Home Blog Page 2993

Dois cérebros em um

0

A concepção materialista e mecanicista da realidade e do ser humano, difundida na cultura ocidental ao longo dos últimos séculos, é, segundo os seus defensores, aquela que corresponde ao progresso científico. O psiquiatra e filósofo britânico Iain McGilchrist critica-o com base em pesquisas recentes sobre o cérebro.

Ludwig Wittgenstein afirmou que, mesmo que chegássemos a um conhecimento exaustivo das causas materiais da existência, teríamos que continuar a perguntar sobre o sentido da vida, da morte e do mundo como um todo. Compreender a realidade requer “dualismo cognitivo”, como concluiu o filósofo inglês Roger Scruton, ou seja, dois modos de conhecimento em níveis de raciocínio diferentes, mas paralelos.

Esta distinção é partilhada, desenvolvida e refinada do ponto de vista da organização cerebral por Iain McGilchrist, psiquiatra, membro da Academia Real de Psiquiatria do Reino Unido, escritor, filósofo e antigo professor de literatura em Oxford, e elaborada nos seus livros The Master and His Emissary (2009) [O mestre e seu emissário, sem edição no Brasil] e no mais recente e enciclopédico The Matter with Things: Our Brains, Our Delusions and the Unmaking of the World (2021) [A questão das coisas: nossos cérebros, nossas ilusões e a destruição do mundo], sua obra-prima de três mil páginas em dois grandes volumes. Baseada em uma infinidade de estudos neurológicos, físicos e filosóficos, esta obra levou mais de dez anos de dedicação total e está dando muito que falar nos meios científicos e filosóficos, onde já é considerada uma referência essencial.

Duas maneiras de apreender o mundo

McGilchrist demonstra que diferentes funcionalidades no processamento mental correspondem à divisão morfológica em dois hemisférios do cérebro. Um, o do hemisfério esquerdo, com foco preciso e analítico, dissecando a realidade e projetado para controlar – e não compreender – o mundo; é uma visão muito linear na sua percepção, sem nuances, e com conclusões rápidas e definitivas. A outra, a do hemisfério direito, é exatamente o oposto: flexível, vigilante, aberta, constante e sem preconceitos, desenhada para estar atento ao que acontece ao nosso redor. O seu objetivo é ajudar a compreender o mundo, não manipulá-lo, a ver o todo e a nossa relação com ele, matizada e consciente do contexto.

Nossos cérebros lidam com os dois tipos de atenção e, como regulam o tipo de percepção, alternamos constantemente entre duas versões do mundo. O do hemisfério esquerdo é um universo de coisas gerais, familiares e previsíveis, como um mapa, simples e útil; hemisfério que é a sede dos aspectos analíticos da linguagem (não dos aspectos semântico-pragmáticos, que residem sobretudo no direito).

A forma de pensar da nossa cultura continua a ser dominada pelo ultrapassado modelo de reducionismo mecanicista do século XVIII

Em contraste, o mundo do hemisfério direito é como uma rede em que tudo é novo, único e mutável, fluindo em ligação com tudo o resto e gerando continuamente novas realidades. É um mundo que não podemos contemplar como espectadores porque somos parte e efeito da nossa relação com ele; um mundo como o da poesia, da música, do humor, da matemática ou da física, em que tudo surge das relações e do contexto.

Um poema ou uma piada, por exemplo, perde todo o sentido ao tentar explicá-las analiticamente por meio da linguagem, ou uma peça musical ao tentar dissecá-la em partes até chegar a uma nota insignificante. O amor em si, mas não o seu conceito, também não é explicável pela linguagem. Da mesma forma, o sentido do sagrado e tudo o que tem a ver com o sentido último das coisas só pode ser compreendido indiretamente, através de metáforas ou mitos, que são anulados ao tentar torná-los explícitos.

Fontes de conhecimento

McGilchrist rejeita a ideia simplista de que a ciência e a razão analítica são domínio do hemisfério esquerdo e a intuição e imaginação do direito. Cada hemisfério utiliza diferentes formas de conhecimento – ciência, razão, intuição – mas de forma diferente e de acordo com a sua natureza. O hemisfério esquerdo, autodirigido, internamente consistente e processual, está preparado para sacrificar a verdade pela coerência, e o direito, orientado externamente, receptivo e aberto, pronto para sacrificar a coerência, se necessário, para alcançar a verdade.

O pensador britânico distingue quatro principais portais de acesso ao conhecimento: atenção, percepção, inteligência – cognitiva, social e emocional – e criatividade. Embora ambos os hemisférios os utilizem, a contribuição do direito é sempre maior que a do esquerdo, como demonstram inúmeros estudos clínicos relacionados a disfunções de ambos os hemisférios. Somente ao manipular algo a ser usado é que o esquerdo é superior; mas quando se trata de compreender nosso corpo e sua relação com outros seres tridimensionais e contínuos, ou agir com inteligência espacial ou temporal, sucumbe retumbantemente.

McGilchrist conclui que não se pode confiar apenas numa das fontes de conhecimento mencionadas e que, sempre que possível e apropriado, todas as quatro devem ser envolvidas para alcançar a plena compreensão. Ele acha que os intelectuais ocidentais tendem a priorizar a ciência e a razão analítica, e a negligenciar a intuição e a imaginação, que foram o início de grandes descobertas, por exemplo, matemáticas.

Cultura atual e cientificismo

McGilchrist descreve a situação da cultura atual desta forma, apesar de todo o progresso no conhecimento humano dos últimos séculos: “A maneira de pensar da nossa cultura continua a ser dominada pelo modelo ultrapassado do reducionismo mecanicista do século XVIII, apesar das descobertas da física quântica e a crescente compreensão de sistemas complexos, que a contradizem. Apresenta-se um cosmos determinista, como uma máquina exclusivamente material, plenamente compreensível através da análise de suas partes, sem liberdade criativa.”

As explicações materialistas, muitas vezes invocadas como autoevidentes, revelam-se inúteis quando se considera que nem mesmo a física atómica revela verdadeiramente o que é a matéria, nem podemos, por exemplo, confiar nela para explicar algo tão complexo como a consciência pessoal. Se for assumido um cosmos puramente material e mecanicista, surge o problema de como a inteligência ex novo pode emergir de um universo sem inteligência, que por sua vez se dedica a tentar compreendê-la, e a compreender-se, para finalmente achá-la compreensível.

McGilchrist propõe um novo paradigma cultural não materialista, consistente com a ciência do cérebro e a física e com importantes escolas de pensamento

Ambas as perspectivas – a do hemisfério esquerdo e a do direito – são vitais para a nossa sobrevivência, pois, por um lado, precisamos simplificar, verbalizar e separar-nos do mundo para manipulá-lo, e ao mesmo tempo, pertencer e compreender a complexidade que nos rodeia.

