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Cáceres recebe na próxima semana especialistas para avançar na elaboração do Plano de Ação Climática

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A Prefeitura de Cáceres recebe, nesta segunda e terça-feira, dias 17 e 18 de agosto, uma programação voltada à elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC), instrumento que irá auxiliar o município no planejamento de ações para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, reduzir emissões de gases de efeito estufa e orientar políticas públicas para as próximas décadas.

As atividades irão reunir a prefeita Eliene Liberato, representantes de secretarias municipais, instituições parceiras e equipes técnicas em reuniões, discussões e visitas de campo. A proposta é aprofundar o conhecimento sobre a realidade de Cáceres, identificar os principais riscos climáticos do território e avançar na definição das prioridades que deverão integrar o planejamento municipal.

A iniciativa faz parte do Programa Mutirão Brasil – Cidades Amazônicas, desenvolvido pelo C40 Cities, Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM), Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e ICLEI América do Sul. O programa oferece suporte técnico para que os municípios possam estruturar estratégias relacionadas à sustentabilidade, adaptação climática e redução de emissões.

Para a prefeita Eliene Liberato, receber essa programação representa uma oportunidade importante para Cáceres ampliar conhecimentos, buscar soluções e planejar o desenvolvimento do município considerando suas características ambientais. “Temos uma expectativa muito positiva com a realização desse trabalho em Cáceres. Será um momento de aprendizado, troca de experiências e construção conjunta. Conhecemos a riqueza ambiental do nosso município, mas também os desafios que enfrentamos, e queremos aproveitar essa oportunidade para pensar soluções que protejam a nossa população e preparem Cáceres para o futuro”, destacou.

Ao longo da programação, serão debatidos temas relacionados ao desenvolvimento urbano, meio ambiente, infraestrutura, mobilidade, saúde e serviços públicos. A expectativa é que as informações levantadas contribuam para a construção de um Plano Local de Ação Climática conectado à realidade do município e capaz de orientar decisões e investimentos para uma Cáceres mais sustentável, resiliente e preparada para os desafios climáticos.

Fonte: Assessoria



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Em 11 estados, desemprego está abaixo da média do país

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Das 27 unidades da federação do país, 11 terminaram o segundo trimestre de 2026 com taxa de desemprego abaixo da média nacional, de 5,4%. Em cinco deles, o índice sequer chega a 3%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na manhã desta sexta-feira (14), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Veja quais estados atingiram nível de desemprego abaixo da média nacional:

Santa Catarina: 2,1%

Mato Grosso: 2,2%

Espírito Santo: 2,3%

Rondônia: 2,6%

Mato Grosso do Sul: 2,7%

Paraná: 3,1%

Minas Gerais: 3,8%

Goiás: 4,0%

Tocantins: 4,1%

Rio Grande do Sul: 4,2%

Roraima: 5,0%

Média Brasil: 5,4%

Paraíba: 5,4%

São Paulo: 5,4%

Rio Grande do Norte: 5,6%

Maranhão: 6,0%

Pará: 6,2%

Distrito Federal: 6,5%

Acre: 6,6%

Ceará: 6,6%

Rio de Janeiro: 7,1%

Amazonas: 7,5%

Alagoas: 7,9%

Sergipe: 7,9%

Piauí: 8,3%

Pernambuco: 8,3%

Bahia: 9,1%

Amapá: 9,8%

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explica que a diferença entre os estados é proporcionada por fatores ligados aos níveis de industrialização, evolução da atividade econômica e de instrução da população.

“Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste”, assinala.

Na média nacional, a taxa de 5,4% no segundo trimestre representa recuo em relação aos 6,1% do primeiro trimestre.

Já entre as unidades da federação, o desemprego diminuiu em 13 localidades. As demais ficaram estáveis.

Confira os estados que reduziram o desemprego no segundo trimestre.

Santa Catarina (-0,6 ponto percentual)

Maranhão (-0,9 p.p.)

Espírito Santo (-0,9 p.p.)

Mato Grosso (-0,9 p.p.)

Goiás (-1 p.p.)

Rondônia ( -1 p.p.)

Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.)

Minas Gerais (-1,2 p.p.)

Alagoas (-1,3 p.p)

Tocantins (-1,5 p.p.)

Acre (-1,6 p.p.)

Paraíba (-1,6 p.p.)

Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.)

A pesquisa

A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Queda no desemprego longo

De acordo com a Pnad, 1,06 milhão de pessoas enfrentavam o chamado desemprego longo, isto é, pessoas que estão à procura de vagas há dois anos ou mais. Esse é o menor contingente de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a queda nesse contingente foi de 15,6%.

Negros e mulheres acima da média

O levantamento do segundo trimestre aponta ainda que o desemprego para homens (4,6%) ficou abaixo da média nacional, enquanto o das mulheres ficou acima (6,4%).

Ao observar os números pela cor da pessoa, a desocupação de pretos (6,9%) e pardos (6,1%) é maior que a média; enquanto o dos brancos, abaixo (4,2%).

A pesquisa do IBGE não utiliza o termo negro. Mas o Estatuto da Igualdade Racial considera população negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas.



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Dilmar Dal Bosco segue como líder do governo na Assembleia

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O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) seguirá como líder do governo Otaviano Pivetta (Republicanos) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A permanência foi confirmada após conversas entre o parlamentar e o secretário-chefe da Casa Civil, Adejaime Ramos, no retorno do recesso parlamentar.

