
Entenda como funciona a Lei da Reciprocidade e quais são as aplicações
Com a confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as discussões sobre qual resposta prática dará à medida.
O primeiro movimento veio logo após o anúncio da gestão de Donald Trump. Em nota divulgada na madrugada de quinta-feira (16), o Palácio do Planalto classificou a decisão americana como um “marco lastimável” e afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. (leia mais abaixo)
Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Em entrevista coletiva ao lado de ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada “no momento adequado”.
Enquanto isso, o tempo corre: a tarifa adicional de 25% entra em vigor na próxima quarta-feira (22). Apesar da extensa lista de produtos isentos — incluindo petróleo, café e carne bovina —, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão atingidos pela medida. (veja a lista completa)
Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade.
Isso porque uma reação precipitada pode trazer riscos. O eventual uso da lei, além de exigir amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro, passa por um processo longo, que inclui uma série de novas discussões.
“A lei prevê várias fases. Primeiro, o caso passa pela Câmara de Comércio Exterior. Depois, por consulta pública. Envolve ainda consultas com o próprio governo dos EUA. Então, não é algo imediato”, explica Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior.
Mas quais são os riscos do uso da lei?
Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações.
Na prática, esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país, explica o especialista em comércio exterior Jackson Campos.
“O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro”, afirma.
Por isso, o governo trata qualquer reação com cautela. Além da aplicação de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA — e que seguem em análise.
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam os principais:
Patentes: o Brasil poderia suspender parte das regras internacionais de propriedade intelectual, afetando a proteção de patentes de empresas do país alvo da medida.
Serviços: poderia impor tarifas, sobretaxas ou outras restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo.
Investimentos: poderia suspender benefícios, incentivos ou facilidades concedidos a investimentos de empresas do país alvo.
Acordos comerciais: poderia suspender benefícios e concessões previstos em acordos comerciais firmados com o país alvo.
“A lei exige que as medidas tenham contrapartidas e sejam, dentro do possível, proporcionais ao dano sofrido por quem causou esse dano. Além disso, é preciso tentar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira”, afirma Jackson Campos.
Enquanto isso, há outro ponto de cuidado no radar do governo brasileiro: a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas.
➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.
“O próprio documento final emitido pelo governo americano afirma que, se o Brasil aumentar as tarifas em retaliação, Washington pode entender que os 25% não são suficientes e elevar ainda mais a taxa”, lembra Campos.
Lula e Trump
Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters
Quais são, então, as saídas para o Brasil?
Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é “o Brasil retaliar e se machucar sozinho”.
Ele lembra que a “munição” brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional.
“Se você taxa esses produtos, quem paga não é o americano, é o produtor rural de Mato Grosso que precisa da peça do trator. Uma retaliação mal calibrada seria um gol contra com narração épica”, diz.
🔎 Na investigação comercial que resultou na aplicação da tarifa de 25%, o governo Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
🔎 As justificativas foram fortemente contestadas pelo governo brasileiro, que vê na medida uma tentativa de interferência em políticas internas do país, ao incluir temas considerados inegociáveis, como o PIX. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política, e não apenas comercial.
Nesse cenário, Aragão aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país.
Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. “Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho.”
Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. “Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo.”
A terceira seria atuar na chamada “segunda mesa”: pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. “A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes.”
Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA.
“As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão”, diz.
🔎 A ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.
Fator eleições
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Reprodução
A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos. Por aqui, brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente, governadores, deputados e senadores. Por lá, as eleições de meio de mandato vão renovar a Câmara e parte do Senado.
Com isso, a avaliação dos especialistas é de que as negociações devem se prolongar, sem uma resposta concreta no curto prazo. Também pesa nessa avaliação o fato de que, embora negativas, as tarifas atingem setores específicos e não ameaçam a estabilidade econômica do Brasil.
“O governo brasileiro deve deixar isso um pouco de molho. Sabendo dos riscos de impacto nos preços, aplicar a Lei da Reciprocidade pode ser um tiro no pé a três meses da eleição”, avalia Jackson Campos.
“Acredito que o discurso será de defesa da soberania, mas sem uma ação efetiva.”
Enquanto isso, o grupo político do presidente Lula acompanha os possíveis impactos eleitorais do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro, em meio ao envolvimento do pré-candidato do PL nas discussões sobre a medida.
Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade da decisão dos EUA. Conforme informou o blog do Valdo Cruz, aliados do senador já admitem prejuízos para a campanha após a medida do governo Trump.
Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ressalta que, diante do cenário, os avanços não vão depender necessariamente de vontade política, mas de calendário. A avaliação é que, de olho nas eleições, haverá uma escalada nos discursos, mas com cautela na prática.
“Muito barulho, nota forte, discurso e, ao mesmo tempo, técnico conversando com técnico às sete da manhã sobre lista de exceções. E as exceções, por sinal, são o termômetro. Se começarem a pipocar isenções setoriais, é sinal de que a coisa está sendo resolvida por baixo, mesmo com o barulho por cima”, diz.
“A janela real de acordo eu vejo depois de outubro. Antes disso, o que dá para fazer é evitar dano permanente e manter os canais vivos — o que é, convenhamos, bem menos empolgante do que uma guerra comercial, mas bem mais útil”, conclui.
Source link
Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo
Coalizão processa governo por programa de prevenção de gravidez
Uma coalizão de governos locais e organizações entrou com um processo contra o governo dos Estados Unidos, contestando mudanças no programa de Prevenção de Gravidez na Adolescência (TPP). Atualmente, o foco educacional tem sido sobre a possibilidade de abstinência, o que gerou críticas sobre a falta de inclusão de jovens que se identificam como LGBT.
