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Igreja deve acolher jovens em crise de identidade e pertencimento

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A Igreja enfrenta um desafio significativo ao lidar com a crise de pertencimento e identidade que afeta muitos jovens. A necessidade de um acolhimento mais justo e uma escuta atenta são fundamentais para que esses jovens se sintam parte da comunidade cristã.

Contexto da crise de pertencimento

Nos dias atuais, muitos jovens se sentem perdidos e desconectados, não apenas em relação à sociedade, mas também em relação à sua fé e à Igreja. Essa crise de identidade é refletida em um crescente número de jovens que abandonam a prática religiosa ou se afastam de suas comunidades. A falta de referências sólidas e de um ambiente acolhedor pode intensificar esse sentimento de exclusão.

O que está acontecendo?

Segundo artigo publicado no Comunhão, a Igreja é chamada a reavaliar suas práticas e a forma como se relaciona com os jovens. É essencial que as comunidades cristãs se tornem espaços de acolhimento, onde os jovens possam expressar suas dúvidas e inseguranças sem medo de julgamento. A escuta ativa e o diálogo são ferramentas poderosas que podem ajudar a restaurar o senso de pertencimento e identidade entre os jovens.

Além disso, a Igreja deve promover atividades que envolvam os jovens, proporcionando um espaço seguro para que eles possam explorar sua fé e se conectar com outros. Isso pode incluir grupos de jovens, estudos bíblicos interativos e eventos sociais que incentivem a participação e o envolvimento.

Reações e iniciativas

Diversas lideranças cristãs têm se manifestado sobre a importância de abordar essa questão. Muitos enfatizam que a Igreja não deve apenas pregar sobre a importância da fé, mas também demonstrar, na prática, um amor genuíno e uma aceitação incondicional. Isso pode ser um diferencial importante para que os jovens se sintam valorizados e reconhecidos dentro da comunidade.

“A Igreja deve ser um lar para todos, especialmente para aqueles que se sentem perdidos. Precisamos ouvir e acolher nossos jovens com amor e compreensão.”

— Líder cristão, conforme reportado no Comunhão

O que esperar no futuro?

Para que a Igreja cumpra seu papel de acolhimento, é necessário um esforço conjunto de líderes e membros da comunidade. A formação de líderes capacitados para lidar com as questões dos jovens e a criação de um ambiente de diálogo aberto são passos fundamentais. Além disso, iniciativas que promovam o envolvimento dos jovens nas decisões da Igreja podem fortalecer seu senso de pertencimento.

O futuro da Igreja depende da sua capacidade de se adaptar e responder às necessidades de sua comunidade. Ao priorizar o acolhimento e a escuta, a Igreja não apenas ajudará os jovens a reencontrar sua identidade, mas também se tornará um reflexo do amor de Cristo, que acolhe a todos.



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Brasil ampliará esforços por acordo entre Mercosul e Coreia do Sul

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Os governos do Brasil e da Coreia do Sul anunciaram a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de avançar nas negociações entre o país asiático e o Mercosul. O bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de outros países associados.

“Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em declaração à imprensa nesta segunda-feira (27), após receber o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada.

Segundo Lula, o coordenador do grupo será o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

O presidente sul-coreano também destacou uma possibilidade de acordo com o Mercosul. Para ele, o acordo será benéfico, tanto para a indústria do seu país quanto para o Brasil no mercado asiático como um todo.

Em sua fala, ele citou “incertezas no âmbito comercial” ao falar do acordo. Atualmente, o Brasil vive uma tensão comercial com os Estados Unidos, um dos seus maiores parceiros comerciais, devido a tarifas aplicadas pelo país norte-americano. Nesse contexto, Jae-Myung afirmou que a parceria entre Brasil e Coreia é imediata.

“No momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia.”

Os dois países assinaram acordos comerciais em várias áreas, como defesa, educação e energia. Lula e Jae-Myung trataram de minerais críticos, e o presidente sul-coreano destacou a oferta que o Brasil tem desse recurso.

“Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suprimento desses minerais. Por meio desse acordo, vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica.”

O presidente sul-coreano ainda viajará para São Paulo, onde deverá visitar um sindicato de metalúrgicos. O Brasil é o país que mais recebe coreanos na América Latina. E é em São Paulo que reside a maior comunidade coreana no país, com mais de 50 mil pessoas.

Acordos

Também houve assinatura de acordo para intercâmbio de experiências em políticas educacionais e a aproximação entre instituições de ensino dos dois países.

Além disso, Brasil e Coreia assinaram um memorando de entendimento para estabelecer a cooperação entre as agências para a exploração e empreendimento de atividades espaciais pacíficas.