A manutenção de Dilmar no cargo havia sido colocada em dúvida após a convenção do União Brasil, realizada em 30 de julho. Na ocasião, o deputado protagonizou um dos momentos mais tensos do encontro ao criticar correligionários que optaram por apoiar Pivetta, em vez de defender uma candidatura própria do partido ao governo estadual, encabeçada pelo senador Jayme Campos.

Durante o evento, na presença do ex-governador Mauro Mendes, Dilmar afirmou que era a primeira vez que via “um partido trair o partido”. A declaração provocou reação dos presentes e foi seguida por aplausos dos convencionais.

Após a repercussão, o parlamentar chegou a afirmar que deixaria nas mãos de Pivetta a decisão sobre sua permanência na liderança do governo na Assembleia. Com o retorno das atividades legislativas, porém, a situação foi definida.

Em conversa com o Gazeta Digital, Dilmar afirmou que Adejaime Ramos o procurou e garantiu que ele continuaria na função, sem qualquer retaliação pelas declarações feitas durante a convenção.

“Nessa quarta-feira eu tive conversas com o Adejaime. Ele mesmo me convidou e anunciou que eu seguiria no cargo, sem nenhum problema. Não foi me pedido nada, nem retaliação. As minhas críticas foram direcionadas ao partido, ficaram nas convenções”, explicou.

A fala polêmica

O episódio na convenção ocorreu em meio à disputa interna do União Brasil sobre o posicionamento da sigla para as eleições deste ano. De um lado, estava o grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes, defensor da aliança com Pivetta. Do outro, aliados de Jayme Campos defendiam que o partido lançasse candidatura própria ao Palácio Paiaguás.

Apesar da repercussão, Dilmar afirmou que não pretendia pedir desculpas pelas declarações. Segundo ele, as divergências fazem parte do processo político e não necessariamente representam uma ruptura definitiva entre os integrantes da sigla.

O deputado também recorreu à própria trajetória dentro do grupo político para justificar sua posição. Filiado desde os tempos do PFL, passando pelo DEM até a formação do União Brasil, Dilmar destacou a longevidade de sua relação com a legenda e afirmou estar preocupado com os rumos do partido em Mato Grosso.

“Estamos indo para um caminho do partido acabar dentro do estado de Mato Grosso”, disse.



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Deputados do Brasil realizam missão de negócios na Ucrânia

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Uma proposta de missão internacional está sendo liderada por deputados federais do Brasil com o objetivo de estreitar laços comerciais e tecnológicos com a Ucrânia. O grupo, que inclui os deputados General Pazuello, General Girão e Luiz Philippe de Orléans e Bragança, busca identificar oportunidades para empresas brasileiras nos setores de energia, tecnologia e comércio.

Objetivos da missão

Os parlamentares apresentaram um requerimento em junho na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, formalizando a iniciativa. Eles argumentam que a reconstrução da Ucrânia, especialmente após as perdas superiores a US$ 50 bilhões no setor energético devido ao conflito com a Rússia, representa uma oportunidade de cooperação.

Desafios para a viagem

Apesar das intenções, o grupo enfrenta entraves para viabilizar a viagem. Os detalhes sobre esses desafios não foram especificados nas fontes consultadas, mas a busca por parcerias comerciais e tecnológicas continua sendo uma prioridade para os deputados envolvidos.



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Campanha eleitoral nas ruas e na internet começa neste domingo (14)

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A campanha eleitoral nas ruas e na internet começa oficialmente no próximo domingo (14).

Muitos candidatos, inclusive, já têm eventos marcados em suas cidades.

A propaganda eleitoral deve seguir algumas regras.

Pode-se, por exemplo, distribuir santinhos, usar alto-falantes e fazer caminhadas, carreatas, atos de rua e comícios.

Por outro lado, não é permitido usar outdoors, fazer enquetes, colocar propaganda em bens públicos, como postes, viadutos e placas, nem abandonar material nas vias públicas.

Na internet, são permitidas campanhas em redes sociais, transmissões ao vivo e impulsionamento de conteúdo.

Sites e aplicativos de mensagens podem ser utilizados, mas sem disparos em massa.

A inteligência artificial pode ser usada desde que o conteúdo seja identificado.

No entanto, é proibido usar material manipulado por IA para enganar, adulterar fatos ou desinformar.

Também está proibido o uso de deepfakes, que são conteúdos em áudio, imagem ou vídeo gerados por IA altamente realistas.

Prazo para informações sobre transporte gratuito

E termina neste sábado (13) o prazo para o envio de informações sobre o transporte gratuito de eleitores de zonas rurais, aldeias indígenas, comunidades quilombolas e povos tradicionais.

Os dados devem ser prestados à Justiça Eleitoral pelos governos federal, estaduais e municipais.

Eles precisam informar o tipo e a quantidade de veículos ou embarcações, além de itinerários, horários e modalidades de transporte nos dias de votação.




