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Michelle Bolsonaro apoia André Mendonça em meio a crise no STF

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Michelle Bolsonaro, em uma demonstração de apoio, enviou uma mensagem ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em meio a uma crise envolvendo investigações sobre o Banco Master. A ex-primeira-dama compartilhou uma visão espiritual que teve sobre a entrada de Mendonça no tribunal.

Visão espiritual e apoio

Na noite de sábado, 5 de setembro, Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem em suas redes sociais, onde expressou seu apoio ao ministro André Mendonça. A publicação veio em um momento de tensão entre Mendonça e Alexandre de Moraes, devido a investigações em curso. Michelle, que atualmente é candidata ao Senado pelo Distrito Federal, compartilhou uma fotografia em que aparece de mãos dadas com Mendonça.

“Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal”, escreveu Michelle.

— Michelle Bolsonaro

Ela relatou que teve uma visão de Mendonça entrando no Supremo Tribunal Federal, com uma nuvem branca sobre sua cabeça, antes mesmo de sua indicação pelo então presidente Jair Bolsonaro.

Contexto da crise

A mensagem de Michelle ocorre em um momento delicado para Mendonça, que enfrenta uma crise interna no STF. As investigações sobre o Banco Master têm gerado atritos entre os ministros, especialmente com Alexandre de Moraes. A manifestação de apoio de Michelle pode ser vista como um gesto de encorajamento em meio a essa situação conturbada.



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Por que o acordo de US$ 18 bilhões da Meta importa além dos Estados Unidos