No âmbito da ciência e tecnologia, foi assinado um acordo para promover a cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicados ao setor industrial.

Na área do esporte, há acordo para o intercâmbio entre atletas e especialistas, além do compartilhamento de experiências em políticas públicas.

Soberania e paz

Os dois presidentes, em suas declarações, se manifestaram favoráveis à solução pacífica de conflitos. Enquanto Lula falou em defender a democracia diante de ataques de extremistas, Jae-Myung reforçou a ideia de se estabelecer a paz.

“Ambos soubemos defender nossas democracias frente aos ataques de setores extremistas. Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, disse Lula.

“Reitero a crença forte do governo coreano que é importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra. E o presidente Lula concorda conosco nesse sentido”, declarou o sul-coreano.



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Presidente do BRB se reúne com Galípolo no Banco Central

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Presidentes do BRB, Nelson Antônio de Souza, e do Banco Central, Gabriel Galípolo, em imagens de arquivo
BRB/Divulgação e Raphael Ribeiro/Banco Central
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, se reuniu na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A pauta do encontro inclui a tentativa do BRB e do governo do Distrito Federal de destravar o empréstimo bilionário de socorro ao Banco de Brasília – e dos balanços da instituição, atrasados desde o fim do ano passado.
No último dia 14, a governadora do DF, Celina Leão, participou de reunião similar com Nelson e Galípolo na sede do BRB. O grupo saiu sem dar entrevistas e, depois, o governo classificou o encontro como uma “reunião técnica”.
Até as 16h30, Nelson Antônio de Souza e a diretora-executiva de Controles e Riscos (DICOR) do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, seguiam na sede do Banco Central.
União e Governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB
O BRB entrou em apuros após transações malsucedidas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.
O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital;
Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.
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Na manhã desta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em declaração à Rádio Jornal, de Pernambuco, afirmou que “[o banco], basicamente, passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada”.
Por que o BRB está em crise?
Fachada do banco BRB.
Reprodução/TV Globo
A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, “crédito podre” que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco.
O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.
LEIA TAMBÉM:
CRISE NO BRB: ‘BRB passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo’, diz ministro da Fazenda
DISPUTA JUDICIAL: Justiça do DF manda tirar nome do pai do ex-governador Ibaneis da Feira do Núcleo Bandeirante
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Jovens adultos lideram evangelização no Reino Unido

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Um novo estudo revela que jovens adultos no Reino Unido estão se destacando na evangelização, tornando-se participantes ativos da missão de Deus. Este fenômeno é apoiado por dados de pesquisas que mostram um aumento significativo no envolvimento da juventude nas atividades de evangelização.

Contexto da evangelização juvenil

A evangelização tem sido uma parte fundamental da missão da Igreja, e o envolvimento dos jovens é crucial para o futuro do cristianismo. Nos últimos anos, observou-se um crescente interesse entre os jovens adultos em compartilhar sua fé e participar de atividades missionárias. Este movimento não é apenas uma tendência passageira, mas reflete um desejo profundo de fazer a diferença no mundo ao seu redor.

O que aconteceu

De acordo com um estudo recente, os jovens adultos estão se mobilizando para evangelizar de maneira eficaz, utilizando as redes sociais e outras plataformas digitais para alcançar um público mais amplo. Este engajamento ativo é um sinal de que a nova geração está disposta a assumir a responsabilidade de compartilhar o Evangelho, em vez de ficar à margem.

Os números apresentados na pesquisa são impressionantes. Um percentual significativo de jovens adultos declarou que se sente chamado a evangelizar e que está disposto a participar de missões. Isso demonstra uma mudança de paradigma, onde a evangelização não é vista apenas como uma tarefa dos mais velhos, mas como uma responsabilidade coletiva que inclui todos os membros da Igreja.

Reações da comunidade cristã

As reações à pesquisa têm sido positivas, com líderes e pastores elogiando o envolvimento dos jovens. Muitos acreditam que essa nova onda de evangelização pode revitalizar as comunidades cristãs e trazer novas vidas para a fé. A participação ativa dos jovens é vista como um sinal de esperança e renovação dentro da Igreja.

O que esperar no futuro

O futuro da evangelização no Reino Unido parece promissor, com jovens adultos liderando o caminho. À medida que mais jovens se envolvem nas missões, espera-se que novas estratégias e abordagens sejam desenvolvidas para alcançar aqueles que ainda não conhecem a mensagem do Evangelho.

Além disso, a crescente utilização das redes sociais como ferramenta de evangelização pode abrir portas para diálogos significativos e conexões com pessoas que, de outra forma, não teriam acesso à mensagem cristã.



