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Trabalhadores que fizeram posts sobre Charlie Kirk são demitidos ou afastados nos EUA

Redação by Redação
15 de setembro, 2025
in Sem categoria
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Em menos de 24 horas após o assassinato de Charlie Kirk, uma vice-reitora de um colégio do Tennessee, um funcionário de comunicação de um time da NFL, uma funcionária da empresa Next Door em Milwaukee (Wisconsin) e o cofundador de um restaurante de churrasco em Cincinnati (Ohio) foram demitidos nos Estados Unidos após publicarem mensagens sobre o caso.

Todos usaram linguagem ou memes que seus empregadores consideraram ofensivos ou insensíveis em relação ao ativista conservador de 31 anos. A morte de Kirk, baleado em Utah na quarta-feira (10), despertou reações intensas ao longo das linhas partidárias. À direita, prevaleceram manifestações de luto e pedidos por retaliação; à esquerda, condenações à violência política e, em alguns casos, sugestões de que ele “teve o que merecia”.

“Parece que o velho Charlie selou seu destino”, escreveu no Facebook Laura Sosh-Lightsy, vice-reitora de estudantes da Middle Tennessee State University. “O ódio gera ódio. ZERO simpatia.”

Antes do fim do dia, o presidente da Universidade Estadual do Médio Tennessee (MTSU), Sidney McPhee, emitiu um comunicado anunciando que Sosh-Lightsy havia sido demitida por seus comentários “inapropriados e insensíveis”, por serem “incompatíveis com nossos valores”. Sosh-Lightsy não respondeu a pedidos de comentário.

Pelo menos uma dúzia de empregadores —incluindo o Carolina Panthers, a Universidade do Mississippi e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA)— suspendeu ou demitiu funcionários por sua atividade online, além de se desculpar e repudiar publicamente as declarações.

Essa onda de medidas disciplinares em resposta ao assassinato de Kirk, tanto online quanto fora da internet, evidencia a tensão entre o direito à liberdade de expressão dos trabalhadores e a necessidade dos empregadores de proteger sua reputação e manter a civilidade em seus quadros.

O Carolina Panthers e a Universidade do Mississippi não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Dawn Solowey, advogada trabalhista do escritório Seyfarth Shaw, em Boston, disse que o assassinato de Kirk “toca o cerne de algumas das divisões mais profundas da sociedade americana”, incluindo tensões em torno de “raça, gênero, sexo e orientação sexual“.

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Nas últimas 48 horas, ela disse ter sido procurada por diversos clientes em busca de orientação sobre como lidar com postagens de funcionários que pareciam endossar a violência. Membro da equipe de “pontos críticos culturais” do escritório —criada em 2023 para lidar com a polarização da sociedade que cada vez mais invade os locais de trabalho—, Solowey incentiva empregadores a manterem suas políticas de redes sociais atualizadas, pois “é melhor ser proativo do que reativo”.

“Quando se pede que os funcionários tragam seu ‘eu completo’ para o trabalho, eles trazem também suas opiniões fortes”, disse.

Em uma era de crescente violência no espectro político, tais demissões não são inéditas: após a tentativa de assassinato contra Donald Trump em 2024, durante sua campanha presidencial, a Home Depot demitiu uma caixa no interior de Nova York por seus comentários no Facebook sobre o episódio. Um funcionário de uma escola em Dakota do Sul, um trabalhador de restaurante em Michigan e um chefe dos bombeiros na Pensilvânia também perderam seus empregos por atividade semelhante nas redes sociais.

Mas o ódio online foi ainda mais intenso com Kirk, que foi baleado durante um evento na Utah Valley University, em Orem, cerca de 55 km ao sul de Salt Lake City. Imagens do assassinato circularam rapidamente na internet.

Kirk fundou o grupo conservador Turning Point USA aos 18 anos e o transformou em uma força política voltada para jovens. Ficou conhecido por promover debates em espaços públicos, especialmente em campi universitários. Seu estilo provocativo ao abordar temas como raça, gênero e armas de fogo gerava fortes reações, disse Karen North, professora de mídia digital social na Escola Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia.

“Esse cara era um ativista, e incrivelmente polarizador”, disse North, acrescentando que não surpreende que algumas pessoas tenham despejado suas reações online “impulsivamente, no calor do momento, quase como por medo de ficar de fora”.

