
Apenas a parte superior da casa no meio desta foto — um apartamento de três dormitórios — estava à venda por quase US$ 3 milhões
Open Homes via BBC
Em uma rua arborizada no bairro residencial abastado de Duboce Triangle, em São Francisco, a parte superior de uma casa isolada branca, da era eduardiana, atraía visitantes, entre potenciais compradores.
O apartamento de três dormitórios, luxuosamente reformado, estava à venda por quase US$ 3 milhões (mais de R$ 15 milhões). E vinha atraindo cada vez mais atenção devido a uma forma de pagamento incomum: o vendedor aceitaria receber ações das empresas de inteligência artificial OpenAI ou Anthropic em vez de dinheiro.
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“O valor [do imóvel] é questionável, mas eu gostaria de comprá-lo”, diz um jovem funcionário da OpenAI que acaba de visitar o apartamento com sua parceira.
O funcionário, que se mudou para a cidade californiana há dois anos para um cargo técnico na empresa sediada em São Francisco, está atualmente morando de aluguel. Ele planeja perguntar aos seus chefes sobre a possibilidade de transferência de ações.
Agora no g1
Bem-vindo a São Francisco em 2026, cidade que também abriga a gigante da IA, Anthropic. São Francisco é o epicentro da revolução da inteligência artificial e os preços imobiliários na cidade subiram drasticamente este ano.
“Os preços estão simplesmente astronômicos”, diz Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, uma empresa imobiliária que acompanha os preços de imóveis nos EUA. “As pessoas estão com dinheiro sobrando e prontas para comprar.”
Em março, São Francisco recuperou o título de cidade mais cara para compradores de imóveis nos EUA, ultrapassando a rival São Jose, localizada a 80 quilômetros ao sul, no coração do tradicional Vale do Silício.
Naquele mês, o preço médio das casas em São Francisco subiu 19% em relação ao ano anterior, e essa tendência continuou, com altas de 14,5% e 14,1% em abril e maio, respectivamente, de acordo com dados fornecidos pela Redfin.
O preço médio de venda na cidade, em maio de 2026, atingiu o recorde de US$ 1,76 milhão, em comparação com quase US$ 400 mil nos EUA como um todo, onde os preços subiram apenas 1,4% em março e 2% em abril e maio.
A opinião de praticamente todos na cidade é que o dinheiro proveniente da inteligência artificial é o principal motor do aquecido mercado imobiliário de São Francisco.
“Chegamos a essa conclusão com base no que estamos vendo nos dados e no que ouvimos de nossos agentes”, afirma Fairweather.
Ela destaca o aumento acentuado nos preços nos endereços de luxo da região da Baía de São Francisco – que inclui o Triângulo de Duboce – desde que a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022.
Isso interrompeu a recessão que São Francisco sofreu durante a pandemia de covid, quando a população diminuiu e os preços dos imóveis caíram.
Hoje, os altos salários e bônus de contratação pagos aos principais profissionais de IA na cidade podem ser extraordinários, mesmo para os padrões do Vale do Silício. Ainda mais generosas são as opções de ações que os funcionários puderam resgatar parcialmente por meio de vendas limitadas de ações.
Em outubro passado, mais de 600 funcionários atuais e antigos da OpenAI venderam ações no valor total de US$ 6,6 bilhões, uma média de US$ 11 milhões por participante, conforme relatado recentemente.
Na Anthropic, cujo principal produto é o Claude, foi divulgado recentemente que os funcionários também foram autorizados a vender ações no valor total de cerca de US$ 6 bilhões.
E com ambas as empresas prestes a realizar aberturas de capital em bolsa ainda este ano ou no próximo, criando mais funcionários multimilionários, muitos acreditam que o setor imobiliário de São Francisco vai se valorizar ainda mais.
Apartamento de três dormitórios no Duboce Triangle foi luxuosamente mobiliado
Open Homes via BBC
“A guerra de preços de hoje será vista como pechincha, e já é”, diz Rachel Swann, a corretora responsável pelo imóvel no Triângulo de Duboce.
Enrico Moretti é professor de economia na Universidade da Califórnia, Berkeley, e mora na cidade.
Ele afirma que o boom da IA ainda está no começo e destaca que, embora a população e os níveis de emprego da cidade estejam aumentando, eles permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia.
