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Fotografia feita há 17 anos inspira campanha vencedora do Leão de Ouro

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Uma fotografia feita sem qualquer pretensão artística além do registro do cotidiano ganhou, 17 anos depois, um dos maiores reconhecimentos da publicidade mundial.

A campanha Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França.

Considerado o prêmio mais importante da indústria global da comunicação e da publicidade, o Festival de Cannes Lions reúne anualmente milhares de campanhas de dezenas de países. O Leão de Ouro está entre as principais distinções do evento e reconhece trabalhos de excelência criativa, capazes de transformar ideias em impacto cultural, social ou mercadológico.

A origem da história remonta a agosto de 2009, quando Paulo fotografou pássaros pousados sobre fios elétricos em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal. Na época, ele passava férias na cidade, embora já morasse em São Paulo desde a década de 1990, onde construiu uma sólida carreira no fotojornalismo.

Ao longo de mais de três décadas de profissão, trabalhou em alguns dos principais veículos de imprensa do país, registrando acontecimentos marcantes da vida política, social, econômica e cultural brasileira. Seu trabalho lhe rendeu diversos prêmios nacionais e reconhecimento pela sensibilidade do olhar documental.


A campanha Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. Foto: Paulo Pinto/Arquivo Pessoal
A campanha Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. Foto: Paulo Pinto/Arquivo Pessoal

A campanha Sinfonia da Energia, por Paulo Pinto/Arquivo Pessoal

Naquele dia, porém, não havia qualquer pauta especial. Depois do almoço, acompanhou a mãe até a casa do vizinho, conhecido por alimentar diariamente os pássaros da região. Foi ela quem chamou sua atenção para a quantidade de aves alinhadas sobre os fios.

Dias depois, a imagem publicada em jornal chamou a atenção do músico, compositor e publicitário Jarbas Agnelli, que enxergou nos cinco fios uma pauta musical e transformou a posição das aves em notas.

“Eu olhei para cima e pensei: parece uma partitura musical. Não entendo de música, então ficou apenas nessa impressão. Fiz centenas de fotos e escolhi aquela sem imaginar que, anos depois, ela realmente se transformaria em música”, recorda Paulo Pinto.

Quatro dias após a publicação da fotografia, ele recebeu um e-mail inesperado.

“Era o Jarbas dizendo que tinha recortado a foto do jornal, levado para o piano e composto uma música usando a posição dos pássaros como notas. Fiquei emocionado. Uma fotografia virar música já é algo extraordinário.”

Ao responder à mensagem, Paulo enviou ao compositor a imagem original, em alta resolução. Poucos minutos depois, recebeu nova resposta.

“Ele escreveu: ‘Tem mais passarinhos aqui. Tem mais notas. Vou voltar para o piano’. Meia hora depois, mandou a versão definitiva.”

A composição, intitulada Birds on the Wires, rapidamente ganhou repercussão internacional. Publicado no YouTube ainda em 2009, o vídeo alcançou mais de um milhão de visualizações em poucos dias, tornou-se um dos conteúdos mais vistos da plataforma naquele período e, no ano seguinte, foi selecionado para apresentações promovidas pela Fundação Guggenheim, incluindo uma execução com músicos da Juilliard School, em Nova York.

Em 2024, Jarbas Agnelli procurou novamente o fotógrafo com uma proposta diferente: transformar a ideia original em uma sinfonia. A convite da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), o compositor reuniu centenas de fotografias de pássaros sobre fios enviadas por fotógrafos de várias regiões do país. 


A campanha Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. Foto: Paulo Pinto/Arquivo Pessoal
A campanha Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. Foto: Paulo Pinto/Arquivo Pessoal

Cerca de 60 imagens passaram a integrar a partitura da Sinfonia da Energia, criada a partir de uma ideia nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Criatividade de Cannes, na França. Foto: Paulo Pinto/Arquivo Pessoal – Paulo Pinto/Arquivo Pessoal

Cerca de 60 imagens passaram a integrar a partitura da Sinfonia da Energia, campanha criada para mostrar a convivência entre as aves e as redes elétricas e que, neste ano, recebeu o Leão de Ouro em Cannes, reconhecimento concedido às campanhas consideradas referência mundial em criatividade e inovação.

