O pastor Luciano Estevam anunciou sua renúncia ao cargo de pastor titular da Primeira Igreja Batista em Aracruz (PIBARA), durante o culto matinal deste domingo, devido ao tratamento contra a depressão. Estevam liderava a congregação há 24 anos e sete meses.
Em mensagem de despedida divulgada posteriormente nas redes sociais e confirmada à reportagem, Estevam atribuiu a decisão a um diagnóstico de depressão severa recebido ao final de 2024.
“A depressão foi diagnosticada ao final do ano passado e isso vem atrapalhando muito meus sentimentos”, declarou o pastor. “Sendo assim, enquanto eu estiver com a doença, não vou arriscar continuar com o ministério de qualquer igreja para não causar prejuízo ao reino de Deus.”
O caso ocorre em um contexto onde a saúde mental de líderes religiosos tem sido objeto de discussão e pesquisas. Um estudo do Barna Group, organização de pesquisa com foco em assuntos de fé, indicou que 42% dos pastores nos Estados Unidos já consideraram deixar o ministério no último ano, citando exaustão emocional como principal fator.
Entre as razões mais mencionadas estão solidão, excesso de demandas e dificuldade de equilibrar vida pessoal e vocação.
No Brasil, pesquisa conduzida em 2023 pela psicóloga Valquíria Andréia Salinas Goulart, junto à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), analisou pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus.
O trabalho identificou que 8% dos entrevistados apresentavam sintomas de depressão e 18,4% sofriam de ansiedade. A pesquisa também apontou que muitos pastores relatam falta de espaços seguros para discutir suas dificuldades, frequentemente por receio de julgamento ou por sentirem pressão para manter uma imagem de força inabalável.
Em sua mensagem, Estevam expressou gratidão à comunidade da PIBARA: “Tenho 42 anos de ministério pastoral e, nesses 42 anos, 24 anos e sete meses na PIBARA”. Ele acrescentou: “Amo a igreja e confio que Deus continuará conduzindo a obra.”
A renúncia de Estevam após quase 25 anos à frente da mesma igreja traz visibilidade ao tema da saúde mental no ministério pastoral. Especialistas apontam que o apoio psicológico estruturado para líderes religiosos ainda é limitado na maioria das denominações brasileiras, embora iniciativas de acolhimento comecem a surgir em algumas instituições. Com: Comunhão.
FONTE : Gospel Mais



