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Tendência de seca nas regiões centrais pode impactar 2ª safra de milho

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O trimestre Julho-Agosto-Setembro aprofundará a tendência de seca nas regiões centrais do país, com impactos sobre a segunda safra do milho e a renovação das pastagens, segundo o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Também é esperada a continuidade das chuvas fortes no centro e norte da Regiões Norte e Região Sul e no litoral do Nordeste, áreas com expressivos acumulados de chuva e boa reserva hídrica nos solos.

Segundo o boletim deste mês, que analisa as condições climáticas no território nacional e dos fenômenos que interferem no clima do país, como o El Niño (aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico), e as variações de temperatura no Atlântico, impactando as principais culturas, como o milho, feijão e algodão, de acordo com a região analisada. A recuperação das pastagens também foi avaliada pelo levantamento do Inmet.

Conforme previsão do Instituto, os próximos meses serão de predominância de precipitação abaixo da média climatológica em grande parte da Região Norte. É esperado, em áreas do norte do Amazonas, desvio de até 100 milímetros (mm) abaixo da média climatológica.

Em relação à temperatura, são previstos valores acima da média climatológica para a maior parte da região, com anomalias de até 2 graus Celsius (°C) nos estados do Amazonas, Acre, Pará, de Roraima, do Tocantins e o norte de Rondônia. Essa condição favorece cenários de baixa dos rios e maior fragilidade dos ambientes para incêndios e queimadas, embora a região tenha tido uma boa distribuição de água em parte considerável dos territórios.

“Mesmo com a previsão de precipitação abaixo da média e temperaturas mais elevadas, os elevados níveis de armazenamento de água no solo nessas áreas tendem a favorecer as lavouras de milho segunda safra e sorgo em fase de maturação e colheita entre julho e agosto, contribuindo para a redução da umidade dos grãos, ampliação das janelas operacionais de colheita e a preservação da qualidade do produto colhido”, aponta o relatório.

É esperado também impacto nas lavouras tardias de milho e nas pastagens, em setembro, especialmente no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará, onde o déficit hídrico pode chegar a 130 mm.

Chuvas irregulares

No mês de junho, de acordo com o Inmet, houve uma distribuição irregular de chuvas, concentradas nas áreas já descritas (norte da Região Norte, na faixa litorânea da Região Nordeste e em parte da Região Sul), com totais mensais acima de 150 mm e manutenção de níveis de armazenamento de água no solo acima de 70% da capacidade de água disponível (CAD).

Essas condições favorecem culturas que estão em momento de consumo de água, com o momento de crescimento dos grãos de milho (segunda safra) e feijão.

A maior parte de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Tocantins, norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior da Região Nordeste, sul do Pará e de Rondônia, por sua vez, registraram acumulados mensais inferiores a 40 mm e menores níveis de armazenamento de água no solo.

Estas áreas, assim como o sudeste do Pará, têm níveis de armazenamento de água no solo abaixo de 15% da CAD, o que deve se agravar nos próximos meses. Essa condição também dificulta o crescimento de pastagens, o que terá impactos no curto e médio prazo para os rebanhos.


Lavoura de algodão,  algodão
Lavoura de algodão,  algodão

Lavoura de algodão: umidade do ar mais fraca favorece a cultura de algodão – CNA/Wenderson Araujo/Trilux

No centro-oeste a condição de umidade relativa do ar mais fraca favorece a cultura de algodão, em fase de maturação, principalmente em Goiás, mas aprofunda o risco de perda de produtividade na segunda safra do milho, impactando custos de proteína animal no segundo semestre.

Região Sul

No Sul, as condições foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de milho no Paraná, que teve acumulados expressivos de chuvas.

“De modo geral, as lavouras de inverno apresentam bom desenvolvimento. Entretanto, a persistência de chuvas frequentes, associada à menor disponibilidade de radiação solar, favorece a ocorrência de doenças fúngicas”, alerta o Inmet.

“Exigindo maior atenção dos produtores, principalmente em lavouras em estádios fenológicos mais avançados, nas quais o impacto sobre a produtividade pode ser mais significativo”, acrescenta.

Nordeste

Segundo a previsão a temperatura deverá permanecer acima da média histórica em toda a Região Nordeste, com anomalias variando entre 0,5 °C a 1,0 °C em grande parte das áreas. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, o extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, podendo atingir até 2°C acima da média climatológica.

A faixa litorânea não deve ter impactos relevantes de seca, com a atuação de sistemas meteorológicos como os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), que trazem umidade do oceano.

Em agosto, o déficit será intensificado e vai se expandir para o extremo oeste da Bahia e para áreas do interior da Paraíba e de Pernambuco. Em setembro, a previsão indica déficits superiores a 100 mm em grande parte do interior da região.