Paulo participou novamente do projeto com fotografias produzidas no mesmo local onde tudo começou: “Voltamos para Santana do Livramento. Minha mãe já havia falecido. O vizinho que alimentava os passarinhos também. Era o mesmo lugar, mas outra história. Aquela fotografia ganhou uma dimensão que ninguém poderia imaginar.”

A notícia da premiação chegou por mensagem enviada por Jarbas diretamente de Cannes: “Ele escreveu apenas: ‘Estamos em Cannes. Acabamos de ganhar o Leão de Ouro’. Eu nunca imaginei que uma fotografia feita na frente da casa da minha mãe pudesse chegar tão longe.”

“As pessoas procuram cenas extraordinárias, mas muitas vezes elas estão nas coisas mais simples. Todo mundo via aqueles passarinhos. Eu vi uma fotografia. O Jarbas viu uma melodia. Cada um completou o olhar do outro.”

Para Paulo, o significado daquela fotografia ficou ainda mais claro anos depois, quando voltou a Santana do Livramento para dar continuidade ao projeto e já não encontrou a mesma cena diante da casa onde tudo começou: 

“Quando voltei, não havia mais os passarinhos nos fios. Foi aí que entendi que eles tinham ido para o mundo. E foi exatamente isso que aconteceu. Aqueles pássaros saíram dali e viajaram pelo planeta por meio da fotografia, da música e, agora, da sinfonia. Aquele instante registrado em 2009 deixou de ser apenas uma cena do cotidiano para ganhar novos significados e alcançar pessoas em diferentes países. No fim das contas, os passarinhos realmente voaram.”




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Mercado financeiro reduz para 5,16% estimativa média de inflação em 2026

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O mercado financeiro reduziu sua estimativa média para a inflação em 2026, passando de 5,30% para 5,16%.
A expectativa faz parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Os economistas também mantiveram a projeção de 14% em relação à taxa básica de juros, a Selic (veja mais abaixo nessa reportagem).
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação recuou de 5,30% para 5,16%;
➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,18% para 4,20%;
➡️ Para 2028, a previsão se manteve em 3,70%;
➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%.
Agora no g1
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Corte dos juros
Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continua projetando queda dos juros.
Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano — após três cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026, porém, se manteve em 14% ao ano;
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas subiu para 10,50% ao ano.
Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central
Jornal Nacional/ Reprodução
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado se manteve em 1,99%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB baixou para 1,65%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos permaneceu em R$ 5,28 por dólar.



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UE quer estabelecer acesso 'progressivo e gradual' de menores às redes sociais

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Bandeiras da União Europeia
Stephanie Lecocq/Reuters
A União Europeia deseja estabelecer um acesso “progressivo e gradual” para crianças e adolescentes às plataformas digitais, a fim de protegê-los dos riscos, conforme recomendado por especialistas em um relatório publicado nesta segunda-feira (13).
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O bloco analisa há meses a possibilidade de estabelecer uma “maioria digital” semelhante à adotada pela Austrália no ano passado.
“A infância é um período extraordinário e delicado para o desenvolvimento do cérebro (…). Devemos considerar o acesso progressivo e gradual de diferentes faixas etárias” às redes sociais e outras plataformas digitais que representam riscos para menores, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Não se trata de saber se as crianças podem acessar as redes sociais, mas sim se as redes sociais podem acessar nossas crianças e quando”, declarou.
Agora no g1
A chefe da Comissão especificou que apresentará um projeto de lei “após o verão”.
Para obter aconselhamento sobre o assunto, Von der Leyen incumbiu um painel de especialistas composto por médicos, acadêmicos, representantes da juventude e pais de elaborar um relatório, cujas recomendações foram apresentadas nesta segunda-feira.
Entre elas estão:
Zero telas para bebês e crianças pequenas;

