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Comércio e tecnologia fortalecem China em disputa tarifária com os EUA

Redação by Redação
15 de abril, 2025
in Sem categoria
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Os EUA e a China estão presos em um perigoso impasse comercial, com as duas maiores economias do mundo trocando golpes enquanto Donald Trump exige que Pequim busque um acordo com sua administração.

A China depende dos EUA como um mercado quase insubstituível para seus produtos manufaturados, mas especialistas alertam que Washington não deve subestimar a capacidade de Pequim de resistir às táticas coercitivas de Trump.

A combinação de controle político centralizado, mercados de exportação cada vez mais diversificados e seu domínio virtual sobre alguns materiais estrategicamente vitais, incluindo metais de terras raras, dá a Pequim muito poder de negociação. A questão é até que ponto pode usar sua influência sem sofrer ainda mais danos.

Poder comercial

A China teve um superávit comercial de quase US$ 300 bilhões (R$ 1,8 trilhão) com os EUA no ano passado, com cerca de 15% de suas exportações totais indo para os EUA. As tarifas de 145% de Trump infligiriam dor significativa a Pequim.

Mas economistas internacionais disseram que isso ignora um fato crucial: a China pode substituir suas importações dos EUA mais facilmente do que o contrário.

As exportações de bens dos EUA para a China estão fortemente focadas na agricultura —como soja, algodão, carne bovina e aves— e, portanto, têm baixo valor agregado. Muitas importações dos EUA da China —eletrônicos, máquinas e alguns minerais processados— são o oposto.

Marta Bengoa, professora de economia internacional na Universidade da Cidade de Nova York, diz que, embora os EUA e a China permaneçam fortemente interdependentes no comércio, isso significa que o equilíbrio final de risco está do lado dos EUA.

“A dependência dos EUA em relação à China é maior, porque a China pode obter produtos agrícolas de outros lugares mais facilmente do que os EUA podem substituir eletrônicos e máquinas”, afirma. “Pequim já está comprando soja do Brasil, por exemplo, então, no final, a China tem um pouco mais de influência”.

O dólar em depreciação também tornou mais caro para os EUA importar bens.

A dor de uma guerra comercial ainda será sentida na China, que importa produtos de ponta dos EUA, incluindo peças de aeronaves, produtos farmacêuticos e semicondutores —embora Washington tenha procurado restringir o acesso a chips nos últimos anos. Muitas empresas americanas estão integradas em cadeias de suprimentos no país.

Analistas do banco Goldman Sachs estimaram que 10 a 20 milhões de trabalhadores na China podem estar expostos a exportações destinadas aos EUA. “A combinação de tarifas extremamente altas dos EUA, exportações em forte declínio para os EUA e uma economia global em desaceleração deve gerar pressões substanciais na economia chinesa e no mercado de trabalho”, escreveram na semana passada.

Porta dos fundos estratégica

Desde que Washington impôs tarifas setoriais sobre aço, alumínio, painéis solares e máquinas de lavar em 2018 e 2019 durante o primeiro mandato de Trump, a China tentou reduzir sua dependência das exportações para consumidores dos EUA. Sua participação nas importações dos EUA caiu de 21% em 2016 para 13,4% no ano passado, de acordo com dados do governo dos EUA, reduzindo a exposição comercial de Pequim.

Ao mesmo tempo, a capacidade de produção chinesa foi redirecionada por meio de países do sudeste asiático, como Vietnã e Camboja, onde os fabricantes chineses aproveitaram a mão de obra mais barata e a exposição reduzida às tarifas dos EUA. As exportações para o Vietnã dispararam 17% em março, mostraram dados divulgados esta semana.

Quão determinado Trump está em fechar essa “porta dos fundos” para as exportações chinesas ainda está por ser visto. O Vietnã, que agora tem um superávit comercial de US$ 124 bilhões (R$ 729,5 bilhões) com os EUA, foi ameaçado com uma tarifa “recíproca” de 46% —embora esta tenha sido suspensa por 90 dias.

Alicia García Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico no banco de investimento francês Natixis e pesquisadora sênior no think-tank Bruegel, diz que a pausa proporcionou algum espaço para respirar. “Essencialmente, isso dá a ambos os lados 90 dias de folga para resolver as coisas”.