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Capivara é morta com flechada na represa de Guarapiranga em SP

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A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo investiga a morte de uma capivara encontrada com uma flecha atravessada no corpo.

O animal foi localizado ferido na represa de Guarapiranga, na Zona Sul da cidade, neste domingo (26). Segundo a prefeitura, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) foram acionados por banhistas e resgataram a capivara ainda com vida.

O animal foi enviado ao Centro de Manejo e Reabilitação de Animais Silvestres, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Exames necroscópicos serão realizados no corpo do animal.

A represa de Guarapiranga é conhecida pela grande presença de capivaras, que vivem soltas em suas margens.

O suspeito de disparar a flecha não foi encontrado e a hipótese mais provável, segundo a GCM, é que o animal tenha sido vítima de caça ilegal.

Contatos

A prefeitura pede que, caso alguém encontre um animal silvestre ferido ou em risco, entre em contato com a GCM Ambiental pelo telefone 153 (Central de Atendimento de Urgência e Emergência). 

Também é possível contatar a Divisão da Fauna Silvestre via WhatsApp, no número (11) 95220-0219. As equipes técnicas darão as instruções para que a situação seja conduzida com segurança.



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Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

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Morador da zona rural de Carauari, no interior do Amazonas, Francisco Solivan Peres de Araújo perdeu a mãe quanto tinha 2 anos. Ela faleceu durante o parto de sua irmã. “Deu uma hemorragia. Na época, não tinha possibilidade nenhuma de chegar na cidade”, contou ele à reportagem, relembrando as condições de vida na região no final da década de 80. 

A triste história de Solivan, atual presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), é muito comum pela região. São relatos de perdas, sequelas e traumas provocados pela distância entre a zona rural e a zona urbana. Ou, até mesmo, pela falta de dinheiro para conseguir deslocar-se até a cidade para um atendimento em saúde.

Carauari é um município de grande extensão territorial, um dos maiores do Brasil, com mais de 25,7 mil quilômetros de área – maior até do que diversos países. Banhado pelo sinuoso Rio Juruá e cercado pela Floresta Amazônica, isso significa que ir da zona rural de Carauari, onde estão concentradas as populações ribeirinhas, até a zona urbana, onde há a estrutura pública fixa de saúde, pode levar horas ou dias de viagem. O trajeto depende do tipo de embarcação e da situação do rio. Se estiver em época de seca, o percurso pode ser ainda mais demorado.

Nos últimos dez dias, a reportagem da Agência Brasil participou de uma expedição para conhecer comunidades ribeirinhas de Carauari, instaladas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS Uacari). A viagem teve início com um deslocamento de cerca de 35 horas de lancha expressa de Manaus até a cidade. Depois, mais quatro horas de deslocamento até a comunidade de Bauana. De lá, mais quatro horas para percorrer comunidades localizadas até a região de Campina. A reportagem ouviu muitas histórias trágicas que, talvez, pudessem ter um desfecho diferente se, naquela época, houvesse políticas públicas para o atendimento à saúde da população ribeirinha.

 


Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. (Francisco Solivan, presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru). Crédito:  Lucas Bonny/FAS
Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. (Francisco Solivan, presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru). Crédito:  Lucas Bonny/FAS

Francisco Solivan, presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru) –  Lucas Bonny/FAS

Resgate

Os relatos de mortes de moradores da região por falta de atendimento eram ainda mais comuns até os anos 90, quando a prefeitura instalou um sistema de lanchas de resgate que é utilizado para atender situações de gravidade ou de emergência. Mesmo assim, ainda persistem relatos de demora no atendimento por causa da imensa distância que precisa ser percorrida até a “cidade”, como os ribeirinhos chamam a área urbana de Carauari.

Adriana da Silva e Silva tem sequelas na perna após ter sido picada por uma cobra em janeiro de 2019, na comunidade de São José do Nachiqui, povoado ribeirinho tradicional situado às margens da Bacia do Rio Juruá.

“A gente chamou o resgate, só que no momento não estava disponível. Demorou mais de 24 horas para chegar o atendimento. Quando eu me desloquei da comunidade até a cidade, em razão das horas que eu passei, eu sofri muito devido ao veneno e não tinha soro. Aí minha perna inchou muito, ficou irreconhecível. Para não perder a perna, eles tiveram que fazer quatro cirurgias”, contou.

Naquele momento cogitaram levá-la à capital Manaus, onde sua perna seria amputada. Os médicos de Carauari, no entanto, conseguiram salvar o membro. Apesar disso, Adriana enfrenta diversas sequelas desse episódio.