Proibir o acesso de crianças menores de 13 anos a redes sociais e outros serviços digitais, incluindo assistentes de IA, exceto por períodos limitados sob supervisão dos pais ou em um ambiente educacional;

“Uso progressivamente autônomo” das plataformas digitais para jovens de 13 a 18 anos, desde que possuam “recursos de segurança essenciais”, como um sistema eficaz de verificação de idade e um design livre de funções viciantes;

Os países da UE teriam liberdade para estabelecer proibições nacionais de acesso para além dos 13 anos;

Aos 18 anos, os europeus atingiriam a “maioridade digital plena”.
As plataformas “devem demonstrar que seus serviços não causam danos. Na Europa, quem desenvolve um produto é responsável por sua segurança”, afirmou Von der Leyen.
“Todo o ecossistema que envolve as crianças precisa mudar. Mas não temos tempo a perder. As crianças e os adolescentes enfrentam graves riscos neste momento”, disse Jorg Fegert, um dos copresidentes do painel, ao lado da presidente.
Nos últimos meses, a UE intensificou a pressão sobre as plataformas de redes sociais para que levem em consideração o bem-estar físico e mental de seus usuários.
Na sexta-feira, Bruxelas ordenou que o Facebook e o Instagram modificassem suas funções “viciantes”, sob pena de multas pesadas, seguindo um alerta semelhante feito ao TikTok em fevereiro.
A favor de um design seguro
Um número crescente de Estados-membros da UE – França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Áustria e Suécia – adotou ou considera adotar restrições ao acesso de crianças às redes sociais.
No entanto, a questão gera controvérsias dentro do bloco, com países que se opõem às proibições, como a Estônia, enquanto outros guardam silêncio.
Implementar tais medidas no bloco evitaria uma colcha de retalhos de regulamentações nacionais e seria mais fácil de aplicar nas plataformas, cuja regulamentação já é, em grande parte, da responsabilidade de Bruxelas em coordenação com os 27 Estados-membros.
Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, irá “examinar as propostas nacionais com muita atenção”.
O bloco “integrará” esse trabalho, assegurou ela, e então desenvolverá sua própria proposta para “harmonizar a abordagem e encontrar uma solução comum”.
A União Europeia já possui um arsenal reforçado para controlar as gigantes da tecnologia e proteger os usuários digitais, mas Bruxelas anunciou que prepara novas normas.
O chefe da proteção do consumidor da UE, o comissário Michael McGrath, prometeu que uma nova lei, prevista para o final deste ano, oferecerá às crianças maior proteção contra designs viciantes.
“Os mercados digitais são projetados para capturar a atenção e influenciar o comportamento. As novas normas ajudarão a garantir que os consumidores possam tomar decisões informadas e livres de manipulação”, disse McGrath à AFP.



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Trump afirma que Irã aceitou acordo nuclear antes de ataque

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Neste domingo, 12 de julho de 2026, Donald Trump afirmou que o Irã havia concordado em um acordo para interromper o desenvolvimento de armas nucleares, pouco antes de realizar um ataque a uma embarcação no Estreito de Ormuz. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News.

Contexto da situação

A tensão no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, tem sido uma preocupação constante para a comunidade internacional. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, onde cerca de 20% do petróleo global passa. Qualquer ato de agressão nessa região pode ter repercussões significativas, não apenas para os países diretamente envolvidos, mas também para a economia global.

O que aconteceu

Durante a entrevista, Trump descreveu o acordo como “perfeito” para os Estados Unidos, ressaltando que o entendimento previa o abandono do programa de armas nucleares iraniano. No entanto, ele também destacou a rapidez com que o Irã agiu após o acordo, afirmando: “Depois disso, saíram da sala e, em menos de uma hora, lançaram um drone contra um navio”. Essa ação foi interpretada como uma demonstração de desrespeito ao acordo e uma provocação ao Ocidente.

Reações à declaração

A declaração de Trump gerou reações diversas. Especialistas em relações internacionais e segurança analisam que a situação pode agravar ainda mais as tensões entre o Irã e os Estados Unidos, além de afetar outros países da região. A comunidade cristã, que frequentemente se preocupa com a liberdade religiosa e a segurança de cristãos perseguidos em países como o Irã, observa com atenção os desdobramentos dessa situação.