“Esse cenário exige maior atenção às lavouras de milho e feijão terceiras safras, conduzidas em sistema de sequeiro, principalmente aquelas que se encontrarem em estádios reprodutivos ou de enchimento de grãos”, diz o estudo.

“Nessas condições, o aumento da demanda evapotranspirativa poderá comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento de grãos, com risco de redução do potencial produtivo, especialmente no semiárido oriental e em áreas do eixo Sealba (Sergipe, Alagoas e leste da Bahia)”, explica.

As lavouras de algodão, por sua vez, terão ganhos de qualidade, o que não se observa com as pastagens, que devem ter queda considerável de produtividade já nesse trimestre vindouro.

Ar mais quente

O Centro-Oeste terá anomalia com ar mais quente, variando em torno de 2°C. O bom cenário de chuvas no primeiro semestre tende a garantir boa colheita para a região, nos próximos meses, para o milho, sorgo e algodão. O predomínio de condições mais secas tende a favorecer a conclusão das atividades de colheita e o preparo das áreas agrícolas para a próxima safra.

A região pantaneira, a previsão é ter um inverno equilibrado, enquanto no norte de Mato Grosso e nordeste de Goiás devem apresentar déficit hídrico ainda neste trimestre.

Reservatórios

A Região Sudeste terá manutenção das médias de precipitação, com exceção do Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais, para os quais é esperado déficit hídrico. Toda a região deve ter temperaturas cerca de 1°C acima das médias históricas.

Como se espera um trimestre com médias de temperaturas altas a cafeicultura, as hortaliças e as culturas de inverno irrigadas devem ter boas condições de produtividade. O Inmet alerta, porém, para a pressão sobre os reservatórios de água da região, que deve ter demanda acima da média.

Alerta para fungos

No Sul, a expectativa é de ocorrência de excedentes hídricos significativos, especialmente nos meses de julho e setembro, quando os volumes poderão superar 150 mm. As áreas com maior prevalência serão o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina.

A condição favorece as culturas de inverno, mas exige maior cuidado fitossanitário, pois permite maior desenvolvimento de pragas de origem fúngica.

Além disso, o boletim alerta para a ocorrência frequente de chuvas que poderão reduzir as janelas operacionais para a realização de tratos culturais, como aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Segundo o Inmet, estas chuvas têm relação já conhecida com o fenômeno El Niño, confirmado pelos padrões adotados pelo instituto, com previsão de se manterem até fevereiro de 2027.

Este ano, porém, não é esperada uma variação expressiva do gradiente térmico do Atlântico Tropical Dipolo do Atlântico, fenômeno semelhante ao das águas do Pacífico (El Niño). Dessa forma, as condições nos próximos meses no Atlântico tendem a apresentar-se em neutralidade.

O mesmo não se pode dizer do El Niño, que será intenso e já impacta chuvas na Região Sul, no litoral do Pacífico na América do Sul e nas temperaturas na América do Norte, Europa e leste asiático.

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Gripe: Anvisa aprova nova vacina com 73% de eficácia 

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina Fluprevli, imunizante trivalente destinado à prevenção da influenza.

A decisão foi publicada nessa segunda-feira (13) e autoriza o uso da vacina para a imunização ativa de pessoas a partir de seis meses de idade contra cepas dos vírus influenza A e B.

De acordo com a Anvisa, os resultados dos estudos clínicos apontaram eficácia de até 73% na prevenção da influenza em adultos e de até 65% em crianças.

As análises que subsidiaram o pedido de registro demonstraram elevadas taxas de soroproteção – quando o organismo apresenta níveis adequados de anticorpos no sangue – e de soroconversão, processo em que o sistema imunológico passa a produzir anticorpos detectáveis após vacinação ou infecção.

Doença

Considerada problema de saúde pública, a influenza é uma infecção viral respiratória. A doença está associada a surtos sazonais e pode provocar complicações que resultam em hospitalizações e mortes.

Os grupos considerados mais vulneráveis às formas graves da influenza são crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, públicos já priorizados nas campanhas de vacinação.

Próximas etapas

Para que o produto esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), precisa ser avaliado e recomendado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovado pelo Ministério da Saúde. Ainda não há data definida para esse processo.