Contexto da questão
O programa TPP foi criado para abordar a alta taxa de gravidez entre adolescentes, promovendo métodos de prevenção e educação sexual abrangente. No entanto, as recentes mudanças implementadas pela administração anterior, que priorizam a educação apenas sobre abstinência, têm gerado controvérsias significativas. A coalizão que entrou com o processo argumenta que essas alterações não apenas limitam as opções educacionais, mas também falham em atender às necessidades de todos os jovens, especialmente aqueles que se identificam de forma diversa.
O que aconteceu
A ação judicial foi motivada por preocupações de que a nova abordagem do programa não apenas restringe a educação sexual, mas também ignora a realidade de muitos adolescentes que precisam de informações adequadas e inclusivas. A coalizão, que inclui governos locais e organizações comunitárias, busca bloquear a implementação dessas novas diretrizes, argumentando que elas são prejudiciais e não refletem as melhores práticas em educação sexual.
Reações ao processo
As reações ao processo têm sido variadas. Defensores da educação sexual abrangente aplaudem a ação da coalizão, afirmando que é um passo necessário para garantir que todos os jovens recebam a informação de que precisam. Por outro lado, grupos conservadores apoiam a educação apenas sobre abstinência argumentando que essa abordagem é mais alinhada com os valores familiares e a moralidade.
O que esperar
O desfecho deste processo pode ter implicações significativas para a educação sexual nos Estados Unidos. Se a coalizão tiver sucesso, isso poderá levar a uma reavaliação das políticas de educação sexual em nível federal, promovendo uma abordagem mais inclusiva e baseada em evidências. Por outro lado, se o processo falhar, pode reforçar a implementação de diretrizes conservadoras sobre a educação sexual.
Este caso ressalta a importância do debate sobre a educação sexual nas escolas e o papel que as políticas governamentais desempenham na formação da próxima geração. Para os cristãos, é essencial que a educação oferecida aos jovens reflita valores morais, mas também a informação sobre o ambiente ideal para o desenvolvimento da sexualidade.
Seleção feminina perde e fica com o vice no Mundial de Vôlei Sentado
Não deu para a seleção brasileira feminina na final do Campeonato Mundial de Vôlei Sentado, em Hanghzou, na China. Nesta sexta-feira (17), o Brasil foi derrotado pelos Estados Unidos por 3 sets a 1, com parciais de 25/18, 25/20, 24/26 e 25/10.

Vice-campeãs por três ocasiões seguidas (2010, 2014 e 2018), as norte-americanas conquistaram o mundial pela primeira vez. As brasileiras, que chegaram à final sem ter perdido nenhum set, eram justamente as atuais campeãs.
Na edição anterior, há quatro anos, em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, o Brasil evitou que as rivais alcançassem a decisão pela quarta vez seguida, eliminando-as nas semifinais.
Apesar da derrota, as brasileiras se despediram da China classificadas para a Paralimpíada de Los Angeles, em 2028. Como os Estados Unidos têm lugar garantido nos Jogos como país-sede, a outra vaga paralímpica do mundial foi destinada ao terceiro colocado. No caso, às anfitriãs chinesas, que bateram o Canadá, na disputa do bronze, por 3 a 0 (25/13, 25/15 e 25/14).
Entre os homens, também nesta sexta-feira, o Brasil foi superado pelo Cazaquistão por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 23/25, 22/25, 25/23 e 10/15, no duelo valendo o terceiro lugar do mundial.
Após três edições consecutivas no top-3, com um vice-campeonato em 2014 e dois bronzes em 2018 e 2022, os brasileiros ficaram fora do pódio na competição.
Pela nona vez, a terceira seguida, o título masculino ficou com o Irã. Na reedição de quatro das últimas cinco finais, os asiáticos derrotaram a Bósnia e Herzegovina por 3 a 1 (25/21, 25/20, 20/25 e 25/16).
Ambos se garantiram em Los Angeles. Na Paralimpíada anterior, em Paris, na França, os dois fizeram a decisão e os iranianos também ganharam. Foi o oitavo ouro do país na modalidade.
A seleção masculina terá mais uma oportunidade de classificação no Campeonato Pan-Americano, a ser disputado em 2027, em local e data ainda a serem definidos.
O Brasil terá de ser o campeão para ficar com a vaga sem depender de uma repescagem internacional, em 2028.
Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos

Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos
Reuters via BBC
Esta Copa do Mundo foi maior do que qualquer torneio anterior.
Com mais países participantes e mais partidas, há mais espectadores acompanhando os jogos, além de mais oportunidades de ganhar dinheiro.
Enquanto as estrelas do futebol mundial criam momentos históricos em campo, bilhões de dólares são gerados fora dele. Mas nem todos saíram ganhando.
Agora no g1
Fifa: vencedora
A quantia de dinheiro que a Fifa, entidade máxima do futebol mundial, arrecada com a Copa do Mundo é astronômica. Ela gerou um valor recorde de US$ 7,6 bilhões (R$ 38 bilhões) com o Catar 2022 e espera-se que supere esse valor com a Copa de 2026, especialmente com o torneio expandido para 48 seleções.
Marion Laboure, estrategista do Deutsche Bank Research, afirma que a Fifa é “sem dúvida” a principal vencedora, com receitas próximas a US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) ao longo do ciclo de quatro anos.
A receita da Fifa provém da venda de direitos de transmissão, licenciamento e de serviços de hospitalidade, contratos de patrocínio e venda de ingressos.
