quarta-feira, setembro 30, 2026
BandFM 99.3
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
No Result
View All Result
BandFM 99.3
No Result
View All Result

O que foi o grupo guerrilheiro MR-8, que sequestrou o embaixador americano Charles Elbrick

Redação by Redação
6 de fevereiro, 2025
in Sem categoria
0
0
SHARES
2
VIEWS

“Sabemos o que o vil metal significa para certo tipo de pessoas. Ainda assim, ao que tudo indica, ele está pedindo para perder algo mais. Pode ficar tranquilo. Não faltarão almas pias para fazer a sua vontade”. Publicada na primeira página do jornal a Hora do Povo, em 27 de abril de 2007, a ameaça era dirigida contra o jornalista Diogo Mainardi, então colunista da revista Veja.

O jornal foi fundado em 1979 pelo grupo MR-8, o Movimento Revolucionário Oito de Outubro. Como ficou claro no episódio de ataque a Mainardi, o gosto pela violência não acabou, mesmo depois da redemocratização do país.

Famoso em todo o país pelo sequestro do embaixador americano Charles Elbrick em 1969, o MR-8 contou em seus quadros com nomes como Carlos Lamarca, Iara Iavelberg, Fernando Gabeira, Franklin Martins, Cid Benjamin, Stuart Angel Jones, Daniel Aarão Reis Filho, Vera Silvia Magalhães, Franklin de Mattos, Alfredo Iser e João Manoel Fernandes.

A partir do final dos anos 1970, aliou-se ao MDB e tornou-se braço político de apoio do político paulista Orestes Quércia. Ainda hoje, mantém vínculos com o movimento estudantil. O MR-8 chegou a fundar uma agremiação própria em 2009 — o Partido Pátria Livre (PPL) lançou João Goulart Filho à presidência em 2018, mas na sequência foi incorporado ao Partido Comunista do Brasil (PcdoB). Sinal de que, para os integrantes do grupo, a luta pelo socialismo continua.

Nome repetido, data errada

As origens do MR-8 datam de 1964, quando universitários do antigo estado da Guanabara criaram um grupo dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), a Dissidência Comunista da Guanabara (DI-GB). Em 1966, romperam formalmente com o PCB e passaram a apoiar abertamente a luta armada como a única estratégia viável para combater o regime militar. Vladimir Palmeira, um dos líderes estudantis mais conhecidos do país na época, fazia parte do grupo.

Em 1969, a DI-GB foi rebatizada quando do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O grupo tinha duas exigências para devolver o representante do governo dos Estados Unidos com vida: a libertação de 15 guerrilheiros presos e a divulgação de um manifesto. Enquanto o texto era elaborado, seus autores decidiram provocar o governo, adotando o nome de um grupo que já havia existido.

Meses antes, o MR-8 original, fundado em Niterói, foi desmantelado, um feito muito comemorado pela ditadura. O “oito de outubro” fazia referência ao dia da morte de Che Guevara – a data, na verdade, estava errada, já que o guerrilheiro argentino foi morto no dia 9.

“Depois da captura do embaixador, os militantes e dirigentes do MR-8 sofreram grandes golpes da repressão. Mas continuaram com a realização de operações armadas como roubos ou assaltos a bancos e supermercados, principalmente no Rio de Janeiro”, descreve a historiadora Eladir Fátima Nascimento dos Santos em artigo acadêmico sobre o grupo.

A organização, ela acrescenta, “ampliou seu trabalho junto aos setores populares. Passou a estabelecer contatos em fábricas e em áreas rurais. Em 1971, o MR-8 publicou textos sobre experiências de trabalho político em áreas rurais e urbanas, nos quais mostrava-se como uma das organizações mais sólidas da esquerda revolucionária”.

Entre o final do ano e ao longo de 1972, suas lideranças começaram a se mudar voluntariamente para o Chile, então governado por Salvador Allende. Naquele momento, os movimentos armados haviam perdido força e estava claro que não tinham condições de implementar a tão desejada ditadura do proletariado. A partir do final da década, a aliança com o MDB se solidificou, o que gerou outros atritos internos que levaram muitos dos dirigentes a abandonar o grupo.

Na prática, o MR-8 nunca deixou de existir, ainda que tenha perdido relevância. A ação que destacou o movimento e fez sua fama, entre tantos outros grupos guerrilheiros da época, acabou sendo mesmo o sequestro de Elbrick.

“Guerra revolucionária”

Como relata o historiador Higor Codarin, na tese defendida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o grupo e posteriormente publicada na forma de um livro, as primeiras ações armadas do MR-8 começaram em fevereiro de 1969. Primeiro, no dia 15, tomaram uma metralhadora de um sentinela do Hospital da Aeronáutica, no Rio de Janeiro (RJ). “De posse da metralhadora, no dia 24 do mesmo mês, realizaram a segunda ação, quando expropriaram o Bar Castelinho. Por fim, exatamente um mês depois, fizeram a primeira ação de expropriação de agência bancária, no banco Crédito Territorial, localizado em Bonsucesso”.

Num momento inicial, os assaltos eram realizados com grande facilidade, aponta Codarin. “O sucesso e a facilidade das primeiras ações geravam a impressão de que este era, realmente, o caminho da revolução, o caminho que os levaria a, como se dizia, construir a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do exército revolucionário”.