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Max diz que Abilio cria cortina de fumaça e que gestor tem que cuidar da Capital; 'no final a conta chega'

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O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), classificou como “cortina de fumaça” a fala do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), em que acusa deputados estaduais de sustentarem amantes com dinheiro recebido de doações do agronegócio. Para Russi, Abilio quer tirar o foco da sua tentativa de interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores.
“Falar até papagaio fala e agora virou moda: você joga uma acusação ao vento, não cita nomes, você ganha a narrativa da mídia. Porque a narrativa daquele momento qual era? A intervenção dele na Câmara, a ida dele à Justiça para poder mudar o regimento da Câmara para ter vantagem nas votações”, disse o deputado em conversa com o .
“São oito ou onze itens que ele quer mudar para ter mais força, para ele poder administrar o município sem a menor necessidade da Câmara de Vereadores, de ter uma base na Câmara, ou seja, votar os projetos que ele quer”, acrescentou o parlamentar.
A fala de Abilio foi feita na última sexta-feira (10), na abertura da 58ª Expoagro. O prefeito da Capital fazia uma defesa do agronegócio quando decidiu citar os deputados estaduais de Mato Grosso.
“Tem deputado na Assembleia Legislativa sustentado com dinheiro do agronegócio, bancado pelo dinheiro do agronegócio, que é capaz de xingar o agronegócio, sendo sustentado ele, a família e as amantes com dinheiro do agronegócio”, afirmou Abilio.
Para Max Russi, com o ataque ao parlamento estadual, o prefeito de Cuiabá conseguiu mudar as manchetes da imprensa e tirar dos holofotes a sua tentativa de interferir na eleição da Câmara Municipal.
“Tentativa não, ele conseguiu criar [uma cortina de fumaça] e teve sucesso. E ele é bom nisso, tem que tirar o chapéu para ele, ele é muito bom em criar novas narrativas, conforme aparecem as crises”, disse o deputado.
O deputado avaliou negativamente a tentativa de Abilio de forçar a reeleição da aliada Paula Calil (PL) para a presidência do Legislativo municipal, o que manteria a relação de estreita proximidade entre os dois poderes. O presidente da Assembleia cobrou do prefeito o atendimento dos interesses da população.
“O que se precisa fazer por Cuiabá são entregas, isso que a população quer. A população precisa de muitas coisas nos bairros, no centro, e isso é o que a prefeitura tem que fazer, porque, no final, a conta chega”, concluiu.

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Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre

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MOSAIC FERTILIZANTES
Mosaic Fertilizantes/Divulgação.
A Mosaic, uma das maiores empresas globais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a produção em algumas das fábricas brasileiras por falta de enxofre, matéria-prima essencial para na produção de adubos fosfatados, usados em plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas.
➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, principal região exportadora de enxofre, elevando os custos e dificultando a chegada do insumo ao Brasil.
“São necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo [enxofre] para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo. Diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção em determinadas unidades”, disse a companhia.
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Veja como vão ficar as operações:
Candeias (BA) e Catalão (GO): as unidades de mistura terãoas atividades temporariamente paralisadas, com possíveis impactos sobre os trabalhadores, ainda sujeitos às negociações com os sindicatos.
Palmeirante (TO) e Sorriso (MT): a produção será reduzida com eventuais reflexos no quadro de funcionários, disse a empresa.
Tapira (MG) e Catalão (GO): as paralisações temporárias já anunciadas deverão ser prorrogadas.
Uberaba (MG): o complexo será gradualmente paralisado a partir de setembro.
Paranaguá (PR): o Porto da Fospar seguirá operando normalmente. A produção de fertilizantes deve continuar até o fim de setembro, quando os estoques de ácido sulfúrico devem se esgotar.
Cajati (SP): a unidade continuará em operação, apoiada por importações de enxofre para manter a produção de nutrição animal.
Segundo a Mosaic, ainda não é possível prever quando a situação será normalizada. A empresa afirma que isso dependerá da queda nos preços do enxofre, da retomada das cadeias globais de suprimentos, da reabertura das rotas marítimas internacionais e da evolução do conflito no Oriente Médio.
Leia também:
Fim da ‘tempestade perfeita’: por que o agro prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais caros
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Autoridades do Paquistão afirmam que casos de blasfêmia são falsos

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Recentemente, autoridades paquistanesas apresentaram à Comissão Funcional de Direitos Humanos do Senado um relatório alarmante, indicando que a maioria dos 333 casos de blasfêmia registrados nos últimos cinco anos é fabricada. Este cenário impacta diretamente as comunidades cristãs e outras minorias religiosas no país.

Contexto da blasfêmia no Paquistão

A lei de blasfêmia no Paquistão, que criminaliza insultos ao profeta Maomé, tem sido um tema controverso e frequentemente utilizado para perseguir minorias religiosas. A Seção 295-C da lei é a mais aplicada, especialmente na província de Punjab, onde foram registrados 116 casos nos últimos cinco anos. Essa situação levanta sérias questões sobre a liberdade religiosa e a proteção das comunidades vulneráveis.