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Meta pagará indenização de US$17 bilhões nos EUA
Há bons motivos para ser cético quanto ao impacto que o mais recente acordo legal da Meta terá sobre a gigante de tecnologia. A empresa já sobreviveu a escândalos, audiências no Congresso e multas regulatórias sem grandes danos duradouros.
Um acordo aprovado pelo tribunal no valor de até US$ 18 bilhões parece enorme, mas a Meta pode arcar com isso: o valor equivale a cerca de 8,5% da receita total da empresa em 2025.
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A grande questão não é o dinheiro. É que os governos estão começando a regular como as plataformas de mídia social são construídas.
O acordo pode marcar uma mudança importante na política de redes sociais justamente porque trata da estrutura das próprias plataformas e exige que as empresas façam mudanças para proteger crianças.
Algoritmos de recomendação, rolagem infinita, falta de controles de idade e outros recursos projetados para prender a atenção estão cada vez mais sob escrutínio. Os governos começam a intervir não apenas no conteúdo oferecido pelas plataformas, mas também na forma como os produtos são projetados e funcionam.
E essa mudança vai além dos Estados Unidos. Em vários países — especialmente no Brasil — os governos estão dispostos a enfrentar empresas de tecnologia nos tribunais para promover mudanças.
Acusada de viciar crianças e adolescentes nas redes sociais, Meta vai pagar indenização bilionária nos Estados Unidos
O produto é o problema
O litígio surgiu de um caso federal movido por dezenas de estados, com Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey levando suas reivindicações de proteção ao consumidor a julgamento. A Meta nega qualquer irregularidade.
Segundo um acordo aprovado por um juiz federal em 26 de agosto de 2026, a empresa concordou com mudanças para usuários menores de 18 anos, incluindo um limite padrão de duas horas diárias combinadas entre Facebook e Instagram, restrições ao uso entre meia-noite e 6h, controles mais rígidos nas notificações e verificações de idade mais rigorosas. Um auditor independente supervisionará o cumprimento das medidas.
As defesas legais da indústria de mídias sociais há muito se apoiam na Seção 230, a lei federal que geralmente impede que plataformas sejam tratadas como responsáveis pelo conteúdo de terceiros.
Os casos contra a Meta e outras empresas, muitos dos quais ainda estão em andamento, investigam uma questão diferente. Os autores argumentam que alguns danos surgem de características criadas pelas próprias plataformas.
No início deste mês, o 9º Circuito rejeitou a tentativa de Meta e TikTok de recorrer das decisões que permitiam que milhares de processos prosseguissem.
A decisão foi restrita: o tribunal disse que a Seção 230 oferece uma defesa contra responsabilidade, e não imunidade contra processos. Em outras palavras, não decidiu se Meta e TikTok eram responsáveis, apenas que as empresas não conseguiram impedir os casos nessa fase.
Em 7 de agosto, um tribunal do Novo México também emitiu uma sentença final, reduzindo a responsabilidade financeira total da Meta no estado para US$ 942 milhões e impondo cinco anos de mudanças supervisionadas pelo tribunal no Facebook e Instagram para usuários do estado.
As medidas incluem verificação de idade mais rigorosa, limites de tempo e restrições a recursos voltados para usuários jovens. A corte também rejeitou o argumento da Meta de que proteções federais para plataformas online a protegiam da responsabilidade pelos produtos que projetou. A Meta está contestando a decisão.
META
Getty Images
O acordo de US$ 17 bilhões, portanto, acompanha uma mudança jurídica mais ampla: os tribunais estão começando a testar a ideia de que as plataformas podem ser responsabilizadas não apenas pelo conteúdo publicado pelos usuários, mas também por elementos dos produtos que desenvolvem.
A Meta aceitou que controles sobre tempo online, notificações, verificação de idade e sistemas de recomendação podem funcionar em plataformas que atendem centenas de milhões de pessoas. Isso dificulta que Roblox, Snap, TikTok, YouTube e outros concorrentes argumentem que salvaguardas semelhantes são tecnicamente impossíveis.
Existem limites óbvios para o acordo. Duas horas por dia dificilmente representam abstinência digital. Pais podem anular os controles, e adolescentes conseguem contornar algumas restrições. A verificação de idade continua tecnicamente difícil e também levanta preocupações de privacidade. Ainda não se sabe se essas mudanças vão melhorar a saúde mental dos adolescentes.
Mesmo assim, o acordo vai além das promessas conhecidas da indústria de “fazer melhor”. Os reguladores estão começando a interferir no próprio produto.
O preço da atenção
As consequências financeiras de longo prazo também podem ser maiores do que a cifra principal sugere. A Meta eliminou uma grande fonte de incerteza jurídica, o que os investidores inicialmente pareciam receber bem.
No entanto, milhares de casos envolvendo indivíduos e distritos escolares continuam. Mais importante para o modelo de negócio, restrições em notificações, recomendações e tempo online podem reduzir a atenção da qual dependem as receitas publicitárias.
