendo e quem é responsável por isso?  Sou um veterano do exército americano e fui oficial da Força Aérea. Na minha opinião, quando esses drones aparecem no céu e os militares dos EUA afirmam que não são deles, devemos abater. Precisamos destruí-los. No entanto, essa decisão não cabe a mim. Esperamos descobrir o que está acontecendo antes que Trump assuma. Mas, se isso não acontecer, depois que ele assumir garanto que você saberá quem está por trás disso. E eles serão forçados a parar, com consequências. 

O senhor estará na cerimônia de posse. Como imagina a nova era sob a liderança de Trump? 

Eu definitivamente estarei na posse. Os EUA, o país da liberdade, baseado na Constituição, baseado na Bíblia, estavam indo em uma direção muito preocupante. Mas agora temos o presidente Trump chegando, temos alguns excelentes apoiadores dele, e vamos redirecionar este país e nos colocar de volta no caminho das bases cristãs que nossos pais fundaram, e que têm atraído milhões de pessoas de todo o mundo por mais de 200 anos. 

Estou ansioso para trabalhar com o presidente Trump, para fazer tudo o que for necessário para libertar este país das políticas destrutivas de DEI [diversidade, equidade e inclusão], do antissemitismo que se espalhou pelos EUA, dessa coisa socialista que tem infectado muitas das nossas instituições sagradas, incluindo nossa própria burocracia, o governo federal, nossos colégios e universidades. Nunca imaginei que viveria para ver isso, e aqui estamos.  

Mas vamos mudar tudo isso. Sou dentista, essa é a minha profissão, e talvez tenhamos que fazer algumas extrações e cirurgias para que a mudança aconteça. 

O Programa Espacial dos EUA e a exploração espacial estão entre os seus principais focos. Qual a expectativa para esse setor? 

O Brasil é um país que faz ótimos aviões. Vocês são muito bons nisso, têm uma excelente indústria de aviação. Eu, como o novo presidente do Comitê de Espaço e Tecnologia, digo que estamos ansiosos para colaborar com o Brasil e completar as tarefas que precisamos para o nosso Departamento de Defesa, para nos mantermos como o primeiro país em aviação espacial no mundo, garantindo nossa segurança nacional. Não ficaremos em segundo lugar. Vamos avançar. 

O senhor tem conversado com Elon Musk sobre isso? 

Eu conheci Musk, mas não tive conversas recentes com ele sobre isso. No entanto, posso afirmar que o envolvimento dele no governo federal será excelente para o nosso setor espacial e para a nossa política espacial. A SpaceX, sob a liderança de Musk, está se mudando para o nosso estado. Eles estão realizando no sul do Texas um trabalho impressionante com a Starship, com o objetivo de retornar à Lua e, eventualmente, chegar a Marte. 

Este é um momento extremamente emocionante. Estou ansioso para colaborar com ele, com a SpaceX e com outras empresas espaciais que são cruciais para essa indústria. Estou realmente empolgado com o que está por vir em nosso setor espacial, na inteligência artificial e na ciência quântica. São áreas nas quais nosso comitê terá jurisdição. Também espero estreitar laços com o Brasil nesse processo. 

O senhor se sentiria mais seguro sendo enviado para passar um ano em Marte ou um ano no Brasil durante o governo Lula?  

[Rindo] Se tivéssemos nossas próprias empresas espaciais e nossa própria agência federal para o espaço, eu provavelmente estaria mais seguro e confortável em Marte do que estaria sob uma ditadura comunista. Então acho que essa é a resposta. Mas esperamos que o povo brasileiro vote em uma eleição honesta [em 2026] e que seu país retorne à própria Constituição, à lei. 

Não conheci o presidente Bolsonaro, mas li tudo sobre ele. Todo mundo diz: “Ah, ele é de extrema-direita”. Eles sempre chamam qualquer pessoa que acredita na lei de “extrema-direita”. Os EUA são um pouco de centro-direita, politicamente, e sempre foi assim. Eu acredito que o Brasil será da mesma forma. 

noticia por : Gazeta do Povo

Câmara aprova projeto sobre dedução fiscal de instituições financeiras

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O Senado aprovou nesta quinta-feira (19), em dois turnos,  a proposta de emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos. A PEC 54/2024 traz medidas para diminuir as despesas obrigatórias do governo, como a diminuição gradativa no grupo que pode receber o abono do PIS/Pasep e as limitações aos supersalários. Também foram aprovadas mudanças na destinação dos recursos do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb).  O texto será promulgado pelo Congresso Nacional. A expectativa do governo é de economizar R$ 70 bilhões em dois anos com a medida.

A PEC foi aprovada com 53 votos favoráveis e 21 votos contrários em primeiro turno e por 55 votos a 18 em segundo turno. O texto, relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), foi aprovado com a supressão de um trecho acrescido pela Câmara dos Deputados, que permitia o uso de recursos do Fundeb para a compra de merenda escolar.

A proposta havia sido votada horas antes pelos deputados federais. O texto enviado pelo governo (PEC 45/2024) foi incorporado ao de outra proposta que tratava de regras tributárias, apenas para acelerar a tramitação, sem que tivesse que passar pela análise da admissibilidade (PEC 31/2007 na Câmara, que recebeu o número 54/2024 no Senado). A análise foi feita com a dispensa do rito normal de uma PEC, que exige cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno e mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.

A aprovação do texto faz parte do esforço do governo de controlar o crescimento de despesas obrigatórias (como as de pessoal e programas sociais) a fim de deixar espaço para as despesas discricionárias (que o governo pode optar por realizar ou não).

— Nós acreditamos que o governo está no caminho certo, retomando o compromisso com o equilíbrio fiscal, com o controle da inflação, com o controle de gastos, pois isso, naturalmente, vai impactar na inflação e na melhoria da renda das pessoas — disse o relator.