O que aconteceu

Durante a reunião da comissão, os secretários de segurança pública e altos funcionários da polícia relataram que muitos casos de blasfêmia são motivados por vinganças pessoais e disputas familiares. Por exemplo, o diretor de processos judiciais de Khyber Pakhtunkhwa, Zeeshan Afridi, mencionou um caso em que filhos acusaram o pai de blasfêmia após uma discussão doméstica. Isso demonstra como a acusação de blasfêmia pode ser usada como uma arma em conflitos pessoais.

56%dos acusados de blasfêmia eram muçulmanos

Os dados apresentados mostram que 56% dos acusados eram muçulmanos, enquanto 14% pertenciam a comunidades religiosas minoritárias, incluindo cristãos. A província de Sindh também registrou 96 casos de profanação do Alcorão, com 29 casos sob a Seção 295-C. A polícia de Sindh informou que, entre os casos registrados, muitos foram arquivados devido à falta de provas.

Reações e implicações

A revelação de que a maioria dos casos de blasfêmia é fabricada gera preocupação entre os defensores dos direitos humanos e as comunidades religiosas no Paquistão. A senadora Samina Mumtaz Zehri, que presidiu a reunião, destacou a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre as alegações de abusos da lei de blasfêmia. Essa situação não apenas afeta a liberdade religiosa, mas também coloca em risco a vida de muitos inocentes que são acusados injustamente.

O que esperar no futuro

Com as autoridades reconhecendo que muitos casos são fabricados, espera-se que haja um movimento em direção a reformas na legislação de blasfêmia. A pressão internacional e o apoio de organizações de direitos humanos podem ser cruciais para promover mudanças que garantam a proteção das minorias religiosas e a liberdade de expressão no Paquistão.

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ONU Mulheres oferece formação digital gratuita; saiba como participar

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A ONU Mulheres Brasil irá oferecer uma formação digital gratuita a mulheres em dez capitais brasileiras. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 19 de julho.

A formação Mulher + Tech: Conexão para Novos Começos inclui letramento digital e uso da tecnologia no dia a dia, segurança e bem-estar no ambiente digital, direito das mulheres, e empregabilidade e empreendedorismo. As aulas serão em formato híbrido, com atividades presenciais e virtuais.

Além de ser gratuito, o programa oferece apoio às participantes: chip com internet com validade de 12 meses, auxílio para deslocamento e alimentação, estrutura de cuidado para crianças durante encontros presenciais e, para quem concluir ao menos 75% da formação, um aparelho celular ao final da jornada.

Quem pode participar?

Podem participar mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica – incluindo aquelas com baixa inclusão digital, periféricas, em situação de violência, migrantes e refugiadas, e aquelas com dificuldade de acesso a direitos e serviços digitais.

Em Belém, Manaus, Cuiabá, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, serão selecionadas 150 mulheres por cidade. Em Belo Horizonte, São Paulo, Boa Vista e Salvador, 100 por cidade.

A prioridade será de mulheres que enfrentam maiores barreiras de acesso à tecnologia, à formação e a oportunidades de desenvolvimento, considerando aspectos como renda e contexto social informados no momento da inscrição.

Inscrições

O Mulher + Tech é uma iniciativa da ONU Mulheres Brasil, financiada pela Claro e implementada pela Politize!. As inscrições devem ser feitas pela internet, neste link.

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SUS oferta insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos

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O Ministério da Saúde está substituindo gradualmente a insulina NPH pela glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida beneficiará pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

Até essa segunda-feira (13), o Ministério da Saúde já havia encaminhado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados. Também foram distribuídas 52.350 canetas reutilizáveis para a aplicação do medicamento. Todas as unidades da Federação devem receber o medicamento até o fim de julho.

O acesso ao medicamento ocorrerá mediante avaliação clínica e prescrição médica, com oferta nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o país.

Considerada opção terapêutica mais moderna, a insulina glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária. 

Outros esquemas de tratamento podem exigir até três aplicações no mesmo período. 

Segundo o ministério, o uso da insulina glargina proporiona controle mais estável da glicemia e reduz o risco de episódios de hipoglicemia. 

A expectativa é que a mudança proporcione mais segurança e qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo SUS.

Acesso

Para acessar a insulina glargina, o paciente deve procurar a UBS mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada. 

No caso de crianças e adolescentes, pais, responsáveis ou cuidadores também podem pedir a substituição da insulina NPH pela nova opção terapêutica.

Os usuários serão atendidos por uma equipe multiprofissional, responsável por avaliar o quadro clínico e verificar a possibilidade de transição do tratamento. 

Junto com a insulina glargina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração do produto.

