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Acusado pelos EUA, Brasil é referência no combate ao trabalho forçado

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Nesta quarta-feira (22), parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passa a ser taxada em 25%, resultado de uma decisão unilateral do governo americano, que alega supostas práticas desleais do Brasil no comércio internacional. 

Além disso, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de uma nova sobretaxa de 12,5%, com a justificativa de que o Brasil, na visão norte-americana, não impede a importação de produtos vindos de países que adotam o trabalho forçado.

No entanto, especialistas ouvidos pela Agência Brasil discordam da avaliação americana e vão além: o Brasil é referência no combate ao trabalho forçado e formas análogas à escravidão.

Nova rodada de taxas

A taxa de 25% anunciada no último dia 15 é justificada pelo governo de Washington que alega que o país falha em combater o desmatamento, a corrupção e utiliza o Pix para prejudicar empresas americanas, entre outras práticas.

O governo brasileiro rejeita as acusações e se dispôs a lançar mão da Lei de Reciprocidade, como forma de resposta à taxação, classificada como “injusta”.

Enquanto a cobrança não começa, o governo dá como certa nova tarifa de 12,5%. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na última sexta-feira (17), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, declarou que a nova punição deve ser publicada na sexta-feira (24).

“Vamos saber se ela será cumulativa ou não. O Brasil corre risco de ter uma alíquota de 37,5%”, disse ao jornal.

Alegação norte-americana

A provável nova taxação é fundamentada em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que investiga 59 países e a União Europeia.

O escritório norte-americano aponta que essas economias “falham em impor uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado”.

Sobre o Brasil, o documento rejeita a argumentação de que acordos internacionais coíbem a importação desses produtos.

“Embora o Brasil afirme proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio de compromissos assumidos em acordos de investimento e de livre comércio, essas disposições não proíbem juridicamente a importação para o mercado interno de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado em outro país”, diz o texto do USTR de 2 de junho.

Brasil rebate

Durante a investigação, o Brasil forneceu à Casa Branca informações técnicas sobre o arcabouço legal nacional para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado.

Em 3 de junho, o governo brasileiro manifestou, por meio de nota, “profunda discordância” da conclusão preliminar americana e classificou a medida como “protecionista”, ou seja, uma defesa da economia dos Estados Unidos contra a concorrência internacional.

“É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas  protecionistas unilaterais”, diz o governo brasileiro.

O Brasil acrescentou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência especializada das Nações Unidas, reconhece há décadas o país como “referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político”.

O Decreto 12.857, de fevereiro de 2026, formaliza a adesão do Brasil à Convenção nº 29 da OIT sobre o trabalho forçado. De todos os 187 países que fazem parte da organização, apenas seis constam como não signatários da convenção, entre eles os Estados Unidos. 

O Brasil sustenta ainda que as autoridades aduaneiras, que atuam na entrada e saída de mercadorias do país, detêm competência legal para negar a entrada e confiscar qualquer mercadoria estrangeira que seja contrária à moral pública, aos bons costumes, à saúde pública ou à ordem pública.

“Qualquer bem produzido no todo ou em parte por trabalho forçado enquadra-se nessa definição”, reforça o comunicado.

Reconhecimento internacional
 


Inspeção do trabalho resgata 942 pessoas escravizadas e garante direitos e reparação. Foto: Subsecretaria de Inspeção do Trabalho/ Divulgação
Inspeção do trabalho resgata 942 pessoas escravizadas e garante direitos e reparação. Foto: Subsecretaria de Inspeção do Trabalho/ Divulgação

Inspeção do trabalho resgata 942 pessoas escravizadas e garante direitos e reparação. Foto: Subsecretaria de Inspeção do Trabalho/ Divulgação 

O professor de direito internacional Thiago Romero, do Ibmec-SP, faz questão de separar dois fatores “que a narrativa norte-americana funde”.

“Existe uma diferença jurídica entre combater o trabalho forçado que ocorre dentro do próprio território e barrar, na alfândega, produtos importados que foram fabricados com trabalho forçado em outro país”, explica.

Ele reforça que o Brasil é reconhecido internacionalmente pelo combate do trabalho forçado dentro do país.

“É o entendimento da própria OIT, que há décadas trata o modelo brasileiro de combate ao trabalho análogo ao de escravo como uma das melhores práticas do mundo”, diz.


21/07/2026 - Matéria especial tarifaço (trabalho forçado).  Na foto o entrevistado Thiago Romero, professor de direito internacional do Ibmec-SP. Foto: Thiago Romero/ Arquivo Pessoal
21/07/2026 - Matéria especial tarifaço (trabalho forçado).  Na foto o entrevistado Thiago Romero, professor de direito internacional do Ibmec-SP. Foto: Thiago Romero/ Arquivo Pessoal

Thiago Romero, professor de direito internacional do Ibmec-SP.

O professor acrescenta que o país tem uma “arquitetura jurídica bastante sólida para mostrar”. Ele cita o artigo 149 do Código Penal, que criminaliza a redução à condição análoga à escravidão, com uma definição ampla que inclui jornada exaustiva e condições degradantes.

“Mais avançada, inclusive, do que a de muitos países desenvolvidos”, qualifica.

Ele acrescenta que existem, desde 1995, os Grupos Móveis de Fiscalização do Ministério do Trabalho. De acordo com o Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, quase 66 mil pessoas foram resgatadas de condição análoga à de escravo.

O professor lembra também da chamada “lista suja”, cadastro de empregadores brasileiros flagrados em uso do trabalho forçado.

“Um instrumento de transparência que o próprio setor privado usa para cortar relações comerciais e crédito com infratores, mecanismo que a OIT recomenda como modelo”, enfatiza.