Mas mesmo que houvesse uma cessação total das exportações chinesas, García Herrero afirma que o impacto não seria catastrófico na vasta economia da China. O PIB do país cresceu 5% no ano passado, 1,5 ponto percentual dos quais foi derivado de seu superávit comercial global de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,9 trilhões).

“A China é uma economia gigantesca que é resiliente”, disse ela.

Mas analistas também alertaram que as tentativas chinesas de redirecionar o excesso de capacidade para mercados alternativos, incluindo a UE, Índia e países do sul global, poderiam convidar a retaliação.

“Devido ao excedente de bens que a China estará procurando descarregar, eu esperaria que outros países reagissem ao potencial dilúvio”, disse Alex Capri, professor sênior na Escola de Negócios da Universidade Nacional de Singapura.

China, terra do meio

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Posse financeira

A China desfruta de mais influência devido ao grande montante de dívida do governo dos EUA que acumulou, que poderia teoricamente vender para reduzir sua exposição. Isso, por sua vez, poderia levantar preocupações sobre a atratividade dos ativos dos EUA e precipitar novas quedas no valor do dólar e da dívida do governo dos EUA.

Zerlina Zeng, chefe de estratégia de crédito da Ásia na CreditSights, observa que uma venda de Treasuries (Título do Tesouro americano) também atingiria a China, dado o tamanho de suas participações.

“Dito isso, esperamos que a China continue diversificando suas reservas denominadas em dólares americanos para outras moedas como um objetivo de alocação de longo prazo”, diz.

Minerais críticos

Os EUA também dependem da China para muitos metais de terras raras essenciais para a manufatura moderna, como em baterias de veículos elétricos. Pequim controla mais de dois terços da produção global de terras raras e mais de 90% da capacidade de processamento —um ponto crítico de influência.

Trump excluiu minerais críticos de sua primeira rodada de tarifas “recíprocas” em reconhecimento às vulnerabilidades dos EUA. Mas tais isenções podem não ser suficientes para evitar uma crise de abastecimento se a China se mantiver firme.

A China impôs controles de exportação em mais sete elementos de terras raras na semana passada, incluindo disprósio e térbio, que são ingredientes essenciais em produtos como motores a jato e veículos elétricos.

Autocracia sobre democracia

Embora o Partido Comunista governante da China não seja imune a oscilações na opinião pública, ele é menos reativo à pressão do que a Casa Branca, que já foi forçada a responder à turbulência nos mercados de títulos e ações e à ameaça de preços mais altos.

Alfredo Montufar-Helu, chefe do China Center no think-tank Conference Board em Nova York, observou que Pequim —apesar de enfrentar seus próprios desafios— estava entrando no impasse comercial com uma maior capacidade de estimular sua economia em caso de desaceleração.

Também tem mais alavancas para manipular seu mercado interno, que as autoridades chinesas observam como um indicador de estabilidade social e sentimento econômico. Pequim interveio fortemente no mercado nas últimas semanas, com a “equipe nacional” de instituições estatais conduzindo ações coordenadas para apoiar os preços das ações.

Mas o governo da China também é altamente sensível a demonstrações de descontentamento público. No final de 2022, suspendeu suas restrições de três anos à Covid-19 logo após protestos surgirem em grandes cidades.

“Apenas pela reação do mercado, eu diria que os EUA no momento [estão sofrendo mais]”, diz Julian Evans-Pritchard, economista-chefe da China na Capital Economics. “Os EUA estão sob mais pressão para tentar chegar à mesa e negociar”.

Mas os primeiros tremores de uma guerra comercial —como atrasos nas partidas dos vastos portos da China— ainda não se transformaram em insatisfação aberta nas províncias manufatureiras do sul da China.

“Não conheci uma única pessoa, mesmo fabricantes diretamente impactados pela tarifa, que culpe Pequim”, diz um fabricante estrangeiro baseado na província de Guangdong. “O clima que vi é uma espécie de desafio. Acho que a maneira como o governo está lidando com isso agora é sobre orgulho nacional”.

Folha Mercado

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noticia por : UOL

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