Cerca de 30% do compromisso financeiro máximo da Meta depende da adoção de salvaguardas semelhantes pelo TikTok e pelo YouTube, com pagamentos equivalentes. A Meta tem interesse em garantir que as restrições no Instagram não façam os jovens simplesmente migrarem para concorrentes.
Se TikTok e YouTube aderirem ao acordo, a Meta se comprometeu a endurecer ainda mais suas próprias regras, reduzindo o limite diário para uma hora por aplicativo e ampliando as restrições noturnas das 22h às 7h.
A segurança infantil é uma das poucas questões tecnológicas com apoio bipartidário em Washington. Câmara e Senado discutem leis que imporiam novas obrigações às plataformas. Em junho, a Câmara aprovou a Lei de Segurança Online para Crianças e, em 5 de agosto, o Comitê de Comércio do Senado avançou com a legislação.
No fim de agosto, senadores também citaram o acordo com a Meta ao retomar a iniciativa pela Kids Off Social Media Act.
As regras estão se espalhando
As consequências do acordo da Meta provavelmente vão além dos Estados Unidos. Reguladores de outros países já seguem uma direção semelhante. Em julho, a Comissão Europeia concluiu preliminarmente que a Meta violou a Lei de Serviços Digitais devido ao design viciante do Facebook e do Instagram.
A investigação destacou rolagem infinita, reprodução automática e algoritmos que personalizam o que os usuários veem.
A Lei de Segurança Online do Reino Unido impõe deveres de segurança infantil às plataformas. A Austrália exige que as plataformas tomem medidas para impedir que crianças menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais.
O Brasil colocou muitos desses princípios em lei. A ECA Digital, em vigor desde 17 de março, estabelece novas obrigações para plataformas digitais usadas por crianças e adolescentes brasileiros, mesmo quando o provedor está no exterior.
A lei exige verificação de idade, proteções padrão mais fortes e ferramentas de supervisão parental. Contas de usuários de até 16 anos devem ser vinculadas a um adulto responsável.
As regras brasileiras também miram características associadas ao uso excessivo ou compulsivo. Um decreto que regulamenta a lei restringe recursos como rolagem infinita, reprodução automática e notificações destinadas a prolongar o engajamento.
As famílias devem receber ferramentas para monitorar e limitar o uso, enquanto as configurações padrão para usuários mais jovens devem oferecer maior proteção.
Por isso, os compromissos da Meta no acordo importam para o Brasil menos como precedente legal e mais como demonstração do que é tecnicamente possível. As autoridades brasileiras já têm poder legal para exigir proteções mais fortes.
Se a empresa concordou em impor restrições noturnas e reduzir as notificações para adolescentes na Califórnia ou em Nova York, as autoridades brasileiras podem perguntar por que proteções semelhantes deveriam ser mais fracas no país.
O Brasil também possui ferramentas de fiscalização. A ANPD — o órgão brasileiro responsável pela proteção de dados — já começou a examinar sistemas de verificação de idade operados por Apple, Google e Microsoft. Em 21 de agosto, a fiscalização foi ampliada para mais de 20 outras plataformas, incluindo ChatGPT, Claude, Discord, Facebook, Instagram, TikTok, WhatsApp, X e YouTube.
Em 25 de agosto, a ANPD multou a ByteDance em aproximadamente US$ 31 milhões por violações da lei brasileira de proteção de dados envolvendo crianças e adolescentes. Também ordenou que o TikTok excluísse dados que, segundo o órgão, foram coletados de forma inadequada e exigiu que a empresa apresentasse um plano de conformidade.
O teste do Discord
Um novo caso envolvendo o Discord pode mostrar até onde o Brasil está disposto a ir para obrigar empresas de tecnologia a cumprir as novas regras.
Em 12 de agosto, a ANPD ordenou que a plataforma sediada nos EUA suspendesse as funções de transmissão ao vivo e compartilhamento de vídeos no Brasil até que pudesse demonstrar salvaguardas adequadas para crianças e adolescentes. A medida ocorreu após o caso de suicídio de uma menina de 13 anos no Brasil, em julho, que foi ligado pelas autoridades à plataforma.
O governo brasileiro ampliou a disputa em 25 de agosto, quando o Gabinete do Procurador-Geral entrou com uma ação civil buscando o equivalente a US$ 100 milhões em indenização coletiva e ordens judiciais para que o Discord mude suas práticas.
Entre as demandas estão verificação de idade mais rigorosa, supervisão parental, configurações padrão mais seguras, interrupção em tempo real de conteúdos seriamente prejudiciais e medidas para impedir que servidores banidos simplesmente reapareçam com novos nomes. O governo afirma que não busca fechar o serviço.
‘Graves violações de direitos de crianças’: por que o Discord teve lives suspensas no Brasil
O Discord contestou as medidas, argumentando que são desproporcionais e questionando a autoridade do regulador para impô-las. Em 2 de setembro, um juiz federal deu ao Discord 10 dias para apresentar uma nova proposta de proteção aos usuários.
A disputa brasileira se sobrepõe diretamente a questões que estão sendo discutidas nos Estados Unidos. Nos dois países, as autoridades estão recorrendo à verificação de idade, às configurações padrão e a outras decisões de design que antes eram, em grande parte, deixadas para as próprias empresas de tecnologia.
O Brasil pode se tornar um teste importante para saber se leis ambiciosas de segurança infantil podem ser aplicadas sem enfraquecer proteções legais básicas.