A versão atual da lista suja divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em abril apresenta 568 empresas listadas. Alguns empregadores aparecem mais de uma vez por terem sido responsabilizados em diferentes ações fiscais ou estabelecimentos. Como há atualizações recorrentes, nomes podem ser retirados da relação. 

“O Brasil fiscaliza até mesmo o trabalho forçado embarcado em cadeias estrangeiras que operam em solo brasileiro”, aponta Romero. 

Outra ferramenta lembrada pelo especialista do Ibmec é o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne grandes empresas e a sociedade civil.

USTR

 


Rio de Janeiro - Fotos do porto do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro - Fotos do porto do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Porto do Rio de Janeiro – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O professor explica que o USTR se apega a uma lacuna técnica para enquadrar o Brasil.

“A crítica americana tem um fundo ‘técnico’ verdadeiro. Quando os Estados Unidos dizem que há muito trabalho escravo no Brasil, eles estão dizendo que o Brasil não possui um instrumento aduaneiro específico para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado no exterior, nos moldes do modelo americano”, contextualiza.

Nos Estados Unidos existe uma norma desde 1930, a Seção 307 da Lei de Tarifas, que proíbe a importação de qualquer mercadoria que tenha sido beneficiada total ou parcialmente com trabalho forçado. 

Thiago Romero detalha que em 2021, a legislação foi atualizada, determinando que qualquer produto vindo da região chinesa de Xinjiang foi feito com trabalho forçado, sendo barrado na alfândega. 

A União Europeia aprovou um instrumento semelhante em 2024, com vigência prevista para 2027, lembra o especialista.

Na visão dele, ao reconhecer que o Brasil não tem instrumento legal que trave a mercadoria na entrada com base na origem em trabalho forçado, isso não representa que o Brasil falha.

“O que o Brasil não tem é um mecanismo de bloqueio de importações espelhado no modelo dos Estados Unidos. É uma lacuna de instrumento, não uma omissão de política”, afirma.

Para Romero, quando o governo de Washington exige que 60 economias adotem o padrão regulatório americano sob ameaça de tarifa, vira uma forma de “exportar a própria legislação”. 

“Quando se tarifa o mundo inteiro sob o mesmo argumento, fica claro que a variável que explica a medida não é o trabalho forçado, e sim a política comercial”, conclui.

PL no Congresso

 


13/07/2026 -  Brasília - Torres do Prédio do  Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
13/07/2026 -  Brasília - Torres do Prédio do  Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Torres do Prédio do Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Há quase 11 anos tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 2.799/2015, que se propõe a ser um mecanismo de proibição da importação e comércio de produtos feitos com trabalho infantil, forçado ou obrigatório. 

O PL está na Câmara dos Deputados, passou por aprovações em comissões em 2025 e 2026, mas ainda não há uma palavra final dos parlamentares.

O advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Jean Menezes de Aguiar acredita que o fato de o PL ainda não ter virado lei não pode ser motivo para a Casa Branca classificar o Brasil como país que não combate o trabalho forçado.

“De jeito nenhum. Todo país tem suas burocracias, e o Legislativo americano é moroso também”, diz.


21/07/2026 - Matéria especial tarifaço (trabalho forçado).  Na foto o entrevistado Jean Menezes de Aguiar, advogado e professor da FGV. Foto: Jean Menezes Aguiar/ Arquivo Pessoal
21/07/2026 - Matéria especial tarifaço (trabalho forçado).  Na foto o entrevistado Jean Menezes de Aguiar, advogado e professor da FGV. Foto: Jean Menezes Aguiar/ Arquivo Pessoal

 Jean Menezes de Aguiar, advogado e professor da FGV- Jean Menezes Aguiar/ Arquivo Pessoal

Menezes de Aguiar chama a pressão americana de “tipicamente político-eleitoral”. “Eles sabem que temos isso muito bem regulado na Constituição, e o Brasil não transige com essa pauta”, afirma.

O advogado chama atenção para o Artigo 243 da Constituição Federal, que determina que propriedades onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário. “Não existe no plano civil imputação maior do que a expropriação de um bem no modelo capitalista”, considera.

“Só por esse artigo 243 da Constituição, já temos uma certeza de que o país é totalmente comprometido com o não trabalho escravo e outras condições análogas e que digam respeito a esse tipo de situação”, afirma.

Para o advogado e professor da FGV, em relação à importação de bens que tiveram trabalho forçado na cadeia produtiva, basta o país ter a informação sobre a origem no trabalho ilegal.

“A partir do momento que isso seja público e notório, o país pode envidar esforços para que o produto não entre, para que isso não chegue aqui, porque estes objetos estariam ao nosso ver da Constituição brasileira, contaminados por esta situação péssima”, pontua.



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Embraer vai produzir mais 20 caças Gripen no interior de SP

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A aeronave pode atingir velocidades de até 2,4 mil km/h, o equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som, e tem autonomia de até duas horas e meia de voo. Ela também conta com capacidade de reabastecimento em pleno ar, o que amplia ainda mais seu alcance operacional.