Existem também forças contrárias que podem estar impedindo o progresso. Grandes empresas de tecnologia, como a Meta, têm registado recentemente demissões em massa.
E à medida que a indústria de IA passa de sua fase de inovação em rápido crescimento para uma de empresas consolidadas, é provável que necessite de trabalhadores menos especializados, que terão menos capacidade de exigir a mesma remuneração.
Moretti também destaca que a maior parte da riqueza proveniente das futuras ofertas públicas iniciais (IPOs) da OpenAI e da Anthropic irá para os investidores, e não para os funcionários, e que essas empresas estão localizadas em diferentes partes do mundo.
Mas, enquanto isso, o corretor de imóveis de São Francisco, Matthew Goulden, diz que a situação atual é “uma loucura”.
Goulden, que trabalha nesse mercado há mais de 20 anos, afirma que começou a notar um aumento no número de potenciais compradores – muitos do mundo da IA – no final do ano passado.
Segundo ele, a tendência de alta não se restringe apenas a imóveis de luxo, mas se estende por todo o mercado, desde casas para uma única família até apartamentos de um quarto, e embora seja mais acentuada em bairros desejáveis, está sendo sentida em quase todos os lugares.
Ele afirma que as guerras de lances — em que compradores se dispõem a pagar preços cada vez mais altos — são comuns neste momento, por vezes elevando os preços de venda milhões acima do valor pedido.
Ao mesmo tempo, ele acrescenta que as casas estão sendo vendidas mais rápido do que nunca, e o número de compras à vista parece estar aumentando consideravelmente, principalmente no segmento de alto padrão do mercado.
Danielle Lazier, outra corretora de imóveis experiente de São Francisco, descreve uma situação semelhante, mas acrescenta uma perspectiva diferente. Segundo ela, há muito tempo existe uma tendência em São Francisco de anunciar imóveis abaixo do valor de mercado para criar um efeito de leilão.
E a oferta é cronicamente limitada – São Francisco é pequena, tem uma alta proporção de inquilinos e tem tido dificuldades para construir novas moradias (mesmo que o novo prefeito da cidade, focado no crescimento e na recuperação, esteja buscando mudar isso).
“De repente, o dinheiro proveniente da IA pode ter um efeito desproporcional”, diz ela.
Enquanto isso, à medida que o novo boom da IA ganha força, a história de quem consegue ficar em São Francisco e quem não consegue é contada pelos seus moradores.
Duas famílias de São Francisco com filhos em idade escolar, que pediram anonimato para proteger sua privacidade, conseguiram recentemente comprar casas prontas para morar, atendendo à sua necessidade urgente de mais espaço – mas apenas uma delas conseguiu fazê-lo dentro da cidade.
Essa família conseguiu comprar uma casa no disputado bairro residencial onde moravam de aluguel há muito tempo, depois que um dos pais, que trabalha na OpenAI, vendeu algumas ações da empresa em outubro passado, dando à família o impulso financeiro necessário para comprar o imóvel à vista.
O casal diz se sentir “em conflito e constrangido” pelo fato de ter sido o dinheiro da inteligência artificial que tornou tudo isso possível.
“Não somos pessoas extravagantes”, dizem. “Apenas fizemos o que pudemos com a oportunidade.”
Em contrapartida, a outra família, que não obtém sua renda da IA ou do mundo da tecnologia, teve que se mudar para uma cidade mais suburbana na região da Baía de São Francisco, ao norte.
A nova casa deles, comprada em parte com um financiamento imobiliário, inclui piscina e terreno adicional.
É um tipo de vida diferente, observa a mãe de família, e eles já se adaptaram em grande parte – embora isso envolva um longo trajeto diário para o marido, que ocupa um cargo importante no governo em São Francisco.
“Não teríamos ido embora se tivéssemos condições de ficar”, reflete ela. “É meio frustrante e fico um pouco chateada ao ver todo esse dinheiro extra da IA expulsando todo mundo.”
O apartamento no Duboce Triangle foi vendido por US$ 3,2 milhões – US$ 200 mil acima do preço pedido, segundo o corretor imobiliário. Ele não disse se o negócio incluiu ações de empresas de IA.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
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Como profissionais de IA estão inflacionando os imóveis na Califórnia — e expulsando famílias de suas casas
Trump revela plano de retaliação contra o Irã em caso de ataque
Em uma declaração polêmica, Donald Trump revelou que deixou um plano preparado para retaliar contra o Irã, caso o regime de Teerã ordene seu assassinato. A afirmação foi feita em 2025 e voltou a ganhar destaque após alertas do governo de Israel sobre novas ameaças do Irã.