PIS/Pasep

Uma das principais mudanças do texto é no abono salarial do Programa PIS/Pasep, de até um salário mínimo, pago a trabalhadores que ganharam até dois salários mínimos mensais no ano anterior (o que atualmente corresponde a R$ 2.640, dois salários de 2023). A correção anual é feita pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais ganho real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, a mesma regra do salário mínimo.

A PEC estabelece que, a partir de 2026, esse valor será corrigido apenas pelo INPC, ou seja, não vai mais incorporar os ganhos reais do salário mínimo. O salário de acesso será reduzido até chegar a um salário mínimo e meio, o que, na previsão do governo, deve ocorrer em 2035. Com isso, o abono atingirá menos trabalhadores porque o valor de acesso será menor.

— Temos a questão do abono salarial, em que se faz uma transição muito lenta, muito razoável — explicou o relator, que também classificou a regra de transição como “sensível e aceitável”.

Fundeb

No Congresso, o texto apresentado pelo Executivo foi alterado na parte que trata do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb). O fundo financia as redes públicas de ensino, desde o infantil até o ensino médio, e é bancado pela arrecadação dos estados e dos municípios, mas recebe complementação da União quando os entes não atingem o valor mínimo por aluno ao ano. No texto enviado pelo governo, até 20% dessa complementação da União para o fundo poderia ser direcionada para o fomento à manutenção de matrículas em tempo integral.

Com a alteração feita pela Câmara e aprovada pelo Senado, a destinação fica limitada a até 10% em 2025. Nos anos seguintes, a regra é de que no mínimo 4% dos recursos sejam destinados às matrículas em tempo integral. Isso deverá ocorrer até serem atingidas as metas de educação em tempo integral estabelecidas no Plano Nacional de Educação.

No Senado, uma parte inserida no texto pelos deputados gerou discussão: a permissão para que recursos do Fundeb fossem usados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e no Programa Saúde nas Escolas (PSE). Essa finalidade não está prevista nas regras do fundo, destinado a melhorar a educação e a complementar os salários dos profissionais. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) apresentou um destaque para retirar essa parte do texto.

— Isso não veio no texto original, foi acrescido na Câmara, e trata-se de um grave equívoco. Nós vamos deixar de abrir vaga em creche, abrir vaga em escola, pagar professor, pagar o funcionamento da escola para permitir o pagamento de alimentação. Os recursos de alimentação já têm fonte definida na Constituição e é por isso que eu faço esse apelo para que os colegas senadores e senadoras e o próprio governo entendam essa situação — disse a senadora, ao apresentar o destaque (mudança no texto, a ser votada separadamente), que foi aceito pelo relator.  

Apesar de ser a favor da aprovação do texto, o senador Eduardo Braga também defendeu a supressão do trecho que tratava da alimentação escolar. Ele lembrou que a proposta poderia ter apenas a parte de concordância entre as Casas promulgada, ou seja: para ele, a supressão não obrigaria o texto a voltar para a Câmara.

 — Retirar dinheiro do Fundeb para colocar na merenda escolar, além de ser inconstitucional, é injusto com os profissionais da educação, é injusto com o custeio das escolas públicas, é injusto com futuro do Brasil — lamentou Braga.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apontou a falta de diálogo com a sociedade antes da mudança. Para a senadora, incluir a merenda escolar na meta de manutenção e desenvolvimento do ensino permitiria que prefeitos e governadores passassem a contabilizar gastos com merenda no mínimo a ser investido e, com isso, investissem menos em educação.

A supressão desse trecho teve a concordância do líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) lembrou que havia acordo entre as duas Casas em situações semelhantes.

— Se vencido o destaque, será suprimido esse trecho, e aí pode haver uma negociação com a Câmara em relação a esse item da possibilidade das despesas de alimentação no âmbito do Fundeb, é uma consequência natural. Então o que eu proponho é que possamos seguir o trâmite normal, dando a cada um a autonomia de exercer o seu direito parlamentar, de manter ou de pretender suprimir — defendeu o presidente antes da aprovação do destaque.

Supersalários

Outra mudança feita pelos parlamentares foi na parte que tratava dos supersalários. A proposta, como enviada pelo governo, previa que uma lei complementar tratasse das verbas que poderiam ficar fora do teto remuneratório, que hoje é de R$ 44 mil mensais, valor do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Com a versão aprovada no Congresso, essas brechas ao teto podem ser tratadas em lei ordinária, que requer um quórum menor para a aprovação. Na visão de críticos da medida, isso significa que vai ser mais fácil permitir “penduricalhos” nos salários, que ficarão fora do teto. Além disso, o texto prevê que, enquanto não for publicada a lei ordinária aprovada pelo Congresso, as regras para o extrateto serão as atualmente previstas na legislação.

O líder da Oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), apresentou destaque para impedir que normas extralegais, como resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidissem sobre indenizações permitidas para magistrados fora do teto remuneratório, como acontece atualmente. Antes da rejeição do destaque, ele fez um apelo para que fossem votados projetos em tramitação no Congresso que limitam os supersalários e disse que as regras da PEC são “para inglês ver”.  

— A questão dos supersalários aqui é fumaça colocada nos olhos da população. E estamos vendo, de forma reiterada, quase todos os meses, exemplos de drible nessa situação. Quem ganha acima de R$ 40 mil, somos nós aqui nesta Casa, e a maioria do Judiciário brasileiro, que representamos menos de 1% da população economicamente ativa do Brasil — criticou.

DRU

A Desvinculação das Receitas da União (DRU), cujo prazo terminaria em 2024, será prorrogada até 2032. O mecanismo flexibiliza a execução orçamentária, e permite ao governo federal usar livremente 20% de todos os tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. A principal fonte de recursos da DRU são as contribuições sociais, que respondem por cerca de 90% do montante desvinculado.