O que esperar

Com a escalada das tensões, especialistas sugerem que a diplomacia será crucial para evitar um conflito mais amplo. A possibilidade de novos acordos ou sanções pode ser discutida nas próximas semanas. Para os cristãos que atuam em missões e evangelização na região, a situação é preocupante, pois a instabilidade pode dificultar o trabalho de apoio e ajuda humanitária.

“Eles são pessoas ruins e doentes”, afirmou Trump sobre o Irã.

O futuro das relações entre os Estados Unidos e o Irã permanece incerto, e a comunidade internacional observa atentamente os próximos passos. A oração e o apoio à paz são essenciais neste momento crítico.



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Ator Rui Rezende morre aos 87 anos, no Rio de Janeiro

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O ator Rui Rezende morreu, neste domingo (12), aos 87 anos no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o início do mês no Hospital São Francisco da Providência de Deus, na zona norte da cidade.

A informação foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, local de moradia assistida para artistas idosos, onde Rui Rezende vivia desde 2019.

José Pereira Rezende Filho nasceu em 1938, em Araguari, em Minas Gerais, e começou a trabalhar na televisão em 1966, na novela Somos Todos Irmãos, da TV Tupi. Ao longo de sua carreira, atuou em várias novelas e minisséries na Tupi e nas emissoras Excelsior, Manchete e Globo.

 Entre os personagens que interpretou em sua longa carreira, destaca-se Astromar Junqueira, o lobisomem da novela Roque Santeiro, na TV Globo em 1985. 

Rui Rezende também teve participações em outras novelas, entre elas, O Espigão, em 1974; O Casarão, em 1976; e Meu Bem Querer, em 1998. Ele atuou ainda em inúmeras peças de teatro e filmes.




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Dino determina bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou o bloqueio de mais de R$ 6,1 milhões e do ex-deputado federal Eduardo Cunha, por suspeita de desvio de emendas parlamentares.

Segundo Dino, mesmo sem mandato, o ex-presidente da Câmara teria indicado pelo menos 21 emendas para cidades de Minas Gerais.

A defesa de Eduardo Cunha nega qualquer irregularidade.

O ex-deputado é alvo da mesma investigação que bloqueou R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, também por indicação irregular de emendas.

Segundo o ministro Flávio Dino, as emendas indicadas por Eduardo Cunha foram documentadas de forma fraudulenta para ocultar o verdadeiro solicitante.

Durante a “Operação Transparência”, a Polícia Federal identificou no celular da servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, mensagens e planilhas que indicam um esquema de direcionamento de verbas comandado por Eduardo Cunha.

Tuca seria a responsável pela organização e encaminhamento das emendas do orçamento secreto.

Para o ministro, o fato de um terceiro, sem atuação no parlamento brasileiro, ter poder e ingerência sobre o orçamento público é gravíssimo.

Dino afirmou que a situação materializa o que há de mais nefasto em termos de desvios envolvendo o orçamento secreto.

*Com informações da Agência Brasil




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Dólar abre em alta, com tensões entre EUA e Irã no foco