Contexto da declaração
Em fevereiro de 2025, durante uma entrevista à emissora Fox News, Trump comentou sobre a possibilidade de um atentado contra sua vida, como retaliação ao bombardeio que resultou na morte do comandante militar iraniano Qasem Soleimani. Esse ataque, realizado durante seu primeiro mandato, foi um marco nas relações entre os Estados Unidos e o Irã, intensificando as tensões entre os dois países.
O que aconteceu recentemente
Recentemente, o jornal The Wall Street Journal informou que o governo de Israel alertou os Estados Unidos sobre um novo plano do Irã para assassinar Trump. Em resposta a essa informação, Trump reafirmou sua posição, afirmando: “Se fizerem isso, seriam aniquilados. Seria o fim. Deixei instruções. Se fizerem isso, não sobrará nada.” Essa declaração reacendeu discussões sobre a segurança e as relações diplomáticas entre os países.
Reações à declaração
A afirmação de Trump provocou reações diversas, tanto no cenário político americano quanto internacional. Enquanto alguns apoiadores veem a postura como uma medida de segurança necessária, críticos argumentam que tal retórica pode aumentar as tensões e levar a um conflito armado. A comunidade internacional observa atentamente, especialmente considerando o impacto que uma escalada de hostilidades pode ter sobre a liberdade religiosa e a segurança de cristãos no Oriente Médio.
O que esperar no futuro
Com as tensões entre os Estados Unidos e o Irã em alta, é provável que a situação continue a evoluir. Especialistas em relações internacionais alertam para a necessidade de um diálogo mais construtivo entre as nações, a fim de evitar um conflito aberto. A comunidade cristã, especialmente, deve estar atenta a como essas dinâmicas podem afetar a liberdade religiosa e a segurança dos cristãos perseguidos na região.
“Se fizerem isso, seriam aniquilados. Seria o fim.”
À medida que novos desdobramentos ocorrem, é essencial que os cristãos se mantenham informados e em oração, buscando a paz em meio à incerteza. A situação no Oriente Médio continua a ser um campo de batalha não apenas político, mas também espiritual, onde a fé e a liberdade religiosa estão em jogo.
Quantos bilhões custará reconstruir a Venezuela após terremotos?
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estimou os danos físicos diretos em US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 36,2 bilhões). Com base em imagens de satélite, o órgão calculou a quantidade de estruturas nas áreas atingidas pelos terremotos e ressaltou que a estimativa pode cair para US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 25,4 bilhões) ou subir para US$ 8,7 bilhões (aproximadamente R$ 47 bilhões), principalmente em razão das perdas em moradias e outros bens. Ainda assim, o valor não contempla todos os danos à infraestrutura nem o custo da reconstrução de longo prazo.
A grande aposta do homem mais rico da Alemanha: criar rival europeia de Google e Amazon
O complexo, projetado para 3.500 funcionários e equipado com creche, restaurante e área fitness, lembra as sedes da Amazon, da Apple ou da Google: localizado numa elevação, é composto por cinco edifícios de vidro de vários andares, com formas suavemente curvas e estrutura em formato de colmeia. No centro do chamado Campus Schwarz Digits, há um pequeno lago, muito verde e bancos à sombra.
Mãe de Nolan Wells revela que orou a Deus por respostas sobre a morte do filho
Christine Wonsley, mãe de Nolan Wells, um jovem de 18 anos que faleceu recentemente, revelou que orou a Deus em busca de respostas sobre a morte do filho. A mãe, acompanhada de seu advogado Ben Crump e do ativista dos direitos civis Rev. Al Sharpton, acredita que suas orações foram atendidas.
O que aconteceu
Nolan Wells, um jovem que despertou a atenção da comunidade local e de ativistas, faleceu em circunstâncias que ainda geram questionamentos. Sua mãe, Christine Wonsley, expressou sua dor e confusão em relação à perda, afirmando que, em meio ao sofrimento, decidiu buscar a ajuda divina. “Eu pedi a Deus por respostas, e eu realmente sinto que Ele me ouviu”, disse Christine durante uma coletiva de imprensa.
