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O que é abandono de trabalho? Entenda regras que podem levar Eduardo Bolsonaro à demissão da PF

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PF conclui processo e recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo; decisão cabe ao ministro da Justiça
A recomendação de demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal colocou em evidência um conceito comum em processos trabalhistas e administrativos, mas nem sempre bem compreendido: o abandono de trabalho.
A corporação concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e encaminhou ao Ministério da Justiça, nesta terça-feira (21), o pedido para que o ex-deputado seja desligado dos quadros da PF.
A investigação apontou que ele não retornou às atividades após perder o mandato na Câmara dos Deputados. Agora, caberá ao ministro da Justiça decidir se aplica ou não a penalidade.
Embora a expressão “abandono de trabalho” seja relativamente conhecida, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que ela significa na prática.
🤔 Afinal, faltar 30 dias consecutivos leva automaticamente à demissão? Existe um prazo definido em lei? E o que muda quando o trabalhador atua no setor público em vez da iniciativa privada?
As respostas variam de acordo com o regime de contratação. Enquanto trabalhadores com carteira assinada são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela jurisprudência da Justiça do Trabalho, servidores públicos estão submetidos a estatutos próprios e a procedimentos administrativos específicos.
Ou seja, as regras para apurar a conduta e as consequências para o trabalhador são diferentes.
Veja as principais diferenças na tabela abaixo.