“A Fifa também entrou no mercado secundário com seu mercado oficial de revenda [de ingressos], cobrando uma taxa de 15% tanto do comprador quanto do vendedor”, diz Laboure.
E podemos esperar mais disso em torneios futuros, com a Fifa considerando expandir a Copa mais uma vez para 64 equipes, o que poderia incluir países como China e Índia — e os bilhões de espectadores adicionais que isso acarretaria.
Além dos ingressos, os fãs também enfrentaram dificuldades com voos, alimentação e hospedagem.
Getty Images via BBC
Torcedores: perdedores
Embora os torcedores possam ter realizado sonhos de uma vida inteira ao ir para a Copa, financeiramente falando, este torneio foi um desafio para eles.
As enormes somas desembolsadas apenas para pagar os ingressos e as críticas à estratégia de preços dinâmicos da Fifa, que aumenta os preços quando a demanda é alta, já foram amplamente noticiadas.
Até mesmo o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu que “não pagaria” quando questionado sobre o possível preço de US$ 1 mil (R$ 5,1 mil) do ingresso para a estreia de seu país no torneio contra o Paraguai.
Ingressos para a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, foram oficialmente oferecidos por US$ 32.970 (R$ 168 mil), enquanto alguns ingressos de revenda foram anunciados por mais de US$ 2 milhões (R$ 10,2 milhões).
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os preços, argumentando que estavam em linha com os de outros eventos esportivos nos EUA.
Além dos ingressos, os fãs também enfrentaram dificuldades com voos, alimentação e hospedagem.
Um exemplo que ganhou as manchetes foi o aumento nos preços das passagens de trem da New Jersey Transit. Uma viagem de trem de 30 minutos até o MetLife Stadium subiu para US$ 150 (R$ 765) durante o torneio, em comparação com os habituais US$ 12,90 (R$ 65) para uma passagem de ida e volta.
A reação negativa levou à redução dos preços, mas eles ainda permaneceram altos.
Emissoras e patrocinadores: vencedores
Embora as emissoras tenham tido que desembolsar grandes quantias para transmitir o torneio, os índices de audiência — e o desejo dos patrocinadores de exibir suas marcas — significam que elas também provavelmente lucrarão muito com a venda de espaços publicitários.
A Fifa introduziu pausas para hidratação nesta Copa do Mundo — uma medida que Infantino afirmou ser “puramente uma questão esportiva”, sem gerar receita adicional para a entidade.
No entanto, os 90 segundos que os jogadores têm para se hidratar abriram uma nova oportunidade comercial para emissoras e patrocinadores que desejam exibir suas marcas, especialmente nos EUA, onde os torcedores de esportes americanos já estão acostumados com uma ideia invertida: lá os jogos praticamente acontecem entre os intervalos comerciais.
A Fox Sports, que teria pago US$ 485 milhões (R$ 2,4 bilhões) pelos direitos de transmissão nos EUA, apresentou os intervalos de hidratação como “patrocinados por” uma marca.
Segundo especialistas, um espaço publicitário de 30 segundos na Fox durante a Copa do Mundo custa em média entre US$ 200 mil e US$ 300 mil (R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão). Durante as partidas dos EUA nas fases finais, o valor chegou a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões).
Isso significa que os anúncios de pausas para hidratação podem render US$ 250 milhões (R$ 1,2 milhão) somente nos EUA, o que leva à especulação de que eles vieram para ficar.
“As pausas para hidratação são puro espaço publicitário. Eu ficaria extremamente surpresa se elas desaparecessem. O formato expandido permanecerá porque a escala agora é o modelo de negócios da Fifa”, diz Laboure, do Deutsche Bank Research.
Os patrocinadores oficiais da Copa do Mundo pagam somas exorbitantes para associar suas marcas à competição, mas sem dúvida acabam se beneficiando financeiramente, com marcas como Adidas e Coca-Cola estampadas por toda parte.
A marca alemã de artigos esportivos está travando uma batalha com sua principal rival, a Nike, tendo investido cerca de US$ 67 milhões (R$ 342 milhões) em seu anúncio estrelado por Lamine Yamal, Jude Bellingham e Lionel Messi.
David Beckham: vencedor
O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando.
Getty Images via BBC
O principal anúncio da Adidas apresenta uma versão de inteligência artificial de David Beckham — que talvez não tenha tido agenda de comparecer pessoalmente às filmagens.
O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando.
Apesar de ter pendurado as chuteiras há mais de uma década, Beckham continua sendo o rosto do futebol nos EUA, com o clube do qual é coproprietário, o Inter Miami, estimado em US$ 1,45 bilhão (R$ 7,3 bilhões) como a franquia mais valiosa da Major League Soccer.
Ele pode não ter conseguido ganhar a Copa do Mundo em campo quando era jogador, mas sem dúvida venceu o jogo comercial fora dele.
Cidades anfitriãs: perdedoras
As 16 cidades anfitriãs nos EUA, Canadá e México têm recebido um grande número de torcedores e turistas, impulsionando o setor de hotelaria, os negócios locais e o turismo em geral.
Mas, embora os escoceses tenham esgotado até a última gota de álcool de Boston e conquistado o coração da cidade e de seus habitantes, especialistas afirmam que os benefícios econômicos a longo prazo são mínimos.
A Fifa estimou que cerca de US$ 41 bilhões (R$ 209 bilhões) seriam adicionados à economia global, dos quais US$ 17 bilhões (R$ 86 bilhões) impulsionariam somente a economia dos EUA, com a criação de 185 mil empregos, principalmente nos setores de hotelaria.