Contexto da situação
A morte de Nolan não apenas abalou sua família, mas também gerou uma onda de apoio e solidariedade na comunidade. O ativista Rev. Al Sharpton, conhecido por seu trabalho em prol dos direitos civis, juntou-se à família para exigir justiça e esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram ao falecimento do jovem. O advogado Ben Crump, que tem um histórico de defesa em casos de injustiça, também está ao lado da família, buscando respostas e responsabilização.
Reações da comunidade
A comunidade local tem se mobilizado em apoio à família de Nolan, realizando vigílias e manifestações pacíficas para exigir transparência nas investigações. Muitas pessoas compartilham suas experiências e expressam solidariedade, destacando a importância da fé em momentos de crise. A história de Christine e Nolan ressoa com muitos que também enfrentaram perdas e buscam conforto e respostas em sua fé.
O que esperar
Com o apoio de figuras influentes e da comunidade, espera-se que as investigações sobre a morte de Nolan avancem. Christine Wonsley continua a clamar por justiça e acredita que sua fé e a mobilização da comunidade podem trazer à tona a verdade que ela busca.
“Eu pedi a Deus por respostas, e eu realmente sinto que Ele me ouviu”.
À medida que a situação se desenrola, muitos observadores esperam que a história de Nolan e sua mãe inspire ações e mudanças que possam prevenir tragédias semelhantes no futuro. A luta por justiça e verdade é uma jornada que muitos cristãos acreditam ser guiada pela fé e pela esperança.
'Chegava a trabalhar 17 horas': vítimas de violência doméstica usam apps de transporte para reconstruir vida

Possibilidade de ganho imediato é o principal fator para mulheres optarem por trabalho por aplicativo
Foto: Carlos A. Moreno/ZUMA/IMAGO
Após ser agredida e ameaçada de morte pelo ex-marido, Nany Cardoso decidiu denunciá-lo e pedir o divórcio. Sem emprego e morando de favor na casa do irmão com as três filhas, alugou um carro para trabalhar como motorista de aplicativo em Niterói (RJ).
“No começo, chegava a ficar 17 horas trabalhando direto. Tinha que trabalhar dobrado para cobrir o aluguel do carro e ainda sobrar. Apesar de tudo, foi o que fez minha vida melhorar, trouxe renda para cuidar das crianças e sustentar a casa”, relata.
Casos como o de Cardoso se repetem no Brasil. Em 2024, 187,9 mil mulheres foram alvo de violência doméstica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A dependência econômica é um dos fatores que dificultam que as mulheres ponham fim a esses relacionamentos: 61% das vítimas afirmaram ter deixado de denunciar os parceiros por depender deles financeiramente.
“As mulheres têm dificuldade de romper com as agressões porque percebem que não conseguem sobreviver sozinhas. Dependem da renda do marido e, quando se dão conta de que precisam se manter, precisam buscar uma fonte de renda”, explica a professora Noézia Ramos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Mulheres ganham 21% a menos do que homens no Brasil
Renda para romper violência
Ao tentar ingressar no mercado de trabalho, essas mulheres se deparam com outras dificuldades, como altas taxas de desemprego: 72,1% dos homens em idade ativa estão empregados, contra 53,1% das mulheres, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT).
Outro problema é o desequilíbrio na distribuição do trabalho doméstico. De acordo com a OIT, 31,7% das mulheres em idade ativa não procuram trabalho porque têm de cuidar de filhos, parentes ou da casa.
Na dinâmica da violência doméstica, 17,1% das mulheres são impedidas de trabalhar ou estudar pelos maridos.
Com menor instrução e experiência, o trabalho informal se torna uma alternativa para quem não consegue uma colocação. Nesse cenário, uma das opções é o transporte por aplicativo.
Para Ramos, as plataformas são “uma alternativa em um cenário de desespero”.
A advogada Andrea Sampaio, que pesquisou a categoria em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), afirma que o trabalho por aplicativo oferece uma oportunidade rápida de geração de renda e maior autonomia para as mulheres.
“É uma atividade que dá segurança para escolher estar ou não em um relacionamento e que permite conciliar trabalho e vida pessoal.”
Segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média mensal líquida dos motoristas varia de R$ 3.083 a R$ 4,4 mil.