Pelo texto aprovado, além das contribuições sociais, das contribuições de intervenção no domínio econômico (Cide) e das taxas, a desvinculação alcançará ainda as receitas patrimoniais, que são aquelas obtidas pelo uso de patrimônio da União, como aluguéis, dividendos, compensações financeiras/royalties, direito real de uso entre outras.

O texto determina, no entanto, que a desvinculação deixará de atingir o Fundo Social do Pré-Sal e determinadas receitas vindas da exploração do petróleo carimbadas para a educação pública e a saúde: os royalties e participação especial de áreas que começaram a produzir a partir de 3 de dezembro de 2012 e as receitas da União decorrentes de acordos de individualização da produção de petróleo (definição do quanto pode ser extraído de campos abastecidos pela mesma jazida).

O texto também deixa explícito que a DRU não atinge recursos que devem ser transferidos a estados e municípios por força constitucional ou legal.

Até 2032, a vinculação de receitas a despesas (obrigação de aplicação em determinada área) não poderá resultar em um crescimento superior ao permitido para as despesas primárias. Isso significa que mudanças futuras nos pisos de aplicação em saúde e educação, por exemplo, não poderão levar a um aumento de gastos acima do limite do arcabouço fiscal (entre 0,6% e 2,5%).

Limites

A proposta, como aprovada, também permite ao Executivo federal reduzir ou limitar, na elaboração e na execução das leis orçamentárias, as despesas com a concessão de subsídios, subvenções e benefícios de natureza financeira. Essa redução poderá ser feita para cumprir o dever de executar as programações orçamentárias dentro dos limites do arcabouço fiscal.

De acordo com a PEC aprovada, lei complementar vai dispor sobre as condições e limites para concessão, ampliação e prorrogação de incentivos fiscais.

Com informações da Agência Câmara

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

FONTE : MatoGrossoNews

Jovem trans é encontrada morta dentro de quitinete

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DO REPÓRTERMT

Uma jovem transexual, identificada como Bia Castyel, de 20 anos, foi encontrada morta dentro de uma quitinete localizada no bairro Operário, em Água Boa (626 km de Cuiabá), na tarde desta quinta-feira (19).

A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso, entretanto o registro de ocorrência não detalhou a forma como a jovem foi assassinada.

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Segundo relatos de testemunhas ao site Água Boa News, a porta da quitinete estava arrombada.

O caso segue sendo investigado.

FONTE : ReporterMT

Moradora encontra ladrões em casa e é ameaçada com faca no pescoço

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Uma moradora da área central de Sabáudia, norte do Paraná, viveu momentos de terror na noite desta quinta-feira (19) após chegar em sua residência e encontrar dois ladrões no local. Um dos bandidos chegou a segurar a moradora e colocar uma faca no pescoço dela. A dupla fugiu antes da chegada da Polícia Militar (PM) e não foi presa.

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Conforme boletim de ocorrência registrado pela PM, o crime aconteceu por volta das 21h25. Os bandidos arrombaram a porta dos fundos da casa. Eles teriam tido acesso ao imóvel da vítima através do muro dos fundos, que faz divisa com um terreno baldio.

Os policiais militares revistaram a residência para garantir a segurança da vítima, confirmando que não havia mais nenhum ladrão no local. Apesar da invasão e ameaça, os criminosos não teriam conseguido furtar nenhum pertence da moradora. Os ladrões seriam morenos e estavam com roupas pretas.

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A moradora da residência estava extremamente assustada, segundo a PM. Foi necessário, inclusive, que ela recebesse atendimento médico no Pronto Socorro da cidade. O companheiro dela a acompanhou até a unidade de saúde.

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noticia por : UOL

Senado aprova limite de gastos mais duro em caso de déficit; texto vai à sanção

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O Senado aprovou nesta quinta-feira (19) o projeto de lei que estabelece novos limites para os gastos públicos em caso de déficit primário (PLP 210/2024). De acordo com o projeto, em caso de déficit primário, ficará proibida a concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários. A proposta também impõe travas para o crescimento de despesas com pessoal. Além disso, o governo poderá bloquear ou contingenciar parte das emendas parlamentares ao Orçamento quando houver resultado negativo na economia.

A proposta, que integra o pacote de medidas do governo federal para cortar despesas e alcançar a meta fiscal a partir de 2025, recebeu 72 votos favoráveis, um voto contrário e nenhuma abstenção. Ela segue agora para a sanção presidencial. 

O déficit primário ocorre quando as receitas de tributos e impostos são inferiores às despesas do governo — exclui-se da conta os gastos com o pagamento dos juros da dívida pública.

O texto aprovado pelo Senado foi o mesmo que veio da Câmara dos Deputados na quarta-feira (18). O relator foi o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Ele rejeitou todas as sugestões de alterações apresentadas pelos senadores, para evitar o retorno do projeto à Câmara. 

— Todas versam sobre matérias que alteram o mérito do projeto e, portanto, forçariam seu retorno à Câmara dos Deputados, em detrimento à urgência imposta à aprovação do pacote fiscal para estabilização macroeconômica do país e viabilização da votação da Lei Orçamentária Anual — apontou.

Wagner defendeu a aprovação argumentando que o projeto vai no caminho certo para promover um ajuste fiscal substancial.

— Reiteramos que esse pacote fiscal concebido pelo Ministério da Fazenda resulta em uma economia potencial de R$ 70 bilhões em dois anos e traz importantes gatilhos fiscais capazes de ampliar, se necessário, esse valor. Assim, o pacote se revela capaz de estabilizar o endividamento público que conferir previsibilidade — disse o relator.

Líder da oposição, o senador Rogerio Marinho (PL-RN) manifestou apoio ao projeto, mas afirmou que ele é “insuficiente”. 