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Café: da bebida 'do diabo' aos best-sellers de autoajuda cristã

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Para muitos, o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre
GETTY IMAGES
Basta uma espiada naquelas estantes cheias de best-sellers das livrarias, bem no ponto em que os livros religiosos tangenciam a autoajuda. Naquele segmento que o jargão editorial costuma classificar como “devocionais”, não faltam títulos com a palavra “café”.
Na esteira do mega-sucesso editorial Café com Deus Pai — cuja primeira edição, em 2023, colocou o pastor evangélico, teólogo e escritor Junior Rostirola como o autor brasileiro mais vendido daquele ano —, outros escritores miram na mesma fórmula. Nas prateleiras, há títulos como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus, Café com os Santos, Café com as Mulheres da Bíblia, Café com Deus, Café com a Virgem Maria — e até mesmo Café com Exu, provando que o conceito transcende o cristianismo.
A ideia, que parte de um conceito simples, funciona. No dia a dia, afinal, “tomar um café” pode ser um sinônimo de encontro intimista entre pessoas que se dão bem. Ao mesmo tempo, para muitos o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre.
Alguns ainda percebem a palavra “fé” como a segunda sílaba de café. Quase uma brincadeira — fruto da síncope, da contração fonética, da elisão comum na língua coloquial em que “com a fé” vira simplesmente “ca fé”.
Mas se a relação entre religiosidade e a bebida quase onipresente nos lares brasileiros — segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o país é o segundo maior consumidor de café, perdendo apenas para os Estados Unidos — nem sempre foi de amizade. O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs.
Uma breve história do café
Os mais antigos registros escritos sobre o consumo de café são da segunda metade do século 6º, conforme explica a gastrônoma e historiadora Camila Landi, professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trata-se de um relato, com contornos lendários, de que um pastor de cabras na Etiópia teria notado os efeitos, em seus animais, a partir do consumo da planta.
“Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região”, conta a professora. Segundo artigo sobre a história da bebida publicado pelo Yale Center for the Study of Globalization, o pastor teria notado “um frenesi” atípico no seu rebanho.
Já a torrefação teria sido iniciada bem depois. E já com pitadas de religiosidade. Landi diz que tudo indica que a prática tenha começado no século 14, “quando monges jogaram os frutos no fogo por os acharem muito amargos”. Acabaram se surpreendendo com o aroma.
Esses religiosos, ao que tudo indica, seriam da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas dissidências orientais do cristianismo.
“Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente”, pontua Landi. “Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares.”
O cafezinho se espalharia por outras partes da África. No século 15, passou a ser largamente utilizada por muçulmanos sufistas do Iêmen, como um recurso para se manterem acordados durante as longas preces noturnas.
Logo, o mundo islâmico trouxe a bebida para o debate. Os árabes, afinal, já a chamavam de “qahwah” — daí a palavra café, aliás. O termo significa vinho. Justamente porque as propriedades estimulantes do café eram comparadas às de uma bebida alcoólica, cujo consumo é vetado pelos muçulmanos.
Mas os juristas islâmicos daquele tempo entenderam que o café não precisava ser proibido. Porque, ao contrário do álcool, não inebria, não prejudica o discernimento — mantém a clareza mental daquele que o ingere.
Ao que tudo indica apenas no século 16 o café chegaria à Europa, via Turquia — onde os registros mais antigos da presença do café são de 1453. A essa altura, cristãos já viam com maus olhos aquela bebida consumida pelos então adversários de fé do mundo árabe. Se eles a chamavam de vinho, aquilo só poderia ser o “vinho do diabo”, a “bebida do satanás”, detratavam os europeus.
A bebida teria chegado ao mundo ocidental por volta de 1570, em Veneza, importante entreposto comercial da época. Se alguns cristãos experimentaram aquele “vinho” árabe e gostaram, evidentemente que a questão se tornou tema de debate no outrora poderoso mundo católico.
Em uma história que mistura tanto fatos com lendas, efeitos e fés, destaca-se o que se conta sobre o papa Clemente 8º (1536-1605), que comandava a Igreja na virada do século 16 para o 17. Costuma-se dizer que ele “batizou” a bebida que, com isso, perderia o status de ser algo “do diabo” e então pôde ser consumida sem culpa pelos cristãos.
Outras narrativas enriquecem os detalhes da história: em 1600, teriam levado a ele o café, na esperança de seu veredito sobre ser ou não pecado tomá-lo. O papa teria experimentado e achado tão bom que, resignado, exclamou que aquela maravilha não poderia ficar restrita apenas aos infiéis.