Muitos se chocaram com respostas pouco empáticas, disse a professora, porque “apesar de ele ser uma figura pública e ter se colocado nessa posição, ainda assim é um jovem de 31 anos, casado e com filhos. As pessoas pensam: ‘Calma aí, é uma pessoa real que acabou de morrer’.”

Para empregadores, as postagens de seus funcionários têm se tornado cada vez mais problemáticas, porque “as empresas percebem que as repercussões de uma visão impopular ou ofensiva de um funcionário podem ter um impacto devastador na reputação, nas ações ou nas vendas da companhia”.

Isso também “quase garante algum nível de hostilidade no local de trabalho no dia seguinte”, acrescentou.

“Os comentários das pessoas são percebidos como representando a empresa em que trabalham”, disse North. “Você tem direito à liberdade de expressão na praça pública, não em uma empresa privada.”

Várias das demissões ocorreram após políticos ou comentaristas conservadores amplificarem postagens de críticos de Kirk e cobrarem punição aos empregadores, disse Jason Solomon, diretor do Instituto Nacional de Direitos dos Trabalhadores. Isso ecoa o “fenômeno relativamente recente” de campanhas nas redes sociais feitas por ativistas como Robby Starbuck, que pressionam empresas a abandonarem programas de diversidade, equidade e inclusão, acrescentou.

Segundo Solomon, ativistas de direita se destacam ao usar as redes sociais “para atacar indivíduos e seus empregadores de forma organizada, tornando caro —ou pelo menos parecendo caro, do ponto de vista reputacional— para as empresas manterem essas pessoas em seus quadros”. Ele lembrou que a esquerda também recorre a campanhas de pressão, como o boicote de 40 dias à Target, liderado na primavera por líderes religiosos e de direitos civis, após a varejista reduzir suas políticas de diversidade e inclusão.

A maioria dos empregados do setor privado e muitos outros trabalham sob contrato “à vontade”, o que significa que podem ser demitidos com ou sem motivo, disse Solomon. Funcionários públicos estaduais têm proteções da Primeira Emenda contra punições por discurso político, mas essas proteções têm limites, acrescentou. Poucos estados oferecem base legal sólida para que trabalhadores revertam demissões motivadas por comentários sobre a morte de Kirk.

Um analista de dados da FEMA foi colocado em licença administrativa após publicar comentários “repugnantes e inconcebíveis” em sua conta privada do Instagram, confirmou a agência em nota. A ativista Maga (Make America Great Again) e jornalista de direita Laura Loomer, que já reivindicou crédito por pressionar a saída de diversos servidores federais, compartilhou as postagens e pediu a demissão do funcionário.

“Celebrar a morte de um compatriota é repulsivo, inaceitável e doentio. Tal comportamento não reflete os valores do serviço público e não será tolerado entre os indivíduos encarregados de trabalhar na FEMA”, disse um porta-voz em comunicado. “Esperamos que todos os servidores públicos mantenham o mais alto padrão de profissionalismo, respeito e integridade.”

O canal de televisão MSNBC demitiu Matthew Dowd, analista político, por comentários feitos ao vivo logo após o tiroteio.

“Não sabemos nenhum detalhe disso, não sabemos se foi um apoiador atirando para o alto em comemoração”, disse Dowd, chamando Kirk de “uma das figuras mais divisivas nisso”.

A emissora não respondeu a pedidos de comentário. Mas, em nota publicada na quarta-feira no X, a presidente da MSNBC, Rebecca Kutler, classificou os comentários de Dowd como “inapropriados, insensíveis e inaceitáveis”, acrescentando que “não há lugar para a violência nos EUA, política ou de qualquer natureza”.

Dowd não foi localizado para comentar, mas publicou uma declaração no X: “Minhas orações e pensamentos estão com a família e os amigos de Charlie Kirk. Em uma participação anterior na MSNBC, respondi a uma pergunta sobre o ambiente em que vivemos. Peço desculpas pelo tom e pelas palavras.”

Para os que publicam, os riscos podem ir além de punições de seus empregadores. Segundo o Washington Post, enquanto o governo Trump avalia políticas após a morte de Kirk, alguns altos funcionários sugeriram uma campanha mais ampla para expor professores e instrutores universitários que criticaram Kirk publicamente desde o assassinato.

“Algum funcionário ou estudante da sua instituição está apoiando violência política online? Procure por ele neste site”, diz a página inicial de um portal viral que pede exemplos de pessoas celebrando a morte de Kirk e afirma já ter recebido quase 20 mil denúncias.