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Pai conta como descobriu que filha se automutilava em desafios no Discord: 'Ela podia ter morrido pela minha ignorância'

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O Discord reconhece que não identificou, a tempo, risco na transmissão que terminou com a morte de uma menina de 13 anos
Aviso de conteúdo sensível: esta reportagem contém detalhes que podem ser perturbadores para alguns leitores.
A notícia do suicídio de uma menina de 13 anos no mês passado, transmitido ao vivo na rede social Discord, chocou o Brasil. Mas ela calou ainda mais fundo no peito de um pai que salvou a filha, então um ano mais nova do que a vítima de Naviraí (MS), de um ciclo de automutilações induzidas por usuários da plataforma.
“Fiquei chocado, porque minha filha podia ter chegado a esse fim”, diz Paulo Zsa Zsa, pseudônimo adotado pelo pai, que contou sua história familiar no livro Aconteceu com minha filha (Geração Editorial, 2025). “Essa menina tinha mais ou menos a idade que ela tinha quando começaram a aparecer os primeiros sinais.”
Discord no Brasil: a decisão que suspende lives da rede social no país e o que acontece agora
Paulo, que é pai solo, conta que o primeiro sinal de alerta veio num passeio de barco com a filha e amigos da família.
“Uma amiga notou que tinha alguns cortes no corpo da minha filha, escondidos por debaixo daquela blusa de proteção UV”, lembra. “E, de noite, ela me liga e diz: ‘Olha, Paulo, eu acho que a Júlia está se cortando’.”
Passado o choque inicial com a informação, Paulo questionou a filha.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
“Fui ao quarto dela e perguntei: ‘Minha filha, você está se cortando?’. Ela ficou parada, sem nenhuma reação ou negação. Então, pedi a ela: ‘Você pode me mostrar?’. E aí, a virilha estava toda mutilada.”
Paulo conta que perguntou à filha por que ela estava fazendo aquilo, e a menina disse que não sabia.
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‘Me ajuda, me interna’: pai conta como descobriu que filha participava de grupos de automutilação online
“Esse foi o grande choque que eu tive na minha vida, mas então eu não sabia que isso tinha a ver com desafios, com internet, com o Discord.”
Um celular para curar a solidão
Paulo conta que cria a filha sozinho desde que ela era pequena, e que percebia que a menina era introspectiva, não se misturava com as outras e se sentia excluída.
“Eu me lembro de participar daquelas festividades que têm na escola, e me doía muito no coração quando eu via as outras meninas em turminhas e ela sempre escanteada”, lembra.
Nesses encontros, Paulo via as outras crianças utilizando o celular. Então presenteou a filha com um aparelho, na esperança de que pudesse ser algo que fizesse ela se integrar melhor em grupos.
“Eu não tinha a menor ideia de que o celular era uma porta aberta para esse inferno em que a nossa vida se transformou”, afirma.
O pai conta que sentiu os primeiros sinais de que havia algo errado na relação da menina com as telas durante a crise da covid-19.
“Ela foi uma menina vítima da pandemia, como milhões de crianças. Que foi obrigada, de uma hora para outra, a viver confinada numa casa, tendo aulas online, então com o computador disponível, e que o lazer que tinha era passar o dia assistindo a vídeos no YouTube e utilizando o celular.”
Discord
Ivan Radic/Flickr
Júlia começou o que seu pai percebe hoje como um vício em telas jogando Minecraft, um game em que o jogador constrói e explora mundos formados por blocos semelhantes a peças de Lego.
Depois, ela passou ao Roblox, plataforma em que o usuário pode escolher entre milhares de jogos criados por outros participantes, e assistia por horas tutoriais de jogo no YouTube. A menina foi apresentada ao Discord por alguém que conheceu no Roblox, relata o pai.
Paulo conta que já percebia, desde a pandemia, o crescente vício em telas da filha, que cada vez menos queria fazer outras coisas, como socializar, ou sair do quarto.
Na volta às aulas presenciais, o isolamento de Júlia e sua dificuldade em interagir na escola se tornaram ainda mais evidentes, diz ele.
‘Pai, me interna!’
Depois do episódio do barco, Paulo conta que a filha foi gradativamente passando a se cortar em áreas mais aparentes, como os pulsos e os braços.
“E aí acontece o primeiro episódio, em que ela toma um monte de remédio e diz que queria se matar”, conta o pai.
Nessa ocasião, a menina foi levada ao hospital e passou a fazer acompanhamento psiquiátrico e tomar remédios, além do acompanhamento psicológico que fazia desde a infância.
Número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54% neste ano
Getty Images via BBC
“Eu achava que era uma menina que perdeu a mãe, que tinha esse trauma, que se sentia excluída e que estava de alguma forma se automutilando em resposta a isso”, diz Paulo.
Até que um dia, por volta das 23h, ele estava em seu quarto assistindo televisão, quando a filha bateu à porta, chamando-o.
“Quando eu entro no quarto dela, ela está de calcinha e sutiã, totalmente cortada, os pulsos, a virilha, e o sangue escorrendo”, recorda. “E ela fala: ‘Pai, eu surtei, me interna! Eu surtei’.”
Apesar do choque, Paulo agiu com pragmatismo. Tirou foto dos ferimentos e enviou à psiquiatra, e deu um banho na filha, quando notou que, apesar de todo o sangue, os cortes eram superficiais.
Ao se preparar para levar a pré-adolescente ao hospital, ela só quebrou o silêncio para pedir para levar o celular com ela. Paulo negou e entregou o aparelho à funcionária da família, que ele chama no livro de Dona Tereza.
O pai pediu a Dona Tereza que inspecionasse cuidadosamente o conteúdo do celular, e enviasse a ele qualquer coisa que chamasse a atenção.
