Se questionados, muitos apucaranenses talvez não saibam indicar onde ficam a Praça Valmor Giavarina, a Praça Semiramis Braga ou o Complexo Esportivo Antônio Basso. Mas, se a pergunta for “onde fica a Praça da Onça, a Praça do 28 e o Lagoão?”, a resposta vem na ponta da língua.
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Assim como ocorre em muitas famílias, o apelido acaba se tornando mais forte e significativo do que o nome de batismo. No entanto, por trás das placas oficiais, existem biografias que se confundem com o desenvolvimento da cidade. Resgatar a memória dos personagens históricos que dão nome a esses locais é uma forma de reconhecer quem ajudou a construir a identidade de Apucarana.
Praça da Onça, a Praça Valmor Santos Giavarina
Foto: Arquivo/TN
A charmosa onça sobre a cascata, presente em um dos cartões postais mais famosos da cidade, é a referência popular para este espaço público. Também chamada de Praça da Cascata, seu nome oficial homenageia Valmor Santos Giavarina.
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Giavarina foi uma das personalidades mais carismáticas e multifacetadas da história local. Com uma trajetória que uniu a política à comunicação, serviu como vereador, deputado estadual e federal, além de ter sido prefeito de Apucarana entre 1969 e 1972. Conhecido por seu estilo “político raiz”, é lembrado como um gestor de grande sensibilidade popular, cuja administração ajudou a consolidar o protagonismo regional da “Cidade Alta”.
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“Para todos nós, as lembranças são de um homem bom, honesto, pai e esposo carinhoso, com uma inteligência muito acima da média”, afirma o filho Valmor Inácio Giavarina, o “Valmorzinho”, advogado e empresário.
Além da vida pública, Giavarina foi um comunicador de enorme sucesso. “Como radialista na década de 1960, apresentou os programas Crônica do Meio-Dia e A Hora da Ave Maria, alcançando uma audiência nunca experimentada por uma rádio até então”, relembra o filho. Sua formação era diversa: foi dentista, advogado, jornalista, professor e até poeta, tendo publicado a obra O Visionário em 1962, reforçando sua imagem de intelectual humanista.
Para a família, ter o nome do patriarca eternizado na praça e no auditório da Câmara Municipal é motivo de orgulho. “Trata-se de uma justa homenagem e reconhecimento por tudo o que ele fez por nossa cidade”, conclui Valmorzinho.
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Ginásio Lagoão, o Complexo Esportivo José Antônio Basso
Foto: Arquivo/TN
O “Lagoão” é um centro esportivo de relevância estadual. O apelido surgiu porque o complexo foi construído em uma área de baixada, um antigo banhado com lagoa. Contudo, desde 1994, o local carrega oficialmente o nome de Complexo Esportivo José Antônio Basso, em homenagem a um saudoso apucaranense.
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José Antônio Basso, imortalizado popularmente como Bassinho, foi uma das figuras mais emblemáticas do esporte local, dedicando sua vida à “bola pesada” e ao fortalecimento da identidade atlética da cidade. Atleta talentoso e técnico respeitado, iniciou sua trajetória no futsal aos 15 anos, defendendo equipes lendárias como o Ases de Ouro, a Tevê Tibagi e a Seleção de Apucarana, pela qual se sagrou campeão dos Jogos Abertos do Paraná (JAPs) em 1973.
“O Bassinho fez muita história no futsal como jogador e treinador. Ele era proprietário do Posto Vila Nova, junto de seu irmão, e foi um grande desportista”, destaca o jornalista esportivo Raul César dos Reis.
Bassinho faleceu precocemente em 21 de outubro de 1993, vítima de um infarto aos 41 anos, enquanto jogava um torneio local. A tragédia ocorreu na véspera da abertura da fase final dos JAPs, que Apucarana sediava naquele ano. Na época, ele treinava a seleção de futsal da casa.
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“A comoção foi tão grande que, durante a competição, o time que ele treinava lotava o ginásio do Clube 28, a ponto de ser necessário transferir os jogos para o Lagoão, dado o tamanho do público que ia assistir como forma de homenagear o Bassinho”, recorda Raul. Em reconhecimento ao seu suor e dedicação, o principal templo esportivo da cidade foi batizado com seu nome no ano seguinte.
Praça da Prefeitura, o Centro Cívico José de Oliveira Rosa
Busto de José de Oliveira Rosa no Centro Cívico – Foto: Arquivo/TN
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José de Oliveira Rosa, carinhosamente conhecido como “Seu Rosa”, foi um dos pilares da fundação e do desenvolvimento econômico do município. Pioneiro, atuou ativamente nos movimentos pela emancipação política de Apucarana e pela criação de sua comarca, consolidando a cidade como polo regional.
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Empresário visionário, fundou uma das linhagens mais empreendedoras do Norte do Paraná. Deu início a estabelecimentos históricos, como a Casa Rosa Ferragens, a Casa Rosa Veículos e o Apucarana Palace Hotel. Sua família também empreendeu no setor de combustíveis e supermercados, criando pontos de referência comercial para os moradores por décadas.
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A importância de seu legado é reconhecida na sede administrativa do município: a Prefeitura de Apucarana situa-se no Centro Cívico José de Oliveira Rosa. Além disso, a praça em frente ao paço municipal também leva seu nome.
Praça do 28, Praça Semiramis Braga
Praça 28 de Janeiro – Foto: Arquivo/TN
Conhecida como “Praça do 28” por abrigar tanto o Clube 28 de Janeiro (cujo nome remete ao aniversário da cidade) como por estar inserida no bairro homônimo, seu nome oficial homenageia uma mulher que marcou a história do estado: Semiramis de Barros Braga.
Semiramis foi uma figura central na sociedade paranaense do século XX. Notabilizou-se não apenas por ser mãe do influente governador e ministro Ney Braga, mas por sua postura de matriarca que, nos bastidores, ofereceu suporte fundamental para a ascensão de uma das linhagens políticas mais expressivas do Paraná. Sua trajetória foi marcada pela discrição e pelo envolvimento em causas de assistência social.
A praça em Apucarana foi inaugurada em 1962, com a presença do então governador Ney Braga. A influência de sua biografia reflete-se em diversas homenagens póstumas: além do passeio público em Apucarana, várias escolas, ruas e praças em Curitiba e no interior ostentam seu nome.
Praça do Redondo, a Praça Interventor Manoel Ribas
Praça do Redondo – Foto: Jair Ferreira
Chamada há décadas de “Praça do Redondo” devido ao formato de sua rotatória — a primeira da cidade —, este local possui relevância histórica inegável. Foi ali o palco da solenidade que oficializou a criação do município de Apucarana, evento que contou com a presença de uma figura chave para o Norte Novo: o interventor Manoel Ribas.
Manoel Ribas (1873–1946) governou o Paraná por 13 anos consecutivos (1932–1945) durante a era Vargas. Para Apucarana, sua importância reside no apoio estratégico aos projetos de colonização da Companhia de Terras Norte do Paraná. Conhecido pelo rigor financeiro e visão progressista, incentivou a abertura de estradas (como o trecho Ponta Grossa–Apucarana) e fomentou a agricultura, permitindo que a cidade se tornasse um centro produtor de café de destaque nacional.
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O reconhecimento ao seu governo é visível em dois marcos importantes na cidade: além da praça, ele dá nome ao tradicional Colégio Agrícola Estadual Manoel Ribas.
noticia por : UOL



