A Igreja Metodista Unida Oak Lawn, localizada em Dallas, Texas, pintou os degraus de entrada com as cores do arco-íris, em meio à recente diretriz do governador Greg Abbott que prevê a suspensão de recursos públicos a cidades e condados que mantêm faixas de pedestres com as cores da bandeira LGBT.
Em comunicado oficial, a congregação, que se identifica como “inclusiva”, afirmou que a pintura dos degraus tem como propósito “declarar segurança, dignidade e acolhimento” a pessoas LGBTQIA+, e não um ato de protesto político. A pastora Rachel Griffin-Allison descreveu a iniciativa como “um ato de resistência sagrada diante do que está acontecendo em nosso estado e em nosso país”.
“Estamos pintando nossos degraus da frente com as cores do arco-íris porque silêncio não é amor”, escreveu a igreja em uma publicação no Facebook. “Queremos que cada pessoa que passar por aqui saiba: você está segura, você é vista, você é amada por Deus.”
Segundo o membro da congregação Robert Garcia Sr., os trabalhos começaram na manhã de terça-feira, 28 de outubro, e devem durar cerca de duas semanas. O projeto prevê a aplicação de múltiplas camadas de tinta e uma camada antiderrapante ao final. Griffin-Allison explicou que o gesto é “um testemunho visível do evangelho”, reafirmando que “cada pessoa é criada à imagem de Deus e digna de segurança, dignidade e pertencimento”.
A medida do governador Abbott foi publicada no início de outubro e proíbe o uso de fundos públicos para “mensagens políticas” em vias estaduais. “Os texanos esperam que o dinheiro dos contribuintes seja usado com sabedoria, e não para promover agendas políticas nas estradas do Texas”, declarou o governador.
Em carta divulgada em 8 de outubro, o Departamento de Transporte do Texas (TxDOT) anunciou planos para remover faixas de pedestres com cores do arco-íris em todo o estado. O diretor executivo do órgão, Marc D. Williams, justificou a decisão afirmando que sinalizações não padronizadas podem “causar confusão e comprometer a uniformidade das vias”, o que afetaria a segurança do tráfego e a navegação de veículos.
Repercussão na denominação
O debate sobre questões relacionadas à inclusão LGBTQIA+ tem sido um dos temas mais divisivos dentro da Igreja Metodista Unida (UMC) nos últimos anos. Em abril de 2024, a Conferência Geral da UMC aprovou a ordenação de pastores em relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, decisão aprovada por 692 votos a favor e 51 contra.
A conferência também revogou a proibição de financiamento a grupos de defesa dos direitos LGBT e eliminou penalidades para pastores que celebrem casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Essas mudanças marcaram uma inflexão histórica na denominação, que vinha se dividindo entre alas conservadoras e progressistas.
Em contrapartida, o Colégio de Bispos da UMC África, em comunicado de setembro, reafirmou a definição tradicional do casamento como união entre um homem e uma mulher, declarando que essa visão está “enraizada nas Escrituras, nas tradições africanas e nas leis nacionais”.
Para a Oak Lawn UMC, a pintura dos degraus representa um ato público e político, enquanto para o governo estadual, iniciativas desse tipo configuram uso indevido de recursos públicos para promover mensagens políticas.
FONTE : Gospel Mais