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Galaxy Z Fold8: Samsung lança celular dobrável com tela quadrada para concorrer com iPhone

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Novo Galaxy Z Fold8
Divulgação
A Samsung anunciou nesta quarta-feira (22), em Londres, a sua nova linha Galaxy Z de celulares dobráveis. A família conta com três smartphones: Galaxy Z Fold8 Ultra, Z Fold8 e Z Flip8, que serão lançados no Brasil em 6 de agosto.
A principal novidade do evento foi o Z Fold8. O aparelho ganhou um design mais quadrado, que lembra o formato de um passaporte quando fechado.
Rumores de sites especializados em tecnologia apontam que o formato quadrado também deve ser adotado pela Apple em seu celular dobrável, previsto para este ano. Marcas chinesas, como a Huawei, já utilizam essa alternativa de design.
Ao abrir o Z Fold8, a tela intermediária de 7,6 polegadas fica na proporção 4:3, menos esticada que a da versão Ultra, de 8 polegadas. Segundo a Samsung, a mudança permite uma “experiência mais natural e imersiva, com foco no conteúdo”.
Samsung Galaxy Z Fold8 aberto e fechado
Reprodução
Na definição da fabricante, o Z Fold8 Ultra é voltado para a produtividade, enquanto o Z Flip8 foca no estilo pessoal.
Os dois modelos maiores (Fold8 e Ultra) passaram a ter a estrutura da tela reforçada com titânio.
O novo material torna os celulares mais resistentes e duráveis, além de deixar o vinco no meio do display menos visível. Já o Z Flip8, que tem uma tela interna menor, mantém a estrutura feita em alumínio. 
Outra mudança importante é a adoção de baterias com tecnologia de silício-carbono nos três smartphones. Até então, a Samsung usava apenas íons de lítio, material que tendia a deixar os telefones mais grossos.
Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra, Fold8 e Flip8, novos lançamentos da marca
Divulgação
O componente permite criar aparelhos com maior capacidade de carga, mas com um design mais fino e leve.
Os três celulares e os dois novos relógios inteligentes da marca — Galaxy Watch Ultra2 e Watch9 — serão lançados no Brasil no dia 6 de agosto. Os preços em reais ainda não foram divulgados.
O Galaxy Z Fold8 Ultra estará disponível nas cores roxo, branco, preto e verde-escuro. O Z Fold8 terá opções em lavanda, branco, preto e verde pistache.
Já o Z Flip8 virá nas versões em rosa, branco, preto e verde menta.

O Galaxy Z Fold8 Ultra estará disponível nas cores roxo, branco, preto e verde-escuro. O Z Fold8 terá opções em lavanda, branco, preto e verde pistache. Já o Z Flip8 virá a versões em rosa, branco, preto e verde menta.
Veja a seguir duas opções de celulares dobráveis já à venda no Brasil. Os produtos custavam entre R$ 4.000 e R$ 15.000 nas lojas on-line pesquisadas em julho.
Motorola Razr Fold
Samsung Galaxy Z Flip7 FE
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Tolkien e a esperança cristã: o significado da eucatástrofe

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O conceito de eucatástrofe, criado por J.R.R. Tolkien, oferece aos cristãos uma linguagem poderosa para expressar a esperança que surge em meio ao sofrimento. Essa ideia se torna especialmente relevante ao refletirmos sobre a mensagem do Evangelho e suas promessas de redenção.

O que é eucatástrofe?

A palavra “eucatástrofe” foi inventada por Tolkien e se refere a um momento de reviravolta positiva em uma narrativa, onde a desgraça é transformada em alegria. Essa ideia é central nas histórias cristãs, onde a ressurreição de Cristo representa a maior eucatástrofe da história, trazendo esperança e renovação à humanidade.

O sofrimento e a esperança

Em suas obras, Tolkien explora a luta entre o bem e o mal, refletindo sobre o sofrimento que os personagens enfrentam. No entanto, ele também enfatiza que, mesmo nas situações mais sombrias, há sempre a possibilidade de uma eucatástrofe. Para os cristãos, isso ressoa profundamente com a mensagem do Evangelho, que não ignora o sofrimento, mas promete que, através dele, pode surgir uma nova vida.

Reações à eucatástrofe no contexto cristão

Vários líderes cristãos e teólogos têm refletido sobre o conceito de eucatástrofe e sua aplicação na vida dos fiéis. A ideia de que a dor e a tristeza podem levar a um novo começo é uma mensagem de esperança que encoraja muitos a perseverarem em sua fé, mesmo diante das adversidades.

“A eucatástrofe nos ensina que a verdadeira esperança não é uma negação do sofrimento, mas uma transformação que vem dele.”

— Teólogo contemporâneo

O que esperar?

À medida que os cristãos enfrentam desafios em suas vidas pessoais e coletivas, a mensagem da eucatástrofe se torna um lembrete poderoso de que a esperança é sempre possível. O Evangelho nos convida a olhar além das dificuldades e a confiar que, mesmo nas situações mais difíceis, Deus pode operar mudanças surpreendentes.



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Consórcio reúne prefeitos e avança em ações para fortalecer o desenvolvimento da região Sul de MT

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Os municípios que integram o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental da Região Sul (Cidesasul) se reuniram nesta terça-feira (21), em Jaciara, para discutir estratégias conjuntas para fortalecer o desenvolvimento regional. O encontro reuniu prefeitos e representantes de 14 municípios para debater temas como a implantação do CAR Digital 2.0, a concessão dos serviços de manejo de resíduos sólidos, o fortalecimento do Selo de Inspeção Municipal (SIM), o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (Sisbi) e a parceria entre a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e os municípios consorciados.

Durante a reunião, os municípios assinaram um protocolo de intenções com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para acelerar a regularização ambiental de imóveis rurais e assentamentos. Como parte da iniciativa, será realizado, na primeira semana de agosto, um mutirão de regularização ambiental em Jaciara, beneficiando produtores rurais de toda a região Sul.

O presidente da AMM, Hemerson Maninho, destacou que a união dos municípios por meio do consórcio fortalece a capacidade de execução das políticas públicas e serve como referência para outras regiões do estado. “Esse evento mostra a união dos municípios da região Sul que pode servir de exemplo para os demais consórcios de Mato Grosso, principalmente pela força do trabalho integrado para fomentar a agricultura familiar”, afirmou. Além de destacar que o CAR Digital 2.0 representa um grande marco na regularização ambiental, Maninho ressaltou os avanços proporcionados pelo Sisbi, que permite aos municípios ampliarem a comercialização de produtos da agricultura familiar.