“Às vezes, quando eu ando, eu perco o tato da perna. E se eu ficar muito tempo com a perna encolhida, eu tenho dificuldade para esticar e se eu ficar com ela esticada, eu tenho dificuldade para encolher. E ela incha muito”.

Raimundo Viana da Cunha, ex-morador da comunidade Mandioca e atualmente colaborador do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também carrega as marcas de uma tragédia familiar.

“Até os anos 90, aqui no Médio Juruá, a gente tinha pouca assistência em vários sentidos, mas a da saúde era a mais carente. Em 1994, a gente morava na comunidade Mandioca e o meu irmão adoeceu. Nessa época, a gente não tinha apoio de governo e das organizações de base, que hoje têm esse trabalho fortalecido. A gente dependia de regatão [comerciante ambulante que navega pelos rios da Amazônia vendendo ou distribuindo suas mercadorias] para fazer um deslocamento até a sede do município para ter um atendimento médico. E o meu irmão esperou uma semana doente sem ter nenhum barco passando. A gente não tinha condições próprias na época”, acrescentou.

Quando finalmente sua mãe conseguiu uma carona no regatão, demorou uma semana para que ela e o filho doente conseguissem chegar até a cidade. Isso porque a prioridade do regatão era vender suas mercadorias pelo caminho.

“O fato é que, depois de duas semanas, meu irmão foi atendido e não teve mais condição de fazer nada pela saúde dele – e ele veio a óbito”, contou Raimundo.

Até hoje, ele não sabe o que provocou a morte do irmão. Só lembra que ele reclamava de dores na barriga.

“Essa era uma situação comum até os anos 1997, quando as organizações, já mais um pouco fortalecidas, buscaram nossos direitos. E aí começou a ter um olhar especial para o Médio Juruá e foi quando essa situação começou a ter outro sentido. Mas, até essa data, muitas famílias sofreram essas calamidades nessa questão de doenças porque a gente não tinha um atendimento. Isso causou uma evacuação do Médio Juruá, de famílias que, assim como a minha, foram para a cidade em busca de ter um atendimento melhorado, já que nós não tínhamos isso aqui”, lembrou.

Saúde mais próxima

 


Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. ( suprimentos do posto de saúde de Bauana, em Carauari). Lucas Bonny/FAS
Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. ( suprimentos do posto de saúde de Bauana, em Carauari). Lucas Bonny/FAS

Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. – Lucas Bonny/FAS

Para todos esses ribeirinhos, a experiência comprovou que, se houvesse atendimento em saúde mais próximo de suas comunidades, essas histórias não seriam tão trágicas.

“Eu imagino que, há 38 anos, quando a minha mãe faleceu, era difícil, muito difícil. Meu pai não tinha sequer uma rabetinha para que pudesse se deslocar. Não tinha possibilidade nenhuma de um resgate como tem hoje, de levar a pessoa para a cidade por meio de [uma lancha a] motor”, disse Solivan.

Para muitos deles, estar mais próximo da cidade poderia significar um melhor atendimento em saúde. No entanto, isso afastaria as famílias de seu território e de um trabalho que é tradicional e contribui para a preservação das florestas brasileiras: o extrativismo e a agricultura familiar.

“A RDS Uacari, que a gente representa hoje como associação, tem 633 km de extensão. E ela é composta por 31 comunidades, um pouco mais de 409 famílias. E essas famílias vivem do extrativismo e da sociobiodiversidade”, disse Solivan.

Ele conta que lá são explorados o manejo do pirarucu sustentável, o látex da seringa e a cadeia das oleaginosas, como a andiroba, o açaí e a ucuba, além da agricultura familiar.

O ideal, defendem os ribeirinhos, seria que a saúde pudesse estar mais próxima dessa população, sem que elas precisassem deixar seus territórios. No entanto, é um desafio para o Poder Público instalar postos de saúde por todas as comunidades ribeirinhas, ainda mais diante do orçamento reduzido das prefeituras de cidades pequenas. Carauari, por exemplo, tem cerca de 28 mil habitantes, segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  A estimativa de orçamento para este ano de 2026 foi estabelecida em R$ 142 milhões.


Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. (Secretário de Saúde de  Carauari, Manoel Brito). Crédito:  Lucas Bonny/FAS
Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. (Secretário de Saúde de  Carauari, Manoel Brito). Crédito:  Lucas Bonny/FAS

Secretário de Saúde de  Carauari, Manoel Brito –  Lucas Bonny/FAS

A solução encontrada até então pela prefeitura foi oferecer o resgate por lanchas, serviço que custa mensalmente entre R$ 40 mil e R$ 45 mil para os cofres municipais, segundo o secretário de saúde de Carauari, Manoel Brito. Há também a disponibilidade das Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais, que percorrem as comunidades para atendimento em saúde. No entanto, pelo alto custo, isso só ocorre de forma eventual.