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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (13) em alta, com um avanço de 0,21% perto das 9h, cotado a R$ 5,1198, conforme investidores seguiam atentos às tensões no Oriente Médio. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
▶️ A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã fica no centro das atenções dos mercados financeiros. Após novos ataques entre os dois países, Teerã decidiu voltar a fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Com isso, os preços da commodity voltaram a subir nesta segunda-feira (13). Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 3,26%, cotado a US$ 78,49. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 3,32%, cotado a US$ 73,78 por barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -1,15%;
Acumulado do mês: -1,05%;
Acumulado do ano: -6,93%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +2,18%;
Acumulado do mês: +3,40%;
Acumulado do ano: +10,39%.
Inflação desacelera em junho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava alta de 0,31%. A taxa também desacelerou em relação a maio, quando o índice havia avançado 0,58%.
Com esse desempenho, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,36%. Em 12 meses, o IPCA passou de 4,72% até maio para 4,64% em junho.
LEIA TAMBÉM: O que ficou mais caro e o que barateou entre os alimentos no 1º semestre
Veja o resultado dos grupos do IPCA
Alimentação e bebidas: -0,24%;
Habitação: 0,63%;
Artigos de residência: 0,23%;
Vestuário: 0,17%;
Transportes: 0,17%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
Despesas pessoais: 0,25%;
Educação: -0,02%;
Comunicação: 0,19%.
EUA e Irã trocam ataques
Na noite de quarta-feira (8), as forças do Comando Central dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios no Estreito de Ormuz.
A ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região.
Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações.
Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima.
Bolsas globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em alta nesta sexta-feira, conforme investidores aguardavam a estreia da SK Hynix, empresa sul-coreana de chips, na Nasdaq.
Perto das 15h50, o Dow Jones subia 035%, enquanto o S&P 500 avançava 0,37% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,28%.
Na Europa, a preocupação com o conflito no Oriente Médio trouxe um dia misto para os mercados. O índice pan-europeu STOXX 600 interrompeu uma sequência de quatro semanas de ganho, com perdas de 1,8%. No dia, fechou praticamente estável.
Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, teve queda de 0,20%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,15% e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,24%.
Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em alta, impulsionadas pelo maior otimismo em relação às empresas chinesas de internet.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,96%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, perdeu 1%.
O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,60%, enquanto o Nikkei, do Japão, avançou 1,20% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 2,52%.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025.
Tatan Syuflana/ AP



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Caminhos da Reportagem destaca semelhanças entre Brasil e Cabo Verde

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A seleção de futebol de Cabo Verde fez história na Copa do Mundo. A menor nação do mundo a disputar a fase de mata-mata no Mundial foi eliminada pela Argentina, nas oitavas de final. Saiu da Copa, mas ganhou reconhecimento mundial e uma imensa torcida no Brasil. Em uma parceria inédita da TV Brasil e da teleSUR, o Caminhos da Reportagem conta essa história e mostra o que há de comum entre Cabo Verde e Brasil.  O programa vai ao ar nesta segunda-feira (13/07), às 23h, na TV Brasil.  

“A maioria dos cabo-verdianos torce pelo Brasil na Copa do Mundo e, desta vez, temos a nossa própria seleção. Há muito tempo que nós já descobrimos o Brasil e é bom que nesta Copa o Brasil redescubra Cabo Verde”, afirma o presidente do país, José Maria Neves.  

As equipes de reportagem da teleSUR, com o repórter André Vieira, e da TV Brasil, com o repórter cinematográfico Rogerio Verçoza e o auxiliar Alexandre Sousa, chegaram à cidade de Praia, capital de Cabo Verde, alguns dias antes da estreia da seleção. Encontraram o país em clima de Copa, e o amor dos cabo-verdianos pelo futebol estava nas ruas e nos sorrisos dos torcedores. “Nos óra dja txiga”, em crioulo cabo-verdiano, quer dizer: “a nossa hora já chegou”.

Cabo Verde é um arquipélago na África formado por 10 ilhas, a menos de quatro horas em voo direto do Recife até Praia, capital do país. Existem cerca de 2 milhões de cabo-verdianos em todo o mundo, sendo 500 mil no país e 1,5 milhão no exterior. Metade da atual seleção de futebol é formada por cabo-verdianos nascidos em outros países.

“Somos dez ilhas, mas nós dizemos que somos onze ilhas, porque a décima primeira ilha é a nossa imigração, a nossa diáspora, que é uma diáspora grande nos Estados Unidos, Portugal, França, Holanda, Luxemburgo”, explica Mario Semedo, presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol.  

A equipe acompanhou em Cabo Verde a estreia da seleção contra a Espanha. Por lá, cada defesa do goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha, era celebrada como um gol. O empate em 0 a 0 foi uma conquista histórica, e Vozinha ganhou milhões de seguidores nas redes sociais e foi um dos destaques deste Mundial. Em entrevista gravada no dia seguinte à estreia, Vozinha falou sobre a emoção que estava sentindo e os desafios que os jogadores enfrentam no seu país.