Mais desenvolvimento para os municípios

Os prefeitos enalteceram a importância da atuação conjunta entre os municípios para superar desafios e ampliar as oportunidades de desenvolvimento regional. Os gestores enfatizaram avanços proporcionados pelo consórcio e a parceria com instituições estaduais e municipais.

A prefeita de Jaciara, Andréia Wagner, anfitriã do encontro, destacou que a regularização ambiental representa um avanço para pequenos produtores e proprietários rurais que aguardam há anos pela solução de pendências. A gestora reforçou que o Cadastro Ambiental Rural é uma ferramenta essencial para garantir segurança aos produtores. “O CAR é a certidão de nascimento ambiental da propriedade. É a segurança jurídica que garante o direito de plantar, empreender e deixar um legado para os filhos. A regularização ambiental não é um obstáculo, é um passaporte para o desenvolvimento sustentável, credibilidade no mercado e acesso ao crédito”, ressaltou.

O presidente do Cidesasul e prefeito de Juscimeira, Alexandre Russi, afirmou que o encontro demonstra a importância da atuação conjunta dos municípios para buscar soluções regionais. “Agradecemos os prefeitos que estiveram presentes, Sindicato Rural, assentamentos, associações, e a AMM que também dá força para a gente. É uma associação dos 142 municípios do estado do Mato Grosso, e essa parceria com o presidente Maninho vai ser muito importante e produtiva para alavancar mais ainda projetos importantes para os municípios da região sul”, afirmou.

O prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, destacou a importância da orientação técnica para garantir que os pequenos produtores tenham acesso à documentação necessária para trabalhar com segurança. “Essa parceria entre a Sema e o consórcio vai proporcionar um trabalho mais simplificado, permitindo que as pessoas tenham o CAR e toda a documentação necessária para trabalhar com tranquilidade”, afirmou.

O evento também contou com a presença do governador Otaviano Pivetta e do presidente da Assembleia Legislativa, Maxi Russi.
O governador reafirmou o compromisso do Governo do Estado com o desenvolvimento dos municípios mato-grossenses, destacando a importância da parceria institucional para fortalecer áreas como infraestrutura, meio ambiente e agricultura familiar.

O presidente da ALMT, deputado Max Russi, ressaltou a importância da cooperação entre os municípios para melhorar a prestação dos serviços públicos. Ele frisou que o fortalecimento de instituições, como a AMM e os consórcios públicos, é fundamental para assegurar entregas cada vez mais importantes para a população.

Sobre o Cidesasul

O Cidesasul é formado pelos seguintes municípios: Alto Garças, Alto Taquari, Campo Verde, Dom Aquino, Itiquira, Jaciara, Juscimeira, Pedra Preta, Poxoréu, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, São José do Povo, São Pedro da Cipa e Tesouro.



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Orides Fontela: a radicalidade de uma vida dedicada à poesia

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A poeta Orides Fontela (1940-1998) transformou o ofício da escrita em uma forma de existência. Ela dedicou-se a pensar o poema, perseguir a palavra exata, escrever e reescrever, como se lapidasse os versos. Considerada por críticos e estudiosos uma das grandes poetas brasileiras do século 20, construiu uma obra marcada pela precisão da linguagem e pela densidade filosófica.

O resultado é uma obra poética marcada por originalidade, em que poucos versos dão conta de reflexões profundas. No entanto, durante boa parte da vida e mesmo depois da morte de Orides, a poesia dela permaneceu por décadas restrita a círculos acadêmicos, à margem de um reconhecimento mais amplo. Enquanto seus poemas despertavam a atenção entre críticos, professores e escritores, ela seguia invisibilizada diante do grande público.

Quase 30 anos depois de sua morte, a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa nesta quarta-feira (22), tem Orides Fontela como homenageada. A escolha da curadora Rita Palmeira tem permitido que se reconheça o valor do trabalho da autora, cuja vida se organizou em torno da poesia. Além disso, o evento deve promover um maior acesso do público à obra dela.
 


Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação
Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Orides Fontela é a homenageada da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) – Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Natural de São João da Boa Vista, no interior paulista, a poeta se formou em filosofia, além de ter sido professora primária e bibliotecária. A autora venceu o Prêmio Jabuti com o livro Alba, em 1983, na categoria Poesia, e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 1996.

Segundo o pesquisador e jornalista Gustavo de Castro, autor da biografia O Enigma Orides (editora Hedra), no passado, principalmente enquanto ela era viva, havia uma narrativa consolidada sobre a escritora, inclusive na imprensa, que deslocava o foco da poeta para uma personagem quase folclórica, descrita a partir de conflitos pessoais.

“Ela não teve reconhecimento de sua obra. Ela era conhecida como uma poeta universitária, foi reconhecida pelos críticos, pelos professores da universidade, mais ninguém. Ela não tinha um alcance nacional, não mesmo, como isso que está acontecendo agora com a Flip, graças a Rita Palmeira, que teve uma visão de valorizar uma mulher poeta, pobre e marginalizada”, disse Gustavo de Castro, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ele, os rótulos e estereótipos atribuídos a Orides foram muito destacados em detrimento do valor literário da obra dela. O pesquisador defende que a autora seja reconhecida como uma artista que fazia poesia apesar das situações extremas de pobreza.

“É uma poeta inteligentíssima, que pensa o livro enquanto produto artístico, o poema enquanto elaboração sensível, e a palavra enquanto sentimento.”
 


Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação
Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Nascida no interior de São Paulo, Orides Fontela é considerada uma das grandes poetas brasileiras do século 20 – Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Outro elemento que contribuiu para invisibilizar Orides, aponta o pesquisador, foi o machismo. “Ela foi vítima do machismo, que está na sociedade brasileira e por isso também está na literatura brasileira. E esse machismo continua”, lamentou Castro.

O pesquisador disse que a autora ainda é retratada na imprensa a partir dos estereótipos atribuídos, majoritariamente, a mulheres que desafiam as expectativas sociais sobre comportamento, relações afetivas e trabalho.

“A Orides que merece ser vista é aquela que medita a palavra. A palavra dela é como um cristal: se você gira um pouquinho para cá, você vê uma determinada coisa. Se gira um pouquinho para lá, você vê uma outra coisa. Esse é o poder da poesia”, ressaltou.

Orides tinha um processo de escrita marcado pela reescrita constante. “Ela terminava de ler um livro e escrevia atrás dele alguns versos, inspirada naquela leitura. Ela escrevia em folhas avulsas e ia guardando em pastinhas. Depois reunia, retrabalhava, reescrevia. A poesia de Orides tem muito de reescritura, isso é uma marca”, contou Castro.

“Mas não era essa poeta que marca um horário, senta, escreve, sabe? Ela tentava unir inspiração e transpiração, no sentido de captar uma ideia poética, anotar e depois retrabalhar aquilo com calma”, explicou. Lançada originalmente em 2015, a biografia de Orides foi reeditada e ganhou trechos inéditos neste ano em que a autora é a homenageada da Flip.

Para Gustavo Castro, que tem como tema de pesquisa acadêmica justamente biografias de poetas, chama atenção a dedicação de Orides a pensar a poesia continuamente.

“Só pensa poesia, vive poesia, respira poesia. A família da Orides, o pão da Orides, a vida da Orides eram a poesia. Isso implica uma vida de intensidade, viver na intensidade da poesia.”


Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação
Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Orides Fontela tem a obra marcada pela precisão da linguagem e pela densidade filosófica – Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Ele ressaltou que, apesar das condições materiais precárias que marcaram a trajetória da autora, Orides continuou a se dedicar à poesia. “Isso é muito radical. Essa radicalidade de sacrificar as condições materiais em função da poesia, quem faz isso? Orides fez”, disse o biógrafo. “Ela é uma espécie de santa da poesia, eu costumo dizer. Porque é uma espécie de santidade, de pureza, de crença na palavra poética.”

“Não precisa também idealizar a Orides, não, sabe?”, ponderou Gustavo, relatando que ela viveu um “despedaçamento” em sua vida por conta dessa dedicação total à poesia. “Você não consegue ter uma vida prática, objetiva, prosaica. Você se despedaça, como foi o caso dela. Ela foi se esquecendo de tudo, até de si mesma.”

O biógrafo lembrou ainda uma expressão que a poeta costumava mencionar.

“Ela dizia assim: ‘Clarice Lispector escreveu Perto do Coração Selvagem. Eu sou o próprio coração selvagem.’” Ele conclui: “Orides estava muito próxima de um estado radical, selvagem, de apostar uma vida inteira em palavras, em versos, e até abdicar de relações em função da sua poesia.”



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Câmara diz ao STF que não há irregularidades em indicações de emendas

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A Câmara dos Deputados informou nesta segunda-feira (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não há irregularidades nas indicações de emendas parlamentares.

A manifestação foi enviada ao ministro Flávio Dino, relator do processo que trata da transparência na distribuição de emendas no Congresso.

A Advocacia da Câmara sustentou que a tramitação interna das emendas segue o rito regimental. A Casa anexou atas de bancada e de comissão para comprovar que as indicações feitas pelos deputados foram “regulamente deliberadas e aprovadas”.

Polícia Federal

Ontem, Flávio Dino enviou à Polícia Federal (PF) as explicações recebidas de presidentes de partidos sobre a influência dos políticos na indicação de emendas parlamentares.

Na semana passada, Dino determinou que 21 siglas enviem ao Supremo explicações sobre a gestão das emendas.

A medida foi determinada após o ministro bloquear R$ 119 milhões em bens que estão em nome do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A decisão foi um desdobramento da Operação Transparência, na qual a PF investiga desvios de emendas.

Na decisão, Dino apontou a suspeita de que Valdemar pode ter feito indicações irregulares de emendas mesmo sem mandato. Valdemar é ex-deputado federal pelo estado de São Paulo.

Em resposta ao ministro, Valdemar disse que não tem cotas em emendas e não faz indicações formais de emendas.



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Dólar abre em alta, de olho em novo tarifaço de Trump e resultados corporativos

