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O que é burnout e como identificar a síndrome de esgotamento profissional

Redação by Redação
11 de janeiro, 2026
in Sem categoria
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Acordar sem energia para trabalhar, sentir-se emocionalmente vazio, ter a sensação de que nada do que faz tem valor e que nenhum descanso é capaz de te deixar bem. Esses são alguns sinais da síndrome de burnout, condição que afeta pelo menos 30% da população brasileira, segundo dados de 2022 da Isma-BR (International Stress Management Association).

“O burnout é um esgotamento físico e mental, geralmente associado a um estresse crônico e grave, sempre relacionado ao ambiente de trabalho”, diz a psiquiatra Roberta França. O termo em inglês pode ser traduzido como “queimar por completo” ou “esgotamento”.

Em 2019, com a elaboração da 11ª revisão do CID (Código Internacional de Doenças), a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou o burnout como um fenômeno ocupacional. No Brasil, o Ministério da Saúde incluiu a síndrome na lista de doenças relacionadas ao trabalho em novembro de 2023.

Pela classificação mais recente da OMS, burnout não pode ser empregado para o esgotamento mental em outras áreas da vida, apenas do esgotamento relacionado ao trabalho.

Saiba como identificar os sintomas e causas da síndrome, além de como buscar um diagnóstico, tratamento e como prevenir a doença.

Como identificar os sintomas?

Os critérios clínicos e o Inventário de Burnout de Maslach (MBI) caracterizam o burnout pela tríade exaustão emocional e física, despersonalização ou cinismo em relação ao trabalho e a redução da realização profissional.

“Os principais sintomas do burnout estão relacionados à sensação de baixa realização profissional, à percepção de que o trabalho já não faz mais sentido e à queda significativa da produtividade”, afirma França. “Há também o que chamamos de distanciamento mental. O profissional se sente completamente desmotivado, sem ânimo e, muitas vezes, passa a sentir raiva ou repulsa pelo ambiente de trabalho.”

Somadas a essas características, podem surgir manifestações físicas e emocionais como insônia, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, tensões musculares e dores no corpo, aumento de frequência cardíaca ao pensar no trabalho, zumbido, náusea, lapsos de memória e dificuldade de concentração.

A psicóloga Edwiges Parra alerta que os sinais são diferentes de cansaço ou estresse, já que esses fatores são reversíveis com o descanso, sendo uma situação pontual. “O burnout é persistente e acumulativo”, afirma.

O que causa burnout?

Quando a exigência da ocupação é maior do que a pessoa consegue atender, seja por falta de recursos físicos, mentais ou organizacionais, o indivíduo pode ficar mais vulnerável à síndrome. “O burnout é também um problema organizacional e não apenas uma questão de fragilidade pessoal“, ressalta Parra.

Alguns dos fatores relacionados são sobrecarga, metas irrealistas, falta de autonomia, ambiente tóxico —competitividade excessiva, injustiças, falta de apoio da liderança e assédio moral—, ausência de reconhecimento, conflito de valores e falta de suporte social no trabalho.

A cultura da hiperconectividade, gerada pela digitalização e os smartphones, que nos mantém conectados a todo o momento, pode contribuir para a exaustão relacionada ao trabalho, já que impede o desligamento físico e psicológico de suas funções. “Nos últimos anos, a visibilidade do burnout aumentou com a diluição dos limites entre o trabalho e a vida pessoal”, observa a psicóloga.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve ser feito por profissionais de saúde, preferencialmente de forma multidisciplinar, envolvendo médicos (psiquiatras) e psicólogos por meio de observações clínicas e avaliações psicológicas.

“O burnout ainda é um quadro bastante negligenciado na prática clínica, justamente por que seus sintomas podem ser confundidos com ansiedade ou depressão“, alerta França.

Tratamento e prevenção

Assim como o diagnóstico, o tratamento deve ser feito preferencialmente por uma equipe multidisciplinar, principalmente com o envolvimento de psiquiatras e psicólogos.

“A psicoterapia é fundamental para modificar padrões de pensamentos negativos e desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis diante das demandas do trabalho”, afirma França, complementando que o uso de medicamentos pode ser indicado para conter os sintomas.

O afastamento da rotina laboral, causa do adoecimento, também é uma estratégia de tratamento, para desconectar a pessoa do ambiente estressor. Para França, esse período é importante para a recuperação e para a construção de uma nova rotina.

A mudança no estilo de vida também é indicada, com a adoção de hábitos mais saudáveis como atividade física, alimentação equilibrada, sono regular e técnicas de relaxamento.

Especialistas recomendam o estabelecimento de limites físicos e emocionais, negando demandas que geram sobrecarga. A discussão de prioridades diárias com os gestores e desconexão mental do trabalho após o fim do expediente —o desenvolvimento de hobbies pode ajudar— são estratégias para aliviar o estresse ocupacional.

Para prevenir o burnout, não basta que as medidas sejam individuais, mas também coletivas e de responsabilidade do empregador. “Intervenções focadas apenas no indivíduo têm efeito limitado se não houver uma mudança no ambiente do trabalho”, afirma Parra.

A responsabilidade das empresas deve incluir a revisão dos modelos de trabalho, mapear os riscos psicossociais que seus trabalhadores correm, além de reconhecer o trabalho e a autonomia dos colaboradores.

A nova redação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) obriga legalmente as empresas a gerenciarem a saúde mental no ambiente de trabalho, mapeando os riscos psicossociais e integrando-os ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Após reação negativa de empresas, a implementação da norma foi adiada e entra em vigor a partir de maio de 2026.

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noticia por : UOL

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