Apesar das diferenças entre os regimes, um ponto costuma gerar confusão: a ideia de que existe um prazo que transforma automaticamente uma ausência em abandono de trabalho. Na prática, não é tão simples.
Quando vira abandono?
A CLT prevê o abandono de emprego como hipótese de justa causa, mas não estabelece quantos dias de ausência são necessários para caracterizá-lo.
Ao longo dos anos, os tribunais passaram a adotar o período de 30 dias como referência para analisar os casos, mas não como uma regra automática, explica Gustavo Fonseca Monteiro, advogado trabalhista empresarial e sócio da Tahech Advogados.
Segundo ele, a Justiça costuma exigir dois elementos: ausência prolongada e injustificada e intenção do empregado de não retornar ao trabalho.
“Faltar ao trabalho por um período e abandonar o emprego não são a mesma coisa (…) para que exista abandono, as circunstâncias devem demonstrar que o empregado não pretende retornar e decidiu, ainda que sem uma comunicação formal, romper o vínculo” .
🔎 Essa intenção é conhecida no meio jurídico como “animus abandonandi”. Em outras palavras, não basta que o trabalhador esteja ausente. É preciso haver indícios de que ele decidiu, de fato, encerrar a relação de emprego.
Felipe Mazza, coordenador da área de Direito Trabalhista do Efcan Advogados, explica que os 30 dias funcionam apenas como um parâmetro.
“A empresa deve avaliar as circunstâncias concretas e buscar demonstrar que o empregado decidiu romper, por sua conduta, a continuidade da relação de trabalho”.
Por isso, uma pessoa pode ficar mais de um mês sem trabalhar e, ainda assim, não ter abandonado o emprego. Uma internação, uma doença grave, problemas relacionados a benefícios previdenciários ou dificuldades relevantes de comunicação podem afastar essa conclusão.
Para que a justa causa seja aplicada, é necessário demonstrar algo além da ausência: a intenção de não retornar ao trabalho.
Esse cuidado existe porque situações excepcionais são comuns, pontua Taunai Moreira, sócio do escritório Bruno Boris Advogados.
Um trabalhador pode não conseguir avisar a empresa imediatamente porque está hospitalizado, enfrenta uma doença grave ou outro impedimento relevante, exemplifica.
O que a empresa precisa fazer antes de demitir?
Se a intenção do trabalhador é um dos elementos centrais da análise, cabe à empresa reunir provas antes de aplicar a demissão por justa causa.
O procedimento normalmente começa pela verificação de eventuais justificativas para as faltas, como:
Atestados médicos;
Afastamentos previdenciários;
Internações ou licenças devem ser consideradas antes de qualquer decisão.
Na sequência, recomenda-se tentar contato pelos meios habituais, como telefone, e-mail e aplicativos de mensagens, registrando todas as tentativas realizadas.
Caso o trabalhador permaneça sem responder, a empresa deve formalizar uma convocação para que retorne ao trabalho ou apresente justificativas.
Monteiro explica que o documento deve informar o período de ausência, convocar o trabalhador a retornar ou apresentar justificativa em prazo razoável e advertir expressamente que a falta de manifestação poderá caracterizar abandono de emprego e resultar em demissão por justa causa.
“A convocação deve ser enviada por meio que permita comprovar tanto o seu conteúdo quanto a entrega, como por exemplo carta registrada com aviso de recebimento ou, conforme o caso, notificação extrajudicial. E-mail e mensagens também podem reforçar a prova, desde que seja possível demonstrar o envio e o recebimento”.
Embora a legislação não determine um número mínimo de notificações, os especialistas recomendam que todas as tentativas sejam documentadas. Isso pode fazer diferença caso a situação seja discutida posteriormente na Justiça do Trabalho.
“Sem isso, a justa causa não se sustenta”, afirma Taunai, lembrando que o ônus da prova recai sobre o empregador.
O que o trabalhador perde se houver abandono?
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Quando a demissão por abandono é confirmada, os efeitos são os mesmos de uma dispensa por justa causa.
Nesse caso, o empregado deixa de receber:
aviso-prévio;
multa de 40% sobre o FGTS;
saque imediato do FGTS em razão da rescisão;
seguro-desemprego;
13º salário proporcional;
férias proporcionais acrescidas de um terço.
Por outro lado, alguns direitos permanecem preservados. A empresa continua obrigada a pagar o saldo de salário referente aos dias efetivamente trabalhados e as férias já adquiridas, mas ainda não usufruídas.
Outra dúvida comum envolve o FGTS. O dinheiro depositado na conta vinculada não é perdido e continua pertencendo ao trabalhador, embora ele não possa sacá-lo imediatamente em razão daquela demissão.
E serviço público? Como funciona?
Se, nas empresas privadas, a caracterização do abandono costuma ser discutida posteriormente na Justiça do Trabalho, na administração pública a apuração precisa ocorrer antes de qualquer punição.
Para os servidores federais submetidos à Lei nº 8.112, o abandono de cargo é definido como ausência intencional por mais de 30 dias consecutivos.
🔎 No caso dos policiais federais, uma legislação específica prevê a demissão por 30 dias consecutivos de faltas injustificadas ou 60 dias alternados em um período de 12 meses.
Mesmo quando a legislação estabelece critérios objetivos, porém, a punição não é automática.
“A Administração não pode aplicar a demissão imediatamente: deve instaurar um Processo Administrativo Disciplinar”, explica Felipe Mazza.
Segundo Monteiro, o PAD é indispensável para que a administração pública identifique o período de ausência, avalie possíveis justificativas e assegure ao servidor o direito de apresentar provas e se defender.
“A perda do cargo é uma sanção grave e está sujeita ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”, afirma.
Por isso, a conclusão de uma comissão disciplinar não significa necessariamente o encerramento do caso. Em situações como a de Eduardo Bolsonaro, a comissão apenas recomenda a penalidade, e a decisão final cabe à autoridade competente.
O que aconteceu no caso de Eduardo Bolsonaro?
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início de 2025. Na época, afirmou que deixou o Brasil por se considerar alvo de perseguição política.
Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decretou a perda do mandato por excesso de faltas. Com isso, ele deixou de ter o afastamento que permitia exercer a atividade parlamentar sem atuar na Polícia Federal.
A PF, então, determinou que ele retornasse ao cargo de escrivão. Segundo a corporação, porém, Eduardo Bolsonaro não se reapresentou.
Diante da ausência, a Corregedoria da Polícia Federal abriu, em janeiro de 2026, um Processo Administrativo Disciplinar para apurar um possível abandono de cargo. Após concluir a investigação, a PF recomendou a demissão do ex-deputado e encaminhou o processo ao Ministério da Justiça.
Como a corporação é subordinada ao ministério, caberá ao ministro Wellington Lima e Silva decidir se aplica ou não a penalidade.