McGilchrist insiste que a experiência do mundo real se origina no hemisfério direito, move-se para a esquerda para processamento e retorna para a direita para síntese em seu contexto global, da mesma forma que um músico que ouve uma peça musical a divide em notas, aprende com esforço, e depois a toca intuitivamente.

A tendência de ver o mundo através de lentes estreitas e materialistas está relacionada com a influência excessiva da visão do hemisfério esquerdo nos ambientes intelectuais ocidentais. Em contrapartida, uma maior influência do hemisfério direito implicaria uma perspectiva mais holística, corporificada e magnânima, atendendo tanto a uma visão global como às partes componentes, incentivando o uso da imaginação e da intuição para melhor se relacionar com a realidade e conectar-se com o sagrado e o divino, que sem dúvida intuímos, como comprovam muitos séculos de história e culturas.

Um novo paradigma cultural

McGilchrist propõe um novo paradigma cultural baseado no que pode ser aprendido através da ciência e da razão em combinação com a intuição e a imaginação. Isto é consistente com o modo do hemisfério direito, que evoluiu para ser o nosso principal meio de compreender o mundo e de nos relacionarmos uns com os outros, com o mundo vivo e com o reino do divino, elementos que tradicionalmente nos deram um senso abrangente de ancoragem e pertencimento.

E ele observa que este paradigma é congruente com a ciência do cérebro e a física e com um número crescente de importantes escolas de pensamento, particularmente as dos pragmáticos, filósofos do processo e fenomenólogos, bem como com as antigas tradições de sabedoria orientais e ocidentais.

O sentido da vida

Assim como o significado de uma expressão é percebido no hemisfério direito, que o passa para a esquerda para ser analisado constitutivamente e retorna para a direita para recuperar os aspectos semântico-pragmáticos (tom, ironia, humor, etc.) derivados do conhecimento do contexto e do mundo em geral, a nossa capacidade de manipular o mundo cresceu paralelamente à nossa dificuldade em descobrir o seu significado. E para o hemisfério esquerdo, a busca de significado não tem sentido, pois só está equipado para analisar, manipular e tratar o mundo como uma abstração.

Nosso autor contempla a questão do sentido da vida a partir da perspectiva do hemisfério direito, que se conecta com valores transcendentais, e remonta aos irredutíveis princípios platônicos da verdade, do bem e da beleza. Esses valores foram degradados, descartados ou negados na perspectiva de muitos intelectuais modernos: eles acreditam que somente a ciência pode responder a todas as nossas questões e, no máximo, consideram-nos emanações úteis de um cosmos puramente material, em vez de fins na realidade eles mesmos.

Na realidade, são valores que não podem ser justificados pelos seus resultados práticos, inseparáveis ​​da nossa experiência emocional mais profunda e perfeitamente sintonizados com o hemisfério direito. A estes McGilchrist acrescenta o sentido do sagrado e do amor. E, finalmente, ele argumenta que tais valores não são substantivos primitivos ontológicos independentes, mas sim qualidades adjetivas do primitivo ontológico final, Deus.

No final do seu livro ele salienta que ou reconhecemos Deus ou inventamos um Deus adaptado aos nossos pobres recursos psicológicos, sacralizando as nossas ansiedades e ambições e projetando no cosmos o nosso desejo de análise e controlo de todas as facetas do nosso ambiente. Esta é a idolatria que nos degrada; diante disso, o trabalho de McGilchrist constitui um incentivo urgente para repensar a forma como entendemos o pensamento.

noticia por : Gazeta do Povo

Câmara realiza simulação de incêndio e reforça medidas de segurança

0

14/12/2024

A divisão do território do Estado de Mato Grosso em 1977:a Câmara Municipal de Cuiabá participa do processo

No primeiro artigo apresentamos os antecedentes históricos, as motivações e a oficialização da divisão do Estado de Mato Grosso no ano de 1977, quando foi criado o Estado de Mato Grosso do Sul (artigo disponível no site da Câmara Municipal de Cuiabá).Vimos a luta dos sulistas e a reação do Norte, os projetos geopolíticos do governo federal que motivaram a divisão e a sua concretização no dia 11 de outubro de 1977 com a Lei Complementar nº 31/77. Agora nós apresentaremos o envolvimento da Câmara Municipal de Cuiabá e dos vereadores da 11ª Legislatura (1977-1982) nesse processo a partir de documentos do nosso arquivo e entrevistas realizadas com ex-vereadores e contemporâneos que moravam em Cuiabá.

O primeiro registro encontrado nos anais da Câmara Municipal de Cuiabá a respeito desse assunto é de 23 de março de 1958. Em Sessão Ordinária, o vereador Otávio Santana apresentou um Projeto de Resolução no qual concederia ao ex-deputado estadual Lício Borralho, o título de inimigo Nº 1 de Cuiabá, pois ele liderava um movimento radical pela divisão do território de Mato Grosso. A ideia do vereador Otávio Santana foi entendida pelos demais vereadores como demasiadamente ofensiva e desnecessária, mas a maioria deles mostraram-se contrários à divisão e preocupados com as suas consequências.&nbspOutros entendiam que a divisão seria inevitável e Cuiabá deveria se preparar, sem temer. Overeador Benedito Clodoaldo Metelo foi além, declarou ser a favor da divisão pois, de acordo com ele, Cuiabá seria capaz de cuidar de um novo território e iria progredir, bastando somente a melhoria da comunicação com a abertura de estradas e a chegada da ferrovia, pois já havia dado amostras de que com a intelectualidade do seu povo sobreviveria com sucesso. O Projeto de Resolução apresentado pelo vereador Otávio Santana causou discussões acaloradas na sessão e foi reprovado pela maioria na sessão seguinte. Nos dezenoveanos que se seguiram dessa sessão até a oficialização em 11 de outubro de 1977 (coincidentemente o Dia do Vereador) nós não encontramos outro registro a respeito do assunto. No entanto, o ex-vereador Benedito Márcio Pinheiro afirmou que a proposta de divisão sempre estava na pauta da Câmara.&nbsp