— O governo acena com a possibilidade de ter uma poupança de R$ 30 bilhões no próximo ano e R$ 40 bilhões no ano subsequente. Todos os cálculos a que eu tive acesso, tanto de economistas renomados como do nosso próprio gabinete, vão em torno de R$ 41 bilhões, R$ 42 bilhões nos 2 anos, e não R$ 70 bilhões. Isso claramente não é suficiente. O que falta é confiança nas finanças públicas — criticou.

Emendas parlamentares

Na Câmara, os deputados fizeram alterações na versão original do projeto, apresentada pelo líder do governo naquela casa, deputado José Guimarães (PT-CE). O texto original previa que o bloqueio ou contingenciamento de emendas orçamentárias seria aplicado a todas as emendas. Pelo substitutivo dos deputados, confirmado pelos senadores, o governo poderá bloquear ou contingenciar apenas as emendas parlamentares não-impositivas. Esse bloqueio deverá seguir a proporção de congelamento de outras despesas e também prioridades elencadas pelo próprio Congresso. 

As emendas não-impositivas são aquelas que o governo não tem obrigação de pagar: as das comissões do Congresso e as do relator do Orçamento. As emendas individuais e das bancadas estaduais são obrigatórias até um limite percentual da Receita Corrente Líquida (RCL)

O projeto retoma proposta que não foi incluída na lei que regulamentou as emendas parlamentares ao Orçamento (Lei Complementar 210, de 2024), determinando que serão aplicados às emendas não-impositivas o contingenciamento e o bloqueio até a mesma proporção aplicada às demais despesas discricionárias.  

Despesas discricionárias são as que o governo pode decidir não executar e que são passíveis de bloqueio ou contingenciamento, como investimentos, compra de equipamentos, insumos, execução de serviços (passaportes, por exemplo) e pagamento de bolsas de pesquisa.

Essa lei surgiu depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter cobrado maior transparência na execução das emendas parlamentares, mas o bloqueio ficou de fora. Agora, apesar de ser retomado, tanto ele quanto o contingenciamento serão limitados a 15% das dotações de emendas de comissão. As emendas individuais e de bancada ficam fora da regra.

O bloqueio acontece quando as despesas superam o limite de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal. É mais difícil de ser revertido. Por sua vez, o contingenciamento ocorre quando as receitas ficam abaixo das projeções esperadas. As emendas, assim, têm mais chance de execução em caso de melhora do cenário.

Incentivos tributários

O texto estabelece que, quando ocorrer déficit primário, a União não poderá publicar lei concedendo, ampliando ou prorrogando incentivos tributários até que consiga restabelecer o superávit. A regra valerá a partir de 2025.

Quando alcançado o superávit, o Orçamento do ano seguinte não terá mais a trava. O processo será repetido a cada vez que o governo não conseguir fechar as contas.

Da mesma forma, será proibida a concessão de aumento nas despesas de pessoal e de seus encargos, mas somente até 2030. Se houver déficit, tanto o projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) quanto a própria lei do Orçamento não poderão apresentar crescimento anual real dos salários maior do que 0,6% em relação ao ano anterior. A única exceção para isso são os valores concedidos por causa de sentença judicial.

Essa trava das despesas de pessoal valerá para cada um dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e também para o Ministério Público da União, a Defensoria Pública da União, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Esporte

Senadores alertaram que a limitação da concessão de créditos tributários pode impactar o financiamento público ao esporte. Isso porque a Lei de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438, de 2006), por exemplo, funciona com base na renúncia fiscal e depende de renovação.

— O impacto dessa lei é muito maior no nível social, de transformação de vidas, do que dinheiro, do que de receitas — alertou a senadora Leila Barros (PDT-DF).

Leila votou favoravelmente ao projeto, mas pediu o compromisso do governo para garantir medidas que tornem o financiamento do setor permanente. Mesma posição manifestou Carlos Portinho (PL-RJ). O senador considerou o corte “tímido”, mas ressaltou que a falta de uma lei que garanta incentivo perene ao esporte pode dificultar a vida dos atletas.

— Os efeitos desta lei vão causar prejuízo ao esporte já no próximo ciclo olímpico. Vamos construir, em vez de uma lei que tem que ser renovada a cada período, uma lei que seja definitiva — propôs. 

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e outras lideranças afirmaram que vão trabalhar por uma solução para o setor.

INSS

O projeto também estabelece que o crescimento anual das despesas com a criação ou prorrogação de benefícios da Seguridade Social, como aposentadorias e auxílio-doença, deverá seguir as regras do Novo Arcabouço Fiscal, de 2023. Essas despesas poderão crescer, no máximo, 2,5% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Atualmente, os benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), enquanto o salário mínimo, base para benefícios equivalentes ao seu valor, tem um reajuste real que considera a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. 

Porém, como o limite de crescimento se aplica apenas à criação ou prorrogação de novos benefícios, existe a possibilidade de que concessões sejam represadas caso o teto estabelecido seja atingido, o que pode dificultar a ampliação de benefícios sociais.

A aplicação do arcabouço fiscal a esse tipo de despesa obrigatória não se limita ao teto de crescimento de 2,5% ao ano. A lei determina que o aumento da despesa primária está vinculado à variação real da receita primária. Se o governo alcançar a meta de resultado primário de dois anos antes, o crescimento permitido será de até 70% dessa variação. Caso contrário, o limite cai para 50%.

Dessa forma, a criação ou prorrogação de benefícios do INSS precisará respeitar esses limites adicionais, que serão revisados anualmente, condicionando ainda mais o aumento dessas despesas.

Fundos

Outra medida do projeto é determinar que, entre 2025 e 2030, o governo poderá usar os saldos positivos (superávit) de cinco fundos nacionais para abater a dívida pública:

  • Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD)
  • Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset)
  • Fundo do Exército
  • Fundo Aeronáutico
  • Fundo Naval

Três fundos previstos no texto original foram retirados do substitutivo: Fundo Nacional Antidrogas (Funad), Fundo da Marinha Mercante (FMM) e Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC).