 

“A prefeitura sozinha, com recursos próprios, não consegue [instalar unidades básicas de saúde pelas comunidades]. A arrecadação do município não comporta isso. Temos planejamento e temos conhecimento sobre esses territórios, sabemos dessas necessidades. Por isso as parcerias com o terceiro setor têm sido importantíssimas”, disse o secretário à Agência Brasil.

Procurado, o Ministério da Saúde também reconheceu a importância da atuação de organizações da sociedade civil nos territórios, em articulação com as diretrizes do SUS. E informou que tem buscado aumentar os investimentos voltados ao atendimento das populações ribeirinhas e demais comunidades que vivem em áreas de difícil acesso.

“Neste ano, estão sendo aplicados R$ 500 milhões para a implantação de Equipes de Saúde da Família Ribeirinha, que contam com médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e profissionais de saúde bucal. Prefeituras de 2.690 municípios podem requisitar serviços específicos nas populações das águas — possibilidade que antes existia apenas para 784 municípios da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense”, diz nota que foi encaminhada à reportagem pelo ministério.

Segundo a pasta, nas regiões que já contam com o serviço, existem 332 equipes de Saúde da Família Ribeirinha e 71 Unidades Básicas de Saúde Fluviais que levam atendimento de saúde às comunidades mais isoladas, “vencendo desafios históricos como barreiras geográficas, vazios assistenciais, dificuldades de fixação de profissionais e impactos das emergências climáticas”.

Parceria com a sociedade civil

Nesta última semana, uma parceria entre a prefeitura da cidade de Carauari e organizações da sociedade civil tornou possível a instalação de dois pontos de saúde mais próximos dessas comunidades ribeirinhas.

Chamado de SUS na Floresta, o modelo realizado em Carauari é resultado de um edital do programa Juntos pela Saúde. O projeto é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Umane, com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas.

Os dois pontos foram instalados nas unidades de Bauana e Campina da Fundação Amazônia Sustentável e a expectativa é que, juntos, eles possam atender 56 comunidades ribeirinhas e beneficiar cerca de 4,7 mil pessoas com atendimento de atenção primária. 

Cada uma dessas unidades foi equipada com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico, conexão à internet, equipamentos de telessaúde e áreas para a permanência das equipes, de forma integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Se naquela época tivesse esse sonho que estamos realizando hoje, que é um ponto de saúde [instalado nas comunidades ribeirinhas] e que dá a possibilidade de garantir uma vida melhor para os ribeirinhos, não tenho dúvida em Deus que minha mãe ainda estaria viva”, disse Solivan.


Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. ( o enfermeiro Antônio Carlos Bezerra e Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS. Crédito:  Lucas Bonny/FAS
Amazonas 27/07/2026 - Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas. ( o enfermeiro Antônio Carlos Bezerra e Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS. Crédito:  Lucas Bonny/FAS

O enfermeiro Antônio Carlos Bezerra e Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS.  –  Lucas Bonny/FAS

Na primeira semana de atendimento, muitos ribeirinhos da região buscaram atendimento. Entre eles, uma criança que havia se ferido com o anzol de sua vara de pescar. Houve também um caso grave de desnutrição infantil, que contou com um grande esforço da equipe de enfermagem da unidade de Campina.

“Aqui nós conseguimos fazer o que elas só conseguiriam na cidade ou então em uma vinda da UBS fluvial, que vem aqui duas vezes por ano devido à logística”, contou o enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra, atualmente trabalhando na unidade de Campina.

Segundo ele, trata-se de uma população que “vai muito pouco ao médico”. “Só vai mesmo quando chama resgate ou então quando a UBS Fluvial passa por aqui”, acrescentou o enfermeiro.

 

“Alguns pacientes que estiveram aqui com a gente relataram casos de antes do resgate e da existência desse ponto. Teve um paciente que perdeu dois filhos devido uma picada de cobra. Ele ficou 12 horas esperando [por socorro] e, nessa época, ainda não tinha essa tecnologia que tem hoje como aparelho celular. Mas como naquela época não tinha nem o resgate e nem o ponto, esse paciente veio a óbito”.

Agora, com esse atendimento primário mais próximo da população, a expectativa é que se diminuam em até 80% as chamadas para o resgate por lancha, estimou o enfermeiro Carlos. “Vamos salvar muito mais vidas e vamos evitar também os resgates. Se eles vierem aqui, faz-se o atendimento e só vai para cidade se for um caso de emergência mesmo. Mas já vai sair daqui estabilizado”.