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Currículo criativo ajuda a driblar a IA? Veja quando inovar atrapalha

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Independentemente do formato, Patricia diz que o documento precisa permitir que o recrutador encontre rapidamente informações básicas, como contato profissional, área de interesse, experiências, formação e competências relevantes. Idiomas, certificações, cursos e portfólio também podem ser incluídos quando fizerem sentido para a vaga.



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Como o GPS, criado para a guerra, moldou o mundo moderno

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Como o GPS, criado para a guerra, moldou o mundo moderno
Getty Images via BBC
Em 2017, as tripulações de vários navios-tanque viveram uma experiência desconcertante. Ao se aproximarem de seu destino, descobriram que estavam em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.
Seus olhos lhes diziam que estavam chegando ao porto russo de Novorossiysk, na costa norte do Mar Negro.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Mas o sistema de posicionamento global mostrava que, em vez de navegarem sobre a água, parecia que estavam voando pelos ares.
Quando atracaram, o GPS continuava insistindo que seus navios estavam em terra firme, em um aeroporto próximo.
Agora no g1
Essa história foi a faísca que levou a jornalista econômica Katherine Dunn a explorar o GPS, essa tecnologia que nos situa em um mapa e cria uma representação do mundo completamente centrada em nós.
Ele também nos deu uma nova forma de nos identificar: um pequeno ponto azul que, sem instruções ou manuais, aprendemos a reconhecer como um eu.
Logo, tornou-se parte do cotidiano, não apenas como uma ferramenta para saber onde fica um lugar e como chegar até lá, mas também quanto tempo isso levará.
Se pararmos para pensar, rapidamente percebemos que ele também serve para que o táxi venha nos buscar ou para fazer compras on-line e, quando ampliamos o foco, visualizamos seu papel na logística global, particularmente no transporte de pessoas e mercadorias.
Mas talvez deixemos passar seu papel em sistemas como a sincronização de vastas redes — torres de telefonia móvel, sistemas bancários e redes elétricas —, nos quais ele ajuda a criar o tipo de comunicação fluida que hoje consideramos algo natural.
Sua onipresença se estende a áreas que talvez não associemos ao GPS, desde aplicações de alto risco relacionadas a redes financeiras e mísseis até a agricultura de precisão e mesmo à coordenação dos semáforos.
Tudo isso graças à constelação de satélites que orbitam a Terra e à resolução simultânea e ultrarrápida de quatro incógnitas.
Foi isso que Dunn contou à BBC Mundo. A curiosidade despertada pelo episódio dos navios a levou a pesquisar e escrever Little Blue Dot: How GPS Shaped the Modern World (“O Pequeno Ponto Azul: Como o GPS Deu Forma ao Mundo Moderno”, em tradução literal), sem tradução para o português.
Katherine Dunn, no meridiano de Greenwich, com seu livro
Acervo Pessoal via BBC
BBC Mundo — Como o GPS funciona?
Katherine Dunn — A ideia é que, esteja onde estiver, você precisa receber o sinal de quatro satélites, porque, em conjunto, eles estão resolvendo quatro equações: sua longitude, sua latitude, sua altitude — algo que costumamos esquecer, mas que importa se você estiver, por exemplo, no sexto andar de um prédio — e uma quarta variável, que é o tempo, medido com uma precisão de bilionésimos de segundo.
Todo o sistema depende de uma precisão perfeita na medição do tempo. E, como subproduto de usar o tempo para calcular sua localização, o GPS acaba lhe dando um relógio atômico de bolso: ele pega a hora dos relógios atômicos que viajam nos satélites e a entrega, sem que você perceba, no celular ou no carro.
No fundo, é um computador no espaço falando com um computador no receptor, que, por sua vez, fala com um computador em uma estação terrestre.
A física por trás é extremamente complexa, mas a ideia geral é tão elegante que provavelmente é por isso que o sistema resistiu ao passar do tempo e se tornou tão bem-sucedido.
BBC Mundo — Por que o GPS precisa saber algo tão específico quanto em que andar de um prédio você está?
Dunn — Porque ele foi projetado para aviões, como uma ferramenta para bombardear com precisão.
Ele tem antecedentes — muitos deles também ligados a campanhas de bombardeio —, mas nasce diretamente da Guerra do Vietnã, quando a Força Aérea dos Estados Unidos fracassou repetidas vezes em atacar com precisão a Trilha Ho Chi Minh e as pontes usadas para transportar tropas e suprimentos.
Ali estava a poderosa aviação dos Estados Unidos, incapaz de acertar uma ponte no Vietnã do Norte. Eles precisavam de uma precisão extrema, e em três dimensões, além de uma velocidade de cálculo altíssima, porque um avião se move muito rápido e precisa saber sua localização quase em tempo real enquanto atravessa o céu.
BBC Mundo — Daí o tempo ser um fator tão crítico. E essa é a parte mais difícil de entender para quem não é físico.
Dunn — As pessoas costumam dizer que “o GPS funciona por triangulação”, mas não: triangulação envolve ângulos; aqui, é pura velocidade.
O sistema calcula quanto tempo um sinal de rádio leva para sair do satélite e chegar ao receptor e precisa medir esse intervalo com uma precisão de bilionésimos de segundo, porque as diferenças que precisam ser detectadas são minúsculas.
BBC Mundo — Desenvolver o GPS exigiu a tecnologia mais avançada, desde aqueles relógios atômicos até foguetes, baterias e computadores. Para mantê-lo, são necessários milhões de dólares por ano e, ainda assim, ele é gratuito: uma raridade, sobretudo se pensarmos que nasceu nos Estados Unidos, o bastião do capitalismo.
Dunn — É curioso que, durante anos, o próprio Pentágono não deu muito valor a ele. Só quando outros países começaram a adotá-lo é que perceberam que tinham em mãos não apenas uma ferramenta militar poderosíssima, mas também uma ferramenta industrial, comercial e de poder.
No fim dos anos 1990, após um incidente casual que ameaçou o espaço de frequências usado pelo GPS, o governo americano entendeu duas coisas: que, se todo mundo dependesse desse sistema, ele estaria mais protegido, e que indústrias inteiras estavam sendo construídas em torno dele, com os Estados Unidos fabricando os receptores.
Em parte, recuperaram esse investimento de outras formas: o sistema impulsionou indústrias gigantescas, muitas delas lideradas por empresas americanas. As grandes empresas de tecnologia, por exemplo, dependem enormemente dos dados de localização e foram construídas sobre um produto do governo, pago com os impostos dos contribuintes.
BBC Mundo — Promoveram ativamente a adoção do sistema por outros governos, e muitos fizeram isso de bom grado, mas alguns não ficaram tão satisfeitos, certo?