Ganho imediato e flexibilidade
O trabalho nos aplicativos de transporte em Porto Alegre (RS) foi a solução para as dificuldades de Julia Monteiro. Há três, ela estava desempregada e era agredida pela ex-mulher.
“Ela me deu socos, me empurrou da escada e tentou me enforcar. Então essa foi uma oportunidade de sair de casa, dava um alívio não sofrer violências no tempo em que estava trabalhando, e também me dava um bom retorno financeiro”, conta Monteiro.
Um levantamento de 2025 da consultoria Think Eva avaliou o perfil das motoristas. Para 73% das entrevistadas, a possibilidade de ganho imediato é o principal fator para optar por esse trabalho. Outras 37% disseram que ganham mais como motoristas do que no emprego anterior. Cerca de 78% disseram que a flexibilidade de horários é um dos principais atrativos.
A motorista Nany Cardoso só trabalha no período da noite para ter tempo de ficar com as filhas durante o dia.
“Posso levar ao médico, participar das festas na escola, coisa que o emprego CLT não me permitia”. Ela diz que “dá para ganhar um dinheiro bom se você trabalhar muito”.
Ao todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo no Brasil
Foto: picture alliance / NurPhoto
Custo da autonomia
Ao todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo, segundo dados do Cebrap. O número é 62% maior do que há quatro anos.
Apesar do crescimento, elas representam apenas 6% do 1,7 milhão de motoristas do país. Ainda que a atividade permita alcançar autonomia financeira, especialistas apontam que o trabalho por aplicativo é marcado pela precarização.
“Há uma sensação de que estão trabalhando para si mesmas, mas falta proteção social em casos de acidente ou doença. Também faltam políticas públicas e creches. Já presenciei mulheres trabalhando com os filhos no carro por não terem onde deixá-los”, afirma Sampaio.
Um estudo da OIT e da ONU Mulheres realizado em países da América Latina, além de Portugal, Espanha e Andorra, apontou que mulheres ganham, em média, 40% menos do que homens nas plataformas de transporte por aplicativo. Para Noézia Ramos, parte dessa diferença pode estar relacionada à menor disponibilidade de tempo para trabalhar.
“Se as mulheres enfrentam uma tripla jornada, cuidando dos filhos, da casa e do trabalho remunerado, elas acabam rodando menos. Além disso, preconceito contra mulheres ao volante pode influenciar avaliações feitas pelos passageiros”, afirma.
A presidente do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, conta que resolveu testar as plataformas.
“Em uma roda com homens e mulheres, ligamos o aplicativo todos juntos e na maioria das vezes, tocou primeiro para eles. O valor das corridas para os homens também era maior”.
Questionada sobre o assunto, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne representantes de plataformas como 99, Buser, Flixbus, Lalamove, Uber e Zé Delivery, informou que não há qualquer tipo de diferenciação de remuneração de viagens baseada em gênero dos condutores.
“Oscilações no preço das viagens são influenciadas por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria da viagem escolhida, níveis de oferta e demanda por corridas no horário e local específico, entre outros”, afirmou em nota.
Assédio e insegurança
Mais do que questões econômicas, as motoristas enfrentam desafios quanto à insegurança no volante. De acordo com um levantamento da plataforma GigU, 59% das motoristas afirmam que já foram assediadas, assim como 97% das passageiras. “Isso é bem pesado. Eu preciso falar grosso quando os caras estão de conversinha para ver se entendem”, afirma Trindade.
Cardoso foi alvo de assalto. “No fim da tarde, quando desembarquei uma passageira e passei em uma rua deserta, um homem que estava de moto parou meu carro, disse que não podia andar Uber ali e puxou meu telefone”.
Desde 2020, as empresas passaram a ofertar entre as opções de corrida as que tinham mulheres na direção. “Nunca sabemos se realmente é uma mulher ou homem. Aceitamos, acreditando ser uma passageira, mas elas podem chamar a corrida para eles e colocam as motoristas em risco. Se desistem da corrida, podem ser bloqueadas por excesso de cancelamentos”, afirma Trindade.
A Uber e a 99 estão entre as maiores plataformas do país. A primeira diz que faz campanhas educativas com motoristas para evitar comportamentos inapropriados. Já a 99 alega que nos últimos dois anos investiu R$ 125 milhões no desenvolvimento de ferramentas de segurança, o que resultou na queda de 33% dos incidentes sexuais graves com mulheres.