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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (22) em alta, com um avanço de 0,17% perto das 9h, cotado a R$ 5,0816. Investidores avaliam o novo tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump, e aguardam novos resultados corporativos. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
▶️ As nova taxa adicional de 25% imposta por Trump sobre produtos brasileiros fica no radar nesta quarta-feira. A tarifa entrou em vigor ontem e a expectativa é que uma nova alíquota, que deve ficar entre 10% e 12,5% seja anunciada em breve para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A medida também coloca pressão sobre o governo brasileiro, que ainda conversa com empresários dos setores afetados e avalia como reagir à taxação.
▶️ Além disso, o conflito no Oriente Médio e o número cada vez menores de embarcações que conseguem cruzar o Estreito de Ormuz também segue no radar. Apesar de mediadores terem pedido um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã para a realização de negociações, os ataques continuam.
As tensões continuam a se refletir nos preços do petróleo, em meio a temores de uma interrupção na oferta global da commodity. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 4,41%, cotado a US$ 95,02. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 4,07% no mesmo horário, cotado a US$ 87,77 por barril.
LEIA MAIS
Petróleo supera US$ 95 pela primeira vez desde junho após escalada da guerra entre EUA e Irã
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,75%;
Acumulado do mês: -1,74%;
Acumulado do ano: -7,57%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: –0,22%;
Acumulado do mês: +0,76%;
Acumulado do ano: +7,57%.
Tarifaço passa a valer
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22).
A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.
As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política.
A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.
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Petróleo e tensões no Oriente Médio
Na madrugada desta quarta, pelo horário iraniano, os EUA atacaram alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva. Segundo as forças americanas, os bombardeios atingiram centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones do Irã.
Moradores de Teerã relataram explosões. Outras foram registradas nas cidades de Chabahar, Konarak e Bushehr, onde fica a única usina nuclear do Irã.
Antes, o Irã havia atacado instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Além disso, um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo.
O Irã também afirmou ter atingido infraestrutura da Amazon no Bahrein, onde a empresa americana mantém um centro regional de dados. A companhia não comentou.
Ainda na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá atacar “muito em breve” a montanha de Pickaxe, próxima à instalação nuclear de Natanz.
A montanha abriga uma rede de túneis subterrâneos onde especialistas acreditam que o Irã mantenha parte da infraestrutura usada no enriquecimento de urânio.
Em resposta, o comando militar iraniano afirmou que vai atacar investimentos dos Estados Unidos e de países aliados caso instalações nucleares iranianas sejam bombardeadas.
Segundo um funcionário do Ministério da Saúde iraniano, 50 civis morreram e 500 ficaram feridos nos recentes ataques norte-americanos. Já os EUA confirmaram a morte de 18 militares desde o início da guerra.
A escalada das tensões volta a trazer preocupações sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Bolsas globais
Na Ásia, as ações chinesas fecharam em queda nesta quarta-feira, mais uma vez lideradas pelos setores de chips e tecnologia, conforme investidores realizaram lucros após a sessão anterior ter registrado a maior alta em três meses.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,46%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,07%.
Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,95%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul teve uma valorização de 0,74% e o Nikkei, do Japão, recuou 0,18%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo
Jornal Nacional/ Reprodução



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OpenAI diz que sua IA agiu por conta própria e lançou um ataque cibernético 'sem precedentes'

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Logo da OpenAI, dona do ChatGPT
AP Photo/Michael Dwyer
A OpenAI informou que alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados agiram por conta própria e invadiram uma startup após a empresa perder o controle sobre eles durante um teste de segurança.
A criadora do ChatGPT declarou que seu agente — um sistema de IA capaz de operar autonomamente após receber instruções iniciais de humanos — estava sendo testado em um ambiente controlado, mas teve vulnerabilidades.
O sistema teve como alvo a Hugging Face, uma das maiores plataformas do mundo para compartilhamento de modelos de IA, obtendo acesso a alguns sistemas internos da empresa.
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A OpenAI classificou o incidente como “sem precedentes” e afirmou estar conduzindo uma investigação em conjunto com a Hugging Face.
O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, declarou em uma publicação no X que era “impressionante que tudo isso tenha acontecido de forma autônoma”. “A investigação está em andamento, e compartilharemos mais aprendizados sobre o que pode ser o primeiro incidente desse tipo”, acrescentou.
Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo
Ambientes de teste (sandboxes) inseguros
Gina Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse ao programa Today, da BBC Radio 4, que os testes de segurança — conhecidos como sandboxes — “deveriam ser ambientes seguros onde é possível observar do que os modelos são capazes”.
“Neste caso, parece que a OpenAI não criou um ambiente de teste suficientemente seguro”, acrescentou ela.
Em vez disso, os agentes criaram seu próprio ataque cibernético contra o ambiente de teste, encontrando uma vulnerabilidade que lhes permitiu escapar.
Uma vez fora, a IA identificou a Hugging Face como uma provável fonte das respostas que buscava no teste e tentou obter acesso.
Neil Lawrence, professor de aprendizado de máquina na Universidade de Cambridge, classificou o feito como “impressionante”, mas ressaltou que ele “está totalmente dentro das capacidades conhecidas da geração atual” de modelos de IA de alto desempenho.
Ele observou que a OpenAI busca abrir seu capital na bolsa de valores e enfrenta forte pressão da rival Anthropic, que ganhou destaque com sua própria ferramenta de IA poderosa, a Mythos.
“A OpenAI está agora correndo atrás do prejuízo; eles estão tentando demonstrar as capacidades de seus próprios sistemas em segurança cibernética.”
“Isso nos mostra que a OpenAI não é capaz de implementar sua própria tecnologia com segurança”, acrescentou.
Em seu comunicado inicial sobre a invasão, em 16 de julho, a Hugging Face informou que ainda estava avaliando se dados de clientes ou parceiros haviam sido afetados e que entraria em contato com as partes atingidas, se necessário.
A empresa afirmou que já corrigiu as vulnerabilidades apontadas pelo incidente e reconstruiu os sistemas afetados.
“Ferramentas ofensivas autônomas impulsionadas por IA já não são algo teórico”, declarou a empresa. “Defender uma plataforma online agora significa tratar os dados e a superfície do modelo como uma superfície de ataque de primeira ordem, e utilizar IA na defesa para acompanhar o ritmo.
“Continuaremos investindo nessa área e compartilhando o que aprendermos.”
‘Momento de reflexão’
O incidente levantou novas questões sobre as capacidades de sistemas avançados de IA e se as salvaguardas existentes são suficientes à medida que a tecnologia se torna mais poderosa.
Spencer Starkey, executivo da empresa de cibersegurança SonicWall, disse à BBC que o episódio deixou claro que as organizações precisam “intensificar” suas defesas e “tratar a resiliência cibernética como uma prioridade operacional fundamental”.
“A verdade desconfortável é que muitas organizações ainda se defendem na velocidade humana, enquanto os adversários estão avançando para a velocidade das máquinas”, afirmou.
Enquanto isso, Travis Lelle, engenheiro-chefe de segurança da consultoria Guidepoint Security, disse que a atualização marcou um “momento de reflexão na cibersegurança”. “Isso evidencia uma assimetria conhecida”, disse ele.
“Os agentes ofensivos não têm restrições, enquanto as melhores ferramentas de defesa estão limitadas por mecanismos de controle que não conseguem compreender o contexto.”
No entanto, Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, observou que o anúncio também poderia ter uma dimensão competitiva.
Ele argumentou que a OpenAI pode estar tentando destacar suas próprias capacidades de IA, uma vez que a rival Anthropic atrai cada vez mais atenção com seu modelo Claude Mythos.
“Isso levanta a questão de se a OpenAI estaria tentando alcançar o sucesso de marketing da Anthropic”, disse.
O fato ocorre uma semana após a startup chinesa de IA Moonshot apresentar o Kimi K3 — um novo e gigantesco modelo de inteligência artificial que, segundo a empresa, pode rivalizar com as principais companhias dos EUA.