Mas Alexander Budzier, pesquisador em gestão na Universidade de Oxford e diretor executivo da empresa de gerenciamento de projetos Oxford Global Projects, afirma que os benefícios econômicos a longo prazo de sediar um evento esportivo tão grande simplesmente não se materializam.
Segundo ele, as cidades-sede costumam registrar uma grande queda no número de visitantes, já que muitos procuram evitar o caos do torneio.
E embora possa haver um aumento nas contratações, ele argumenta que normalmente se trata apenas de empregos com salários mais baixos no setor de hotelaria. “Isso gera empregos, mas não gera riqueza”, afirma.
Dados oficiais mostram que as contratações em pubs, bares e restaurantes dos EUA aumentaram consideravelmente antes do torneio em maio, mas o crescimento foi de curta duração.
O único benefício econômico “que vale a pena”, argumenta Budzier, são os projetos de regeneração que podem ser realizados, como a revitalização e a construção de moradias na região de Stratford, em Londres, após os Jogos Olímpicos de 2012.
Mas, devido ao fato de grande parte desta Copa do Mundo utilizar estádios, hotéis, centros de treinamento e infraestrutura de transporte já existentes, “não haverá benefícios econômicos provenientes do desenvolvimento”.
Hotéis: perdedores
A procura esperada por quartos de hotel não se materializou, com as entidades do setor relatando um número de reservas inferior nas cidades anfitriãs este ano em comparação com o ano passado.
A Associação Hoteleira da British Columbia, no Canadá, afirma que, embora os números finais de reservas ainda não tenham sido confirmados, junho e julho estavam “bem abaixo do ritmo dos anos anteriores”, apesar de Vancouver sediar sete dos jogos no Canadá.
O texto afirma que os torneios “não criam 40 dias consecutivos de hotéis lotados”, mas sim levam a uma alta demanda em torno de datas específicas.
Para os hoteleiros americanos, a expectativa criada antes do torneio também não se concretizou.
A Associação Americana de Hotéis e Alojamentos (AHLA) acusou a Fifa de reservar um número excessivo de quartos para uso próprio, criando uma demanda artificial. A Fifa afirmou que não reconhece a acusação.
Laboure, do Deutsche Bank Research, afirma que o mesmo aconteceu na França em 1998, quando a demanda não atendeu às expectativas.
“Em abril, 80% dos operadores hoteleiros dos EUA disseram que as reservas estavam abaixo das previsões iniciais — dois terços dos hoteleiros de Nova York relataram reservas mais fracas do que o esperado, e em Seattle quase 80% fizeram o mesmo, com muitos chamando o torneio de ‘não-evento'”, disse ela.
Empresas de apostas: vencedoras
A Copa do Mundo de 2026 está a caminho de se tornar o maior evento de apostas de todos os tempos, com uma estimativa de US$ 50 bilhões (R$ 254 bilhões) em apostas — cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) apostados por partida, de acordo com a empresa de serviços financeiros Macquarie, que possui interesses na indústria de jogos de azar.
O texto afirma que isso se deve principalmente à expansão do número de equipes, o que significa que foram disputadas mais de 100 partidas, em comparação com as 64 de 2022.
A Flutter Entertainment, proprietária das empresas de apostas Paddy Power, Betfair e Sky Bet, previu que o valor total das apostas seria o dobro do torneio anterior, devido ao crescimento do mercado nos EUA e também no Brasil.
Chad Beynon, analista da Macquarie, afirmou que as apostas ao vivo substituíram as apostas tradicionais antes da partida.
“Agora, tudo se resume a reagir ao que você vê em campo, ajustando sua perspectiva. Antes, era mais ou menos sentar, assistir e esperar — você tinha que fazer sua aposta antes da partida”, diz ele.
As apostas esportivas nos EUA ainda são uma indústria relativamente nova. Até 2018, apostar em esportes era legal apenas em Nevada, Estado onde fica Las Vegas, mas uma decisão da Suprema Corte abriu caminho para que muitos outros Estados a legalizassem.
No entanto, ainda existem alguns Estados onde continua sendo ilegal, incluindo a Califórnia e o Texas.
Nessas regiões, houve grande crescimento dos mercados de previsão — uma indústria bilionária em rápida ascensão, popular entre os jovens — que não são classificados como jogos de azar, o que significa que podem ser usados para fazer apostas esportivas independentemente do Estado em que a pessoa esteja.
Source link
Jovens conservadores buscam revitalizar igrejas nos EUA
Em meio a um cenário desafiador, jovens cristãos conservadores nos Estados Unidos, como Alex Hibbs, estão se mobilizando para revitalizar suas denominações e igrejas, buscando um retorno aos princípios do Evangelho. A questão que se coloca é: será que essa missão é viável?
Contexto da situação atual
A Igreja nos Estados Unidos tem enfrentado um processo de declínio nas últimas décadas, especialmente nas chamadas igrejas tradicionais, que têm visto uma diminuição significativa em suas congregações. Esse fenômeno é observado em várias denominações, que, por sua vez, têm se afastado dos ensinamentos bíblicos em busca de uma maior aceitação cultural. Essa mudança gerou um movimento de jovens cristãos que desejam reverter essa tendência.
O que está acontecendo?
Alex Hibbs, um dos jovens líderes desse movimento, expressa sua determinação em resgatar a essência do cristianismo em sua denominação. Ele e outros jovens conservadores acreditam que a igreja deve voltar a ser um pilar de fé e moralidade na sociedade, em vez de se adaptar às pressões culturais. “Estamos aqui para fazer uma diferença e trazer as pessoas de volta à verdade do Evangelho”, afirmou Hibbs em uma de suas declarações.