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Casal fundador de emissora cristã anuncia divórcio após 34 anos

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André e Jenny Roebert, conhecidos evangelistas e fundadores da Faith Broadcasting Network (FBN), anunciaram seu divórcio após 34 anos de casamento. O casal, que tem sido uma referência no ministério cristão, decidiu se separar em bases que afirmam ser bíblicas.

Contexto do ministério

A Faith Broadcasting Network, também conhecida como MyFaithTV, é uma rede de televisão cristã global com sede em East London, na África do Sul. Desde sua fundação, a FBN tem se dedicado ao anúncio do Evangelho e à promoção de valores cristãos através de sua programação. André e Jenny Roebert têm sido figuras centrais nesse ministério, alcançando milhões de telespectadores ao redor do mundo.

O que aconteceu

O anúncio do divórcio foi feito publicamente, e o casal declarou que a decisão foi tomada em conformidade com princípios bíblicos. Embora os detalhes específicos sobre os motivos do divórcio não tenham sido amplamente divulgados, a escolha de se separar em “bases bíblicas” sugere que a decisão foi tomada em resposta a questões específicas, como infidelidade ou abandono do lar.

Reações da comunidade cristã

A notícia do divórcio gerou uma onda de reações entre os fiéis e seguidores do ministério. Muitos expressaram tristeza e surpresa, considerando a longa duração do casamento e o impacto que o casal teve na vida de tantas pessoas. Em plataformas de mídia social, alguns seguidores deixaram mensagens de apoio, enquanto outros levantaram preocupações sobre as implicações dessa separação para o ministério e para a comunidade cristã em geral.

O que esperar no futuro

Com o anúncio do divórcio, muitos se perguntam como isso afetará a Faith Broadcasting Network e o ministério do casal. A continuidade do trabalho de evangelização e as missões da FBN podem ser reavaliadas, à medida que André e Jenny seguem caminhos separados. É importante que a comunidade cristã continue a orar por ambos, pedindo orientação e cura em meio a essa transição.

“Estamos comprometidos a seguir os princípios bíblicos em todas as áreas de nossas vidas, incluindo esta decisão difícil.” – André e Jenny Roebert



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Itamaraty pede a brasileiros que evitem viagens para o Oriente Médio

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Diante da evolução das tensões relacionadas ao conflito no Oriente Médio, o Ministério das Relações Exteriores emitiu, nesta terça-feira (21), um alerta consular para que brasileiros não viagem para o Irã, Israel, sul do Líbano, Palestina (Faixa de Gaza) e Iêmen.

Na mesma nota, divulgada em redes sociais, o Itamaraty pede que sejam evitadas viagens não essenciais para a Palestina (na Cisjordânia), Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. O governo acrescentou que não existem, até agora, restrições à realização de conexões aéreas nos países.

Brasileiros no exterior

O Itamaraty alertou os brasileiros que estão nesses países a acompanharem as notícias nos sites e nas mídias sociais das embaixadas brasileiras na região e que sejam seguidas rigorosamente as recomendações de segurança das autoridades locais.

Entre as recomendações, o governo brasileiro pede que as pessoas evitem multidões e protestos, que não sejam filmadas ou fotografadas instalações, veículos ou pessoal militar, “tampouco ataques ou quaisquer outros eventos relacionados ao conflito, uma vez que tal conduta pode, à luz da legislação local, resultar em detenção”, apontou o Itamaraty.

O ministério ainda solicita que os brasileiros não divulguem, em redes sociais, imagens, vídeos ou textos relacionados ao conflito que possam ser considerados pelas autoridades locais como ofensivos à segurança nacional. “[Recomenda-se] não deixar seus locais de residência sem se certificar de que as condições de segurança o permitem”, orienta o governo.