“Em Cabo Verde as dificuldades são muitas, as condições são muito poucas, os materiais esportivos são escassos. Eu sempre consegui ajudar, mesmo tirando luvas das minhas ou mesmo comprando.”

Os profissionais acompanharam também junto aos cabo-verdianos os jogos contra Uruguai, África do Sul e Argentina. O repórter André Vieira viu de perto a chegada dos jogadores a Cabo Verde, num dia 5 de julho, dia da Independência do país, conquistada em 1975.  

“A gente fala muito do Vozinha. Realmente, ele se destacou de uma forma inacreditável nessa Copa. Mas vamos falar desse treinador também, o Bubista? Vamos falar de toda essa equipe, falar dessa equipe técnica, falar desses jogadores que não entraram em campo nem por um minuto, mas que estiveram até o fim lá, criando essa corrente, alimentando essa correnteza que foi a entrada e o tempo que Cabo Verde permaneceu na Copa?”, indaga a cantora e compositora cabo-verdiana Mayra Andrade, para quem o time dos “Tubarões Azuis” deu uma lição de humildade e resiliência ao mundo.  

Zé-Di-Nhana, integrante da primeira seleção do país, em 1978, antes de ela ser conhecida como “Tubarões Azuis”, relembra a história enquanto caminha pela comunidade da Várzea, que não é só a comunidade que viu nascer a seleção, mas que originou grandes jogadores, como ele. Reconhecido nas ruas, ele é considerado o “Pelé de Cabo Verde”. “Pensávamos que íamos aventurar, mas a aventura tem de ser sem medo. O que nós fizemos foi bom. Porque o Cabo Verde está no Mundial.” 

A classificação para as quartas de final na Copa do Mundo não veio, assim como para o Brasil. O que permanece é o legado e a história dos “Tubarões Azuis”. E, com eles, o convite para que os brasileiros descubram Cabo Verde e se reconheçam na música, no futebol, nas belezas naturais e na “morabeza”, palavra em crioulo que traduz o jeito acolhedor que o cabo-verdiano tem de receber quem vem conhecer o país. 

Ficha Técnica

Reportagem: André Vieira, correspondente da teleSUR 
Produção: André Vieira e Cintia Vargas 
Reportagem cinematográfica: Rogerio Verçoza 
Auxílio técnico: Alexandre Souza 
Edição de texto: Cintia Vargas e Flávia Lima 
Edição e finalização de imagem: André Eustáquio e Marcio Stuckert 
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia    

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Petróleo sobe mais de 3% após escalada do conflito entre EUA e Irã e novo fechamento do Estreito de Ormuz

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Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, caiu 1,92%, aos 67.242 pontos; o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,95%, aos 6.806 pontos; o Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,11%, aos 5.463 pontos; o Taiex, de Taiwan, subiu 0,06%, aos 45.380 pontos; e o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,03%, aos 8.808 pontos.



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Fatores sociais e estruturais empurram mulheres para cesarianas

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O que leva tantas gestantes brasileiras a terem seus filhos por cesariana ao invés do parto normal? De acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (13) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), não é uma escolha individual isolada, mas uma consequência de fatores psicológicos, sociais e estruturais. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que até 15% dos nascimentos ocorram via cesariana, cirurgia que salva vidas em situações de emergência, mas também traz riscos por se tratar de um procedimento extenso e complexo. Mas, no Brasil, a proporção de cesarianas passa de 60%, se aproximando de 90% na rede privada de saúde, de acordo com dados oficiais. Isso coloca o nosso país entre os três com a maiores taxas de cesária do mundo. 

O estudo partiu de uma pesquisa divulgada em 2014 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo a qual sete em cada dez gestantes do país desejavam ter um parto normal no começo da gravidez. O objetivo foi entender o que acontece durante a gestação ou parto para que boa parte dessas pessoas acabem passando por uma cesárea. 