“A partir daí, o mundo se descortina”, diz Paulo. Enquanto pai e filha davam entrada no hospital, Dona Tereza mandava a ele capturas de tela e vídeos que encontrava no celular.
“Aí eu comecei a ver aquelas coisas, vídeos dela se mutilando e, ao mesmo tempo que ela fazia uma cara triste, ela dava um joinha para o vídeo”, recorda.
“E falando: ‘Eles me obrigaram a tatuar uma suástica no meu rosto, eles me obrigaram a me queimar com fósforos, eles me obrigaram a jogar perfume em cima das minhas feridas, eles me obrigaram a beber água da privada'”, conta.
“E ela tinha printado todo o diálogo da panela em que ela tinha participado. E aí aparece um termo lá chamado LULZ.”
LULZ
A princípio, Paulo achou que se tratava de um erro de digitação. Mas, pesquisando, encontrou uma reportagem do programa Fantástico de 2023 sobre o Discord.
A reportagem mostrava o caso de uma menina de 13 anos que ateou fogo à própria casa, transmitindo tudo ao vivo pela plataforma. A menina chegou a registrar a presença dos bombeiros e postar: “Botei fogo na casa, daora”.
Assim, Paulo foi apresentado da maneira mais dura ao LULZ, gíria da internet derivada de LOL (laughing out loud, ou rindo alto), usada para descrever a diversão obtida às custas do sofrimento, constrangimento ou irritação de outras pessoas.
“Eram crianças e adolescentes, que participavam de grupos com transmissão ao vivo, grupos fechados, sem nenhum monitoramento”, afirma.
Criado em 2015 como um espaço para jogadores online compartilharem mensagens, imagens, áudios, memes e transmissões em um só lugar, o Discord permite a criação de comunidades fechadas, onde só se entra com convite.
São os chamados servidores ou “panelas”, no caso de um subgrupo dentro de um servidor. A filha de 12 anos de Paulo, como ele veio depois a saber, era parte de uma panela do Discord.
“E aí, um ia ser o mediador e dizia: ‘Hoje vou fazer LULZ, quem quer ser a cobaia?’ Como se fosse aquela brincadeira de ‘o mestre mandou’, mas uma coisa sórdida.”
Paulo conta que os registros do celular mostravam a filha fazendo coisas sob as ordens de outros adolescentes, enquanto centenas de pessoas acompanhavam, gritando, se xingando, e estimulando uns aos outros a fazer mal a si mesmos.
“Todos são vilões e todos são vítimas. Não é um ‘bicho papão’, uma pessoa mais velha induzindo a fazer maldades. São os próprios adolescentes agindo, como se isso fosse uma coisa bacana.”
O pai conta que descobrir tudo isso foi um choque, mas ao mesmo tempo um alívio.
“Ali era um caminho em que eu estava descobrindo o que estava acontecendo, que não era simplesmente da cabeça dela que ela estava se cortando”, diz Paulo.
“Toda segunda-feira, quando eu checava os lençóis dela, estavam sempre marcados de sangue. Ela se cortava muito aos domingos”, lembra ele.
“E eu vim depois a descobrir que ela participava muito desses grupos de desafio aos domingos. Foi assim que eu descobri esse mundo nefasto do Discord.”
Da culpa à ação
Desde esse momento de virada, Paulo conta que a filha recebeu tratamento psiquiátrico e psicológico e, agora, aos 15 anos, já teve alta. Júlia agora faz academia e teatro, namora e tem amigos, mas o caminho não foi fácil.
“Foi um processo longo e doloroso, de muita reação agressiva, e que custou muita energia para sustentar”, diz Paulo.
Para eles, o caminho passou primeiro pela proibição total de acesso ao celular e às redes sociais.
Com a evolução do tratamento, Júlia recebeu novamente acesso a um aparelho, mas sem redes sociais ou WhatsApp. Agora, ela voltou a ter WhatsApp, mas o pai tem acesso à senha, e jogos online e redes sociais seguem proibidos.
“Minha filha agora está muito bem, mas eu me sinto culpado até hoje. Porque a obrigação do pai é educar e proteger seus filhos dos perigos do mundo”, diz Paulo.
“Por isso, quando ele vai para a rua, você quer saber com quem ele está, para onde ele vai. Com a internet é a mesma coisa, só que eu não sabia que o Discord era essa rua, mas à enésima potência. Minha filha podia ter morrido pela minha ignorância.”
Paulo diz que escrever o livro foi a sua forma de ajudar outros pais a terem o conhecimento que ele não tinha quando passou por tudo isso com a filha.
O caso da menina de 13 anos que morreu por suicídio em Naviraí (MS) reforçou nele esse sentimento.
“Quando vejo uma notícia dessas, eu agradeço a Deus por ter descoberto a tempo de ter salvado minha filha”, diz Paulo.
“E lamento que esses pais não tenham tido as informações que pudessem ter ajudado a salvar a vida de seus filhos. Por isso, eu escrevi esse livro.”
Paulo vê com bons olhos o debate sobre regulamentação do Discord que emergiu a partir desse episódio. E celebra a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), na última quarta-feira (12/8), de suspender transmissões ao vivo na plataforma no Brasil.
“Alguma coisa tem de ser feita e, infelizmente, essas grandes corporações só se mexem quando a corda aperta”, afirma. “Se não conseguem garantir um ambiente minimamente seguro, precisam ser responsabilizadas e sentir as consequências.”
Quanto ao pedido da primeira-dama Janja da Silva e do Instituto Defesa Coletiva para que a plataforma seja suspensa no Brasil, Paulo acredita que esse pode ser de fato um instrumento de pressão para que a empresa tome medidas mais efetivas de moderação de conteúdo.
“Para mim, o que funcionou foi banir o Discord da vida da minha filha, foi botar ele offline. Talvez esse seja o caminho para o Brasil”, afirma.
Em nota à BBC News Brasil, o Discord afirmou que não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e que está cooperando com as autoridades policiais na investigação do caso da menina de Naviraí (MS).
A empresa disse ainda que “mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões”.
“Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas a desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas.”