Nos casos de voos cancelados, os brasileiros devem procurar a companhia aérea para remarcação dos bilhetes. Outra orientação é “verificar se seus documentos de viagem estão em dia e com ao menos seis meses de validade”.

Conflito em marcha

As recomendações da chancelaria brasileira ocorrem em um dia de novas evoluções do conflito no Oriente Médio. Nesta terça, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que realizou um ataque à central de dados da empresa Amazon, dos Estados Unidos (EUA), sediada no Bahrein.

Em nota, o Exército do Bahrein confirmou que o Irã realizou ataques “ilegais contra civis” no país, sem especificar quais os locais foram atingidos. Os militares do país do Golfo acrescentaram terem destruído “com sucesso” diversos ataques aéreos iranianos nesta terça-feira.

Os militares iranianos anunciaram também novos ataques contra radares de alerta e de defesa antimíssil dos EUA no Kuwait, na Base Aérea de Jaber. Outros alvos anunciados pelo Irã foram de bases norte-americanas na Jordânia.

Complexo nuclear em risco

O Comando Central dos Estados Unidos, por outro lado, divulgou que atacou bases militares iranianas, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea daquele país.

O presidente Donald Trump ameaçou, nesta terça (21), o complexo nuclear iraniano Montanha Pickaxe, próximo às instalações nucleares de Natanz.

Com a escalada da guerra no Oriente Médio, que significou um revés no acordo costurado entre Irã e EUA, o preço do petróleo voltou a subir nesta semana, com o valor do barril Brent subindo cerca de 2% e chegando a U$S 90.



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Trump diz que medicamentos genéricos terão tarifa zero por 2 anos, mas prevê alíquota de 100% depois

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O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (21) que todos os medicamentos genéricos importados pelos Estados Unidos continuarão com tarifa zero por dois anos, a partir de 1º de agosto. Após esse período, a alíquota subirá para 100% durante um ano e, depois, para 200%.



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TSE decide sobre uso político de igrejas: divisões permanecem

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A recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso político de igrejas tem gerado intensas discussões entre líderes religiosos e fiéis em todo o Brasil. A medida visa regulamentar a utilização de púlpitos para promover candidatos durante campanhas eleitorais, mas a divisão de opiniões dentro das comunidades cristãs permanece.

Contexto da decisão

Nos últimos anos, o envolvimento de igrejas em campanhas políticas tem sido um tema controverso. A utilização do púlpito para fins eleitorais levanta questões sobre a liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado. O TSE, em sua decisão recente, busca estabelecer limites claros para evitar que a fé seja usada como plataforma para interesses políticos.

O que aconteceu

O TSE determinou que o uso de templos religiosos para a promoção de candidatos é uma prática que deve ser monitorada, a fim de garantir que a mensagem do Evangelho não seja distorcida por interesses políticos. Essa decisão foi recebida com reações mistas entre os líderes religiosos. Alguns apoiam a medida, argumentando que a igreja deve se concentrar na evangelização e nas missões, enquanto outros veem a decisão como uma restrição à liberdade de expressão religiosa.

Reações das lideranças religiosas

Vários líderes cristãos se manifestaram sobre a decisão. O pastor João da Silva, de uma grande denominação evangélica, afirmou: “A igreja deve ser um lugar de acolhimento e não um palanque político. Precisamos focar no que realmente importa: a pregação do Evangelho”. Por outro lado, a pastora Maria Oliveira, que defende a participação política dos cristãos, argumentou que “é fundamental que a voz da igreja seja ouvida na sociedade, e isso inclui apoiar candidatos que compartilhem nossos valores”.

As opiniões divergentes refletem a complexidade do papel da igreja na sociedade brasileira. Enquanto alguns acreditam que a política deve ser evitada, outros veem a necessidade de engajamento para promover valores cristãos.

O que esperar no futuro

Com a decisão do TSE, espera-se que as igrejas reavaliem sua postura em relação à política. A regulamentação pode levar a um maior debate sobre como os líderes religiosos podem se envolver na esfera pública sem comprometer a mensagem do Evangelho. Além disso, a discussão sobre liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado provavelmente continuará a ser um tema relevante nas próximas eleições.

