sexta-feira, setembro 25, 2026
BandFM 99.3
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
No Result
View All Result
BandFM 99.3
No Result
View All Result

Com 'Twin Peaks', David Lynch paralisou o mundo diante de suas imagens

Redação by Redação
16 de janeiro, 2025
in Sem categoria
0
0
SHARES
0
VIEWS

É difícil retraçar de que matéria é feita a obra de David Lynch. Não apenas pelo susto de perder um dos maiores cineastas de sua geração, aos 78 anos, nesta quinta-feira —o que por si só é vertiginoso—, mas pela própria natureza convulsiva das imagens que criou.

São cinco décadas de carreira, atravessadas por uma visão peculiar a ponto de fundar o adjetivo “lynchiano”, que contamina desde seus curtas mais obscuros até seus maiores sucessos, em filmes como “Cidade dos Sonhos” e com a série “Twin Peaks”, que o fez cair nas graças do público global ao levar seus delírios à televisão.

Um momento em particular pode traduzir a grandeza deste olhar. No fim da segunda temporada da série, em 1991, o ator com nanismo Michael J. Anderson sai de trás das cortinas vermelhas de um salão de piso em zigue-zague preto e branco e dança suavemente, estala os dedos ao som do saxofone de “Sycamore Trees”.

O agente Cooper de Kyle MacLachlan, assiste atônito, paralisado na poltrona, sem reação. Eles se encaram. Os diálogos, com a faixa sonora tocada ao contrário, não têm conexão, fala-se de um chiclete que voltará à moda, sobre uma terra onde há sempre música pelo ar. Será, então, que ouvem o jazz de Angelo Badalamenti ao fundo, como nós?

A câmera volta para Cooper, subitamente cheio de rugas. Surge outra figura, um velho de gravata borboleta e uma xícara de café na mão, que ulula e grita: “Aleluia.” Outro corte. Já não há mais velho, Cooper agora está cara a cara com Laura Palmer, a tal personagem de Sheryl Lee que, na primeira temporada, todos queriam saber quem matou. Luzes piscam, sabe-se lá da onde. São as lâmpadas fora de cena que conectam o mundo material e o espiritual, a dimensão do real e do imaginário.

A essa altura do campeonato, Lynch já havia contrariado os espectadores —o culpado pela morte de Laura Palma nunca foi o centro de “Twin Peaks”. A projeção televisiva da série, na verdade, só ajudou a fazer do mundo o espectador de um grande inventor de imagens —seja no cinema, nas artes plásticas e até na música, áreas pelas quais Lynch se movia sem fronteiras.

Afinal, podemos teorizar sobre o significado das luzes piscantes em quase todas as suas obras. Essas que ele, ao lado de diretores de fotografia como Peter Deming, soube domar tão bem, como trovões, pelos mistérios de “Estrada Perdida”, de 1997, entre raios bem marcados, atravessando a fumaça, os fluidos e os resíduos humanos.

Luzes ainda que, integradas às distorções do mundo digital no excessivo “Império dos Sonhos”, de 2006, borraram literalmente as fronteiras entre a tela e o espectador, entre a produção e a visão passiva da plateia. Aliás, tema fundamental de sua obra: como reagimos às imagens? E neste sentido, junto de MacLachlan, Laura Dern foi a melhor atriz a incorporar essa radicalidade na obra lynchiana.

Mas quando questionado, Lynch sempre foi muito direto ao comentar suas obsessões, sem pedantismo. “Eu amo eletricidade”, disse ele numa entrevista, em 2019, a respeito de uma exposição de esculturas e pinturas suas. “Eu amo lâmpadas, especialmente as antigas, da época da criação da eletricidade e da luz, seus filamentos, o vidro e seus formatos.”

Declarações como essas, os simples video-diários que o artista fez pelo YouTube durante a pandemia, seu vício em café e outras miudezas iluminam mais a compreensão dos seus trabalhos que as mil e uma teorias dos fãs para ao urro de Laura Palmer, 25 anos mais velha, ao fim de “Twin Peaks: O Retorno”.

Nesta que foi a última obra-prima de Lynch, lançada ao longo de 2017 num complexo quebra-cabeça em 18 episódios, o berro remete àquele de décadas atrás, enquanto ela (ou seu duplo) sapateava pelo salão de veludo vermelho para um agente Cooper tão paralisado quanto o espectador na poltrona de casa.

E eis aí o impacto das imagens de David Lynch —nos provocar a imobilidade diante do mal. Leia-se um mal que foge da compreensão humana, mas que se manifesta concreta e orgasticamente em tantas de suas criações, como no cabeludo Bob de “Twin Peaks” ou nos gângsteres de Dennis Hopper, em “Veludo Azul” —que transa com qualquer coisa que se mexe—, ou de Willem Dafoe em “Coração Selvagem”.

Seres de mil formas e faces, que podem habitar Hollywood, os subúrbios americanos ou uma cidade isolada no coração da América. É a América e seus sonhos mais sombrios, afinal, a matéria das imagens de David Lynch.

Mas não com uma visão moral, ou amoral. Ao reconhecer o mal como uma energia tão verdadeira quanto a eletricidade, Lynch fez seu diagnóstico do mundo pelo surreal. O mal simplesmente é, estejam as lâmpadas acesas ou apagadas.

noticia por : UOL

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Trending
  • Comments
  • Latest

Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

Em iniciativa da primeira-dama de MT, Governo e Cuiabá Esporte Clube abrem espaço para autistas assistirem jogos na Arena Pantanal

Sine-MT disponibiliza mais de 2,4 mil vagas de emprego nesta semana

Municípios de MT já podem imunizar pessoas maiores de 18 anos com vacina da bivalente

Adolescente é detido e três pessoas são presas com 130 pinos de cocaína

Anthropic diz que Claude ajudou a descobrir novo sistema enzimático

Justiça dos EUA mantém Anthropic fora de contratos militares e como risco à segurança nacional

Polícia Civil de MG inicia restituição de celulares roubados aos donos

Polícia Civil de MG inicia restituição de celulares roubados aos donos

Anvisa apreende canetas emagrecedoras sem identificação de fabricante

Anvisa proíbe lotes irregulares de medicamento para esclerose múltipla

Imea leva atualizações de mercado e projeções de safra a produtores

Imea leva atualizações de mercado e projeções de safra a produtores

Popular Stories

  • Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Tolerância Zero à Bandidos que Aterrorizaram Confreza-MT

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
BandFM 99.3

We bring you the best Premium WordPress Themes that perfect for news, magazine, personal blog, etc. Check our landing page for details.

Follow Us

Browse by Category

  • DESTAQUES
  • GERAL
  • MATO GROSSO
  • POLICIA
  • TECNOLOGIA
  • Uncategorized

Recent News

Anthropic diz que Claude ajudou a descobrir novo sistema enzimático

Justiça dos EUA mantém Anthropic fora de contratos militares e como risco à segurança nacional

Polícia Civil de MG inicia restituição de celulares roubados aos donos

Polícia Civil de MG inicia restituição de celulares roubados aos donos

No Result
View All Result

© 2026 <

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In