Seguro obrigatório 

Outra inclusão dos deputados no texto foi a revogação da Lei Complementar 207, de 2024, que recriou o seguro obrigatório de veículos automotores (SPVAT, antigo DPVAT). 

O DPVAT foi extinto em 2020. Ele era custeado por todos os proprietários de veículos, e o dinheiro arrecadado era destinado às vítimas de acidentes de trânsito em todo o país. Se a proposta for sancionada pelo presidente Lula, não haverá a volta da cobrança a partir do próximo ano, como esté previsto.

Destaques

Para garantir a aprovação do projeto sem mudanças, os senadores retiraram todos os destaques inicialmente propostos. Um deles era uma emenda de Rogério Marinho que, segundo ele, ampliaria os cortes para R$ 135 bilhões. Ele sugeria limitar contratações e aumentos salariais, reduzir o número de ministérios e extinguir a margem de tolerância da meta fiscal. O arcabouço fiscal permite uma margem de 0,25% do PIB. Para 2025, isso significa que um déficit de até R$ 30,9 bilhões seria tolerado.

— Estamos enxugando gelo. O que nós propomos é que os administradores públicos sejam responsáveis — disse o senador.

Em resposta, o relator, Jaques Wagner, afirmou que a medida representaria um “corte absoluto” no Orçamento.

Além do PLP 210/2024, que é um projeto de lei complementar,  o pacote de corte de gastos é composto por outras duas matérias: uma proposta de emenda à Constituição (PEC 45/2024), que o Senado também analisa nesta quinta-feira, e um projeto de lei ordinária (PL 4.614/2024), que ainda está na Câmara dos Deputados. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

FONTE : MatoGrossoNews

Rússia ataca capital da Ucrânia com mísseis e atinge prédios; 1 pessoa morreu

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A Rússia atacou Kiev, capita da Ucrânia, com mísseis na manhã desta sexta-feira (20), pelo horário local, de acordo com agência de notícias Reuters. Ao menos uma pessoa morreu, informou o chefe da administração militar de Kiev, Serhiy Popko.

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Fonte: G1

TCE atua pela garantia de direitos básicos de crianças a idosos e se consolida como peça-chave na indução de políticas públicas

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DO REPÓRTERMT

Ao longo de 2024, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) reafirmou seu protagonismo como indutor de políticas públicas. À frente de ações de combate à violência doméstica e para a defesa dos direitos das crianças, dos idosos e daqueles que são a peça-chave na prevenção e controle de doenças, o conselheiro-presidente, Sérgio Ricardo, consolidou estratégias para o cumprimento de uma das principais missões de sua gestão: garantir que os recursos públicos sejam aplicados de maneira justa, corrigindo desigualdades históricas ou estruturais.

Neste contexto, uma das conquistas mais relevantes do ano foi a garantia de R$ 20 milhões para a construção e ampliação de 15 creches em 14 municípios, resultado da mobilização do TCE e das instituições que integram o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação (Gaepe-MT).

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O anúncio foi feito pelo Governo em julho, após aprovação de nota técnica e intenso diálogo do TCE junto à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e aos municípios. “É importante que todos se sentem à mesa para buscar soluções, como foi feito no Tribunal, que vai continuar acompanhando a evolução desse trabalho. Hoje, o déficit declarado é de 12 mil vagas, mas esse número pode passar de 30 mil, então é preciso nos unirmos para resolvermos o problema”, pontuou Sérgio Ricardo.

Presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec) do TCE-MT e representante do órgão no Gaepe-MT, o conselheiro Antonio Joaquim explicou que a iniciativa atenderá 1.200 crianças com idades entre 0 e seis anos, o que vai ajudar a reduzir o déficit de vagas no estado. “Essa é uma luta que começamos no ano passado e é uma ação histórica, porque nunca houve no orçamento do Governo recursos para a construção de creches. A questão é imperiosa no estado com esse déficit de vagas.” 

Não à toa, em dezembro, o trabalho do TCE-MT foi destaque durante a entrega do Selo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que reconheceu a atuação de 11 municípios por avanços nas políticas públicas voltadas às crianças e adolescentes, entre os anos de 2021 e 2024. O selo é o maior projeto do Unicef no Brasil e mobiliza municípios do Semiárido e da Amazônia pelo desenvolvimento de um conjunto de ações estratégicas de políticas públicas e de participação social.

Do outro lado da faixa etária, a atenção à população idosa também foi destaque em 2024. Em agosto, Sérgio Ricardo participou da criação da Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa do estado (Renadi-MT), destacando mais uma vez o potencial das ações conjuntas entre os Poderes e instituições para a construção de políticas públicas. Na sequência, determinou a realização de levantamento sobre os Conselhos e Fundos Municipais da Pessoa Idosa existentes em Mato Grosso. 

Concluído em outubro, o estudo foi conduzido pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (COPSPAS), sob presidência do conselheiro Guilherme Antonio Maluf, e apontou que de 132 unidades, em 44 não houve nenhuma atividade neste ano. “Precisamos de soluções transversais, pois não cabe só a saúde tomar iniciativa no cuidado da pessoa idosa. Cabe também à assistência social, à educação, à segurança, a todas as secretarias que executam políticas públicas”, afirmou Maluf.

Na sequência, em outubro, Sérgio Ricardo doou uma área em Cuiabá para a construção de uma Instituição Pública de Longa Permanência para Idosos (ILPI). O espaço fica localizado na região do Centro Político Administrativo (CPA), anexo ao Sindicato dos Trabalhadores do TCE-MT (Sinttcontas), e abrigará a primeira das cinco unidades que serão construídas no estado. Os municípios de Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Água Boa deverão receber as outras unidades.