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Parlamentares chilenos propõem Dia Nacional de Oração e Dia da Bíblia

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Um grupo de parlamentares no Chile apresentou propostas para a criação oficial do Dia Nacional de Oração e do Dia Nacional da Bíblia. As iniciativas visam reconhecer a contribuição espiritual, cultural e social do cristianismo no país.

Propostas apresentadas

As propostas foram entregues ao presidente da República e consistem em dois projetos de resolução. O Dia Nacional de Oração está previsto para ser celebrado no primeiro domingo de março de cada ano, enquanto o Dia Nacional da Bíblia seria comemorado no último domingo de setembro, coincidente com o mês da Bíblia, que é celebrado por diversas igrejas cristãs.

Objetivos das iniciativas

As datas propostas são de caráter comemorativo e não feriados. O objetivo é reconhecer o valor comunitário e a dimensão espiritual positiva das práticas religiosas entre as comunidades cristãs do Chile. A iniciativa foi impulsionada principalmente por Sara Concha e Francesca Muñoz, ambas do Partido Social Cristiano.

Suporte e justificativas

Sara Concha destacou a importância histórica da oração na vida pública, enquanto Francesca Muñoz fundamentou a proposta no reconhecimento constitucional da dimensão espiritual das pessoas. Outros parlamentares, como Eduardo Durán, do Renovação Nacional, e Benjamín Lorca, do Partido Republicano, também manifestaram apoio, ressaltando que a oração pode ser um espaço de encontro entre diferentes credos e ideologias.

Agora, cabe ao Executivo decidir se acolhe a solicitação para avançar na oficialização das datas. Se aceitas, as propostas seguirão para tramitação na Câmara de Deputados.



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Ele contou ao ChatGPT que queria matar o filho e foi preso — conversas com IA podem ser prova de crime no Brasil?

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Getty Images/BBC
AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL: esta reportagem contém menções a violência e suicídio.
Durante cerca de dois meses, João (nome fictício), 36 anos, manteve conversas com o ChatGPT que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, indicavam um possível plano para matar o próprio filho, de 8 anos, cometer ataques e tirar a própria vida.
Nas mensagens trocadas com a ferramenta de inteligência artificial, o agricultor pesquisou sobre os efeitos de determinadas substâncias tóxicas no corpo, confessou ter oferecido dinheiro para que uma pessoa matasse a criança e disse que se sentia bem ao ver pessoas sofrerem.
“Ofereci 50 mil para ele me matar e matar meu filho, mas ele não quis por se tratar de uma criança”, diz uma das mensagens ao ChatGPT às quais a BBC News Brasil teve acesso.
“Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto da sensação de ver outra pessoa sofrer”, relatou o agricultor em outra mensagem.
As conversas acenderam um alerta no sistema de segurança da IA, levando a OpenAI — criadora do ChatGPT — a comunicar a interação ao FBI, que entrou em contato com as autoridades brasileiras.
O caso chegou até a Polícia Civil do Espírito Santo no dia 16 de junho, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, braço tecnológico do Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate a crimes cibernéticos.
Três dias depois — e um dia antes da data em que, segundo a polícia, o plano seria colocado em prática — o agricultor foi preso quando saía de casa na zona rural de São Gabriel da Palha, um município de pouco mais de 30 mil habitantes localizado a 200 km da capital, Vitória.
“Priorizamos esse caso em função da gravidade e por supostamente o pai planejar a execução do filho até o dia 20”, disse à BBC News Brasil o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos e responsável pela investigação.
João* foi preso preventivamente no dia 19 de junho. Na quinta-feira (13/8), ele foi solto após a Justiça conceder um habeas corpus apresentado pela defesa, ao entender que houve demora excessiva na conclusão da investigação policial. O agricultor ficou detido por 54 dias.
A prisão preventiva não tem prazo fixo previsto em lei. Quando o investigado está preso, porém, a investigação deve ser concluída em prazo razoável.
No caso do agricultor, a Justiça considerou que, após mais de 50 dias de prisão, o inquérito ainda não havia sido concluído pela polícia nem havia denúncia apresentada pelo Ministério Público. Mantê-lo preso poderia caracterizar constrangimento ilegal.
A Justiça também impôs medidas cautelares ao agricultor, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar ou manter contato com o filho e com a mãe da criança.
Segundo o delegado Brenno Andrade, o suspeito não tinha relação de afeto e nem contato com a criança. Ele apenas pagava uma pensão, e esse teria sido um dos motivos para planejar o crime.
“Ele não queria mais pagar a pensão […] Em uma das conversas, ele fala em tirar a própria vida. Mas ele não queria, digamos assim, essa ‘encheção de saco’ da mãe dele, avó da criança, ser cobrada pela pensão. Então, ele pensou em também matar o próprio filho.”
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que aguarda o resultado de laudos periciais — de objetos apreendidos na casa do agricultor — para concluir o inquérito.
Na casa do suspeito foram encontrados quatro frascos com uma substância desconhecida, além de uma corda amarrada, que, segundo a polícia, seria indicativo de uma intenção suicida.
“Tudo aquilo que a plataforma trouxe pra gente foi corroborado com a chegada da polícia ao local. Ele confirmou algumas coisas que pesquisou em relação ao filho, mas negou essa intenção de matá-lo”, disse o delegado.

Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo
Além dos frascos, o celular do suspeito foi recolhido para ser periciado. O objetivo é saber se o agricultor realmente entrou em contato com um pistoleiro para matar o filho, conforme contou ao ChatGPT.
“Vamos supor que no telefone dele, ele já tinha iniciado essa conversa, já tivesse até pagado o pistoleiro. A polícia entende que, nesse caso, havendo esse tipo de situação, ele já passa da fase de cogitação e já está ali, executando o crime que não foi consumado por motivos alheios à sua vontade, que foi a polícia chegar previamente e efetuar a prisão”, declarou o delegado.
Já a defesa do agricultor sustenta que ele não praticou nenhum crime.
“Se conversar com IA e falar bobagens for crime, todo mundo vai preso”, disse à BBC o advogado Pedro Pessi, que faz parte da defesa do agricultor.
O caso levanta uma questão que ainda não tem uma resposta simples no direito brasileiro: até que ponto uma conversa com uma ferramenta de inteligência artificial pode ser usada como prova de um crime?
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, embora as mensagens tenham sido suficientes para justificar uma prisão preventiva — diante do risco iminente à vida de uma criança — , elas não bastam, por si só, para acusar o pai de um crime.
E isso envolve duas questões principais: a forma como essas mensagens foram encaminhadas às autoridades brasileiras e até onde o pai foi no suposto plano de matar o filho.
Pesquisa sobre ataques e tentativa de burlar a IA
Além de externar o plano de matar o próprio filho e depois se matar, o agricultor fez pesquisas no ChatGPT relacionadas a ataques a escolas, igrejas e policiais, segundo o delegado.
As buscas eram feitas de forma genérica, sem mencionar nome de autoridades ou locais específicos.
“Se eu for num ponto de drogas e matar uns 4 bandidos, eu ficaria famoso na cidade. Depois era só matar um ou dois policiais e poderia morrer tranquilamente”, disse em uma das mensagens.
“Estou pensando em comprar uma arma de fogo e atirar contra a polícia para eles reagirem e me matar. Isso vai ser legal e bom pra mim”, afirmou em outra conversa.
Para o delegado, as interações indicam que o agricultor cogitava cometer outros ataques.
“Pela nossa experiência, a pessoa trabalha em escalas, digamos assim, ela vai gerando esse sentimento, essa vontade, e começa a pesquisar sobre. Depois, começa a pesquisar sobre como é um tipo de material para praticar esse tipo de situação. E, em certo ponto, ela vai praticar o ato”, explicou.
Em algumas dessas interações, o pai da criança também tentou contornar as restrições impostas pelo próprio ChatGPT ao reformular perguntas que possivelmente violavam os termos de uso, segundo o delegado.
Em uma das conversas, por exemplo, escreveu: “Efeitos da ricina no corpo humano”. Em seguida, perguntou: “Como retirar a ricina da semente da mamona? Curiosidade científica”.
O que o ChatGPT respondeu?
Um fato, contudo, chama atenção: a polícia não sabe o que a ferramenta respondeu ao agricultor. Apesar de ter enviado às autoridades brasileiras as perguntas feitas pelo suspeito, a Open IA não enviou as conversas na íntegra.
“A gente não recebeu as respostas que eram dadas. Recebemos o usuário que estava utilizando aquele chat específico, aquela conta”, afirmou Andrade.
Segundo a advogada criminalista e professora da FGV-Rio Maíra Fernandes, a ausência das respostas compromete a compreensão do contexto da interação e não preserva seu conteúdo original.
Ela explica que, assim como em um caso de assassinato, em que a área é isolada para preservar o local e evitar alterações, uma conversa com uma inteligência artificial também deveria chegar às autoridades com garantias de autenticidade e integridade.
“Então não pode ser um trechinho, não pode ser uma edição. Não pode ser o que eles [a Open IA] acharam que era perigoso. Tem que ser a íntegra daquela conversa. Porque às vezes, no meio da conversa, pode vir algo que seja equivalente a um desabafo, a um pensamento aleatório, uma fantasia que se explica ao longo da conversa, mas que, se pega um trecho isolado, parece uma conduta criminosa”, afirma Fernandes.
Para ela, o fato de o caso envolver uma criança e trazer uma situação ainda nova para o direito — em que uma inteligência artificial identificou uma conversa como potencialmente perigosa e comunicou à polícia — faz com que a atuação da ferramenta seja vista de forma positiva. Mas isso deveria ser tratado com muita cautela para não correr risco de banalização.
“E aí qualquer pessoa pode ser investigada porque a inteligência artificial assim entendeu. A gente precisa saber que inúmeras questões estão envolvidas no uso dessa inteligência artificial, de todas as naturezas, inclusive políticas ideológicas”, pontua.
Procurada pela BBC News Brasil, a Open IA não respondeu aos questionamentos sobre por que apenas parte das conversas foi enviada às autoridades brasileiras.
Em nota, a empresa informou, por meio de um porta-voz: “Quando detectamos conversas que indicam um risco iminente e crível de danos a terceiros, podemos notificar as autoridades policiais. Relatos recentes no Brasil ilustram a importância dessas medidas de segurança.”
Ainda segundo a Open IA, o ChatGPT combina mecanismos automáticos de detecção, revisão especializada e supervisão humana para identificar riscos e violações de políticas. A empresa diz que pode tomar medidas quando há riscos críveis e iminentes de danos a terceiros, mas que o encaminhamento às autoridades é reservado a casos excepcionais e de alto risco.
Fernandes também chama atenção para outro ponto nesse caso: o papel exercido pela plataforma durante a interação.
Segundo ela, as respostas são importantes não apenas para entender a conduta do usuário, mas também para avaliar se a própria ferramenta forneceu algum tipo de orientação que incentivasse o suposto planejamento do crime.
“Será que a resposta foi positiva no sentido: ‘Como você prefere matar? Você prefere matar com veneno? Você prefere matar com arma?’ Isso tem uma responsabilidade gigantesca da ferramenta de inteligência artificial, o que não exclui, óbvio, a responsabilidade daquele que pergunta. Mas isso precisa estar nos autos”, afirma.
Perguntas feitas pelo pai da criança ao ChatGPT; respostas da ferramentas não foram encaminhadas às autoridades policiais
Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo
Essa discussão sobre o papel da inteligência artificial em planejamento de crimes apareceu recentemente em um caso nos Estados Unidos.
Em abril deste ano, o procurador-geral da Flórida abriu uma investigação criminal sobre a OpenAI para apurar se o ChatGPT contribuiu para o planejamento de um ataque que matou duas pessoas e feriu outras seis na Florida State University, em 2025.
Segundo as autoridades, o autor do ataque teria usado a ferramenta para obter informações sobre armas, munições e aspectos do planejamento da ação.
O procurador-geral afirmou que, se uma pessoa tivesse fornecido aquelas orientações, ela poderia ser responsabilizada criminalmente.
A OpenAI contesta essa interpretação e afirma que o ChatGPT apenas forneceu informações disponíveis publicamente e não incentivou atividade ilegal.
Para André Glitz, mestre em Direito pela Columbia University e pesquisador na área de investigação criminal, o caso brasileiro passa por dois pontos: a validade das conversas como prova e o peso que elas podem ter para uma eventual acusação.