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Primeiros poemas da juventude já revelavam grandeza de Orides Fontela

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Escritora homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) neste ano, Orides Fontela já era uma grande poeta quando ainda escrevia os primeiros versos na adolescência, em São João da Boa Vista, no interior paulista. Os poemas daquela época também revelavam o que se tornaria uma marca em sua obra: concisão e rigor na linguagem que davam conta de reflexões profundas.

O poema Elegia, publicado no jornal local O Município, no ano de 1965, chamou a atenção de Davi Arrigucci Jr., conterrâneo de Orides que, na época, estudava letras. Atualmente, ele é crítico literário e professor aposentado de teoria literária da Universidade de São Paulo (USP). Ele incentivou Orides a reunir os poemas em livro e a se mudar para a capital paulista.

“Ele encontrou com Orides, casualmente, ali na cidade e falou: ‘Você tem mais coisa? Deixa eu ver’. E ela mostrou uma pasta de poemas dela. Ele achou aquilo muito bom, levou para São Paulo e deu na mão de críticos”, contou Cristina Yamazaki, editora da Hedra, que trabalhou na recente reedição das obras da poeta.

Desde o início de sua carreira, Orides teve entusiastas como o crítico literário Antonio Candido e a filósofa Marilena Chaui, que depois seria sua professora no curso de filosofia da Universidade de São Paulo (USP). Filha de um marceneiro e de uma dona de casa, Orides foi alfabetizada pela mãe.

“Ela surgiu como uma poeta pronta. Ela tem cinco livros, e não é que ela tenha uma progressão entre os livros. Desde o primeiro livro, que são esses poemas de juventude, ela já era reconhecidamente uma grande poeta, apesar de não ser conhecida do grande público”, ressaltou, em entrevista à Agência Brasil.

Com poucas palavras, Orides construiu poemas que carregam múltiplos significados, com densidade poética e filosófica, o que também já era reconhecido por críticos e escritores. “Antonio Candido, por exemplo, usou uma expressão que se repetiu bastante [sobre sua obra], que é ‘parcimoniosa opulência’. Ela consegue produzir muito significado com poucas palavras.”


Brasília (DF), 21/07/2026 - FOTO DE ARQUIVO - A poeta Orides Fontela. Foto: Fritz Nagib/Divulgação
Brasília (DF), 21/07/2026 - FOTO DE ARQUIVO - A poeta Orides Fontela. Foto: Fritz Nagib/Divulgação

Vigésima quarta edição da Flip homenageia a poeta Orides Fontela – Foto: Fritz Nagib/Divulgação

“Ela vai depurando a linguagem até chegar ao âmago da palavra, ela vai fazendo muitas experimentações até levar a gente para [uma espécie de] um núcleo do silêncio. O silêncio é muito importante na obra dela. Ele faz parte, ele também constitui os poemas”, relatou Cristina. “Ela tem um um poema tão bonito em que ela fala de saber de cor o silêncio. É isso, ela não quer profanar o silêncio com quaisquer palavras. E ela é muito precisa”, acrescentou.

A formação de Orides em filosofia também é uma referência nos seus poemas. “Ela escreveu um poema chamado Kant (relido), em que ela faz uma leitura poética do Kant”, lembrou a editora. Ela ressaltou que a poesia de Orides não incorpora elementos autobiográficos, sua escrita não era voltada para uma dimensão de vida pessoal.

Os livros de Orides

Para celebrar a obra e o legado de Orides, haverá três lançamentos durante a Flip: de um livro de poemas da autora ilustrado para crianças e jovens, de uma coletânea inédita de escritos críticos e entrevistas, além da nova edição – revista e ampliada – da biografia da poeta, todos pela editora Hedra.

Além disso, a Hedra detém os direitos das obras já publicadas da poeta e lançou nova edição de todas elas nos últimos meses. Ao longo de sua carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia.

Cristina Yamazaki conta que, além da organizadora das edições, Ieda Lebensztayn, houve um trabalho conjunto com Augusto Massi, que foi amigo e editor de Orides. “Fizemos uma pesquisa de manuscritos, datiloscritos, materiais que a gente pudesse incluir nas obras. Encontramos, por exemplo, anotações do Antonio Candido em um poema que ela incorporou depois. Ela teve leitores superespeciais.”