Segundo Mickela Souza Costa, gerente do Programa Saúde na Floresta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o projeto SUS na Floresta pretende não só oferecer novas estratégias para as populações ribeirinhas, como também contribuir para que elas permaneçam em seus territórios com a garantia de que estarão tendo acesso ao seu direito à saúde.

“Se as pessoas começarem a decidir ir embora de seus territórios, isso vai ser catastrófico. Primeiro por que quem é que vai cuidar do que está aqui? E segundo: os centros urbanos não estão, em hipótese alguma, preparados para receber um êxodo rural. Você vai ter um boom de aumento em problemas sociais que já são latentes nos centros urbanos. Dentro das diversas Amazônias, a gente não pode esquecer que nós temos cidadãos brasileiros que precisam que as políticas cheguem. E se o governo, por um acaso, não está conseguindo interiorizar isso, é nossa obrigação apoiar”.

Mais saúde

O atendimento nas duas novas estruturas em sua primeira semana de funcionamento foi muito elogiado pelos moradores. “Esse ponto de saúde é muito importante para a vida dos comunitários porque a gente sofria muito com essa questão da logística de quando a pessoa adoece e precisava ir até a cidade para ser atendido. A UBS que passa nas comunidades não era suficiente para a gente ter um atendimento melhor na área da saúde”, disse Maria das Neves, moradora da comunidade Novo Horizonte e vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc).

O colaborador do ICMBio, Raimundo Viana, concorda com ela. “Vejo isso como um ponto muito positivo porque hoje a gente vai ter um atendimento no Médio Juruá que, há 20 ou 30 anos atrás, a gente nem sonhava que poderia existir, Com a instalação desses postos, a vida de quem mora aqui vai ter outro sentido na área da saúde. A logística da Amazônia é complexa. Mas em se tratando do Médio Juruá, é ainda mais complexo porque a gente está mais distante dos grandes centros. E aqui o transporte é por rabetinha, uma canoa com motorzinho. Hoje o município oferece um resgate, mas isso ainda não atende toda a demanda, porque a demanda é grande”.

Segundo ele, com os pontos instalados em Bauana e em Campina, as distâncias para conseguir um atendimento em saúde serão bastante encurtadas. “Em vez de de gastar 12 horas de onde eles estão para chegar na sede do município, eles vão gastar quatro horas, dependendo do local que eles estão, para esses pontos que foram instalados no Médio Juruá. Essa é uma vantagem muito importante”, disse Raimundo.

Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, há ainda muitos desafios a serem enfrentados para que se consiga garantir saúde à população ribeirinha. “Um dos grandes desafios é o logístico e operacional: os custos de se estar aqui, de manter uma equipe de saúde aqui e que é responsabilidade da prefeitura. Também é desafiador captar recurso e conseguir convencer um parceiro [um financiador] de levar uma estrutura dessa para um lugar como esse. Muitas vezes ele quer investir em outras coisas e outras ações, mas isso aqui faz a diferença para quem está no território”, disse ela.

Outro desafio, destacou ela, diz respeito à manutenção desses espaços. “Infelizmente ainda tem uma prática no Brasil de que nem sempre o próximo gestor dá continuidade àquilo que o anterior está fazendo. Isso muitas vezes gera um retrocesso”. No entanto, destaca Valcléia, o projeto SUS na Floresta já demonstra que é possível direcionar melhor os recursos e os atendimentos, contribuindo até mesmo para uma economia de gastos pela prefeitura.

Os moradores, no entanto, sabem que é preciso ir muito além.

“É preciso implantar mais posto de saúde, tanto dentro da RDS quanto da Resex [Reserva Extrativista] do Médio Juruá. O que divide as duas unidades é somente o rio. Uma reserva de um lado, a outra reserva é do outro. Mas as pessoas são as mesmas, a dor das pessoas é a mesma. A dor de um é a dor do outro”, falou Solivan.

*A repórter viajou a convite do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS)



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Brasil e Coreia do Sul aceleram acordo comercial com o Mercosul

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Durante a cerimônia em Brasília, Lula anunciou ainda que o Brasil receberá, no próximo mês, uma missão técnica da Coreia do Sul para avaliar as condições sanitárias dos frigoríficos brasileiros, etapa importante para ampliar as exportações de carne ao país asiático.



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Jornada de clamor unânime em defesa da fé na República Dominicana

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No próximo domingo, 2 de agosto, o povo evangélico da República Dominicana se reunirá em uma jornada de clamor unânime, convocada pelo reverendo Adolfo Mateo, presidente do Conselho Nacional de Confraternidades de Pastores Evangélicos (CONACOPE). O evento, que inclui a celebração da Santa Ceia, visa promover arrependimento, reconciliação e renovação espiritual em meio a um clima de tensão cultural e religiosa.