“Esta é a maior operação de demissões da história”, afirma o site.

Na quinta-feira, o vice-secretário de Estado Christopher Landau alertou que o governo pode buscar punir estrangeiros por suas reações à morte de Kirk e pediu exemplos em uma postagem no X.

“Fiquei enojado ao ver alguns nas redes sociais elogiando, racionalizando ou minimizando o ocorrido e ordenei que nossos funcionários consulares tomem as medidas cabíveis”, disse Landau, sem especificar quais seriam.

Diversos educadores foram colocados em licença administrativa, incluindo uma professora de Massachusetts que publicou um vídeo aparentemente celebrando a morte de Kirk, segundo o jornal MetroWest Daily News. Uma professora de artes em Iowa, um funcionário da escola Lake Norman Charter, na Carolina do Norte, e dois professores da East Tennessee State University também foram punidos.

“Infelizmente, a conta de mídia social de um de nossos funcionários foi usada para expressar um sentimento odioso e altamente ofensivo relacionado ao assassinato de Charlie Kirk”, disse a Lake Norman Charter School em comunicado, acrescentando que “esse sentimento gerou mais dor e sofrimento em muitos, tanto dentro de nossa comunidade escolar quanto além dela, enquanto processamos esse crime hediondo”.

Um dos professores da Universidade Estadual do Leste do Tennessee (ETSU), Andrew Herrmann, do curso de Comunicação, comentou em um post no Facebook que Kirk “colheu o que plantou”. Ele também compartilhou uma reportagem sobre as posições de Kirk em relação ao controle de armas, com a legenda: “Você não pode ficar chateado se uma das mortes for a sua. #charliekirk”, segundo o Kingsport Times News. Herrmann não respondeu a pedidos de comentário.

Em comunicado ao Washington Post, a ETSU confirmou ter recebido “numerosas queixas sobre postagens online” feitas pelos dois professores e disse que ambos foram afastados enquanto o caso é analisado. A universidade não comentou mais detalhes.

Um funcionário veterano da Universidade de Kentucky foi afastado por um comentário no Facebook em que parafraseava uma citação do famoso advogado Clarence Darrow: “Nunca desejei a morte de um homem, mas já li alguns obituários com grande satisfação”, relatou o jornal Lexington Herald-Leader. A universidade não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

Um funcionário do Corpo de Bombeiros de Nashville foi “colocado em licença administrativa remunerada até a conclusão de um processo interno de apuração dos fatos”, confirmou o órgão ao Washington Post, sem dar mais detalhes.

Na quinta-feira, o comissário de Educação da Flórida, Anastasios Kamoutsas, publicou uma carta condenando professores que fizeram “comentários repulsivos” sobre o assassinato de Kirk e advertindo que eles seriam “responsabilizados”, observando que educadores são “mantidos em um padrão mais elevado” como servidores públicos.

“Embora educadores tenham direitos garantidos pela Primeira Emenda, esses direitos não se estendem sem limites às suas funções profissionais”, disse Kamoutsas. “As opiniões pessoais de um educador, quando tornadas públicas, podem minar a confiança dos alunos e famílias que ele atende.”

Ainda assim, alguns defendem o direito de expressão dos trabalhadores.

“Professores não abrem mão de seus direitos da Primeira Emenda quando assumem o cargo”, disse Keri Rodrigues, presidente da União Nacional dos Pais, um grupo de defesa de famílias.

Alguns trabalhadores foram punidos por ações diferentes da postagem de opiniões: A.G. Gancarski, repórter político na Flórida, foi suspenso após enviar uma mensagem de texto a um congressista republicano perguntando se o tiroteio havia mudado sua visão sobre porte de armas em campi universitários. Procurado por telefone, ele não quis comentar.

Um funcionário da Office Depot em Michigan foi demitido após se recusar a imprimir cartazes para uma vigília em homenagem a Kirk, confirmou a empresa em nota. O comportamento foi classificado como “completamente inaceitável e insensível”, além de violar a política corporativa.

“Nossa política de impressão estabelece que os serviços devem ser prestados a todos os clientes de forma justa, consistente e não discriminatória, em conformidade com as leis aplicáveis e com as diretrizes da empresa”, afirmou a Office Depot. “Estamos comprometidos em servir nossas comunidades com respeito, integridade e profissionalismo.”

noticia por : UOL

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