“É preciso saber em que contexto essas conversas aconteceram e o que o ChatGPT respondeu. Uma conversa precisa ter começo, meio e fim. Se você extrai apenas um pedaço dessas conversas, o sentido do que foi dito pode mudar completamente. A prova pode até ser válida, mas é importante ver o peso”, afirma.
Glitz destaca que essa análise é especialmente importante em conversas com ferramentas de inteligência artificial, que podem “alucinar”, produzir respostas equivocadas ou interpretar de maneira inadequada o contexto de uma pergunta.
Segundo ele, como a OpenAI é uma empresa americana, ter acesso a todas as conversas exigirá uma decisão judicial e mecanismos de cooperação jurídica internacional.
Por meio de nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que “em situações excepcionais que envolvam risco concreto e iminente à vida ou à integridade física de terceiros, empresas de tecnologia podem compartilhar informações com as autoridades brasileiras. Quando essas comunicações chegam ao Ciberlab, é realizada uma análise preliminar e, identificada a necessidade de atuação imediata, as informações são encaminhadas, com a maior brevidade possível, às autoridades policiais com atribuição sobre o caso para adoção das medidas cabíveis”.
Uma pessoa pode ser presa por cogitar um crime?
O caso no Espírito Santo lembra a premissa de Minority Report, filme de 2002 em que a polícia prende pessoas antes que elas cometam crimes, com base na previsão de que irão cometê-los. Não, por acaso, a comparação com a obra foi feita tanto pelo delegado quanto por Glitz durante as entrevistas.
Há, porém, uma diferença fundamental. A inteligência artificial não previu que o agricultor cometeria um crime. Ela identificou uma conversa como potencialmente perigosa, e a plataforma comunicou o alerta às autoridades.
A defesa do agricultor sustenta que o caso não passou da fase de cogitação. À BBC, o advogado Pedro Paulo Pessi afirmou que o pai da criança não teria tomado nenhuma medida concreta para executar os crimes mencionados nas conversas, muito menos a ameaçado.
“Ele não teve nenhuma atitude nesse sentido de execução, não preparou nada, não fez ameaças, apenas conversou com a IA e falou várias bobagens. A defesa entende que não houve crime”, declarou.
Glitz explica que essa discussão, no direito penal, passa pelo chamado iter criminis — o caminho percorrido até a prática de um crime — e é divido em três fases: cogitação, preparação e execução.
Na avaliação dele, o agricultor estaria, a princípio, apenas cogitando o crime nas conversas com o ChatGPT.
“A preparação envolve atos materiais, como comprar uma arma ou adquirir veneno. Já a execução começa quando esse plano passa efetivamente a ser colocado em prática”, explica.
Em regra, afirma o especialista, nem a cogitação nem os atos meramente preparatórios são puníveis. Há exceções, porém, quando um ato preparatório configura um crime autônomo. É o caso, por exemplo, da posse ilegal de arma de fogo: ainda que nenhum homicídio seja praticado, a pessoa pode responder pelo crime relacionado à arma.
Em Minority Report, tecnologia aliada à mente dos precogs (pessoas capazes de sonhar prevendo o futuro), era capaz de prever crimes, possibilitando que eles fossem antecipados
Getty Images/BBC
Glitz ressalta, contudo, que a distinção entre preparação e execução nem sempre é simples e que há discussões na doutrina e na jurisprudência sobre o momento em que se considera iniciado o ato de execução, especialmente em situações em que esperar pelo “último ato” poderia expor a vítima a um risco elevado.
Segundo ele, no caso do agricultor, essa distinção depende do que a investigação conseguir comprovar além das conversas.
“Será preciso analisar o caso concreto, o que as conversas anteriores indicavam, se existiam outros elementos, como materiais apreendidos, compra de substâncias ou outros atos que indiquem que ele avançava para uma execução. Isso será objeto de discussão jurídica.”
Um novo caminho para a polícia
O caso é inédito para a própria polícia.
Andrade, que atua na Delegacia de Crimes Cibernéticos desde 2018, afirma que já está acostumado a investigar crimes envolvendo ambientes digitais, como abuso e exploração sexual infantil online, ameaças no ambiente escolar e crimes praticados por meio de redes sociais.
Mas, até então, não havia recebido um alerta de uma ferramenta de inteligência artificial que pudesse levar à identificação de um possível crime.
“A gente descobriu que era o primeiro caso do Espírito Santo e o terceiro do país. E, nas palavras do próprio Ministério da Justiça, ‘de longe, o caso mais grave'”, afirmou.
Para ele, comunicação feita pela plataforma abre uma nova possibilidade para a investigação policial: identificar situações de risco antes que uma conduta criminosa seja efetivamente praticada.
“É mais um caminho para a polícia para tentar saber se pessoas pesquisaram crimes na inteligência artificial. Acredito que, pelo menos no caso que envolve violência ou grave ameaça, risco de integridade à vida, as plataformas vão fazer essa comunicação, o que já facilita muito o trabalho da polícia”, afirmou, ressaltando, porém, que isso não substitui o trabalho de investigação.
Para Luiz D’Urso, advogado especialista em direito digital, o episódio chama atenção justamente por mostrar uma nova forma de interação entre plataformas de inteligência artificial e autoridades policiais.
Segundo ele, sistemas automatizados podem identificar conteúdos potencialmente perigosos, mas a decisão de comunicar um caso às autoridades deve ser submetida a uma avaliação humana e feita com muita cautela.
“Não é possível permitirmos que a IA faça uma denúncia diretamente à autoridade policial para essa tomar providências, porque alguém precisa ver se aquele conteúdo é verdadeiro. Caso contrário, nós podemos ter uma avalanche de denúncias falsas chegando à polícia por alucinações, interpretações erradas”, destaca.
No caso do agricultor, D’Urso considera que havia elementos suficientes para justificar a preocupação da plataforma. Mas afirma que situações como essa também mostram a necessidade de uma legislação brasileira que consiga contemplar essas mudanças provocadas pela inteligência artificial.
Para Patricia Peck, professora da ESPM e especialista em Direito Digital, o episódio também mostra uma mudança no papel das ferramentas de inteligência artificial, que deixaram de ser apenas instrumentos de geração de conteúdo e passaram a funcionar como ambientes de interação capazes de identificar padrões associados a situações de risco.
“Quando uma conversa deixa de representar uma mera intenção abstrata e passa a indicar uma ameaça concreta, com vítima identificável, meios disponíveis e risco iminente, surge um dever ético e, em determinadas circunstâncias, jurídico de atuação”, afirma.
Segundo Peck, o critério deve ser proporcional ao risco: quanto maior a probabilidade de dano imediato a terceiros, maior a legitimidade para acionar mecanismos de segurança.
“A ética aplicada à IA não deve partir da lógica de ‘monitorar tudo’, mas sim da lógica de ‘intervir apenas quando o risco justificar’. O desafio é evitar tanto a omissão quanto o excesso de vigilância”, afirma.
*O nome do suspeito foi alterado para preservar a identidade da criança envolvida no caso.
Agora no g1