Apesar das dificuldades, Cardoso diz que vai continuar trabalhando como motorista. “Já estou com 50 anos, entrar no mercado de trabalho é mais difícil. Meu sonho agora é terminar de construir minha casa”.
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Anúncios do Instagram promovem material com abuso sexual infantil na Índia, segundo investigação da BBC
Boland conta que, entre 2009 e 2010, ele liderou um projeto para remover anúncios que promovessem golpes entre os usuários. Com isso, ele “tinha permissão, na época, para suprimir uma enorme parte da receita da empresa, para o bem da segurança e da experiência do usuário”.
Denúncia de som alto: policiais interrompem culto em igreja no RS
Na noite de domingo, 5 de julho, a Brigada Militar interrompeu um culto na Igreja Ministério Fonte de Água Viva, localizada no bairro Carlos Santos, em São José do Norte, no Rio Grande do Sul. A ação foi motivada por uma denúncia de perturbação do sossego, que alegava que o som da celebração estava em volume elevado e ultrapassava o horário permitido pela legislação local.
O que aconteceu
Os policiais foram acionados após uma reclamação de um morador da região. Ao chegarem ao local, registraram um boletim de ocorrência, mas até o momento não há informações sobre a aplicação de sanções à igreja. A situação gerou grande repercussão nas redes sociais, onde uma integrante da congregação publicou um vídeo defendendo a liberdade de culto e a importância das reuniões para a comunidade.
Reações da comunidade
A interrupção do culto levantou um intenso debate entre os moradores de São José do Norte. Enquanto alguns apoiam a ação da polícia, argumentando que o direito ao sossego deve ser respeitado, outros criticam a intervenção, afirmando que a Constituição Federal garante a inviolabilidade dos locais de culto. Uma das postagens que circulou nas redes sociais dizia: “Polícia ARMADA invade Igreja e interrompe o culto ao Senhor que estava sendo realizado por um Pastor de 70 anos de idade, após denúncia de vizinha. Isso é inaceitável!”
O que esperar
Com a repercussão do caso, é provável que haja um aumento das discussões sobre a regulamentação de cultos e eventos religiosos em áreas residenciais. A situação destaca a necessidade de um diálogo construtivo entre as autoridades, as igrejas e a comunidade local, visando encontrar um equilíbrio entre a liberdade de culto e o respeito ao direito ao descanso dos vizinhos.
Enquanto isso, a Igreja Ministério Fonte de Água Viva continua a realizar suas atividades, reafirmando sua missão de evangelização e adoração. A congregação, que é liderada por um pastor de longa data, permanece firme em sua fé e na importância de suas reuniões para a comunidade cristã local.
Carrinho que vende apenas um sabor faz fila em praia de Natal e rende negócio de R$ 60 mil por mês

Sorveteria que vende apenas um sabor fatura R$ 60 mil por mês
A fila no calçadão de Ponta Negra, em Natal (RN), já virou parte da paisagem. Turistas e moradores se reúnem diariamente para provar um sorvete artesanal servido dentro do próprio coco — combinação que transformou um carrinho de praia em um negócio com faturamento médio de R$ 60 mil por mês.
Por trás da ideia está Leo Fernandes, empreendedor que começou trabalhando apenas com açaí e cremes na praia há sete anos. Formado em gestão de negócios, ele sempre teve o objetivo de empreender e encontrou no sorvete de coco a oportunidade para dar um salto nas vendas.
A inspiração veio de fora do país. Após ouvir de um amigo que havia visitado a Tailândia sobre sobremesas servidas no coco, Leo decidiu adaptar o conceito para o público brasileiro. O investimento inicial foi de R$ 10 mil.
“Quando fez a mistura do sorvete com a polpa do coco ficou melhor ainda”, afirma o empreendedor.
Sorvete no coco vira febre e faz empreendedor faturar R$ 60 mil em Natal
Reprodução/PEGN
O diferencial do produto está na experiência: o coco é aberto na hora, a polpa é retirada na frente do cliente e a água da fruta é oferecida gratuitamente como cortesia. “Foi uma estratégia também de negócio. Acho que foi buscar uma estratégia pra chamar mais o cliente”, diz Leo.
As redes sociais ajudaram a impulsionar o negócio. O empreendedor começou divulgando vídeos gravados pelo próprio celular e contou com o apoio espontâneo de influenciadores digitais.