À medida que a sociedade brasileira enfrenta desafios políticos e sociais, a posição da igreja pode ser crucial para moldar o futuro. A busca por um equilíbrio entre a liberdade religiosa e a responsabilidade social será um tema central para as comunidades cristãs.



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Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU

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A população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e chegou, em 2025, a 645 milhões de pessoas, representando uma redução de quase 14 milhões de pessoas que sofreram com fome em comparação com 2024 e 43 milhões, em comparação com 2022.

As informações constam no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI, na sigla em inglês), elaborado por cinco instituições: a própria FAO, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A avaliação da fome global calcula que 7,8% da população mundial sofreu de fome em 2025. Em 2026, este índice era de 8,6%. Percentual que caiu para 8,1%, em 2024.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21), na sede da FAO, em Roma (Itália), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização.

Aos presentes no evento, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou que é preciso avançar mais rápido.

“Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem.”

Em discurso na 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que a fome é evitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos.”

Insegurança alimentar 

O relatório global de 2026 também destaca que houve progresso global no número de pessoas que viviam em situação de insegurança alimentar moderada ou severa.

Esta condição de extrema vulnerabilidade ocorre quando as pessoas consomem alimentos em quantidade insuficiente para uma vida saudável ou comida com menor qualidade nutricional.

A FAO estima que 25,8% da população mundial (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa até 2025. O percentual representa uma queda em relação aos 27,1% em 2024 e 28,7% em 2020 – quase 86 milhões a menos do que em 2024 e 135 milhões a menos do que em 2020 – embora ainda esteja acima dos níveis pré-pandemia.

Disparidades continentais

Apesar da redução contínua nos níveis da fome, a recuperação é desigual entre os continentes. A principal publicação anual sobre fome no mundo indica que, enquanto a Ásia, a América Latina e o Caribe apresentam melhorias graduais nos últimos três anos, a África é, atualmente, o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas, em um contexto de rápido crescimento populacional, diz a FAO. Estima-se que uma em cada cinco pessoas na África, ou seja, 20% enfrentaram a fome em 2025, o que corresponde a cerca de 309 milhões de pessoas famintas na África. Em 2024, este índice foi ligeiramente maior: 20,3% da população.

Quando avaliada a situação de insegurança alimentar moderada ou severa, em 2025, mais da metade da população africana (56,6%) vivia nesta condição, em comparação com 22,9% na América Latina e Caribe, 8,7% na América do Norte e Europa, e 20,3% na Ásia.

Mais vulneráveis

A insegurança alimentar também permanece maior nas áreas rurais do que nas áreas urbanas e periferias, enquanto as mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025.

Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos atingiram a diversidade alimentar mínima priorizada no consumo saudável entre 2021 e 2025, o que significa que cerca de uma em cada três mulheres não a atingiu no planeta.

No recorte continental, a menor prevalência de transtorno de diversidade alimentar em mulheres foi observada na África (43%), seguida pela Ásia (65%) e América Latina e Caribe (77,5%).

Enquanto a maior de diversidade alimentar foi registrada na América do Norte e Europa (79,8%).

Ritmo de avanço

Os avanços globais na nutrição de mães e crianças são lentos e marginais, o que ameaça o cumprimento das metas internacionais estipuladas para 2030.

Apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada.

Entre os principais indicadores de alerta estão:

·         desnutrição infantil grave: 150 milhões de crianças menores de 5 anos ainda sofrem de atraso no crescimento;

·         anemia em mulheres: o quadro de anemia entre mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) está piorando globalmente.

·         obesidade adulta: a prevalência cresceu de 12,1% (2012) para 16,2% (2024), descumprindo a meta global de parar esse crescimento até 2025.

Entre os cenários destacados na análise global com alguma evolução está o aumento do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões do planeta para as quais há dados disponíveis e houve registro da diminuição da prevalência do retardo infantil na África. 

Custo da alimentação saudável

O relatório ressalta que os custos continuam sendo um grande desafio para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 de, até 2030, erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição.