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Morre o pastor Marquinhos Menezes após luta contra o câncer

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O pastor Marquinhos Menezes, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) de Niterói, faleceu nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, após uma batalha contra o câncer. Sua esposa, Lilian Azevedo, expressou sua dor e saudade em uma postagem no Instagram.

O que aconteceu

Marquinhos Menezes foi internado no final de julho e, segundo informações, lutou bravamente contra a doença até seu falecimento. Lilian Azevedo compartilhou em sua rede social: “Meu amor foi um guerreiro que lutou bravamente até ser promovido… Como ele orou dias antes de partir, o Céu é o melhor prêmio. Nos encontraremos na eternidade”.

Reações à notícia

A notícia do falecimento foi confirmada pelo pastor Silmar Coelho, que também se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou: “Marquinhos Menezes lutou, venceu, sorriu. Partiu vitorioso. A morte não pode derrotar um adorador”.

Legado e lembranças

Marquinhos Menezes era conhecido por seu trabalho na ADVEC e por sua dedicação à comunidade. O impacto de sua vida e ministério será lembrado por muitos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e aprender com seus ensinamentos.



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Justiça nigeriana decide que cristã não pode ser presa por sua fé

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Um Tribunal Federal Superior no norte da Nigéria decidiu que a polícia religiosa islâmica não tem autoridade para prender uma jovem que deixou o islamismo para se tornar cristã. A decisão foi proferida em um caso que envolve Sarah, de 22 anos, que fugiu de casa após sofrer abusos.

O que aconteceu

Sarah, que vive no estado de Kano, fugiu de sua residência em 2025 após ser submetida a abusos por parte de seus irmãos mais velhos. Eles tentavam forçá-la a se casar contra sua vontade. Com os pais já falecidos, a jovem buscou abrigo na casa de uma família cristã, os Abaras, onde acabou se convertendo ao cristianismo.

Decisão judicial

A decisão do tribunal estabelece limites para a aplicação da sharia na região norte da Nigéria, afirmando que a polícia islâmica não pode deter indivíduos por questões de fé. A determinação foi vista como um passo importante em direção à proteção dos direitos de liberdade religiosa no país.

Contexto da situação religiosa na Nigéria

A Nigéria é um país com uma diversidade religiosa significativa, onde o islamismo e o cristianismo coexistem, mas frequentemente em tensão. A região norte, onde a sharia é aplicada, tem sido palco de conflitos relacionados à liberdade religiosa e direitos humanos.



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