Esse movimento não se limita apenas a ações locais, mas busca também uma mudança mais ampla dentro das estruturas das igrejas. Os jovens estão se organizando em grupos de estudo, promovendo eventos de evangelização e incentivando a participação ativa nas comunidades. Eles acreditam que, através do ensino e da prática da Palavra de Deus, é possível restaurar a vitalidade das igrejas.
Reações e desafios enfrentados
Apesar da determinação desses jovens, eles enfrentam resistência tanto de dentro quanto de fora das igrejas. Muitos líderes e membros mais antigos estão relutantes em mudar, temendo que um retorno aos princípios conservadores possa alienar ainda mais os fiéis que já se afastaram. Além disso, a pressão social por uma maior inclusão e aceitação de diversas ideologias também representa um desafio significativo.
Hibbs e seus colegas reconhecem que a tarefa não é fácil. Eles enfrentam críticas e desconfiança, mas continuam firmes em sua missão. “Acreditamos que a verdade do Evangelho é relevante e necessária, mesmo em tempos difíceis”, disse Hibbs, ressaltando a importância de perseverar na fé.
O que esperar para o futuro?
O futuro das igrejas nos Estados Unidos ainda é incerto, mas iniciativas como a de Hibbs são um sinal de esperança para muitos. A busca por uma revitalização espiritual pode não apenas trazer novos membros, mas também reacender a paixão pela evangelização e pelo anúncio do Evangelho em uma sociedade que, muitas vezes, parece distante da fé.
Por fim, a história de jovens como Alex Hibbs nos lembra que a fé pode ser um agente de mudança, mesmo em tempos desafiadores. A busca por uma igreja mais vibrante e fiel aos ensinamentos de Cristo continua, e muitos esperam que essa nova geração de líderes possa trazer um renascimento espiritual significativo.
Vôlei: Brasil perde para EUA e volta a se complicar na Liga das Nações
O Brasil foi superado pelos anfitriões Estados Unidos por 3 sets a 0 (parciais de 25/23, 25/19 e 25/18) na noite de quinta-feira (17) em Chicago, e se distanciou da zona de classificação para a fase final da Liga das Nações de vôlei masculino. Após a quarta derrota em 10 jogos, a Amarelinha ocupa a oitava posição, com 16 pontos. Apenas os sete primeiros colocados entre 18 nações participantes avançam às quartas de final – a oitava vaga é reservada à China, que sediará a reta final do torneio.

Para seguir com chance de passar à próxima fase, a equipe comandada pelo técnico Bernardinho precisará vencer a Polônia (3ª colocada na Liga) na noite desta sexta (17), a partir das 22h (horário de Brasília) e superar a China (lanterna do torneio) no domingo (19), às 14h.
Para a partida desta sexta (17), Bernardinho escalou os seguintes jogadores Brasília e Cachopa (levantadores); Bryan e Darlan (opostos); Adriano, Arthur Bento, Honorato e Lucarelli (ponteiros); Flávio, Judson, Pinta e Barreto (centrais); e Maique e Pureza (líberos).
A balada desta sexta à noite é ligadinho na Seleção Masculina!
O Brasil enfrenta a Polônia, às 22h (horário de Brasília).
Separem os petiscos, aquela bebidinha gelada e bora torcer!
A partida será transmitida pelo sportv2, getv e VBTV.#volei #voleibrasil #cbv pic.twitter.com/s6AXJywpQX
— Vôlei Brasil (@volei) July 17, 2026
Próximos jogos do Brasil
sexta (17) – 22h – Brasil x Polônia
domingo (19) – 14h – Brasil x China
Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição mais importante do mundo em 2026 sem margem para erro, diz analista

‘Seguiremos protegendo o PIX’, diz Durigan após tarifa dos EUA
Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma. Estrategista global, gestor de recursos e estudioso dos ciclos econômicos que definem o destino dos países, ele é chairman da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.
Autor de obras como Breakout Nations e What Went Wrong With Capitalism, Sharma combina análise macroeconômica com observação direta de campo em países emergentes — uma metodologia construída ao longo de três décadas.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Sua tese central sobre a América Latina parte de um dado que ele considera inconveniente, mas inegável: historicamente, investidores obtêm retornos muito maiores sob governos de direita na região.
É essa dinâmica que explica, em grande parte, o bom desempenho dos mercados latino-americanos nos últimos anos. E é por isso que o Brasil, para Sharma, é a grande incógnita de 2026 — talvez a eleição mais importante do ano no mundo inteiro.
O cenário ficou ainda mais carregado com a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor no dia 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no planeta, atrás apenas da China.
Para Sharma, o impacto direto da medida é mais limitado do que o número sugere, mas seus efeitos sobre o investimento estrangeiro e, sobretudo, sobre o tabuleiro eleitoral de outubro, são mais complexos de calcular.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala sobre o que essa decisão significa para a corrida presidencial, o risco fiscal sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a fragilidade estrutural da China, a bolha de inteligência artificial e o impacto das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre a economia global.
BBC News Brasil – O governo americano anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, tornando o Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA no mundo. Qual o impacto real dessa decisão?
Sharma – A tarifa de 25% incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Mas, consideradas as isenções — pela Seção 232 e outras —, o impacto efetivo é mais estreito do que o número sugere. Em termos diretos, o efeito é limitado.
O risco maior é de segunda ordem: o impacto sobre o investimento estrangeiro direto e o fato de que esta é a segunda tentativa de Trump de usar tarifas como alavancagem sobre o Brasil em 13 meses. Isso sinaliza que a relação está estruturalmente contestada por este governo americano, não se trata de uma disputa isolada.