“Vieram pessoas de fora que viram uma influenciadora muito forte e acabou divulgando. Então isso foi atraindo mais clientes ainda”, conta.
Sorvete no coco vira febre e faz empreendedor faturar R$ 60 mil em Natal
Reprodução/PEGN
Hoje, a operação é familiar. As irmãs de Leo participam da produção, do atendimento e da logística do carrinho, enquanto fornecedores locais garantem a entrega diária dos cocos frescos. “Quanto mais eu vendo, mais eles ganham”, afirma o empreendedor sobre o trabalho em família.
Com ticket médio de R$ 20, o negócio permitiu que Leo deixasse de atuar como microempreendedor Individual (MEI) e migrasse para microempresa (ME). Agora, ele estuda abrir novos pontos em outras praias do Rio Grande do Norte e até levar a marca para outros estados.
“Coragem, persistência e muita resiliência em altos e baixos”, resume o empreendedor ao falar sobre os desafios do negócio.
Empório Ponta Negra
📍 Endereço: Avenida Erivan França, 1180, 59090-100 (em frente à barraca do camarão) – Natal/RN – CEP: 59090-100
📞 Telefone: (84) 9 8843-1597
📧E-mail: leoniogfernandes_1@hotmail.com
📸 Instagram: https://www.instagram.com/emporiopontanegra
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Tallis Gomes processado por permitir célula cristã em sua empresa
O empresário Tallis Gomes, conhecido por ser o fundador da Easy Taxi e cofundador da G4 Educação, revelou que está enfrentando um processo do Ministério Público do Trabalho (MPT) por ter autorizado a realização de uma célula cristã semanal em sua empresa. A situação gerou grande repercussão nas redes sociais e levantou questões sobre a liberdade religiosa no Brasil.
O que aconteceu
Durante uma entrevista ao programa “O Antagonista Pensando o Brasil”, Tallis Gomes compartilhou que a ideia de realizar encontros de oração, louvor e estudo da Bíblia partiu dos próprios funcionários. Ele, sendo católico, decidiu apoiar a iniciativa, considerando-a uma expressão da liberdade religiosa.
Em sua declaração, Gomes afirmou: “Eu fui processado pelo Ministério Público porque toda segunda-feira na minha empresa tem uma célula dos evangélicos. Eles fazem orações, fazem louvor, e eu acho isso lindo”. Essa afirmação evidencia a sua defesa da prática religiosa no ambiente corporativo, algo que ele acredita ser um direito fundamental.
Contexto da situação
A atuação do MPT contra Gomes não é um caso isolado. Em 2024, o órgão já havia iniciado investigações sobre a G4 Educação, buscando apurar denúncias relacionadas a práticas discriminatórias em contratações e condições de trabalho. Entre as questões levantadas estavam declarações do empresário sobre a não contratação de pessoas identificadas como “esquerdistas” e sua defesa de jornadas de trabalho excessivas.
Essas investigações levantam um debate importante sobre a liberdade de expressão e a liberdade religiosa nas empresas. A permissão de reuniões de oração pode ser vista por alguns como uma prática de inclusão e apoio à fé dos funcionários, enquanto outros podem interpretá-la como uma violação de princípios de neutralidade no ambiente de trabalho.
Reações nas redes sociais
A situação de Tallis Gomes rapidamente ganhou espaço nas redes sociais, onde muitos apoiaram sua posição e defenderam a liberdade religiosa. Em uma publicação, ele questionou: “Até onde vai a inversão de valores de um país em que o empresário que trabalha, emprega, educa e produz valor para a sociedade vira alvo por permitir que pessoas cultuem a Deus dentro da própria empresa?”
Essa declaração ressoou com muitos cristãos que se sentem perseguidos por expressar sua fé em ambientes públicos e de trabalho. A liberdade religiosa é um direito garantido na Constituição Brasileira, e a situação de Gomes pode ser vista como um alerta sobre os desafios que os cristãos enfrentam atualmente.
O que esperar
O desfecho deste caso ainda é incerto, mas é provável que ele continue a gerar debates sobre a liberdade religiosa e a atuação do Ministério Público em questões que envolvem práticas religiosas no ambiente de trabalho. A sociedade brasileira, cada vez mais dividida em questões de fé e liberdade, acompanhará de perto os próximos passos de Gomes e a resposta do MPT.