Possivelmente essas versões são anedotas a partir do fato real de que a Igreja Católica parou de se opor ao consumo do café, abrindo as porteiras para sua expansão no mundo ocidental a partir do século 17. O artigo do Yale Center lembra que, em um contexto em que as pessoas consumiam majoritariamente bebidas alcoólicas, o papa aprovar o café era uma maneira de ajudar “a manter a sobriedade da população”.
Referência nas sinopses biográficas de sumos pontífices da Igreja, o livro The Oxford Dictionary of Popes, do teólogo britânico John Norman Davidson Kelly (1909-1997), não aborda a querela sacro-cafeeira da gestão de Clemente.
Best-seller Café com Deus Pai deu origem a vários outros livros com temas semelhantes
Divulgação
Proibições
Mas em épocas de extremo controle religioso sobre os hábitos sociais, o café despertava mesmo polêmicas no âmbito religioso. “Existem muitos indícios”, comenta Landi. “O café foi alvo de muitas polêmicas religiosas. Registros históricos apontam proibições e restrições em diversas sociedades.”
“Ainda hoje, existem restrições em algumas religiões ou ocasiões”, acrescenta a historiadora.
Na seara cristã, dois casos destacam-se entre os mais emblemáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como igreja dos mórmons, proíbe que seus adeptos bebam café.
A regra consta do livro Doutrina e Convênios, uma espécie de catecismo da denominação, onde estão as chamadas revelações escritas pelo criador da igreja, o norte-americano Joseph Smith (1805-1844).
Em 27 de fevereiro de 1833 ele escreveu, contrariado pelo fato de que membros da igreja mascavam tabaco durante as reuniões: “condena-se o uso de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes”.
De acordo com a interpretação dos religiosos, o café, assim como o chá preto, estava banido. Em 2023 o historiador Keith Erekson, diretor de pesquisas históricas e divulgação da igreja dos mórmons, conversou com a reportagem da BBC News Brasil e explicou que a dita revelação é um incentivo para que “as pessoas cuidem de seu corpo físico, a fim de que possam ser saudáveis e receber recompensas espirituais, como sabedoria e conhecimento”. Nesse sentido, o consumo de café estaria dentro de “alguns comportamentos” nocivos à saúde.
Também surgida nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem postura semelhante. Oficialmente, a denominação não proíbe o café — mas orienta que seus adeptos não o bebam.
Diretora associada do departamento de saúde da igreja para a América do Sul, a biomédica Lanny Cristina Burlandy Soares diz que a orientação é clara mas, “para compreendê-la bem” é preciso voltar à Bíblia. Segundo o entendimento religioso, Deus teria criado o ser humano à sua imagem e semelhança, confiando-lhe um propósito. “Nessa visão, o corpo não é um mero recipiente, mas é o templo pelo qual o ser humano exerce sua vocação. Cuidar dele é um ato de fidelidade ao propósito original de Deus”, argumenta Soares.
Daí que os adventistas pregam um cuidado integral à saúde. A biomédica explica que, como a cafeína tem propriedades estimulantes e “com o uso regular, pode causar dependência”, há a recomendação de evitá-la.
Ela relembra episódios do islã e do catolicismo em que o café também foi discutido. “Em 1511, em Meca, setores mais rigorosos proibiram o café com o argumento de que contrariava os preceitos do Alcorão”, contextualiza. “Quando o café chegou à Europa, no século 17, enfrentou resistência semelhante.”
“A Igreja Católica via a bebida com desconfiança por sua origem árabe-islâmica e chegou a ser chamada de ‘vinho do diabo’ por setores do clero”, recorda. “A virada veio com o papa Clemente 8º. Segundo a tradição histórica, após provar o café pessoalmente, o pontífice decidiu ‘batizá-lo’, tornando-o aceitável para os cristãos. Com esse gesto papal, a resistência eclesiástica cedeu rapidamente.”
Café com…
O best-seller Junior Rostirola não é muito afeito a conceder entrevistas, segundo informa sua assessora de imprensa. Ele topou responder por escrito às questões da reportagem.
Rostirola já era muito conhecido pelo seu trabalho como pastor da Igreja Reviver, sediada em Itajaí, em Santa Catarina, quando a primeira versão do Café com Deus Pai explodiu. O livro de mensagens devocionais diárias transcendeu o meio evangélico — acabou caindo no gosto de cristãos de todas as denominações.
Ele gosta de café e explica que o título do livro veio da ideia de um espaço na correria para conversar com Deus. “O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade”, frisa. “A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente em nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina.”
“Costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional diante de Deus. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai”, completa Rostirola.