O projeto das instituições foi desenvolvido pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e garantirá cerca de 120 leitos para o público da Capital. Segundo o desembargador Orlando Perri, que lidera o debate sobre o tema no estado, a iniciativa vai ajudar a suprir a falta de políticas públicas voltadas para esta população no Brasil. “Como em todas as ações realizadas em conjunto pelo Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas, esta é mais uma parceria de sucesso”, avaliou.

Combate à violência doméstica

Simultaneamente, o TCE-MT vem fiscalizando as políticas públicas voltadas ao combate à violência doméstica. Em novembro, uma auditoria identificou 10 fragilidades nas ações municipais e estaduais, resultando em uma série de recomendações e determinações para fortalecer a rede de proteção às vítimas. Para garantir a efetividade do trabalho, ainda em andamento, as propostas foram validadas pelas instituições que fazem parte da auditoria, como a Defensoria Pública e a Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Anunciada em março por Sérgio Ricardo, a fiscalização considera os altos índices de feminicídios registrados no estado, líder no ranking nacional de 2023 com 2,5 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres. “É com informação que se faz política pública. O Tribunal vai orientar todos os agentes públicos para que ajam, para que venham para o processo e se comprometam. A violência cada dia aumenta mais e se a gente não agir, se não usarmos a estrutura e os recursos disponíveis, não há esperança”, pontuou.

O trabalho é conduzido pela 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex), com apoio da Comissão Permanente de Segurança Pública, presidida pelo conselheiro Waldir Teis, que também é o relator do processo. “Temos um planejamento com diretrizes já definidas para acompanhar o assunto e vamos focar para induzir a implementação das políticas públicas da melhor forma possível. O TCE não executa, mas pode auxiliar na implementação dessas políticas”, ressaltou o conselheiro.

Direitos dos agentes comunitários

Cruciais na execução de grande parte das políticas públicas a estas parcelas da população, os agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACEs) também seguiram no foco do TCE-MT em 2024. Em abril, o órgão reuniu gestores e servidores de todo o estado no auditório da Escola Superior de Contas para tratar sobre as prerrogativas destes profissionais, estabelecidas com a aprovação do marco regulatório em 2023.

Ao apresentar uma cartilha com os direitos e deveres das categorias, Sérgio Ricardo lembrou uma trajetória de mais de 10 anos de lutas que resultaram na homologação de mesa técnica que extinguiu falhas nas interpretações da Lei 11.350/2006 e na Emenda Constitucional 120/2022, unificando o entendimento entre os 142 municípios. “Vi que muitos prefeitos não pagavam porque temiam a fiscalização. Levamos a questão para a mesa técnica e chegamos a uma leitura perfeita da legislação”, disse o presidente.

Mas a luta não se encerrou aí. Em novembro, após representantes das categorias apontarem que a norma vinha sendo descumprida por diversos prefeitos, o presidente anunciou que, a partir de 2025, a questão será analisada nas contas anuais de governo, podendo resultar em parecer contrário à aprovação. No mesmo mês, o TCE-MT notificou as 142 prefeituras do estado para que não se altere o quadro de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias na mudança das gestões municipais.

Por ações como estas, o Tribunal consolidou-se como um agente transformador ao longo de 2024, promovendo ações que vão além da fiscalização e alcançam o campo da efetivação de políticas públicas e da justiça social. “Nenhuma destas conquistas seria possível sem o empenho de cada conselheiro, da nossa equipe técnica e da parceria com outras instituições. Em 2025 intensificaremos esse trabalho para continuarmos fazendo a diferença no estado. É essa união que nos torna mais fortes”, concluiu.

FONTE : ReporterMT

Marcha para Jesus é condenada por não pagar direitos autorais de músicas evangélicas

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A Igreja Renascer em Cristo, que organiza a Marcha para Jesus, foi condenada pela Justiça paulista a pagar cerca de R$ 213 mil ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), instituição privada que recolhe e distribui os direitos autorais aos artistas.

A decisão, da juíza Liliane Hioki, foi tomada em um processo no qual o Ecad afirma que a Marcha, nos anos de 2022 e 2023 (30ª e 31ª edições) não pagou pelos direitos autorais das músicas tocadas durante os eventos, nos quais ocorreram apresentações de cantores evangélicos e shows gospel.

A Prefeitura de São Paulo, que contratou artistas para as duas edições, também foi condenada.

Idealizada pelo apóstolo Estevam Hernandes como um evento cristão ecumênico, a Marcha faz parte do calendário oficial da cidade desde 1996. Anualmente, reúne milhares de fiéis nas ruas de São Paulo

A Renascer, fundada por Hernandes nos anos 80, se defendeu no processo afirmando que as músicas tocadas são de domínio público, não sendo protegidas pela lei de direito autoral. “Não cabe a cobrança”, afirmou.

A Igreja declarou na ação também que a Marcha é um evento religioso, “sem fins lucrativos”, que não cobra ingresso ou qualquer outro tipo de remuneração e que, portanto, o pagamento ao Ecad não é “razoável”.

Citou ainda que os músicos foram contratados pela prefeitura paulistana, não tendo nenhuma responsabilidade sobre o eventual recolhimento de direitos autorais.

A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, disse à Justiça que o processo aberto pelo Ecad possui inúmeras falhas, não apontando quais obras musicais teriam sido executadas nas Marchas.

“Se a autora não indica qualquer obra que tenha sido executada em suposto desrespeito a direitos autorais, como poderá o Município verificar se não se trata de músicas que são isentas de cobrança?”, questionou na ação.

A prefeitura disse também que o Ecad não apresentou os parâmetros para os cálculos dos valores cobrados.

A Justiça não aceitou a argumentação, em decisão tomada no dia 17 de dezembro.

A Igreja e a prefeitura ainda podem recorrer.