BBC News Brasil – E eleitoralmente? Essa decisão pode mudar o cálculo da corrida presidencial de outubro?
Sharma – A narrativa de soberania e nacionalismo de Lula pode funcionar a seu favor, algo semelhante ao que aconteceu no México. Mas seus índices de aprovação estão pressionados por causa do custo de vida e do crescimento fraco. Se a economia não reagir, essa vantagem pode não se sustentar.
O governo Lula já sinalizou que não vê caminho para negociação antes de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria pressão para concessões rápidas em regulação digital e plataformas de tecnologia em troca da retirada das tarifas — o que tem seu próprio custo político doméstico.
No curto prazo, a leitura política favorece a narrativa de soberania de Lula. Mas a pressão econômica de médio prazo para negociar com Washington independe de quem vença — isso muda mais a postura negociadora do próximo governo do que define quem chega à Presidência em outubro.
Para Sharma, tarifas de 25% anunciadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros têm impacto mais estreito do que o número sugere
Getty Images via BBC
BBC News Brasil – O senhor disse no início do ano que a eleição brasileira poderia ser a mais importante do mundo em 2026. Com o pleito a três meses, como o senhor situa esse evento no contexto global?
Sharma – Os investidores têm olhado para a América Latina com interesse crescente no último ano, mesmo que a região não seja vista como uma potência de inteligência artificial. Um grande motivo é o número crescente de governos de direita chegando ao poder. Independentemente de preferências políticas, o fato é que historicamente os investidores obtêm retornos maiores quando governos de direita assumem na América Latina.
Fizemos pesquisa sobre isso: em dólares, nos primeiros dois anos de um novo governo, quando a esquerda chega ao poder, o retorno tende a ser de cerca de 16%. Quando é a direita, esse número sobe para mais do dobro — cerca de 37%. Essa expectativa de que mais governos de direita vão chegar ao poder está ajudando a América Latina. E o Brasil é central nessa história.
BBC News Brasil – O principal adversário de Lula hoje é Flávio Bolsonaro. Mas, mesmo no campo da direita, há dúvidas sobre o compromisso fiscal. Os investidores podem acabar desapontados de qualquer forma?
Sharma – Sim, isso é correto. Mas a reação inicial dos investidores, pelo menos, será baseada na história: os mercados tendem a se sair bem quando um novo líder chega ao poder, e tendem a se sair bem quando um governo de direita assume na América Latina. Esses são fatos. Portanto, a reação inicial a uma vitória de Flávio Bolsonaro provavelmente seria positiva — e depois teremos que ver quais serão as políticas concretas.
Até agora, onde quer que governos de direita tenham chegado ao poder na América Latina, os investidores reagiram bem, o capital voltou. Parte disso acontece em antecipação, parte depois que o governo já está no poder — e tem sido assim em toda a região.
BBC News Brasil – E se Lula for reeleito?
Sharma – A situação fiscal do Brasil é delicada, especialmente em um momento em que o mundo está prestando mais atenção à dívida dos países. Se Lula for reeleito, a reação inicial dos investidores será negativa. Mas acredito que ele saberá que, se tentar gastar demais ou não colocar o Brasil em um caminho fiscalmente sustentável, haverá fuga de capitais.
A política brasileira também não é simples, porque o controle do Senado e da Câmara importa muito. Mesmo nos últimos três ou quatro anos, alguns dos piores excessos de gastos do governo Lula foram contidos tanto pelos investidores quanto pontualmente pelo fato de a oposição controlar outras instâncias do governo. Mas não há espaço para irresponsabilidade fiscal agora, em um momento em que a atenção global à dinâmica da dívida é muito maior do que era dez ou vinte anos atrás.
Depender demais da China para crescer economicamente é uma estratégia arriscada, na avaliação de Sharma
Getty Images via BBC
BBC News Brasil – O Brasil tem terras raras, petróleo, energia limpa e concentra mais de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina. O país tem condições de se posicionar nessa nova ordem global e fechar o gap de desenvolvimento?
Sharma – Há sempre possibilidades, mas depende do horizonte de tempo. Para os próximos cinco anos, o Brasil tem ventos favoráveis. Pode haver um impulso reformista com um novo governo. Há um empurrão vindo do ciclo de commodities. O Brasil está se tornando cada vez mais importante nos mercados globais de petróleo. E, no campo tecnológico, o histórico do Brasil não é ruim: o país investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, o que é razoável para um país de renda média. Cerca de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina acontece no Brasil, e o país já produziu mais de 20 unicórnios (start-ups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais).
O Brasil também tem oferta abundante de energia, o que poderia ajudá-lo a construir data centers e ecossistemas de inteligência artificial. Com a combinação certa de políticas, e dado que as expectativas estão muito baixas, há potencial real de valorização — especialmente se as taxas de juros reais, que são extraordinariamente altas no Brasil, começarem a cair. Mas o resultado é binário. Qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira.
BBC News Brasil – O senhor argumenta que a inteligência artificial não é suficiente para conter o declínio da China. Que forças são mais poderosas do que a IA?
Sharma – O progresso tecnológico da China é notável, e boa parte dele é de origem doméstica. Todo crédito ao ecossistema tecnológico que o país construiu. Mas há outros fatores que considero ainda mais poderosos. A população chinesa está diminuindo. Nenhum país no mundo conseguiu sustentar um crescimento acima de 2% com a população em queda — você precisa que a força de trabalho também cresça.