Os vereadores entrevistados disseram que recebiam com tranquilidade as notícias sobre a possível divisão do Estado. Logo, diante dos primeiros burburinhos que indicavam um breve desfecho, eles decidiram agir pela garantia dos interesses de Cuiabá, a qual seria a mais impactada. Vale destacar que como vereadores não havia legalmente qualquer instrumento jurídico que pudessem fazer uso, mas como ocupavam o cargos de representantes da população cuiabana, não poderiam permanecer inertes. Dos três vereadores da 11ª Legislatura que entrevistamos, dois disseram que eram a favor e um contra. Moisés Mendes Martins Júnior foi quem pôs-se contrário, já Benedito Márcio Pinheiro e João da Silva Torres mostraram-se favoráveis. A decisão dos vereadores naquele momento foi a criação de grupos de trabalho para percorrerem outros municípios do Estado, através do qual denominaram de caravanas, a fim de realizarem audiências públicas nas câmaras municipais. Benedito Pinheiro afirmou que foram criados dois grupos, um formado por ele, Gilson de Barros e João Torres, responsáveis por irem aos municípios da região do Araguaia e outro grupo formado pelos vereadores Giuchiglio Luigi Bello, Ovídio Fernandes e Rubens Antunes de Belém, responsáveis por percorrerem a região de Diamantino. Moisés Martins disse que permaneceu em Cuiabá e visitou Chapada dos Guimarães. O objetivo desses vereadores era discutir aquele momento histórico e conhecer a realidade dos municípios, sem qualquer campanha contra ou favorável.&nbsp

As caravanas, conta-nos Benedito Pinheiro, foram um movimento de extremo protagonismo dos vereadores, papel que talvez não coubesse a eles, e sim aos deputados. Disse que foi uma ideia acertada e que todos voltaram convencidos de que a divisão era a melhor alternativa. A firmou que ele foi desde o início a favor porque vislumbrava um novo Estado que cresceria por conta das suas potencialidades. Um aspecto relevante, ressalta, era a questão política. Aos poucos o sul estava liderando o cenário político regional. Com um número maior de eleitores, eles ocupavam a maioria dos postos de poder. Melhor dividir do que tornar refém dos interesses das oligarquias políticas sulistas, afirmou o ex-vereador. João Torres disse que as caravanas trouxeram uma grande alegria para eles, que foi uma luta importante em prol de Mato Grosso que precisava ser dividido porque era muito grande e cheio de potencialidades. O ex-vereador Moisés Martins, antes contra, afirmou que tomou consciência com as caravanas e passou a ser um forte defensor da divisão.

Naquele período os sulistas tinham uma visão preconceituosa de Cuiabá. Moisés Martins afirmou que eles viam Cuiabá como uma cidade ruim para se morar, que certa vez ouviu em Campo Grande que Cuiabá era uma cidadezinha pobre com um córrego denominado Prainha que era só esgoto. Podemos comprovar que essa visão por parte dos campo-grandenses não era uma verdade. O Anuário Estatístico de 1978 demonstra que houve um vertiginoso crescimento da cidade entre os anos de 1970 a 1978. De 100 mil habitantes no ano de 1970, a cidade passou para 122 mil em 1974 e para 152 mil em 1978. O número de veículos emplacados saltou de 5 mil para 24 mil, as residências com energia elétrica de 10 mil para 25 mil. Projetos estruturantes foram implantados em Cuiabá a fim de atender e contribuir para o crescimento da cidade. Assistiu-se o alargamento e pavimentação de ruas e avenidas, a criação do Centro Político Administrativo, a construção de conjuntos habitacionais, a fundação da UFMT, a inauguração de um grande estádio de futebol (Verdão) e a expansão da área urbana. Um dos fatores dessa transformação foi a chegada de uma nova leva imigrantes vindos do Sul vindos por conta das terras baratas, do ideal de prosperidade, auxiliados pelos recursos do governo federal para ocuparem a Amazônia.

Para concluir esse tema iremos responder a pergunta deixada no artigo anterior que foi a manchete do jornal Correio do Estado, sediado em Campo Grande. Teria sido o dia 11 de outubro de 1977 o dia mais triste da história de Cuiabá? Os seus moradores teriam recebido a notícia em silêncio? Os entrevistados disseram que a notícia chegou em uma cidade que estava dividida. O sim daqueles que vislumbravam um futuro promissor longe dos riscos de domínio político do sul e o não daqueles que temiam o resultado de uma mudança. Com o tempo aquele temor inicial dos contrários deu lugar a uma nova perspectiva. Aquela antiga luta com os sulistas não tinha mais sentido porque havia uma imensa e rica região a ser explorada e corria-se o risco dos sulistas tomarem ela, tendo hipoteticamente a cidade de Campo Grande como capital. Foi um dia como outro qualquer, afirmaram, mas um dia para se pensar em resiliência, uma adaptação à mudança. Diferente do jornal campo-grandense, o jornal O Estado de Mato Grosso, sediado em Cuiabá, se manifestou no dia seguinte, afirmando que como um pai que vê a maturidade do seu filho, o norte assistia o seu filho viver por si próprio. A história do norte e do sul estariam para sempre conectadas e caberia agora ao remanescente Mato Grosso continuar com a sua missão cívica, ocupando os vazios da Amazônia como mais um novo desafio para o seu povo que já mostrou ser capaz de grandes vitórias. Podemos então concluir que o dia 11 de outubro de 1977 deixou de ser o dia da divisão e se tornou o dia de mais um novo começo para o Mato Grosso.&nbsp

Autor: Danilo Monlevade

Analista Legislativo da Câmara Municipal de Cuiabá

Fontes da Pesquisa:

Anuário Estatístico de 1978 – Prefeitura Municipal de Cuiabá – Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação, 1978.&nbsp&nbsp

Entrevistas com Moisés Mendes Martins Júnior em 26/11/2024, Benedito Márcio Pinheiro em 23/11/2024, Luiz Estevão Torquato da Silva em 04/12/2024, Zeca Tenuta em 28/11/2024, Edmundo Carlos Ferreira da Silva em 27/11/2024, Onofre Ribeiro em 27/11/2024 e João da Silva Torres em 09/12/2024.&nbsp

Jornal O Estado de Mato Grosso – 12 de outubro de 1977 – ed. 7.775.

Livros Atas nº 16, nº 08, nº 151 e nº 37 – Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

FONTE : MatoGrossoNews

Medeiros detona PF por prisão de Braga Netto: "O motivo? O golpe que nunca ocorreu"

0

DAFFINY DELGADO

DO REPÓRTERMT

O deputado federal José Medeiros (PL) usou seu perfil nas redes sociais na manhã deste sábado (14), para detonar a prisão do general do Exército Brasileiro, e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), Braga Neto. Segundo ele, o motivo da medida tomada pela Polícia Federal, seria um “golpe que nunca ocorreu”.

“O MOTIVO? O “Golpe” que NUNCA OCORREU e sequer foi tentado, além da tese de planejamento para as execuções de Lul4, Alexandre de Moraes e Alckimin ????????‍, que como bem se sabe não só nunca ocorreram como sequer foram tentados… NESTE PAÍS, a realidade e o próprio Direito tanto faz ????????‍, o que importa é a narrativa correta”, escreveu em postagem no Instagram.