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noticia por : UOL

Lira espera melhor cenário econômico como resultado da aprovação do pacote de ajuste fiscal

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O Senado aprovou nesta quinta-feira (19), em dois turnos,  a proposta de emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos. A PEC 54/2024 traz medidas para diminuir as despesas obrigatórias do governo, como a diminuição gradativa no grupo que pode receber o abono do PIS/Pasep e as limitações aos supersalários. Também foram aprovadas mudanças na destinação dos recursos do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb).  O texto será promulgado pelo Congresso Nacional. A expectativa do governo é de economizar R$ 70 bilhões em dois anos com a medida.

A PEC foi aprovada com 53 votos favoráveis e 21 votos contrários em primeiro turno e por 55 votos a 18 em segundo turno. O texto, relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), foi aprovado com a supressão de um trecho acrescido pela Câmara dos Deputados, que permitia o uso de recursos do Fundeb para a compra de merenda escolar.

A proposta havia sido votada horas antes pelos deputados federais. O texto enviado pelo governo (PEC 45/2024) foi incorporado ao de outra proposta que tratava de regras tributárias, apenas para acelerar a tramitação, sem que tivesse que passar pela análise da admissibilidade (PEC 31/2007 na Câmara, que recebeu o número 54/2024 no Senado). A análise foi feita com a dispensa do rito normal de uma PEC, que exige cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno e mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.

A aprovação do texto faz parte do esforço do governo de controlar o crescimento de despesas obrigatórias (como as de pessoal e programas sociais) a fim de deixar espaço para as despesas discricionárias (que o governo pode optar por realizar ou não).

— Nós acreditamos que o governo está no caminho certo, retomando o compromisso com o equilíbrio fiscal, com o controle da inflação, com o controle de gastos, pois isso, naturalmente, vai impactar na inflação e na melhoria da renda das pessoas — disse o relator.

PIS/Pasep

Uma das principais mudanças do texto é no abono salarial do Programa PIS/Pasep, de até um salário mínimo, pago a trabalhadores que ganharam até dois salários mínimos mensais no ano anterior (o que atualmente corresponde a R$ 2.640, dois salários de 2023). A correção anual é feita pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais ganho real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, a mesma regra do salário mínimo.

A PEC estabelece que, a partir de 2026, esse valor será corrigido apenas pelo INPC, ou seja, não vai mais incorporar os ganhos reais do salário mínimo. O salário de acesso será reduzido até chegar a um salário mínimo e meio, o que, na previsão do governo, deve ocorrer em 2035. Com isso, o abono atingirá menos trabalhadores porque o valor de acesso será menor.

— Temos a questão do abono salarial, em que se faz uma transição muito lenta, muito razoável — explicou o relator, que também classificou a regra de transição como “sensível e aceitável”.

Fundeb

No Congresso, o texto apresentado pelo Executivo foi alterado na parte que trata do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb). O fundo financia as redes públicas de ensino, desde o infantil até o ensino médio, e é bancado pela arrecadação dos estados e dos municípios, mas recebe complementação da União quando os entes não atingem o valor mínimo por aluno ao ano. No texto enviado pelo governo, até 20% dessa complementação da União para o fundo poderia ser direcionada para o fomento à manutenção de matrículas em tempo integral.

Com a alteração feita pela Câmara e aprovada pelo Senado, a destinação fica limitada a até 10% em 2025. Nos anos seguintes, a regra é de que no mínimo 4% dos recursos sejam destinados às matrículas em tempo integral. Isso deverá ocorrer até serem atingidas as metas de educação em tempo integral estabelecidas no Plano Nacional de Educação.

No Senado, uma parte inserida no texto pelos deputados gerou discussão: a permissão para que recursos do Fundeb fossem usados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e no Programa Saúde nas Escolas (PSE). Essa finalidade não está prevista nas regras do fundo, destinado a melhorar a educação e a complementar os salários dos profissionais. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) apresentou um destaque para retirar essa parte do texto.

— Isso não veio no texto original, foi acrescido na Câmara, e trata-se de um grave equívoco. Nós vamos deixar de abrir vaga em creche, abrir vaga em escola, pagar professor, pagar o funcionamento da escola para permitir o pagamento de alimentação. Os recursos de alimentação já têm fonte definida na Constituição e é por isso que eu faço esse apelo para que os colegas senadores e senadoras e o próprio governo entendam essa situação — disse a senadora, ao apresentar o destaque (mudança no texto, a ser votada separadamente), que foi aceito pelo relator.  

Apesar de ser a favor da aprovação do texto, o senador Eduardo Braga também defendeu a supressão do trecho que tratava da alimentação escolar. Ele lembrou que a proposta poderia ter apenas a parte de concordância entre as Casas promulgada, ou seja: para ele, a supressão não obrigaria o texto a voltar para a Câmara.

 — Retirar dinheiro do Fundeb para colocar na merenda escolar, além de ser inconstitucional, é injusto com os profissionais da educação, é injusto com o custeio das escolas públicas, é injusto com futuro do Brasil — lamentou Braga.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apontou a falta de diálogo com a sociedade antes da mudança. Para a senadora, incluir a merenda escolar na meta de manutenção e desenvolvimento do ensino permitiria que prefeitos e governadores passassem a contabilizar gastos com merenda no mínimo a ser investido e, com isso, investissem menos em educação.

A supressão desse trecho teve a concordância do líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) lembrou que havia acordo entre as duas Casas em situações semelhantes.

— Se vencido o destaque, será suprimido esse trecho, e aí pode haver uma negociação com a Câmara em relação a esse item da possibilidade das despesas de alimentação no âmbito do Fundeb, é uma consequência natural. Então o que eu proponho é que possamos seguir o trâmite normal, dando a cada um a autonomia de exercer o seu direito parlamentar, de manter ou de pretender suprimir — defendeu o presidente antes da aprovação do destaque.