O teólogo diz ver “com naturalidade” o fenômeno cafeeiro-religioso nas capas de livros. “É um símbolo muito presente na vida das pessoas e remete a acolhimento, proximidade e conversa. É compreensível que diferentes autores utilizem essa linguagem para comunicar suas mensagens”, pontua.
“Fico feliz em ver mais pessoas incentivando a leitura, a reflexão e a vida devocional. No fim das contas, o mais importante é que vidas sejam alcançadas e que as pessoas se aproximem de Deus”, comenta o autor.
Especialista em marketing literário e fundadora de uma agência de divulgação de livros, a jornalista Lilian Cardoso lembra que toda vez que surge um grande best-seller “todo mundo quer saber o segredo, a fórmula”. “E o Café com Deus Pai do pastor Junior Rostirola já vendeu mais de 10 milhões de exemplares”, salienta ela, autora de O Livro Secreto do Escritor.
O pastor da Igreja Reviver Junior Rostirola fez sucesso com seu livro Café com Deus Pai
Divulgação
Para ela, além “da sacada do título”, o sucesso também precisa ser atribuído à fama do autor, “que já tinha sua audiência” e seu público evangélico antes de publicar a obra. Mas ela reconhece que a ênfase no “momento com Deus, essa coisa da leitura diária” constitui a base para que o livro tenha se tornado um sucesso de vendagem.
Os números fizeram com que outros autores e editoras também quisessem abocanhar um naco do segmento. “Outros projetos e outras editoras foram surfando nessa onda dos devocionais. Isso é uma coisa comum no mercado do livro”, analisa ela.
E às vezes a menção nem precisa ser direta. Fundadora da Cabana Church, a bispa Jeiza Pontes, por exemplo, acaba de lançar o livro Doses de Cura. Não tem café no título, mas fala em doses, em goles — porque também traz as mensagens bíblicas em forma de pequenos textos, pequenos ensinamentos.
Como o foco da obra é ajudar quem está com depressão, ela lembra que o título alude ao tratamento. “Dificilmente uma pessoa tem êxito com uma dose única. Imaginei exatamente assim. Não uma promessa de ‘leia isso e pronto'”, explica.
O fenômeno não se restringe ao cristianismo. O psicólogo Rubens Oliveira, por exemplo, buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu Café com Exu. “A ideia foi preencher uma lacuna editorial: a falta de obras de autoconhecimento e transformação pessoal a partir de referências ligadas a tradições afro-brasileiras”, explica.
Ele diz que buscou no título a união de “dois elementos carregados de significado simbólico muito forte”. O café seria “o encontro, a conversa, a pausa”. Exu, por sua vez, é o orixá associado a “comunicação, caminhos, escolhas, movimento e tomadas de decisão”.
“O título não foi pensado como referência religiosa no sentido tradicional, mas metáfora para uma conversa franca sobre a vida”, resume.
O psicólogo Rubens Oliveira buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu livro Café com Exu
CRÉDITO, EDITORIAL PLANETA BRASIL/ DIVULGAÇÃO
Cafezinho com fé
O recurso é simbólico, claro. Mas a ideia do café com religião funciona justamente pelo apelo que o momento do cafezinho tem na cultura brasileira.
“O uso da palavra café em livros de espiritualidade não acontece por acaso. Há um significado cultural muito forte que vai além da bebida. Está na socialização, na conversa, na escuta, no encontro e na circulação de ideias”, analisa Oliveira.
Para o psicólogo, nos tempos atuais, marcados pela velocidade e pelo excesso de informações, é sedutora a ideia de um momento de pausa no dia com a sugestão de disponibilidade, de ouvir e de refletir.
Mesmo com a restrição ao consumo de café, a adventista Soares diz que não há problemas com livros religiosos com a bebida no título. Para ela, os adventistas veem “com interesse genuíno e admiração” o alcance que tais obras têm atingido.
“Para entender como os adventistas leem esse fenômeno, é útil separar dois planos. O primeiro é o do conteúdo espiritual: a proposta de uma devoção diária, de pausar para refletir e cultivar uma conversa íntima com Deus está completamente alinhada com os valores adventistas”, argumenta ela.
“Os adventistas têm sua própria tradição de devocionais diários e valorizam profundamente a espiritualidade integrada ao cotidiano. O segundo plano é o da metáfora cultural. O café no título desses livros não é um endosso da bebida, mas uma imagem poderosa de acolhimento e conversa íntima. No Brasil, tomar café com alguém é um gesto de afeto e proximidade. Usar essa metáfora para falar da relação com Deus é uma escolha comunicativa sensível e criativa, que os adventistas reconhecem sem precisar endossar o uso da bebida.”
“Nossa posição é simples: acolhemos com simpatia qualquer iniciativa que aproxime as pessoas de Deus e da leitura bíblica”, resume Soares.
De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior

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Reação ao racismo contra jogadores negros na Copa vai além do futebol

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Vídeos nas redes sociais mostram a seleção francesa de futebol treinando em clima de descontração antes de enfrentar a Espanha, em uma das semifinais da Copa do Mundo 2026. A disputa ocorrerá nesta terça-feira (14), nos Estados Unidos, e definirá um dos finalistas do mundial.

Fora de campo, entretanto, jogadores e autoridades dos dois países se unem com seriedade para repudiar declarações racistas contra “Les Blues”, apelido da seleção francesa de futebol.

O time e jogadores têm sido alvo de comentários discriminatórios ao longo do torneio. No domingo (11), veio à tona artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, no poder entre 2011 e 2018, afirmando que a França tem um “plantel de altíssimo nível”, mas sem franceses. Ele fazia referência depreciativa à presença de jogadores descendentes de imigrantes, oriundos, principalmente, de antigas colônias na África, o que reflete a diversidade étnica da sociedade francesa.

O comentário de Rajoy foi rebatido tanto por jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, quanto pelo atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em sua conta em rede social, Sanchéz disse que a afirmação do antecessor era uma vergonha e declarou: “que vença o melhor e que perca o racismo”.

O diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, organização da sociedade civil brasileira, Marcelo Carvalho, disse que os comentários refletem o pensamento de grupos sociais alinhados à extrema-direita.

“O momento político do Brasil e do mundo, com ascensão da extrema-direita, faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para expressar o racismo”, avaliou Carvalho, que também acredita que a sensação de anonimato das pessoas na internet contribui para os ataques. “Elas acreditam que não serão encontradas”.

Aumento de ataques racistas

Durante esta Copa, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) revelou ter identificado aumento expressivo de ataques racistas. Na primeira fase, foram 89 mil publicações abusivas nas redes, número 13 vezes maior do que na Copa de 2022, sendo 11% de caráter racial, mais do que o identificado na Copa de 2022.

Acompanhando os casos no torneio, Carvalho ressalta que a própria Fifa tem adotado medidas para controlar os atos. Desde o início da competição, lembra o especialista, dois jogadores ─ um do Paraguai e outro do Equador ─ foram expulsos graças ao Protocolo Vini Jr. de combate ao racismo. Eles taparam a boca com as mãos ao discutirem dentro de campo, o que foi proibido para impedir a ocultação de provas.

“Antes, era a palavra de um contra a de outro, e a vítima saía prejudicada”, disse.

Agora, além do apoio dos jogadores, há o das federações e de autoridades, o que, na visão do especialista, “é um movimento que transforma tanto o futebol como a sociedade”.

“Vimos inúmeros atletas sofrendo racismo depois do Vini, mas que não se calaram, denunciaram, porque o Vinícius mostrou um caminho, tanto ele, quanto o [Kylian] Mbappé, que sempre se posicionou”, citou. “Quando a Federação Francesa de Futebol e o governo francês saem em defesa do Mbappé, estão saindo em defesa de todas as pessoas negras e isso está muito além do futebol”, completou o diretor.

Antes de Rajoy atacar a seleção francesa de futebol, a senadora paraguaia Celeste Amarilla dirigiu pesados insultos racistas a Mbappé, logo após a derrota do Paraguai para o time europeu.

Ela foi rebatida pelo próprio Mbappé, que disse que a política é indigna da posição de representante dos paraguaios no parlamento. O jogador recebeu apoio tanto da Federação Francesa de Futebol quanto das autoridades de seu país.

“As declarações racistas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são absolutamente desprezíveis e inaceitáveis”, disse a federação, que acionou a Procuradoria francesa.

O órgão abriu um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência. “Como alguém pode proferir tais palavras? Essas declarações são criminosas e repreensíveis”, completou a federação.

 “Não estamos mais deixando os casos ‘passarem batido'”, finalizou o diretor do Observatório.

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Petróleo sobe quase 4% e atinge o maior nível em quatro semanas após conflito no Estreito de Ormuz

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Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (14) e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar.
O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Por volta da manhã, o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 3,8%, para US$ 86,47. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 2,7%, para US$ 80,29.
A alta acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades.
Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente.
Por que o petróleo está subindo?
O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota.
Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores:
os Estados Unidos retomaram o bloqueio à navegação iraniana;
o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito;
dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos;
o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses.
Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.
Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação.
Nos Estados Unidos, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços.
Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta.
Bolsas asiáticas sobem; futuros dos EUA operam sem direção única
A alta do petróleo também influenciou o desempenho dos mercados financeiros nesta terça-feira.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%.
No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável.
Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial. As ações do setor de energia tiveram destaque, acompanhando a valorização do petróleo.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%.
Os investidores aguardam a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) de junho e o início da temporada de balanços dos grandes bancos americanos, como JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup. O mercado também acompanha a possibilidade de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação e reduza o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).

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