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

Braga Netto foi preso neste sábado, no Rio de Janeiro. O ex-ministro da Defesa é um dos alvos do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado no país após as eleições de 2022.

Leia mais: Polícia Federal prende o ex-ministro general Braga Netto

Os mandados de prisão preventiva, busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Braga Netto será entregue ao Comando Militar do Leste e ficará sob custódia do Exército.

FONTE : ReporterMT

Trump contrata Nunes, CEO da Truth Social, para liderar o conselho de inteligência

0


Donald Trump anunciou a contratação de executivo de sua rede social, a Truth Social, para liderar conselho consultivo do presidente americano. Donald Trump em Paris, 7/12/2025
Sarah Meyssonnier / Pool / AFP
WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou neste sábado (14) Devin Nunes, um ex-legislador dos EUA que agora dirige a plataforma de mídia social Truth Social DTJ.O de Trump, para atuar como presidente do Conselho Consultivo de Inteligência do Presidente.
Nunes, um defensor de longa data de Trump que liderou o Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos EUA durante parte do primeiro mandato de Trump na Casa Branca, permanecerá como CEO da Truth Social enquanto atua no painel consultivo, disse Trump em uma postagem na plataforma.
Como presidente da comissão, Nunes alegou que o FBI conspirou contra Trump durante a sua investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, nas quais Trump derrotou a candidata democrata Hillary Clinton.
LEIA MAIS
Mercado automotivo brasileiro é o que mais cresce no mundo em 2024, diz Anfavea
Nova RAM Rampage 2025: veja pontos fortes e fracos da nova versão de entrada da picape
Yamaha Factor 2025, principal concorrente da Honda CG, chega por R$ 17.690
“Devin se baseará em sua experiência como ex-presidente do Comitê de Inteligência da Câmara e em seu papel fundamental na exposição da empreitada da Rússia para me fornecer avaliações independentes sobre a eficácia e a propriedade das atividades da comunidade de inteligência dos EUA”, disse Trump. escreveu.
O Conselho Consultivo de Inteligência do Presidente é um painel da Casa Branca que oferece ao presidente avaliações independentes sobre a eficácia e o planejamento das agências de inteligência.
Trump também nomeou no sábado o executivo da IBM e ex-funcionário do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Troy Edgar, para servir como vice-secretário do departamento, e o empresário Bill White para servir como embaixador dos EUA na Bélgica.
Fato ou Fake: notícias falsas usam nome de veículos de credibilidade como o g1
source
Fonte: G1

Afegãs sofrem restrições mais abusivas adotadas durante o último ano

0

Em sessão interativa do Conselho de Direitos Humanos realizada nesta terça-feira, as mulheres e meninas afegãs estiveram em foco pelo “sistema institucionalizado de discriminação, segregação, desrespeito à dignidade humana e exclusão”. 

Falando em Genebra, a vice alta comissária de Direitos Humanos, Nada Al-Nashif disse que as autoridades do país asseguram que estes grupos têm proteção dentro da estrutura da lei Sharia, mas aplicaram “restrições mais abusivas às vidas delas” em 2023.

Decretos das autoridades de facto 

Al-Nashif enumerou efeitos de decretos que retiraram mulheres e meninas da vida pública, “confinando-as em suas casas e negando seus direitos e liberdades fundamentais, sua autonomia individual e as oportunidades mais básicas da vida”.

A ONU estima que desde junho do ano passado, as autoridades de facto emitiram pelo menos 52 decretos relativos às afegãs.

Medidas confinam mulheres em suas casas e negam seus direitos e liberdades fundamentais

© ONU Mulheres/Sayed Habib Bidell

Medidas confinam mulheres em suas casas e negam seus direitos e liberdades fundamentais

O relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Afeganistão Richard Bennett, defendeu que tais medidas “intensificam as restrições às mulheres e meninas afegãs, que são cada vez mais aplicadas, às vezes violentamente”.

No mais recente informe ao Conselho, o especialista destaca que a privação institucionalizada causa danos profundos de gênero. O efeito “espalha-se pela sociedade afegã e repercute-se por gerações”. 

Possíveis crimes contra a humanidade

Com mulheres e meninas excluídas do sistema educacional, Bennet defende que aumentam os riscos de casamento forçado e servidão por dívidas.

Na avaliação do especialista, as violações contra mulheres e meninas no Afeganistão “são tão graves e extensas que “podem ser consideradas crimes contra a humanidade, incluindo perseguição de gênero.”

Relator da ONU aponta gravidade e dimensão de possíveis “crimes contra a humanidade, incluindo perseguição de gênero

OIM/ Mohammad Osman Azizi

Relator da ONU aponta gravidade e dimensão de possíveis “crimes contra a humanidade, incluindo perseguição de gênero

Os sobreviventes afegãos, em particular mulheres, “enfatizam que o termo apartheid de gênero descreve com mais precisão sua experiência e estão pedindo seu reconhecimento como um crime contra a humanidade.”

Ele considera o “sistema de dominação e opressão de mulheres e meninas deve impulsionar a discussão sobre a codificação do apartheid de gênero como um crime contra a humanidade e como uma violação dos direitos humanos, definida de forma inclusiva de gênero”.

Afegãos com identidades marginalizadas

O relator declarou ainda que as afegãs sofrem restrições sistemáticas ao direito ao trabalho e à liberdade de movimento “que as roubaram de sua autonomia financeira, forçando a dependência de parentes do sexo masculino.” 

Com essa realidade, as famílias “mergulharam mais fundo na pobreza, com relatos crescentes de depressão e suicídio entre mulheres e meninas.”

O informe destaca que a alta de discriminação e violência ainda maiores com afegãos com identidades marginalizadas, incluindo pessoas com deficiência, pessoas Lgbtqia+ e de minorias étnicas, religiosas, linguísticas e outras.

O relator pede que a comunidade internacional garanta que todas as vítimas e sobreviventes possam ter acesso à justiça pela totalidade dos crimes cometidos contra elas.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

FONTE : News.UN

Entenda em 5 pontos a operação que prendeu Braga Netto

0

O general Walter Braga Netto foi preso na manhã deste sábado (14) pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de interferir nas investigações sobre a trama golpista em 2022. Ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), ele também foi vice na chapa do ex-presidente na eleição de 2022.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), com aval da PGR (Procuradoria-Geral da República). O coronel da reserva Flávio Peregrino, um dos principais auxiliares de Braga Netto, também foi alvo de buscas.