Mas a imprensa não noticiava os crimes dos quais os militantes tanto se orgulhavam. Foi quando surgiu a ideia de fazer uma ação de maior impacto midiático. “O sequestro de Elbrick foi a mais espetacular das ações praticadas pela luta armada brasileira”, argumenta Elio Gaspari no livro “A Ditadura Escancarada”. “Seu efeito político foi desmoralizante para o regime, tanto pela publicidade que a audácia do lance atraiu como pela humilhação imposta aos chefes militares, que, tendo atropelado a Constituição, se viram encurralados por alguns jovens de trabuco na mão”.

O texto que os militantes conseguiram que fosse divulgado em rádios, TVs e jornais dizia: “Grupos revolucionários detiveram hoje o sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores. Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato da guerra revolucionária, que avança a cada dia e que ainda este ano iniciará sua etapa de guerrilha rural”.

A ação ainda estabeleceu um novo procedimento para os demais guerrilheiros: o sequestro de diplomatas se repetiria outras três vezes em 1970, em março (com o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Nobuo Okushi), junho (o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben) e dezembro (o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher).

Filme indicado ao Oscar

Marcada por improvisos, como o aluguel de uma casa de grande porte poucos dias antes do rapto, sem que houvesse tempo de os vizinhos se acostumarem com a nova movimentação, ainda assim a operação alcançou seus objetivos. Em menos de 24 horas as forças policiais já sabiam onde o representante do governo americano estava sendo mantido, mas optaram por não colocar sua vida em risco. Estavam certos em adotar uma linha cautelosa. Como já declarou, em entrevista de 2014, um dos sequestradores, Cid Benjamin, que tinha 21 anos em 1969, “nós o teríamos matado se as exigências não fossem atendidas”.

O feito fez a fama dos 13 envolvidos e levou um deles, Fernando Gabeira, a escrever o livro “O Que é Isso, Companheiro”, adaptado para os cinemas em 1997, com Fernanda Torres em um dos principais papeis e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas, como analisa Gaspari, também deixou claro que a luta armada passava por dificuldades.

“A vitória dos sequestradores é um divisor na história do surto terrorista brasileiro. De um lado, marca o seu ápice. De outro, revela na sua própria finalidade os ingredientes do resgate que a corroía. Manobra ofensiva bem-sucedida em relação ao efeito externo, a ação foi concebida como instrumento de defesa, destinada a libertar militantes presos. A audácia dos sequestradores indicava o desassombro do grupo, mas a razão que os moveu estava ligada à luta por sobrevivência”.

De fato, alguns dos envolvidos com o rapto de Elbrick, como o próprio Gabeira, seriam posteriormente presos – e enviados ao exílio por ocasião dos sequestros realizados meses depois. A partir de 1972, o MR-8, assim como todos os demais grupos guerrilheiros, já tinha perdido o fator surpresa. Seus integrantes estavam mortos, presos ou exilados. Ao ressurgir, no final da década, já atuavam como um braço de apoio a Orestes Quércia. Hoje, seus líderes são apoiadores incondicionais do governo Lula – o jornal Hora do Povo, o mesmo que publicou a ameaça contra Mainardi, segue produzindo textos favoráveis às pautas do Partido dos Trabalhadores (PT).

noticia por : Gazeta do Povo

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Trending
  • Comments
  • Latest

Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

Em iniciativa da primeira-dama de MT, Governo e Cuiabá Esporte Clube abrem espaço para autistas assistirem jogos na Arena Pantanal

Sine-MT disponibiliza mais de 2,4 mil vagas de emprego nesta semana

Municípios de MT já podem imunizar pessoas maiores de 18 anos com vacina da bivalente

Adolescente é detido e três pessoas são presas com 130 pinos de cocaína

Vídeo falso usa imagens da pandemia para afastar eleitores das urnas

TSE desmente conteúdo sobre terminais de comunicação via satélite

Candidatos participam de gravações, entrevistas e eventos nesta quarta

Candidatos à presidência fazem caminhadas e panfletagem nas ruas

Sites de apostas e perfis com propagandas de bets são bloqueados

Sites de apostas e perfis com propagandas de bets são bloqueados

Hora do voto: veja o que levar e o que não levar quando for à urna

Hora do voto: veja o que levar e o que não levar quando for à urna

Popular Stories

  • Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Tolerância Zero à Bandidos que Aterrorizaram Confreza-MT

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
BandFM 99.3

We bring you the best Premium WordPress Themes that perfect for news, magazine, personal blog, etc. Check our landing page for details.

Follow Us

Browse by Category

  • DESTAQUES
  • GERAL
  • MATO GROSSO
  • POLICIA
  • TECNOLOGIA
  • Uncategorized

Recent News

Vídeo falso usa imagens da pandemia para afastar eleitores das urnas

TSE desmente conteúdo sobre terminais de comunicação via satélite

Candidatos participam de gravações, entrevistas e eventos nesta quarta

Candidatos à presidência fazem caminhadas e panfletagem nas ruas

No Result
View All Result

© 2026 <

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In