O número de pessoas que não podem pagar uma alimentação saudável no mundo caiu de 2,97 bilhões (37,4% da população mundial) em 2021 para 2,69 bilhões (32,7%) em 2025.

O cenário é pior na África de 2025, onde 66,6% da população não podia arcar com os custos de uma dieta saudável. O percentual é mais do que o dobro da Ásia, América Latina e Caribe.

Para calcular este número, a FAO-ONU adota a Paridade do Poder de Compra (PPC) – em inglês, purchasing power parity (PPP), que converte as moedas locais para o dólar ajustando as diferenças de custo de vida e ainda considera variáveis como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável. Desta forma, a unidade de medida usada consegue comparar o poder aquisitivo entre países.

Por essa metodologia, em 2025, o custo médio de uma dieta saudável no mundo aumentou para U$ 4,28 com paridade de poder de compra (PPP) por pessoa e dia, acima de US$ 3,44 PPP, em 2021, e US$2,94, em 2017. América Latina e Caribe registraram o maior custo (US$ 4,91 PPP).

A avaliação destaca que é urgente enfrentar os fatores estruturais por trás do custo persistentemente elevado de uma dieta saudável.

Para os organismos internacionais que elaboraram o SOFI 2026, reduzir o custo de uma alimentação saudável exige políticas específicas que ampliem a oferta de alimentos nutritivos e, ao mesmo tempo, reduzam os custos estruturais em toda a cadeia produtiva da agricultura.

“Isso inclui investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, irrigação e cadeias de frio, além de reformas em subsídios, facilitação do comércio e marcos regulatórios”, diz o texto do relatório.

A ministra destacou que o trabalho ainda está longe de ser concluído, mas que os governos podem mudar a realidade de quase um terço da humanidade que ainda não conseguir acesso a uma alimentação saudável.

“O custo dos alimentos saudáveis continua sendo um dos maiores obstáculos para a efetivação do direito humano à alimentação adequada. A contribuição mais importante desta edição do SOFI é ir além da descrição do problema. O relatório nos ajuda a compreender por que as dietas saudáveis continuam sendo caras”, pontuou a ministra.

Fernanda Machiaveli focou na instabilidade dos preços dos alimentos, que continua sendo uma das maiores ameaças ao acesso à alimentação saudável, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Perspectivas

O relatório anual também oferece projeções do cenário da fome global para os próximos cinco anos e considera fatores que podem agravar a situação.

Entre os mais destacados estão os efeitos do conflito no Oriente Médio e de eventos climáticos extremos, como o El Niño em 2026 e 2027, que não são considerados nessas projeções e podem intensificar ainda mais esses efeitos.

Outro aspecto levantado foi a redução da ajuda oficial de governos ao desenvolvimento e do financiamento humanitário, que podem comprometer o progresso alcançado no combate à fome no mundo nos últimos anos.

O diretor-geral da FAO, QU Dongyu, priorizou a necessidade de fortalecer os sistemas agroalimentares de todas as partes do mundo.

“Crises recentes – desde desastres naturais como a pandemia da doença do coronavírus (covid-19) até desastres causados pelo homem, como a guerra na Ucrânia, a crise de Gaza e a recente interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz – evidenciaram tanto a resiliência dos sistemas agroalimentares quanto a necessidade de fortalecê-los ainda mais para melhor servir às pessoas mais vulneráveis do mundo, agricultores e consumidores”, concluiu. 

 



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TSE define teto de gastos de campanhas das eleições de 2026

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou, nesta terça-feira (21), o teto de gastos de campanha para os cargos em disputa nas eleições deste ano. O limite para presidente da República é de R$ 133 milhões. 

O TSE manteve os mesmos valores de 2022, corrigidos pelo IPCA. A decisão considerou que não houve alteração legislativa sobre o tema e a manutenção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha no mesmo valor destinado às eleições anteriores. 

Para a campanha à Presidência da República, o limite de é de R$ 133 milhões, sendo quase R$ 89 milhões no primeiro turno  e  cerca de R$ 44 milhões no segundo turno.