Segundo as investigações da PF, o general de reserva participou de um núcleo de pessoas responsáveis por incitar militares a promoverem um golpe de Estado.

A corporação alega que Braga Netto teria tentado interferir nas investigações, ao buscar obter dados sigilosos do acordo de colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ainda segundo as investigações, ele obteve e entregou recursos para a organização e execução do plano de matar em 2022 o presidente eleito, Lula (PT), seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o próprio Moraes.

A defesa do militar afirmou neste sábado (14) que ele não tentou obstruir as investigações. Em manifestação anterior, Braga Netto afirmou que “nunca se tratou de golpe, e muito menos de plano de assassinar alguém”.

1) Interferência nas investigações


Segundo a PF, Braga Netto teria atuado, “de forma reiterada e destacada”, para impedir as investigações. O general da reserva estava tentando obter acesso a informações sigilosas da delação de Mauro Cid.

As suspeitas relacionadas à tentativa de interferir nas investigações vêm sendo acumuladas desde setembro de 2023, quando o tenente-coronel Mauro Cid teve homologado seu acordo de colaboração premiada no STF.

O próprio Cid relatou, em depoimento, que Braga Netto procurou diretamente seu pai, o general Mauro Lourena Cid, para pedir detalhes do que ele havia falado na colaboração premiada.

“Isso aconteceu logo depois da minha soltura [em setembro de 2023], quanto eu fiz a colaboração naquele período, onde não só ele como outros intermediários tentaram saber o que eu tinha falado”, disse Cid em depoimento à PF.

“Fazia um contato com o meu pai, tentavam ver o que eu tinha, se realmente eu tinha colaborado, porque a imprensa estava falando muita coisa, ele não era oficial, e tentando entender o que eu tinha falado.”

As provas de tais ações, segundo a polícia, teriam sido encontradas no celular do pai de Mauro Cid.

2) Novo depoimento de Cid


A decisão de prisão é fundamentada em novos documentos encontrados pela PF e em revelações feitas por Mauro Cid em depoimento prestado no dia 21 de novembro.

Em uma versão anterior apresentada à PF, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro havia dito que o encontro de militares das Forças Especiais com Braga Netto em novembro de 2022 ocorreu porque os militares queriam tirar fotos e cumprimentar o general.

Já o termo de audiência do depoimento de Cid ao Supremo, realizado em novembro, diz que o tenente-coronel levou os militares ao apartamento de Braga Netto para falar sobre a “indignação com a situação do país e a necessidade de ações concretas”.

As investigações da PF, portanto, apontam que o plano de golpe envolvendo a morte de Lula teria sido discutido na casa do general em Brasília.

3) Pagamento em sacola de vinho e ‘pessoal do agronegócio’

Segundo a nova versão dada na delação de Mauro Cid, o então major Rafael de Oliveira se encontrou com Braga Netto dias depois de reunião com militares na casa do general da reserva.

Na ocasião, Braga Netto teria entregado a Oliveira dinheiro em espécie, guardado em uma “sacola de vinho”, para a “realização da operação”. Os valores, de acordo com a delação de Cid, teriam sido obtidos com o “pessoal do agronegócio”.

O trecho do termo de depoimento de Cid no STF não deixa claro se o dinheiro havia sido repassado com o objetivo de financiar o plano de assassinar autoridades. Em trechos anteriores da delação, Mauro Cid disse que o tenente-coronel Rafael de Oliveira pediu R$ 100 mil para levar bolsonaristas de outras regiões do país ao acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.

As conclusões da Polícia Federal e de Alexandre de Moraes, porém, são de que os valores foram utilizados para viabilizar o plano de executar autoridades.

Moraes ressalta na decisão que há “fortes indícios e substanciais provas” de que Braga Netto “contribuiu, em grau mais efetivo e de elevada importância do que se sabia anteriormente” para o planejamento e financiamento de um golpe de Estado cuja consumação incluía o plano de detenção e possível execução do próprio Moraes, além de Lula e Alckmin.

A Polícia Federal ainda apreendeu na sede do PL (Partido Liberal) em fevereiro, em mesa usada pelo coronel Peregrino, um documento com perguntas e respostas sobre a delação. Segundo os investigadores, esses elementos indicam uma tentativa de Braga Netto e Peregrino conseguirem detalhes sigilosos sobre o acordo de colaboração de Mauro Cid.

“O contexto do documento é grave e revela que, possivelmente, foram feitas perguntas a Mauro Cid sobre o conteúdo do acordo de colaboração realizado por este em sede policial, as quais foram respondidas pelo próprio, em vermelho”, apontou a PF em seu relatório final.

Também sobre a mesa de Peregrino foi encontrada, segundo o relatório, uma folha preenchida à mão com o título “operação 142”, um fluxograma do que seria um golpe de Estado e a frase “Lula não sobe a rampa”.

O coronel da reserva, diferente de Braga Netto, não foi indiciado no relatório final da PF sobre a tentativa de golpe de estado.

5) ‘Não houve qualquer obstrução’

A defesa do general da reserva Walter Braga Netto negou, em nota divulgada na tarde deste sábado (14), que ele tenha obstruído as investigações sobre a trama golpista de 2022.

Os advogados do general dizem que irão se manifestar nos autos após ter “plena ciência dos fatos que ensejaram a decisão”.

“Com a crença na observância do devido processo legal, teremos a oportunidade de comprovar que não houve qualquer obstrução as investigações”, diz a o texto da defesa, liderada por Luís Henrique Cesar Prata.

noticia por : UOL

Centenas vêm a Jesus em cruzada com Franklin Graham: ‘O Evangelho transcende culturas’

0

Mesmo ciente dos riscos de pregar em um país que ocupa a 21ª posição na lista mundial de perseguição religiosa da Portas Abertas, o pastor e evangelista Franklin Graham viajou ao Laos, no Sudeste Asiático, para proclamar a Palavra de Deus aos perdidos.

Controlado pro um governo comunista que exerce poder até mesmo sobre a liberdade religiosa da sua população, o Laos é uma nação carente do Evangelho de Jesus Cristo, sendo os cristãos locais vítimas de perseguição por causa da fé.

No pais, o regime de funcionamento das igrejas é semelhante ao da China, onde apenas as “autorizadas” pelo governo podem existir, o que significa que são constantemente monitoradas pelo Estado, sendo a liberdade de culto, portanto, restrita.

Mas, felizmente, foi nesse país que Franklin Graham participou do “Festival do Natal do Amor”, realizando uma cruzada de dois dias, em parceria com a Igreja Evangélica do Laos. “Se você não consegue se lembrar de mais nada, você se lembra desta noite: Deus te ama”, disse o pastor.