Intitulada Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes, a pesquisa ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde em São Paulo (SP) e Belém (PA), tanto na rede pública quanto na rede privada. 

Fatores econômicos e psicológicos

Na capital paulista, em 2024, 56,19% dos nascimentos foram por cesariana, alcançando 71,05% nos hospitais privados. Já em Belém essa taxa sobe para 69,28% dos nascimentos em geral e chega a 80,41% na rede particular. Ambas as cidades têm leis que dão direito à gestante de pedir pela cirurgia no momento do parto.

O Unicef identificou influências positivas e barreiras que favorecem ou impedem a escolha pelo parto normal. “Embora o desejo de protagonismo e de uma experiência positiva esteja presente, outras condições sociais e estruturais também são determinantes na forma como cada gestante vivencia e constrói sua decisão”, conclui o estudo. 

No plano psicológico, pelo lado positivo, as participantes relataram que a recuperação mais rápida favorece a escolha pelo parto normal. Já o medo da dor faz a balança pender para o lado da cesariana.

Essas crenças estão relacionadas ao plano social, porque as gestantes são fortemente influenciadas pelas experiências de outras mulheres, principalmente mães, avós e demais familiares. 

De acordo com a especialista em Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil Stephanie Amaral, essas histórias contribuem muito para a construção social do parto normal como uma experiência de grande sofrimento. Mas, na verdade, muitas situações configuram violência obstétrica e não deveriam ter acontecido. 

“Relatos de parto altamente desrespeitosos, com episiotomia presente, com vários procedimentos e intervenções que não eram necessárias, com indução de parto sem necessidade…Todas essas violências estão muito presentes no imaginário das pessoas e na vivência de outras”, ela complementa. 

Ainda assim, entre as usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), as experiências familiares tendem a valorizar mais o parto normal, por causa das dificuldades vividas após a cirurgia. Mas, de acordo com Stephanie, isso se deve principalmente a uma faceta cruel da desigualdade social. 

“Essa escolha pelo parto normal está muito relacionada à necessidade de ter uma recuperação rápida, por não ter uma rede de apoio para cuidar do bebê e até de outros filhos e da casa”, diz a especialista do Unicef.

Já entre as usuárias do serviço privado, a ausência da rede de apoio como desvantagem para a cesária sequer foi mencionada. 

“No setor privado, as mulheres que escolhem o parto normal fazem isso porque entendem os benefícios para a mãe e para o bebê. Então, elas se preparam e muitas vezes têm condição de contratar uma equipe própria para ter realmente uma experiência positiva de parto”, complementa. 

Outra barreira, verificada exclusivamente entre usuárias do Sistema Único de Saúde, é o desejo de fazer uma laqueadura, o que acaba levando as gestantes a optarem pela cesariana, mesmo reconhecendo os riscos da cirurgia e o desconforto do pós-operatório. 

De acordo com Stephanie, isso mostra como as mulheres não são orientadas a respeito de outros métodos contraceptivos de longa duração, eficazes e disponíveis no SUS, como o implante subdérmico e o DIU, ou mesmo sobre a possibilidade de fazer a laqueadura após o parto normal ou fora da gestação.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 –  A grávida que faz tratamento na Maternidade Escola UFRJ, Fernanda Lopes de Almeida posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 –  A grávida que faz tratamento na Maternidade Escola UFRJ, Fernanda Lopes de Almeida posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Fernanda Lopes de Almeida fez tratamento na Maternidade da UFRJ, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil

Preparação para o parto

Entre os fatores estruturais, a centralidade das equipes de assistência aparece tanto como facilitador, quanto como barreira. De um lado, a equipe de pré-natal continua tendo maior autoridade, frente à enxurrada de conteúdo das redes sociais, e iniciativas institucionais de incentivo ao parto normal fazem diferença.

Por outro lado, as gestantes afirmam receber informações superficiais sobre o trabalho de parto durante o pré-natal e desconhecer a possibilidade de fazer um plano de parto com as suas preferências, principalmente no SUS. A pesquisa também identificou baixa adesão às atividades de orientação ou início tardio do pré-natal, além de acolhimento inadequado das adolescentes. 