Depois, há os níveis de dívida muito elevados: a China já vinha dependendo de endividamento para sustentar taxas de crescimento bem acima do seu potencial. O Estado também se tornou muito intervencionista, há tanta incerteza regulatória que os espíritos empreendedores em muitos setores foram sufocados.
E então há essa situação muito incomum: para uma superpotência em ascensão, praticamente ninguém quer ir à China. A proporção de estrangeiros vivendo no país é de 0,1% da população, a mais baixa entre os grandes países do mundo. E, em termos líquidos, o capital estrangeiro está saindo. São sinais de fragilidades que vão muito além da tecnologia.
BBC News Brasil – E o que a trajetória da China significa especificamente para o Brasil?
Sharma – É algo que os brasileiros precisam ter em mente. O comércio do Brasil mudou muito e está cada vez mais dependente da China. Mas você está lidando com uma economia que está fundamentalmente se enfraquecendo, onde a demanda doméstica deve permanecer fraca por causa dos desafios demográficos e de endividamento que acabei de descrever.
Depender demais da China para crescer é uma estratégia arriscada, porque a demanda doméstica chinesa está em declínio. E o incentivo da China é o oposto do que o Brasil precisa: eles querem exportar o máximo de capacidade excedente possível, porque a economia doméstica não é forte o suficiente para absorvê-la. É isso que têm feito. E o resto do mundo está sofrendo com esse dilúvio de exportações chinesas.
BBC News Brasil – Dois grandes conflitos estão em curso: a Ucrânia e o confronto no Estreito de Ormuz. Os investidores têm absorvido esses choques melhor do que muitos esperavam. Eles estão subestimando os riscos?
Sharma – O impulso positivo da inteligência artificial está sobrepujando o efeito negativo dos preços mais altos de energia. O mesmo aconteceu com as tarifas no ano passado — muitos esperavam uma recessão global por causa delas, e não aconteceu, porque o boom da IA foi muito mais poderoso.
Dito isso, os preços do petróleo subiram menos do que muitos esperavam, dado o volume de oferta retirado do mercado. Em parte porque o mundo aprendeu a se adaptar, o consumo de energia como proporção do PIB global caiu ao longo do tempo, e a destruição de demanda aconteceu rapidamente.
O Brasil também desempenhou um papel aqui: a produção de petróleo no país tem se saído bem, e isso ajuda a evitar que a oferta global caia tão abruptamente quanto o fechamento de Ormuz poderia sugerir.
BBC News Brasil – O senhor escreveu recentemente que a IA está remodelando a hierarquia dos mercados globais — nações classificadas quase que exclusivamente por sua posição no ecossistema de IA. Isso é uma nova ordem mundial ou uma bolha prestes a estourar?
Sharma – É uma combinação das duas coisas. A história nos diz que, quanto maior a inovação tecnológica, maior a bolha — desde os canais e as ferrovias, passando pelos automóveis, até a internet. O gasto global com a construção da infraestrutura de IA este ano é algo em torno de US$ 2,5 trilhões, mais de 2% do PIB global só em investimento em IA. As grandes empresas de tecnologia americanas estão gastando cerca de US$ 800 bilhões sozinhas.
O comportamento dos investidores hoje é: ou você tem IA, ou está fora. Mas minha avaliação é que sim, a IA é uma tecnologia muito poderosa, isso está além de qualquer dúvida. Mas a ideia de que o mundo inteiro vai ser moldado apenas pela IA? Não compartilho dessa visão. Ela simplesmente não é consistente com a história do desenvolvimento econômico.
BBC News Brasil – Quando essa bolha estourar, quão dolorosa será a correção?
Sharma – Toda vez que uma bolha estoura, há dor. Mas existem bolhas boas e bolhas ruins. Quando você tem uma bolha em imóveis ou commodities, é uma bolha ruim — ela não deixa nenhum investimento produtivo em seu rastro. Uma bolha liderada por tecnologia ao menos deixa boa tecnologia para trás, mesmo que a bolha financeira estoure.
Dito isso, tenho uma estrutura para identificar bolhas, o que chamo de quatro “O’s” [em inglês]: sobrevalorização, concentração excessiva, sobreendividamento e sobreinvestimento. Quando coloco a IA nessa estrutura, ela se qualifica em muitos desses critérios.
Historicamente, bolhas não caem sob seu próprio peso — elas precisam de um catalisador, e a alta das taxas de juros costuma ser esse catalisador. As taxas de juros reais nos EUA ainda estão relativamente baixas. Mas, se o título de dez anos do Tesouro americano romper os 5%, isso seria uma bandeira vermelha. Estamos nos estágios avançados desta bolha e podemos estar próximos do fim, mas, até que essas coisas aconteçam, é muito difícil prever quando.
Segundo Ruchir Sharma, qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira
Matt Greenslade via BBC
Source link
‘Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet’
No Brasil, o artigo 218C do código penal estabelece que oferecer, trocar, transmitir, vender distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet — fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima, assim como cena ou apologia de estupro ou de estupro de vulnerável ou cena de sexo, é crime.
André Mendonça será relator de queixa-crime de Caiado contra Boulos
O Supremo Tribunal Federal (STF) designou André Mendonça como relator da queixa-crime apresentada por Ronaldo Caiado contra Guilherme Boulos. A ação judicial investiga acusações de calúnia, difamação e injúria, em um contexto que envolve disputas políticas acirradas.
Contexto da Ação Judicial
A queixa-crime de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, contra Guilherme Boulos, figura proeminente do movimento social e político, surge em um cenário de intensas disputas eleitorais e retóricas acaloradas. O caso reflete não apenas um embate entre os dois políticos, mas também as tensões que permeiam o ambiente político brasileiro, especialmente em um período de polarização crescente.