Salvação

De acordo com a CBN News, 14 mil pessoas ouviram as pregações do pastor Graham, e centenas de vidas foram salvas por Jesus Cristo. “Foi um grande privilégio e honra vir a Vientiane [capital do país] a convite da Igreja Evangélica do Laos”, comentou ele.

“Eles vêm orando há anos por esta oportunidade de compartilhar a mensagem de que Deus ama o povo do Laos”, disse Graham. “Sou especialmente grato ao governo por me receber e dar à igreja evangélica esta incrível oportunidade.”

Por meio das redes sociais, Franklin Graham comemorou o resultado da campanha evangelística, destacando que apesar do controle rígido do Estado sobre a população, os crentes puderam adorar abertamente, sendo isso uma grande resposta de Deus às orações.

“O Evangelho transcende todas as línguas e culturas”, disse Graham. “Nós louvamos a Deus pelas centenas de pessoas cujos corações foram movidos e elas responderam ao convite para confiar em Jesus Cristo como seu Salvador e segui-Lo como Senhor de suas vidas!”. Confira:

FONTE : Gospel Mais

Dois caminhos para a América Latina: bukelização ou narcoestado

0

O discurso de defesa da ordem do presidente da Argentina, Javier Milei, guarda muitas semelhanças com os pronunciamentos de Nayb Bukele, presidente de El Salvador. Milei fez um apanhado das ações praticadas por seu governo no primeiro ano de mandato. Disse que o país está buscando um modelo que impõe o trabalho prisional como forma de compensação das despesas provocadas pelos apenados, associado com a extinção do uso de celulares na prisão, a aprovação de leis penais mais rigorosas, a valorização das forças de segurança pública e a implementação de uma política repressiva contra o crime, que tem na cidade de Rosario hoje o seu maior case de sucesso.

A empolgação do presidente argentino parece lastreada por dados concretos. Nos últimos anos, Rosário, na Argentina, enfrentou uma grave escalada de violência devido ao domínio de grupos narcotraficantes, com uma taxa de homicídios quatro vezes superior à média nacional. A cidade, estratégica para o tráfico de drogas devido à sua localização e infraestrutura portuária, tornou-se um ponto central de disputas entre facções criminosas.

Em 2023, Rosario registrou a maior taxa de crimes do país, com homicídios e tiroteios se tornando rotina, vitimando inclusive pessoas inocentes. O tráfico de drogas, operado principalmente por gangues como Los Monos, foi identificado como a principal causa da violência.

Além disso, mais de 1.700 policiais foram enviados à cidade, apreendendo grandes quantidades de drogas e desmantelando redes de narcotráfico, o que também levou a uma diminuição de 59% nos tiroteios.

Bukelização da Argentina? Mas e daí?

O enfoque repressivo da nova política de segurança argentina tem sido acusado pelos críticos de ser parte de um processo de “bukelização” do país. O termo geralmente é usado em sentido pejorativo para denunciar um “protagonismo excessivo” do Poder Executivo no combate ao crime, incluindo não somente uma série de dispositivos de endurecimento penal, mas também a pressão política sobre outros poderes instituídos, como a Suprema Corte e o Poder Legislativo.

O pacote de alterações legislativas enviadas para votação no Congresso argentino no primeiro semestre deste ano inclui medidas como a Lei Antimáfia, a criação de um Registro Nacional de Dados Genéticos, a inclusão do conceito de reincidência para reduzir os índices de criminalidade, diversos ajustes na forma de unificar penas e lidar com o concurso de crimes, além de medidas que reforçam a legítima defesa e o cumprimento do dever, garantindo apoio a quem tem a responsabilidade de proteger e cuidar da população argentina.

No caso da Lei Antimáfia, o dispositivo se destaca não só pela inclusão de diversos delitos em associação que permitem incriminar com penas de oito a 20 anos criminosos somente pelo fato de pertencer a uma organização, como também pela facilitação para investigação e processo desse tipo de delito, com a criação da Zona Especial de Investigação. O dispositivo relacionado com a reincidência, por sua vez, permite que as penas sejam somadas de maneira aritmética, chegando a até 50 anos de reclusão.

Além dessas medidas, Milei também anunciou a intenção de mudar a Lei de Segurança, para permitir uma atuação mais incisiva das forças armadas contra organizações narcotraficantes, terroristas e mesmo de atuação local, dependendo das circunstâncias, sem a necessidade de declaração de um estado de sítio.

Até agora, o estilo de atuação política do presidente argentino em relação às demais instituições guarda distância em relação às críticas comuns ao modelo salvadorenho.

Para garantir a aprovação de seu pacote de medidas contra o crime, Nayb Bukele recorreu intensamente às redes sociais para pressionar ministros da Suprema Corte, membros do seu gabinete e parlamentares. No dia da votação no congresso salvadorenho, o presidente utilizou forças policiais posicionadas estrategicamente na entrada do parlamento para pressionar os deputados a aprovarem as propostas. A imagem mais marcante, porém, foi Bukele ocupando a cadeira da presidência do congresso e conduzindo a votação como se fosse um líder autoritário.

Ainda que a rejeição a esse modo de atuação seja calcada em preconceitos mais estéticos e ideológicos do que em preocupações reais com as instituições, dado estado de deterioramento que se encontravam antes, foi essa combinação de ações e a estratégia de governar por meio das redes sociais deram origem ao termo “bukelização”. É preciso forçar muito a barra para encontrar semelhanças nessa direção com o estilo político do presidente argentino.

De todo modo, Javier Milei não parece muito preocupado com críticas desse tipo, assim como seu eleitorado. Em outubro deste ano, Argentina e El Salvador firmaram um acordo de cooperação para combater o crime organizado, com foco na luta contra o narcotráfico, após uma reunião entre a ministra de Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, e o ministro de Justiça e Segurança de El Salvador, Gustavo Villatoro. O pacto, que inclui a implementação de uma “nova doutrina contra o crime organizado”, foi assinado durante a visita oficial do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, à Argentina.

O acordo estabelece princípios chave, como o controle territorial absoluto do Estado frente à ameaça do crime organizado, a coordenação de ações e o intercâmbio de informações entre os dois países. Também inclui medidas de reforço na segurança carcerária, com a criação de pavilhões de segurança máxima e a implementação de regimes mais rigorosos para presos de alto risco, inspirado no modelo de El Salvador. A operação também prevê verificações periódicas nas prisões para combater o uso de celulares clandestinos.