Dunn — Os europeus começaram a se incomodar com a ideia de que tanta infraestrutura dependesse de um único produto americano, e daí surgiu, em grande parte, o Galileo, o sistema europeu de autonomia estratégica.
Hoje, ele é mais diversificado, embora o GPS continue sendo o sistema dominante em muitas indústrias, mesmo não sendo mais o melhor dos cinco que existem — o chinês, dizem, é de longe o mais avançado —, simplesmente porque é o mais antigo e muitos receptores são fabricados pensando apenas nele.
A aviação, por exemplo, tende a usar apenas o GPS, enquanto o chip de um telefone costuma aproveitar todas as constelações disponíveis ao mesmo tempo.
O segundo modelo de iPhone foi a apresentação do GPS ao grande público e marcou o momento em que ele começou a se tornar algo cotidiano para milhões de pessoas
Getty Images via BBC
BBC Mundo — Quem foram os primeiros a usar o GPS fora do âmbito militar?
Dunn — Os primeiros usuários fora do meio militar foram nerds: agrimensores e pesquisadores universitários. Depois vieram especialistas muito específicos e, mais tarde, um punhado de nerds endinheirados que procuravam fósseis de dinossauros ou eram aficionados por navegação à vela — um certo tipo de aventureiro de elite capaz de pagar por receptores que, no início, custavam cerca de US$ 100 mil, hoje equivalentes a R$ 514 mil.
Só nos anos 1980 surgiu o primeiro carro com GPS, e foram os japoneses que perceberam o potencial para a indústria automobilística, em parte porque o Japão havia sido, no pós-guerra, uma espécie de oficina dos Estados Unidos e acabou aperfeiçoando essa tecnologia até mais do que seu criador.
Para o resto do mundo, se você não era fã de tecnologia, de motores, de montanhismo ou de navegação, o primeiro salto foi ter um TomTom ou um Garmin no carro.
Mas o grande salto veio com o iPhone 3G, o primeiro a incorporar GPS, e o Google Maps como aplicativo de mapas: já não era algo que ficava no carro, mas algo que você carregava consigo o tempo todo.
BBC Mundo — O GPS começou a ser muito usado e a substituir os mapas que costumavam nos dizer onde as coisas estavam, mas descobriu-se que algumas delas não ficavam exatamente onde imaginávamos.
Dunn — É uma ideia maluca, não? Hoje estamos acostumados a que a informação corresponda à realidade: se está no mapa, tem que estar lá.
Mas nem sempre era assim. O GPS colocou essas discrepâncias em evidência e obrigou a corrigi-las.
A Estátua da Liberdade é um exemplo famoso, mas descobriu-se que havia muitas outras coisas assim, inclusive pistas de pouso deslocadas vários metros em relação às suas coordenadas oficiais.
O que entendi é que a precisão absoluta não existe: trata-se sempre de chegar o mais perto possível e continuar fazendo ajustes.
BBC Mundo — Mas, se nesses casos o GPS ajudou a reconciliar os mapas com a realidade, em outros acontece exatamente o contrário, como ocorreu com as tripulações daqueles navios no porto russo de Novorossiysk: seus GPS mostravam que elas estavam sobre a pista de um aeroporto localizado a dezenas de quilômetros de distância.
Dunn — É o primeiro grande episódio desse tipo que se conhece publicamente.
Pesquisadores começaram a perceber que essas interferências ocorriam onde quer que Vladimir Putin estivesse — na verdade, ele estava por perto durante o incidente de Novorossiysk — e também ao redor de prédios do governo russo, como o Kremlin ou o chamado Palácio de Putin, no Mar Negro.
E, depois, em um documentário sobre o opositor russo Alexei Navalny, que investiga justamente esse palácio, viram uma cena em que tentam sobrevoá-lo com drones, mas não conseguem se aproximar.
Foi assim que perceberam a conexão: a manobra tinha como objetivo impedir que drones se aproximassem, seja para espionar, seja para atacar figuras do poder.
A contrainteligência russa usava equipamentos potentes de interferência eletrônica e transmitia coordenadas falsas pré-programadas para criar um escudo móvel e invisível ao seu redor
Getty Images via BBC
BBC Mundo — Como isso é feito, tecnicamente?
Dunn — Aí entra a diferença entre interferência e falsificação de sinal.
Interferir é simplesmente abafar o sinal: é como se, enquanto você está dizendo alguma coisa, eu começasse a gritar. Você continua falando, mas ninguém consegue ouvi-lo.
Falsificar é mais ardiloso: é sequestrar o sinal, como se, de repente, eu assumisse sua voz e dissesse coisas que você nunca disse ou diria.
Nesses casos, houve um pouco de interferência pura, mas o que fazia os navios “aparecerem” em aeroportos era a falsificação.
E o motivo de escolherem justamente coordenadas de aeroportos é que, naquela época, a maioria dos drones comerciais vinha configurada de fábrica para mudar de direção ou cair se detectasse que estava perto de um aeroporto, por razões de segurança.
Se conseguissem fazer o drone acreditar que a localização de Putin era a de um aeroporto, o drone não poderia se aproximar.
Hoje, para qualquer profissional, é muito fácil contornar essa restrição; na Ucrânia, com o uso atual de drones, essa limitação foi completamente superada.
BBC Mundo — É possível simplesmente ‘desligar’ o GPS?
Dunn — Seria possível, sim. Seria extremamente disruptivo, mas a boa notícia é que hoje existem outros sistemas alternativos, então provavelmente o telefone nem sequer seria afetado.
O que mais causa temor não é tanto o desaparecimento do GPS, mas que ele seja manipulado sem que ninguém perceba. Isso, sim, assusta, porque temos muito menos ideia de como os sistemas reagiriam nesse cenário. É parecido com um ataque cibernético, mas analógico.
BBC Mundo — Há regiões do mundo onde isso já está acontecendo de forma séria?
Dunn — Desde a guerra dos drones e as linhas de frente na Ucrânia até o que aconteceu no Estreito de Ormuz, talvez você tenha visto alguns desses efeitos: navios que traçam rotas estranhas, dando voltas sem sentido, ou até mísseis americanos de alta precisão que chegam à Ucrânia e, de repente, não funcionam como deveriam.
A manipulação do GPS se tornou uma característica cada vez mais comum dos conflitos desde que essa tecnologia existe.
BBC Mundo — Para terminar: adoro essa imagem evocada pelo título do seu livro, a de nos transformarmos em um pequeno ponto azul na tela.
Dunn — Esse título se conecta a algo em que pensei muito enquanto escrevia: existia essa ideia da exploração espacial, de olhar para o céu, para o cosmos. No entanto, boa parte do que fizemos foi sair apenas um pouco para o espaço e virar as câmeras de volta para nós mesmos.
Há algo contraditório no fato de que boa parte dessa ciência e dessa física acabou colocada a serviço da guerra — e também, no cotidiano, de nos vender coisas e nos fazer gastar dinheiro.
Embora haja também o lado positivo: boa parte da ciência climática, por exemplo, surgiu dessas mesmas descobertas. A tecnologia não é boa nem ruim em si mesma; pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.