A equipe também conseguiu imagens que não tiveram tanta circulação. Os retratos de Orides acabaram se repetindo nas divulgações, com registros especialmente da década de 1990. “Fomos atrás de coisas dela de infância, da juventude, todo todo material que pudéssemos. Mas sem carregar demais as obras porque também não são obras para críticos, é para um grande público.”

Uma curiosidade é que alguns originais de Orides estavam espalhados em diversas mãos. “Isso porque, como às vezes ela não encontrava editora para publicar os poemas, ela fazia cópias e eles circulavam entre algumas pessoas. Então, algumas pessoas têm esses originais ou têm cópias”, relatou Cristina.

“Cada livro dela era muito pensado, por isso que a Hedra quis fazer essas edições avulsas, que nunca mais tinham sido publicadas [desde a morte da escritora]. Só durante a vida da Orides, ela publicou esses cinco livros que tiveram circulação pequena, em edições simples”, mencionou. Após a morte da poeta, houve apenas publicações com a poesia toda reunida, diferentemente do que a própria Orides idealizou em vida.
 


Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação
Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Orides Fontela publicou cinco livros ao logo da carreira – Foto: Fritz Nagib/ Divulgação

Cristina ressalta que, dessa forma, é possível valorizar o modo de produção de Orides. “Cada livro dela foi muito pensado, a ordem dos poemas, as partes. Ela sempre começa com um poema que anuncia o tema daquele volume, e ela sempre termina com um poema que trata do silêncio. Isso fica mais claro quando vemos cada obra individualmente”, explicou.

Para Ieda Lebensztayn, organizadora das novas edições, o poema Caleidoscópio, do livro Helianto, é central para entender a poesia e a vida de Orides. “Etimologicamente, a palavra caleidoscópio é o olhar em busca de uma forma de beleza. Kalós, como na palavra caligrafia, significa belo; eidos é forma, figura; e skopeîn, como em telescópio, denota ver, observar”, analisou.

Tal definição, afirmou Ieda, é a própria ideia de poesia para Orides, feita com imagens de espelhos, estrelas, luzes e silêncios, que se organizam artisticamente e sempre se recombinam em novos versos.

“Como diz Orides em entrevista a Augusto Massi, Flávio Quintiliano e José Maria Cançado: ‘E o maior bem possível foi sempre a poesia’. No contexto da entrevista, o apego de Orides à liberdade de fazer poesia tem por contraparte sua situação social precária, que fala também das dificuldades enfrentadas por intelectuais num mundo mercadológico, e aponta a dimensão ética e política da arte ante os limites da realidade”, mencionou.

Homenagem da Flip

Os rótulos e estereótipos atribuídos a Orides tiveram muita visibilidade, o que deixou o reconhecimento do valor literário de sua obra em segundo plano, por diversas vezes. O biógrafo da autora, Gustavo de Castro, faz essa crítica e relata que havia uma narrativa consolidada sobre Orides que deslocava o foco da poeta para uma personagem quase folclórica, descrita a partir de conflitos pessoais.

Cristina Yamazaki relatou que Orides tem uma história de vida de muita restrição e de dificuldades financeiras.

“Isso acabou, às vezes, ganhando mais notoriedade do que a obra dela. Acho que isso atrapalhou [um reconhecimento mais amplo], inclusive, na época. Ser mulher, poeta, pobre, não se encaixar num padrão da sociedade: isso tudo prejudicou muito ela, o que não acontecia com os homens da literatura”, disse a editora.

Para Cristina, a questão de gênero foi um fator que trouxe prejuízos a Orides, no contexto do machismo. “Tem os ‘poetas malditos’ [homens] que são admirados pela obra. No caso dela, num certo momento, a imprensa deu muito foco à mitologia em torno da vida dela e não pela obra.”

A decisão da curadora Rita Palmeira de homenagear Orides Fontela na edição da Flip deste ano foi celebrada entre seus admiradores e profissionais que já conhecem profundamente seu trabalho.

“Foi uma escolha muito bonita para tornar a Orides conhecida, porque ela é muito conhecida entre os poetas. É como se ela fosse a poeta entre os poetas, sabe? Tem muita gente que já escreveu em homenagem a Orides”, ressaltou Cristina, citando O Nervo do Poema: Antologia para Orides Fontela (editora Relicário), que terá a segunda edição lançada durante a Flip.

Confira os eventos de lançamento:

– Quinta-feira (23), às 15h, na Casa Da Árvore – Lançamento de Pelos Olhos de Orides Fontela

Conversa com Augusto Massi, Cynthia Cruttenden  |  Mediação: Cristiane Tavares

– Quinta-feira (23), às 20h30, na Casa de Cultura – Ressonância Orides

Lançamento da reedição do livro O Nervo do Poema: Antologia para Orides Fontela (Relicário), com presença dos poetas Marília Garcia, Prisca Agustoni, Mônica de Aquino, Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto, Tarso de Melo e Edimilson de Almeida Pereira

– Sexta-feira (24), às 19h, na Casa MinC – Reeditando Orides + Sarau Orides

Com Augusto Massi: as primeiras edições, Cristina Yamazaki: a reedição pela Hedra, Maíra Nassif: a recepção de Orides na Relicário, Patrícia Lavelle: poeta e pesquisadora de Orides |  Mediação: Marília Garcia

– Sábado (25), às 12h, na Casa De Cultura – Poesia exemplar: Orides e Brecht

Conversa com Tercio Redondo e Ivan Marques, e celebração do lançamento de Conversas: Escritos e Entrevistas de Orides Fontela  |  Mediação: Paulo Pompermaier

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que vai até domingo (26), terá as mesas de conversa dentro da programação oficial, além de atividades gratuitas em casas parceiras e independentes, espalhadas pela cidade.



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