A aproximação entre os dois países tem servido para “limpar” ainda mais a imagem de Bukele na região, transformando sua política de segurança numa referência para políticos de matriz conservadora na região. Assim como aconteceu com a política de Tolerância Zero implementada em Nova York durante a gestão de Rudolph Giuliani de 1994 a 2001, com resultados expressivos que tiraram a cidade do ranking mundial de violência, as ações implementadas em El Salvador estão se transformando num símbolo de reação de uma região que historicamente tem perdido sucessivas batalhas contra o avanço do crime organizado.

E no Brasil?

O Brasil parece caminhar na contramão desse processo. Nas eleições presidenciais de 2022, o discurso de luta contra o crime ocupou um lugar secundário na campanha de Jair Bolsonaro, em que pese o fato do país ter vivido uma redução expressiva do número de homicídios durante sua presidência.

É possível que a dificuldade de encontrar um símbolo unificador para uma agenda de segurança pública tenha se devido às circunstâncias problemáticas de todo o seu mandato. Com uma pandemia, seguida do estremecimento progressivo das relações com o Poder Judiciário, dada a progressiva implementação de uma juristocracia no país, a agenda de combate ao crime parece não ter ocupado muito espaço na comunicação presidencial.

Ainda assim, os investimentos em segurança pública bateram recorde no período. Relatório do Tesouro Nacional sobre as despesas do governo revelou que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro foi a que mais recebeu recursos entre 2010 e 2022, com dois picos de gasto com “ordem pública e segurança” em 2019 e 2022, ambos em torno de R$ 311 bilhões, superando o recorde de 2018, que foi de R$ 303 bilhões. Embora tenha havido uma queda durante os anos da pandemia, em 2021 o investimento atingiu 3% do PIB, superando outros países da América Latina, emergentes e até nações do G20, cujos gastos médios foram de 2,01%. O Brasil também ultrapassou economias mais avançadas, como França, Japão e Alemanha, cujo gasto foi de 1,6% do PIB.

Durante o período, o Brasil registrou uma redução no número de homicídios. Em 2019, houve uma queda de 19% em comparação com 2018, totalizando 41.635 mortes, o menor número desde 2007. Em 2021, o país registrou 41.069 homicídios, uma redução de 7% em relação a 2020. Em 2022, o Brasil registrou 40.800 assassinatos, representando uma queda de 1% em relação a 2021, que teve 41.200 casos. Essa redução levou o país ao menor número de homicídios desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2007.

Ainda assim, o aumento dos investimentos e os resultados positivos não vieram associados com um programa específico ou uma marca que pudesse colar a bandeira de combate ao crime no mesmo nível que tem acontecido com outros países da região. A ausência de uma mobilização permanente de reforma das leis penais durante o período também colaborou com esse processo. E não é imprudente cogitar que a falta dessa “marca” tenha contribuído para a perda de eleitores, principalmente nos grandes centros urbanos.

Já na campanha petista, o tom do discurso sobre o tema parecia bem mais focado em apontar os “problemas da polícia”, com Lula criticando o abuso de autoridade contra menores infratores e a violência policial. Esse tom, que coloca a raiz do problema nos abusos cometidos pelas forças de segurança, repete um padrão da esquerda, que não se esgota no debate eleitoral.

Na gestão petista, encontrou materialidade na “PEC da segurança”, apresentada pelo Ministério da Justiça. Em vez de enfocar no endurecimento penal e processual, bem como o fortalecimento das forças de segurança, a medida aponta prioridades como retirar poder dos entes federados, padronizar o treinamento policial e incorporar mecanismos de controle sobre o trabalho policial sem qualquer eficácia comprovada, como as câmeras corporais.

Esse processo de “brandura” ultrapassa os limites do Executivo. A quantidade de decisões judiciais nas esferas superiores que prejudicam o trabalho policial e a repressão ao crime atingiu um número recorde nos últimos anos. O abolicionismo penal tem se tornado política de Estado no Brasil, pela ação de juízes sem mandato parlamentar.

O caso recente mais expressivo foi a descriminalização do uso de maconha votado pelo Supremo Tribunal Federal no primeiro semestre deste ano, autorizando a posse de quantidades que, na prática, legalizaram o tráfico de drogas, mediante pequenas adaptações logísticas da parte das organizações criminosas.

Mas o rol de absurdidades inclui, entre outras medidas, restrições a operações policiais em comunidades ocupadas pelo crime organizado no Rio de Janeiro; limitações de abordagens policiais sem fundada suspeita, vetando justificativas “subjetivas” da parte dos agentes; restrições draconianas para o ingresso de policiais em domicílios, mesmo em casos de perseguição de suspeitos de tráfico de drogas, entre outros.

Da parte da grande imprensa, fica evidente a atuação contrária à atuação de governadores que tem atuado de maneira mais incisiva no combate ao crime nos seus estados. Na última semana, essa frente tem se concentrado em pressionar o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (REP-SP), pela demissão do seu secretário de segurança, o Capitão Guilherme Derrite (PL-SP), e consequente mudanças na política de segurança do estado. Ironicamente, os altos índices de aprovação do governo Tarcísio se calcam principalmente nos seus resultados em segurança pública.

O Estado de São Paulo encerrou 2023 registrando a menor taxa de homicídios dolosos em 23 anos, alcançando 5,72 casos por 100 mil habitantes. Esse resultado marca a primeira vez desde o início da série histórica, em 2001, que o índice ficou abaixo de 6.

Em agosto, o estado alcançou o menor índice de roubos desde o início da série histórica em 2001, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. Os registros mostram uma redução contínua, alinhada à tendência de queda mensal observada ao longo de 2024. Em agosto, foram contabilizadas 15.185 ocorrências, quase 20% a menos em comparação com o mesmo mês de 2023, quando houve 18.901 casos. Já em julho, os números dessa modalidade criminosa haviam atingido o menor patamar histórico.

Com uma política de enfrentamento direto, que se diferencia em muito da gestão de acordos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), institucionalizada durante os governos do PSDB, esse endurecimento resultou no aumento esperado do número de mortes em confronto com a polícia.

Ainda que a imprensa tenha focado em casos anedóticos, é importante frisar que esse crescimento ocorreu em quase todo o país, com destaque para a Bahia, governada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Além disso, São Paulo permanece como uma das menores taxas de mortes por intervenção policial (1,1). Num cenário assim, causa estranheza que São Paulo se torne pauta de preocupação da imprensa nacional, mesmo com indicadores recordes de redução da violência contra os cidadãos.

Dois caminhos

As escolhas políticas das lideranças latino-americanas região trarão consequências profundas para a vida de centenas de milhões de pessoas nos próximos anos. A região já possui nações entregues ao domínio do crime organizado, como México, Bolívia, Venezuela e Nicarágua. Nesses países, as organizações criminosas não somente controlam fatias inteiras do território, como influenciam diretamente a política nacional, financiando regiamente candidaturas, intimidando ou matando opositores e interferindo diretamente no processo eleitoral. Em qualquer um deles, é difícil acreditar que um processo político democrático normal possa fazer frente a esse controle institucionalizado do mal.