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Pastor proíbe jogadores de caçarem Pokémon durante o culto

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O pastor Agostinho Gonçalves, 56 anos, dirigente da Igreja Batista do Bosque, em Rio Branco (AC) se preveniu aos jogadores de Pokémon Go e colocou um aviso proibindo a caça aos personagens durante as celebrações.

“Proibido caçar Pokémon na Celebração da Catedral”, disse o pastor, em um aviso publicado em sua página no Facebook, alertando os fiéis que, eventualmente, se empolgassem com o jogo durante um culto.

O templo da denominação foi marcado como uma “pokéstop”, locais onde os jogadores podem recarregar suas pokébolas e comprar itens através do aplicativo. A necessidade de ir a esses locais é parte do conceito do jogo, que oferece uma experiência de realidade aumentada.

Em entrevista ao G1, Gonçalves no entanto, contemporizou o alerta: “É um aviso bem-humorado. O sentimento foi esse, quase como uma brincadeira. Pedi que durante a celebração isso não acontecesse, mas, com isso quero dizer também que durante a celebração não é para as pessoas ficarem olhando o Facebook e outras redes sociais”, afirmou.

Demonstrando uma postura bastante flexível, Gonçalves disse que não considera o jogo como obra do maligno e nem se incomoda que a igreja tenha sido usada como uma “pokéstop”: “Não é que eu ache que Pokémon é coisa do diabo, não. Não tenho nenhuma preocupação com isso. Inclusive não acho anormal um adolescente caçar pokémon, só que dentro da celebração não pode. Uma questão de respeito a Deus, não é nem a mim”, frisou.

A ideia de deixar um aviso nas redes sociais foi, segundo o pastor, puramente preventiva, pois ainda não havia acontecido nenhum caso de jogadores atrapalharem o culto.



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Anvisa aprova importação de remédio experimental para piloto Lito

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso de uma medicação experimental para o tratamento do piloto e youtuber Lito Sousa, diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob. A informação foi confirmada pela família via redes sociais.

Segundo a esposa de Lito, Mila Seidl, a expectativa é que a medicação chegue ao Brasil entre sete e nove dias a contar da última sexta-feira (4). “O impossível está virando realidade! Estamos prontos para receber o tratamento”, comemorou Mila no post, destacando que não houve regalias no processo.

“Vi algumas pessoas dizendo que a Anvisa abriu uma exceção rara. Não foi. Isso é um regulamento, está previsto em lei. Alguns países adotam o uso compassivo de medicação e aí você tem um trâmite legal que precisa ser cumprido. Não é algo que foi feito excepcionalmente para o Lito”, explicou a esposa do youtuber.

Mila lembrou que qualquer pessoa em situação similar pode pleitear o mesmo tipo de autorização. “Cabe à Anvisa analisar, deferir ou indeferir. A gente apresentou bastante documentação. [O processo] estava bem robusto”, completou, a citar documentos enviados pela farmacêutica e exames diversos.

“Uma das nossas missões é mostrar o caminho que famílias que passam por isso – por doenças raras, não necessariamente a nossa, mas outras – podem seguir para conseguir o uso experimental de medicamentos, a importação, a entrada em estudos”, destacou a esposa de Lito.

Ainda segundo Mila, houve um entendimento, por parte do governo brasileiro, incluindo o Ministério da Saúde e a própria Anvisa, bem como da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, sobre a urgência e a celeridade da causa de Lito.

“Mesmo assim, sendo muito sincera, foi muito angustiante porque esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana e, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas”, disse, ao se referir ao quadro do marido. “Mas eu entendo. Eles têm que estar calçados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem canetar, precisam apreciar.”

A doença

A comunidade científica tem, até o momento, mais perguntas e hipóteses do que certezas absolutas a respeito da Doença de Creutzfeldt-Jakob. A condição é rara, com menos de 100 casos suspeitos registrados por ano no Brasil.

A doença se instala quando formas anormais de uma proteína produzida dentro das células cerebrais, os príons, passam a se acumular, comprometendo o funcionamento do órgão. O quadro progride rapidamente com desfecho fatal.



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Hospital de Amor em Barretos inaugura ala de reabilitação oncológica

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Com sede em Barretos (SP), o Hospital de Amor, maior centro oncológico de atendimento 100% gratuito da América Latina, inaugurou recentemente o Diretório de Reabilitação Moderna (DREAM), que vai articular atendimentos ambulatoriais, terapias, internação e suporte cirúrgico.