Contexto da convocação

A República Dominicana tem enfrentado um período de desafios e tensões que afetam a convivência entre diferentes grupos religiosos. O reverendo Adolfo Mateo destacou que, apesar das dificuldades, a resposta da Igreja deve ser pautada pela maturidade espiritual e pelo anúncio do Evangelho. Ele enfatizou que a celebração da Santa Ceia é uma oportunidade para os cristãos reafirmarem seu compromisso com a missão de Cristo.

O que acontecerá no evento

As igrejas e confraternidades evangélicas, tanto na República Dominicana quanto no exterior, estão sendo convidadas a participar da celebração da Santa Ceia, cada uma de acordo com sua tradição litúrgica. O objetivo é criar um ambiente de unidade e reflexão, onde os participantes possam examinar seus corações e buscar a presença de Deus.

“Este não é tempo para distrações, mas sim para voltarmos à mesa do Senhor”, afirmou Mateo. Ele ressaltou que a Santa Ceia é um lembrete poderoso da identidade cristã e da missão que nos foi confiada.

Reações da comunidade evangélica

A convocação gerou uma onda de apoio entre as igrejas evangélicas, que veem a jornada de clamor como uma oportunidade de fortalecer laços e promover a paz social. O reverendo também pediu que as congregações perseverem em oração pela República Dominicana, suas autoridades e famílias, reafirmando que a Igreja deve ser um agente de reconciliação e paz.

O que esperar após a jornada

Com a realização da jornada de clamor, espera-se que a comunidade evangélica se una ainda mais em torno de valores como a paz, a reconciliação e a solidariedade. A expectativa é que esse movimento inspire outros grupos a também buscarem a unidade e a paz em meio às adversidades.



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ADPF das favelas altera modelo de combate ao crime no Rio de Janeiro

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A Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das favelas”, julgada no Supremo Tribunal Federal (STF), transformou a forma como o crime organizado é combatido no estado do Rio de Janeiro, avaliam especialistas em segurança pública e direito penal.

A diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, afirma que a ADPF motivou uma “revolução silenciosa” no Rio ao forçar uma mudança no foco do combate ao crime das operações em favelas contra o varejo do tráfico para ações voltadas a desmontar a “engrenagem” que mantém o crime no estado.

“Pela 1ª vez em muito tempo, as investigações parecem atacar os três pilares do crime organizado de uma só vez. O primeiro é o braço armado, facções e milícias. O segundo é o braço econômico, combustíveis, contrabando, lavagem de dinheiro e jogo do bicho. E o terceiro é o braço institucional, agentes públicos, autoridades e políticos que, segundo as investigações, garantiriam proteção e informação aos esquemas”, afirmou a jornalista, em uma rede social.

A especialista da The Global Initiative Against Transnational Organized Crime avalia que a mudança ocorreu após o julgamento da ADPF das favelas, concluído em abril de 2025, quando o STF determinou que a Polícia Federal (PF) abrisse uma investigação permanente, com dedicação exclusiva, contra o crime organizado no Rio de Janeiro.

“Deve a União garantir o incremento necessário da capacidade orçamentária do órgão e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras [Coaf], a Receita Federal e a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro darem máxima prioridade às diligências relativas às investigações”, determinou o Supremo, por unanimidade. 

A fundadora do Fogo Cruzado, Cecilia Olliveira, acrescentou que, durante décadas, o combate ao crime no Rio foi praticamente focado em operações em favelas.

“Sempre do mesmo jeito. Operação policial, troca de tiro, apreensão de armas, prisão de alguns traficantes e, poucos dias depois, tudo voltava ao normal. Era um eterno enxugar gelo”, completou.

A jornalista Cecilia Olliveira cita, como exemplo dessa “revolução”, a prisão de altas autoridades do estado nos últimos meses, como um desembargador, parlamentares, policiais, ex-prefeitos, entre outros.

“Surgiu uma sequência de operações que parecem diferentes, mas fazem parte da mesma estratégia. A Operação Zargun investigou lideranças do Comando Vermelho e suas conexões com agentes públicos. Segundo a PF, havia uma rede que facilitava o vazamento de informações, até a importação de armas do Paraguai e equipamentos da China. Caíram naquela investigação um delegado da PF, policiais militares, um secretário estadual e o deputado TH Joias”, explicou a especialista.

Ações federais pontuais

O ex-policial federal e doutorando na área de segurança pública Roberto Uchôa, concorda “integralmente” com a avaliação de Cecilia, acrescentando que, antes da decisão do Supremo, as operações da PF no Rio eram pontuais.