Países como Argentina e El Salvador decidiram tomar outra direção, de enfrentamento direto contra o crime, endurecimento penal e afirmação da ordem, e já colecionam números alvissareiros nessa direção. É esperado que os indicadores de segurança se reflitam em ganhos substantivos na qualidade de vida e na prosperidade econômica dessas populações, com resultados que podem se estender por décadas.

Nações como o Brasil são territórios em disputa, mas numa batalha que caminha rapidamente para a rendição do país ao domínio do crime. O assassinato cinematográfico de um delator do PCC num dos maiores aeroportos do continente, com segurança reforçada, ocorrido no último dia 8 de novembro, guarda semelhanças assustadoras com eventos ocorridos no passado em países como Colômbia e México.

Da mesma forma, a atuação do PCC, do Comando Vermelho e outras facções criminosas durante o processo eleitoral nas eleições municipais se mostrou preocupante em cidades como Manaus, São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Fortaleza, entre outras. Em muitos desses casos, a grande imprensa sequer se fez presente para denunciar os abusos cometidos contra a população.

O destino do país será decidido pela capacidade de políticos de linha dura contra o crime manterem sua posição, a despeito das pressões em contrário. É preciso que as forças políticas de defesa da Ordem se aglutinem em torno de um projeto comum, com forte expressão política nas eleições presidenciais de 2026.

Afinal, a expansão do controle do crime é a expressão mais massificada do atual regime de poder que ora governa o país, num consórcio espúrio que inclui o Poder Executivo, as instâncias superiores do Judiciário e grupos de comunicação dominados por um número restrito de famílias poderosas. Reagir a um é reagir a outro. Não existe outro caminho para além da fuga pelo aeroporto mais próximo.

Eduardo Matos de Alencar é escritor, sociólogo e analista político. Autor do livro “De quem é o comando? — O desafio de governar uma prisão no Brasil”.

noticia por : Gazeta do Povo

Polícia Civil prende dois irmãos que furtaram cofre de supermercado em Sorriso

0

Policiais da Delegacia de Sorriso prenderam em flagrante, na manhã de sexta-feira (13), dois irmãos envolvidos no furto de um cofre com dinheiro de um grande supermercado da cidade. Os dois suspeitos foram localizados em Lucas do Rio Verde, para onde fugiram após fazer o furto em Lucas do Rio Verde.

O gerente do supermercado informou à Polícia Civil que ao chegar de manhã ao estabelecimento notou que o cofre da tesouraria estava aberto e havia um buraco no teto da sala. Foram levados R$ 28 mil do cofre. Câmeras do local registraram que uma pessoa entrou na tesouraria do supermercado por volta das 02h45 da madrugada de sexta-feira.

Após o registro do crime, a equipe da Delegacia de Sorriso iniciou as diligências e analisou imagens das câmeras de segurança que flagraram a ação criminosa. No local do furto, os investigadores encontraram uma mochila com ferramentas usadas no arrombamento, como pé de cabra, chave de fenda e marreta.

Os policiais continuaram as buscas e apuraram que a marreta encontrada foi comprada em uma loja de Sorriso, no dia 11 de dezembro.

As filmagens também mostraram que duas pessoas chegaram ao supermercado em um veículo de transporte por aplicativo e foi possível identificar o executor do crime, o suspeito de 27 anos, e seu irmão de 20 anos, que atuou como olheiro na ação criminosa.

Durante a apuração, a equipe da Delegacia de Sorriso descobriu que os dois ficaram hospedados em um hotel de Sorriso, onde foi encontrada, em um dos quartos, uma caixa de som embalada como presente. Dentro dela estava parte do dinheiro furtado e roupas usadas no crime.

Prisões

Após novas diligências, os policiais apuraram que os irmãos fugiram para Lucas do Rio Verde, onde ficaram também em um hotel. O suspeito de 20 anos foi abordado quando chegava de motocicleta ao local e ainda tentou fugir dos policiais, mas foi contido.

Ao mesmo tempo, outra equipe conseguiu localizar o segundo suspeito, que foi o executor do furto. Ele tentou fugir, pulando muros de residências vizinhas após o cerco policial, mas foi capturado.

Em entrevista, o criminoso confessou espontaneamente a autoria no furto em Sorriso e ainda assumiu outros três crimes patrimoniais cometidos em Lucas do Rio Verde.

O delegado Paulo Brambila explicou que os furtos foram praticados da mesma forma, com arrombamentos, escaladas e no em período noturno. “O que demonstra que ele é um criminoso contumaz especializado em furtos a estabelecimentos comerciais”, apontou.

Fonte: Governo MT – MT

#infocoweb_cabecalho {
display: inline-block;
margin-top: -75px;
position: absolute;
right: 0;
}

O post Polícia Civil prende dois irmãos que furtaram cofre de supermercado em Sorriso apareceu primeiro em MATO GROSSO NEWS.

FONTE : MatoGrossoNews

Homem invade lava-jato e esfaqueia ex-mulher; veja vídeo

0

DAFFINY DELGADO

DO REPÓRTERMT

Câmeras de segurança registraram um homem, identidade não divulgada, invadindo um lava-jato e esfaqueando a ex-mulher, no início da tarde de sexta-feira (13), no bairro Jardim Paineiras, na cidade de Rondonópolis (212 km de Cuiabá). O criminoso foi preso em flagrante.

Era por volta das 12h, quando a Polícia Militar foi acionada. 

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

De acordo com o boletim de ocorrência, o criminoso invadiu o estabelecimento onde a vítima trabalhava, armado com um agarruncha calibre 22.

A mulher tentou se esconder e se fechou em uma das salas, mas conforme as imagens o bandido arromba a porta e parte pra cima da vítima.

Ele tentou atirar contra a ex, mas não conseguiu, entretanto, de posse de uma faca, ele desferiu três golpes na barriga dela.

Funcionários interviram e conseguiram tirar o criminoso de cima da mulher. Em seguida, ele fugiu.

Gravemente ferida, a vítima foi encaminhada ao Hospital Regional, onde permanece internada. A PM fez buscas na região e conseguiu capturar o criminoso que estava escondido em uma caixa d’água.

Aos militares, ele confessou que tentou matar a ex após descobrir que ela teria o traído com seu irmão. Ele foi atuado em flagrante por tentativa de feminicídio.

O caso deverá ser apurado.

Veja vídeo:

 

FONTE : ReporterMT