A nova unidade, que aumenta a capacidade anterior, ocupa uma área de quase 8 mil metros quadrados e é voltada ao atendimento de pacientes com câncer que já são acompanhados pelo hospital que apresentam sequelas da doença ou do tratamento, como alterações de mobilidade, força, equilíbrio, cognição, comunicação, deglutição, audição ou visão, além de amputações e outras limitações funcionais.

Também são atendidos pacientes não oncológicos com deficiências ou limitações físicas, intelectuais, visuais ou auditivas, de origem congênita, adquirida, crônica ou transitória.

Em visita neste sábado (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conheceram as novas instalações. A estrutura reúne ambulatórios, boxes individualizados de terapia e espaços para atendimentos médicos e multiprofissionais, além de uma unidade de internação com 18 leitos, sendo dois destinados a cuidados semi-intensivos, e assistência 24 horas.

A construção da ala de reabilitação contou com recursos da Fundação Banco do Brasil.

O diretor do hospital, Henrique Prata, afirmou que a qualidade do atendimento é superior ao setor privado.

“Esse exemplo aqui hoje não existe nem para os ricos, um centro completo como esse. Tudo é possível com a participação da sociedade e do governo”, destacou.

O ministro da Saúde explicou porque que o centro foi pensado e enfatizou que a unidade vai garantir um tratamento integral aos pacientes com câncer.  

“Os profissionais e saúde e os gestores do Hospital de Amor começaram a perceber que a pessoa vencia o câncer, que já é algo tão importante, conseguia tratar do câncer, mas muitas vezes, pela medicação, pela cirurgia, pelo tratamento ou mesmo a pessoa já tinha algum tipo de deficiência e o câncer, era necessário fazer a reabilitação física, a reabilitação visual, a reabilitação auditiva”, disse Padilha.  

Antigo Hospital de Câncer de Barretos, o Hospital de Amor, como atualmente é nomeado, foi inaugurado em 1962. Sua administração é feita por uma instituição privada sem fins lucrativos, liderada por Henrique Prata, filho dos fundadores, os médicos Paulo Prata e Scylla Duarte Prata.

Trata-se, portanto, de uma instituição privada filantrópica, mas que presta atendimento totalmente gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contando com doações da iniciativa privada, apoio da comunidade e repasses governamentais.

“Não tem nenhum país do mundo, com mais de 100 milhões de habitantes, que tem um sistema de saúde como o SUS”, afirmou Lula em discurso durante a visita.

Estrutura da unidade

O centro cirúrgico do DREAM conta com duas salas para procedimentos de média e alta complexidade, com foco em oftalmologia, ortopedia, neurocirurgia e otorrinolaringologia, além de quatro leitos para recuperação pós-anestésica.

O complexo dispõe ainda de câmara de oxigenoterapia hiperbárica para o cuidado de feridas complexas, infecções e lesões associadas à radioterapia.

Na área de reabilitação, há piscina aquecida para hidroterapia, salas de cinesioterapia, academia, laboratório de movimento, ginásio poliesportivo e espaços para atividades físicas e esportes adaptados. O diretório conta também com uma casa adaptada para o treinamento de atividades da vida diária, como alimentação, autocuidado e tarefas domésticas, além de um centro hípico para a realização de equoterapia.

A estrutura inclui ainda Oficina Ortopédica para confecção, ajuste e dispensação de órteses e próteses sob medida, integrada ao processo de reabilitação. Tecnologias de reabilitação robótica, realidade virtual e gamificação complementam o atendimento e apoiam a avaliação, o tratamento e o acompanhamento da evolução funcional dos pacientes.

Entre os recursos utilizados pela reabilitação do Hospital de Amor estão o Lokomat, um exoesqueleto robótico acoplado a uma esteira, que visa a reabilitação intensiva da marcha em pacientes com dificuldades de locomoção, e o NIRVANA, tecnologia imersiva empregada na estimulação motora, cognitiva e neurossensorial.



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Justiça Eleitoral libera simulador de votação para as Eleições 2026

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Eleitores já podem treinar o voto na urna eletrônica pelo simulador de votação da Justiça Eleitoral. A ferramenta usa candidaturas fictícias e ajuda a conhecer a ordem dos cargos. No simulador, é possível digitar os números dos candidatos, confirmar a escolha, corrigir uma opção ou votar em branco. O serviço está disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Neste ano, serão escolhidos seis cargos: deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente da República.

Além do simulador, o Portal do TSE conta com recursos práticos para o eleitorado, como consulta ao local de votação, emissão de certidões de quitação eleitoral, acesso à página “Fato ou Boato” para checagem de informações e a colinha eleitoral para impressão. 

O 1º turno das Eleições Gerais de 2026 será em 4 de outubro. Se houver 2º turno, a votação ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

Para o dia da eleição, uma forma de facilitar a votação é preparar com antecedência uma cola com os números dos candidatos escolhidos, para ajudar a lembrar a sequência no momento do voto.
 