Já as gestantes e puérperas do setor privado demonstraram maior preparo, por iniciativa própria. Algumas, inclusive, relataram ter trocado de profissional diversas vezes diante da recusa em realizar o parto vaginal, ou de abordagens desestimulantes. 

“No setor público, elas falam assim: ‘Ah, não adianta me preparar. Eu não quero ter expectativa sobre o parto porque na verdade quem vai decidir vai ser o médico’. Então, tem esse sentimento de impotência. Para que eu vou criar um monte de expectativa, sendo que, lá, vai acontecer o que a equipe médica quer fazer, dependendo se o médico vai com a minha cara ou não?”, relata Stephanie Amaral. 

Outro ponto de diferença entre as duas redes é o acesso à analgesia, amplamente disponível na rede privada e restrito a poucos hospitais de referência no SUS. 

“O parto é um momento muito imprevisível. A gente não sabe quanto tempo ele vai durar, qual o nível de dor que essa mulher vai tolerar, se ela vai precisar ou não de analgesia para não entrar em sofrimento. Então, ter analgesia disponível é uma questão de dignidade”, defende a especialista do Unicef. 

 


Grávida
Grávida

Grávidas se exercitam na preparação para o parto – Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Recomendações

A ampliação da oferta de analgesia e de outros métodos não farmacológicos para alívio da dor é uma das principais recomendações do Unicef para gestores públicos e privados, assim como: 

Qualificar e melhorar o pré-natal com informações claras sobre fases do trabalho de parto, manejo da dor, Plano de Parto, direitos, e planejamento reprodutivo, incluindo orientação sobre laqueadura após parto vaginal e métodos contraceptivos reversíveis de longa duração.

Incluir parceiros e acompanhantes no pré-natal e nas orientações sobre trabalho de parto, para que possam apoiar a decisão informada da mulher sem substituí-la ou pressioná-la. Também reconhecer e ampliar a atuação de doulas como apoio físico, emocional e informacional.

Mobilizar mães, avós, sogras, parteiras e referências locais como aliadas do cuidado, reconhecendo saberes tradicionais em territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos, entre outros povos e comunidades tradicionais, e fortalecendo conteúdos confiáveis nos espaços digitais onde gestantes buscam informação.

Ampliar as políticas públicas para apoiar mães antes, durante e depois do parto, como programas de busca ativa e adesão precoce ao pré-natal; garantia da recepção e registro do Plano de Parto nas maternidades; fortalecimento da vinculação prévia da gestante ao local do parto; qualificação das equipes de saúde para o uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor, ampliação de Centros de Parto Normal e Parto Humanizado; e expansão do acesso à analgesia e à laqueadura após parto vaginal.

Revisar modelos que favorecem a cesariana sem indicação médica, ao fortalecer a segurança jurídica das equipes para decisões baseadas em evidências; incluir capacitação sobre direitos, desigualdades e cuidado respeitoso na formação de profissionais de saúde; criar modelos de financiamento e remuneração que não incentivem cesarianas sem indicação clínica; e monitorar indicadores de saúde materna e neonatal com transparência.

O Unicef também lançou a campanha Parto normal. Uma escolha que merece respeito, que convida gestantes, famílias, redes de apoio e profissionais de saúde a refletirem sobre como as opiniões podem pressionar as mulheres, a despeito de seus desejos e das melhores recomendações de saúde. 

“A OMS traz esse conceito de experiência positiva de parto. Então, não é um parto qualquer, só para as crianças nascerem e continuarem saudáveis e vivas. A gente tá falando de uma experiência que realmente deve ser respeitosa, que fique como algo importante para a mulher”.

“A gente teve pessoas que falaram assim: ‘Deus me livre ter outro filho!’, porque a experiência foi tão ruim que ela não quer passar por isso de novo. Mas o parto não precisa ser traumático. Ele é uma experiência intensa, mas que pode ser positiva e transformadora”, conclui Stephanie. 




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