“Para você enfrentar o crime organizado da forma como está sendo feito, você precisa ter um suporte muito forte atrás e politicamente, para um poder Executivo em um sistema presidencialista de coalizão como a gente tem, é quase impossível dar essa força e esse mandato à PF para exercer isso”, comentou.

Uchôa acrescentou que a decisão do STF deu um suporte maior para PF, Justiça Federal e Ministério Público desempenharem esse papel.

“É uma chance ímpar que o Rio de Janeiro tem de enfrentar esses problemas. Isso porque é evidente, já há muito tempo, que o Estado do Rio não tem condições de combater, sozinho, as diversas organizações criminosas que capturaram instituições, seja através da corrupção, do contrabando, do jogo ilegal e do financiamento ilícito de campanhas”, afirmou à Agência Brasil.

Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas viviam, em 2024, em regiões sob controle ou influência de grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro, calcula pesquisa do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com o Instituto Fogo Cruzado. 

“Entre 2007 e 2024, a área submetida a algum tipo de domínio armado cresceu 130,4%, enquanto a população nessa condição aumentou 59,4%”, diz o estudo.

Andar de cima

O advogado criminalista Cristiano Maronna, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), concorda que a ADPF das favelas alterou a lógica de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro ao produzir um deslocamento do foco das operações com imposição de restrições às operações em favelas, exigência de planos de redução da letalidade policial e maior transparência, além da federalização de investigações.  

“Em vez de focar apenas no topo dos morros, o foco passou a ser a estrutura financeira, política e institucional que sustenta o crime organizado no Rio de Janeiro e que acabou atingindo a cúpula das forças de segurança, agentes políticos com foro de prerrogativa. Pessoas com muita influência no estado”, comentou.

Por outro lado, Maronna aponta que a dependência “de inquéritos extraordinários” pode trazer problemas. “Essa atuação protagonista do STF expõe uma fragilidade das instituições e do sistema de justiça, da capacidade de investigação que o Estado tem, gerando tensões”.

ADFP das Favelas

Em novembro de 2019, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) ingressou com uma ADPF no Supremo pedindo que a Corte reconhecesse as graves violações a direitos fundamentais causadas pela política de segurança pública do Rio de Janeiro, focada em ações policiais em favelas com alta letalidade.

A legenda argumentou que a política comprometia os direitos fundamentais à vida, à dignidade da pessoa humana, à segurança, à inviolabilidade do domicílio, entre outros.

Durante a pandemia da covid-19, uma liminar do ministro Edson Fachin restringiu operações policiais a situações excepcionais e justificadas. A medida foi alvo de críticas de atores políticos e grupos de comunicação que acusavam o Supremo de “interferir” no trabalho da polícia.

Em abril de 2025, o julgamento da ADPF 635 foi concluído e, por unanimidade, a Corte determinou uma série de medidas ao estado do Rio e ao governo federal para o combate à criminalidade e redução da letalidade policial. 

A jornalista Cecilia Olliveira destaca que a ação no Supremo foi resultado da luta de “dezenas de pessoas” que perderam familiares para violência no Rio de Janeiro, vítimas de facções, milícias e policiais.

“Elas ajudaram a fazer a ADPF das favelas acontecer. É graças a elas e a ação [no STF], que começou lá em 2020, que a gente está vendo essa revolução hoje”, concluiu em postagem da organização Instituto Fogo Cruzado.



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TSE reunirá embaixadores e observadores para apresentar urna

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O Tribunal Superior Eleitoral marcou para o dia 17 de agosto uma reunião com embaixadores dos Estados Unidos para explicar o funcionamento da urna eletrônica e do sistema eleitoral brasileiro. A Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia e o Parlasul também vão acompanhar o encontro, uma vez que integram a Missão de Observadores Eleitorais.

O tribunal foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita de integrantes do governo norte-americano. Em junho, o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, se reuniu com 25 embaixadores, mas os Estados Unidos querem uma nova reunião.

Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro negou vistos para dois servidores dos Estados Unidos que queriam monitorar as urnas eletrônicas das eleições de outubro: o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes; e o subsecretário adjunto Samuel Samson. Eles queriam vir ao Brasil para discutir liberdade de expressão relacionada às eleições de outubro.

O governo considerou a vinda deles uma instrumentalização política e por isso negou os vistos. A negativa veio dias depois do candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgar informação falsa sobre as urnas brasileiras durante evento com diplomatas.

A ideia da reunião de agosto é explicar o funcionamento da urna e reafirmar a sua segurança e a lisura, que é “um patrimônio do povo brasileiro”, segundo o próprio TSE.
 




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