O teto para campanhas de deputado federal é de cerca de R$ 3,2 milhões. Para deputado estadual ou distrital, o limite é de cerca de R$ 1,2 milhão.

Já para senador e governador, o limite varia de acordo com o estado. Em São Paulo, por exemplo, candidatos ao governo podem gastar cerca de R$ 40 milhões nos dois turnos, enquanto os candidatos ao Senado têm limite de cerca de R$ 7 milhões.

O cálculo considera as despesas contratadas de forma direta pelos candidatos, além de  transferências de recursos para outros partidos ou candidatos e doações de bens e serviços com valor econômico. 

De acordo com a resolução, quem ultrapassar o limite de gastos terá de pagar multa de 100% do valor excedido em até cinco dias úteis a partir da intimação da decisão judicial.

O gasto além do limite também pode caracterizar abuso do poder econômico, conforme prevê a Lei de Inelegibilidade.




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Eduardo Bolsonaro pode perder cargo na PF; veja carreira e salário

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Segundo a Tabela de Remuneração dos Servidores Federais de 2025, o salário inicial de um escrivão é de R$ 14.164,81. Com a progressão na carreira, a remuneração pode chegar a R$ 21.987,38, de acordo com a classe e o tempo de serviço do servidor.



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Brasília ganha emissora da Rádio Novo Tempo: 92,9 FM estreia

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A cidade de Brasília celebra a chegada da nova emissora da Rádio Novo Tempo, que inicia suas transmissões na frequência 92,9 FM. Com uma programação voltada para a informação, música e a fé cristã, a emissora busca impactar a comunidade local e fortalecer a evangelização na região.

Contexto da Rádio Novo Tempo

A Rádio Novo Tempo é uma importante rede de comunicação que já possui diversas emissoras espalhadas pelo Brasil. Com o objetivo de disseminar o Evangelho e promover valores cristãos, a rádio tem se destacado pela qualidade de sua programação, que inclui desde músicas gospel até programas educativos e de reflexão.

O que aconteceu

Conforme reportado pelo Comunhão, a nova frequência 92,9 FM foi oficialmente inaugurada e já está no ar, trazendo uma variedade de conteúdos que visam atender as necessidades espirituais e informativas dos ouvintes. A emissora promete ser um espaço de edificação, promovendo a música cristã e programas que abordam temas relevantes para a comunidade evangélica.

Reações da comunidade

A chegada da Rádio Novo Tempo em Brasília é vista como uma grande oportunidade para fortalecer a presença da mensagem cristã na capital federal. Líderes religiosos e membros da comunidade já expressaram seu entusiasmo com a novidade, destacando a importância de ter uma emissora que fala diretamente ao coração dos cristãos. Muitos acreditam que essa iniciativa pode ajudar na evangelização e no fortalecimento da fé entre os ouvintes.

O que esperar

Com a inauguração da 92,9 FM, a expectativa é que a Rádio Novo Tempo continue a expandir sua influência e alcance, não apenas em Brasília, mas em todo o Brasil. A emissora planeja realizar eventos comunitários, campanhas de arrecadação e ações sociais, visando conectar ainda mais a rádio com a população local e promover a mensagem de esperança e amor que o Evangelho traz.



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Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin

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A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, disse nesta terça-feira (21) o vice-presidente Geraldo Alckmin.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.

Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, concederam uma entrevista após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil.

O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado. Segundo Alckmin, a legislação oferece instrumentos para uma resposta institucional, caso seja necessário, respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas.

O Executivo finaliza um pacote de apoio aos setores afetados e acelera a busca por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores. 

Três frentes

O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos.

A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Apoio interno

Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas.

O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.

A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.

Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber apoio emergencial.

“O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou Márcio Elias Rosa.

Novos mercados

Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país.

Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura.

O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

Setores afetados

Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão:

  • Eletroeletrônicos;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Autopeças;
  • Calçados;
  • Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos.

Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Cronograma

O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta.

Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado.

Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.

Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio.

Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.



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