Supersalários

Outra mudança feita pelos parlamentares foi na parte que tratava dos supersalários. A proposta, como enviada pelo governo, previa que uma lei complementar tratasse das verbas que poderiam ficar fora do teto remuneratório, que hoje é de R$ 44 mil mensais, valor do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Com a versão aprovada no Congresso, essas brechas ao teto podem ser tratadas em lei ordinária, que requer um quórum menor para a aprovação. Na visão de críticos da medida, isso significa que vai ser mais fácil permitir “penduricalhos” nos salários, que ficarão fora do teto. Além disso, o texto prevê que, enquanto não for publicada a lei ordinária aprovada pelo Congresso, as regras para o extrateto serão as atualmente previstas na legislação.

O líder da Oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), apresentou destaque para impedir que normas extralegais, como resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidissem sobre indenizações permitidas para magistrados fora do teto remuneratório, como acontece atualmente. Antes da rejeição do destaque, ele fez um apelo para que fossem votados projetos em tramitação no Congresso que limitam os supersalários e disse que as regras da PEC são “para inglês ver”.  

— A questão dos supersalários aqui é fumaça colocada nos olhos da população. E estamos vendo, de forma reiterada, quase todos os meses, exemplos de drible nessa situação. Quem ganha acima de R$ 40 mil, somos nós aqui nesta Casa, e a maioria do Judiciário brasileiro, que representamos menos de 1% da população economicamente ativa do Brasil — criticou.

DRU

A Desvinculação das Receitas da União (DRU), cujo prazo terminaria em 2024, será prorrogada até 2032. O mecanismo flexibiliza a execução orçamentária, e permite ao governo federal usar livremente 20% de todos os tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. A principal fonte de recursos da DRU são as contribuições sociais, que respondem por cerca de 90% do montante desvinculado.

Pelo texto aprovado, além das contribuições sociais, das contribuições de intervenção no domínio econômico (Cide) e das taxas, a desvinculação alcançará ainda as receitas patrimoniais, que são aquelas obtidas pelo uso de patrimônio da União, como aluguéis, dividendos, compensações financeiras/royalties, direito real de uso entre outras.

O texto determina, no entanto, que a desvinculação deixará de atingir o Fundo Social do Pré-Sal e determinadas receitas vindas da exploração do petróleo carimbadas para a educação pública e a saúde: os royalties e participação especial de áreas que começaram a produzir a partir de 3 de dezembro de 2012 e as receitas da União decorrentes de acordos de individualização da produção de petróleo (definição do quanto pode ser extraído de campos abastecidos pela mesma jazida).

O texto também deixa explícito que a DRU não atinge recursos que devem ser transferidos a estados e municípios por força constitucional ou legal.

Até 2032, a vinculação de receitas a despesas (obrigação de aplicação em determinada área) não poderá resultar em um crescimento superior ao permitido para as despesas primárias. Isso significa que mudanças futuras nos pisos de aplicação em saúde e educação, por exemplo, não poderão levar a um aumento de gastos acima do limite do arcabouço fiscal (entre 0,6% e 2,5%).

Limites

A proposta, como aprovada, também permite ao Executivo federal reduzir ou limitar, na elaboração e na execução das leis orçamentárias, as despesas com a concessão de subsídios, subvenções e benefícios de natureza financeira. Essa redução poderá ser feita para cumprir o dever de executar as programações orçamentárias dentro dos limites do arcabouço fiscal.

De acordo com a PEC aprovada, lei complementar vai dispor sobre as condições e limites para concessão, ampliação e prorrogação de incentivos fiscais.

Com informações da Agência Câmara

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

FONTE : MatoGrossoNews

Rússia: projeto de lei propõe a proibição de cultos domésticos

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No final de outubro de 2024, a Duma, o parlamento nacional da Rússia, recebeu um controverso projeto de lei que pode intensificar as restrições às atividades religiosas no país, proibindo cultos domésticos.

Proposto pelo partido Novo Povo, aliado do governo Putin, o texto sugere a proibição de encontros religiosos em casas e prédios de apartamentos, argumentando que tais práticas podem gerar “desordem pública”, “risco aumentado de crime” e incômodo aos moradores.

Se aprovado, o projeto implicará na obrigatoriedade de realizar atividades religiosas apenas em locais de culto oficialmente reconhecidos, eliminando igrejas domésticas e cultos domésticos informais. O texto será debatido em janeiro de 2025.

Resistência

A proposta enfrentou críticas de diversas denominações religiosas, incluindo a Igreja Ortodoxa Russa, conhecida por sua habitual proximidade ao governo.

Em uma declaração oficial, o Patriarcado de Moscou alertou que a lei ameaçaria sacramentos e ritos realizados em residências, como comunhão e unção para doentes graves ou moribundos: “O projeto de lei precisa de revisão”, afirmou o departamento jurídico da igreja.

A Aliança Evangélica Russa (REA) também expressou oposição. Vitaly Vlasenko, secretário-geral da organização, destacou que o projeto pode restringir a liberdade religiosa de forma disfarçada. Ele pediu diálogo para encontrar soluções que respeitem os direitos dos crentes, afirmando que organizações religiosas desempenham um papel vital na promoção de valores morais na sociedade.

Outras denominações, como a Igreja Católica Romana e a Igreja Adventista, reiteraram preocupações semelhantes. Oleg Goncharov, representante adventista, classificou o texto como um atentado ao direito constitucional à liberdade de consciência.

Ele ressaltou: “A fé é onde as pessoas vivem. Este projeto de lei apenas agravará os conflitos sociais e inter-religiosos em um momento delicado para o país”.

O projeto será examinado por um comitê parlamentar no início de janeiro de 2025. Líderes religiosos de diferentes denominações manifestaram interesse em participar do diálogo legislativo para discutir os impactos da proposta e buscar alternativas que garantam o respeito às liberdades religiosas na Rússia, de acordo com o Evangelical Focus.

FONTE : Gospel Mais