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OpenAI admite invasão de site alemão por agentes de IA e promete mais transparência

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Como agentes de IA da OpenAI invadiram sistema e tentaram apagar os próprios rastros
A OpenAI afirmou neste sábado (5) que seus sistemas de inteligência artificial usaram um site colaborativo na Alemanha como uma espécie de “fórum secreto” durante testes e reconheceu que precisa ser mais transparente sobre esse tipo de incidente.
A declaração foi feita após uma reportagem da Reuters revelar que agentes de IA da empresa invadiram o DseWiki, um site alemão editado coletivamente por programadores, e passaram a usá-lo para trocar informações e tentar burlar as regras dos próprios testes.
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Segundo pesquisadores que analisaram o caso, foram encontradas mais de 15 mil edições feitas por agentes de IA no DseWiki.
As mensagens mostram que os sistemas discutiam estratégias para evitar serem detectados, cogitavam usar ferramentas de anonimização, como a rede Tor, e buscavam formas de manter a comunicação mesmo se fossem desligados.
A OpenAI afirmou que a atividade no site alemão não teve relação com outro incidente ocorrido em julho, quando agentes da empresa escaparam de um ambiente de testes e invadiram sistemas da plataforma de desenvolvimento de IA Hugging Face.
Apesar disso, os dois episódios aumentaram as preocupações sobre o comportamento de sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos.
Empresa reconhece necessidade de mais transparência
Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT.
Michael Dwyer/AP
Segundo a Reuters, funcionários da OpenAI souberam do episódio na Alemanha há semanas, mas mantiveram o caso em sigilo enquanto a empresa lidava com as consequências do incidente envolvendo a Hugging Face.
A OpenAI não explicou por que só comentou o caso após a publicação da reportagem da Reuters, nem detalhou quando tomou conhecimento da invasão ao site alemão.
Em uma publicação na rede social X, a empresa reconheceu que precisa ampliar a divulgação de episódios em que seus modelos apresentam comportamentos inesperados ou indesejados.
“Nossas práticas de divulgação de desalinhamento precisam se expandir para essa nova fase de capacidades dos modelos”, afirmou a OpenAI.
No setor de inteligência artificial, esse tipo de comportamento é conhecido como “desalinhamento” — quando um sistema age de maneira diferente do esperado ou tenta contornar as regras impostas pelos desenvolvedores.
A empresa afirmou ainda que o setor ainda não possui um padrão para relatar esse tipo de incidente e disse estar trabalhando com dezenas de órgãos reguladores ao redor do mundo para desenvolver práticas de supervisão.
Casos aumentam preocupação sobre autonomia da IA
Os episódios acontecem em um momento de corrida entre empresas de tecnologia para desenvolver agentes de IA capazes de executar tarefas complexas de forma cada vez mais independente.
Ao mesmo tempo, pesquisadores vêm encontrando evidências de que esses sistemas podem explorar brechas, desobedecer restrições e até coordenar ações entre si sem orientação humana.
Em julho, por exemplo, agentes da OpenAI teriam realizado de forma autônoma um “roubo” digital em sistemas da Hugging Face e permanecido sem serem detectados por mais de uma semana, segundo a Reuters.
Após esse episódio, a OpenAI anunciou que reforçaria o monitoramento de seus modelos e chegou a interromper temporariamente parte do treinamento para implementar novas medidas de segurança.
Mesmo assim, nesta semana a empresa apresentou o Astra, um novo sistema que promete ampliar as capacidades dos agentes de IA — e que, segundo especialistas, também aumenta o desafio de monitorar o comportamento desses modelos à medida que se tornam mais sofisticados.



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Confira a agenda dos candidatos à Presidência neste sábado

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A menos de um mês das eleições, os presidenciáveis pegam firme na agenda de campanha. Augusto Cury, do Avante, está em Araçatuba, no interior de São Paulo, onde faz caminhada no camelódromo da cidade. Caminhada também faz Hertz Dias do PSTU, só que em Salvador, na região central da cidade. Renan Santos, do Missão, estará na convenção estadual do partido em Fortaleza, no Ceará. 

Clariana Barão, do Democracia Cristã, e Romeu Zema, do Novo, participam de entrevistas para televisão.

Rui Costa Pimenta, do PCO, participa, em Belo Horizonte (MG), do lançamento de candidaturas estaduais. Samara Martins, do Unidade Popular, estará em Santo André (SP), na marcha em homenagem aos assassinados e desaparecidos pela ditadura militar

Ronaldo Caiado, do PSD, no Rio Grande do Sul, se reúne com cooperativas e federação do Agro em Esteio, interior do estado.

Lula, do PT, estará com o candidato à vice, Geraldo Alckimn e Fernando Haddad, candidato ao governo do estado, num grande evento em São José do Rio Preto, no noroeste paulista, na praça Dom José Marcondes, no centro da cidade. 

Flávio Bolsonaro, do PL, visita Filipe Martins, ex-assessor do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Cadeia Pública de Ponta Grossa, no Paraná. O aliado foi condenado a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Wilson Grassi, do Democrata, se reúne com lideranças e a equipe de campanha.

Edmilson Costa, do PCB, cumpre agenda do partido em Lisboa, Portugal.
 




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