O que aconteceu?
De acordo com informações do Comunhão, a queixa-crime foi motivada por declarações feitas por Boulos, que foram interpretadas por Caiado como ofensivas e prejudiciais à sua honra. A ação judicial busca responsabilizar Boulos por suas palavras, que Caiado considera caluniosas e difamatórias. A decisão de designar André Mendonça como relator do caso é um passo importante no processo, pois ele será responsável por analisar os argumentos apresentados e decidir sobre o prosseguimento da ação.
Reações ao Caso
O desdobramento desse caso gerou reações diversas no meio político e entre os cidadãos. Enquanto alguns apoiadores de Caiado veem a ação como uma defesa necessária contra ataques pessoais, outros críticos argumentam que a queixa-crime pode ser uma tentativa de silenciar vozes opositoras. Essa situação levanta questões sobre a liberdade de expressão e os limites da crítica política, temas que são frequentemente debatidos na sociedade brasileira.
O que esperar?
Com a designação de André Mendonça como relator, o caso seguirá seu curso no STF. Espera-se que a análise do processo traga à tona discussões importantes sobre a liberdade de expressão e os limites da crítica na política. O desfecho dessa ação pode influenciar não apenas a relação entre os dois políticos, mas também o clima político mais amplo no Brasil.
“A liberdade de expressão é fundamental, mas deve ser exercida com responsabilidade.”
Esse caso é um lembrete de que, em tempos de polarização, as palavras têm um peso significativo e podem gerar consequências legais. A comunidade cristã, que frequentemente se envolve em questões de justiça e verdade, deve acompanhar esses desdobramentos com atenção, refletindo sobre o papel da ética nas relações interpessoais e políticas.
MPF pede suspensão do programa Tolerância Zero na orla do Rio
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou na Justiça Federal com uma ação civil pública para suspender os efeitos do programa Tolerância Zero, instituído pela Prefeitura do Rio de Janeiro, nesta semana, para disciplinar o comércio ambulante nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, na zona sul da cidade.

O MPF pede na ação que a União e o município elaborem um planejamento para a gestão das praias, capaz de conciliar o ordenamento urbano, o enfrentamento ao crime organizado e a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores ambulantes.
O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão Julio Araujo afirma na ação que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização das praias sem observar as normas federais que disciplinam a gestão desses espaços.
Segundo o MPF, “o programa foi criado sem diálogo com a União, titular das praias, sem participação da sociedade e sem medidas voltadas aos milhares de trabalhadores que dependem do comércio ambulante para sobreviver”.
O documento destaca que o município não convocou o Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP), nem elaborou o Plano de Gestão Integrada previsto no Projeto Orla, considerados essenciais para esse tipo de intervenção.
O MPF argumenta que, embora o enfrentamento ao crime organizado e o combate à exploração ilegal do espaço público sejam necessários, “esses objetivos não autorizam a adoção de medidas que atinjam indistintamente trabalhadores que exercem atividade lícita e aguardam, há décadas, políticas públicas que não só os reconheça, mas também os inclua no planejamento da cidade’.
Na petição, Julio Araujo sustenta ainda que o programa prevê ações amplas de apreensão de mercadorias e restrição ao comércio ambulante sem que o município tenha implementado políticas públicas de regularização para a categoria.
“O resultado é a imposição de restrições severas ao direito ao trabalho justamente sobre uma população formada, em grande parte, por pessoas negras, migrantes, refugiadas e trabalhadores em situação de vulnerabilidade social, que dependem dessa atividade para garantir sua subsistência”, afirma a procuradoria.
O MPF reconhece a necessidade de combater organizações criminosas e coibir a exploração ilegal do espaço público, mas afirma que esses objetivos não autorizam medidas que tratem toda uma categoria profissional como suspeita nem dispensam o dever do Estado de construir políticas públicas capazes de garantir condições dignas de trabalho.
“O combate ao crime deve ser direcionado aos responsáveis pelas atividades ilícitas, e não utilizado para justificar restrições generalizadas ao exercício de uma atividade profissional reconhecida pela legislação”, defende o MPF.
Tolerância Zero
O programa Tolerância Zero teve início na manhã de quinta-feira (16), com a apreensão de mercadorias e revolta dos ambulantes, que realizaram uma manifestação na orla de Copacabana, que se estendeu até ao Leme, em frente ao Copacabana Palace.
O objetivo da operação é combater a exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado.
“Vender produto de origem ilegal ou alugar equipamento com origem criminosa é crime. O recado é para que, a partir da data do início dessa operação, essas pessoas não procurem ocupar esses espaços ilegalmente, porque a tolerância vai ser zero. Quando você não tem legalização, você não pode desempenhar nenhuma atividade econômica no espaço público”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.
Ao todo, 320 homens da Guarda Municipal com apoio da Polícia Militar foram divididos em dois turnos para o patrulhamento da orla da zona sul. O programa será baseado na ocupação territorial contínua, no patrulhamento ostensivo e na fiscalização integrada, com uso de tecnologias de monitoramento.
“Além da permanência territorial, vamos ter diversas ações de inteligência com a Polícia Civil e com a Polícia Militar. Somando Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, nós já identificamos mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente”, informou a prefeitura.
“Teremos fiscalizações diárias com patrulhamento ostensivo, pontos com controle de acesso, apreensões de mercadorias irregulares e combate aos depósitos clandestinos”, explicou o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior.
A Agência Brasil entrou em contato com a prefeitura do Rio de Janeiro e está aberta a manifestações.