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Anvisa aprova medicamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20), a ampliação do tratamento de lúpus e esclerose múltipla para para crianças e adolescentes por meio de medicamentos. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

Para crianças a partir de 5 anos de idade com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como tratamento complementar. O medicamento é destinado a pacientes que apresentam alto grau de atividade da doença, e que já estejam em tratamento padrão, com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores. 

A medida abrange as alternativas em caneta aplicadora/autoinjetora, visando reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão e o conforto dos pacientes. A formulação intravenosa do medicamento já estava aprovada para pacientes pediátricos 

Outro medicamento que teve ampliação de uso em pacientes a partir de 12 anos e 40 kgs é o Ocrevus (ocrelizumabe), destinado ao tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O produto é um anticorpo monoclonal recombinante, que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença.   

Sobre o lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, pode levar ao óbito. Entre os principais sintomas estão febre, rigidez muscular e inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram quando expostas ao sol, linfonodos aumentados e queda de cabelo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é feito a partir de uma série de exames médicos, como hemograma, biópsia renal, exame de urina, entre outros. O tratamento é principalmente paliativo. 

Sobre a esclerose múltipla

Já a esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central. O sistema imunológico ataca a mielina que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. 

Na forma remitente-recorrente, a doença é caracterizada por episódios de novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa. A manifestação dos sintomas antes dos 18 anos é considerada uma condição rara e mais grave da doença. 

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais (como visão turva ou dupla), fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldade de controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais que funcionam como gatilhos, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por um neurologista junto a exames complementares. 

*Estagiário sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.



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Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro nos EUA por publicidade enganosa

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Agora no g1
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, entrou com uma ação na Justiça dos Estados Unidos contra a americana Eli Lilly, dona dos remédios Mounjaro e Zepbound, acusando a rival de fazer publicidade enganosa sobre seus tratamentos para perda de peso.
O processo foi apresentado nesta terça-feira (21) em um tribunal federal de Nova Jersey. Segundo a Novo Nordisk, a Eli Lilly violou leis federais e estaduais de publicidade e concorrência ao divulgar campanhas nacionais para o Zepbound, indicado para obesidade, e o Mounjaro, usado no tratamento do diabetes tipo 2.
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Entenda o que motivou o processo
A Novo Nordisk afirma que a Eli Lilly comparou as doses mais altas aprovadas de seus medicamentos com versões de menor dosagem do Wegovy e do Ozempic, deixando de fora estudos mais recentes e doses maiores que, segundo a empresa, apresentam resultados superiores aos utilizados na comparação.
Na ação, a farmacêutica afirma que os anúncios são “falsos e enganosos” porque utilizam dados de ensaios clínicos considerados desatualizados para sustentar a superioridade dos medicamentos da rival.
A Eli Lilly, sediada em Indianápolis, não comentou imediatamente o caso.
A comparação das doses
De acordo com a Novo Nordisk, os anúncios da Eli Lilly destacam uma perda média de aproximadamente 50 libras (cerca de 22,7 quilos) com o Zepbound, contra 33 libras (15 quilos) com o Wegovy.
Reino Unido investiga possíveis reações adversas do Mounjaro
A farmacêutica argumenta, porém, que essa comparação utiliza estudos que não incluem as doses mais altas atualmente aprovadas para o Wegovy. Segundo a empresa, ensaios clínicos em estágio avançado apontam perda média de cerca de 48 libras (21,8 quilos) com o Zepbound e de 47 libras (21,3 quilos) com o Wegovy em suas doses máximas.
Disputa bilionária pelo mercado de emagrecimento
Novo Nordisk e Eli Lilly disputam a liderança do mercado de medicamentos para obesidade nos Estados Unidos, que analistas estimam superar US$ 100 bilhões até 2030.
A Novo Nordisk foi a primeira a ganhar destaque no segmento com o Wegovy. Nos últimos anos, porém, perdeu espaço para o Zepbound, da Eli Lilly. Em resposta, a empresa lançou uma versão oral do Wegovy, cuja demanda permaneceu elevada mesmo após a chegada da pílula concorrente da Lilly.
Tirzepatida é a mesma coisa que Mounjaro? Saiba mais sobre o medicamento
Divulgação
Os Estados Unidos estão entre os poucos países que permitem que farmacêuticas façam publicidade de medicamentos sujeitos à prescrição diretamente ao consumidor. Todos os anos, o setor investe bilhões de dólares em campanhas de televisão e outras mídias.
O que a Novo Nordisk pede
Além de indenização, a Novo Nordisk quer que a Justiça determine a retirada das peças publicitárias e obrigue a Eli Lilly a realizar uma campanha corretiva para esclarecer as informações divulgadas aos consumidores.
A empresa informou ainda que pretende pedir uma liminar caso a rival não retire voluntariamente os anúncios.
Segundo John Kuckelman, diretor jurídico da Novo Nordisk, a empresa enviou uma notificação extrajudicial à Eli Lilly em abril, após a aprovação nos EUA da dose de 7,2 miligramas do Wegovy. De acordo com ele, a resposta da rival foi apenas incluir um aviso considerado insuficiente pela farmacêutica dinamarquesa.
Kuckelman afirmou ainda que a campanha da Eli Lilly já foi exibida mais de 700 milhões de vezes desde que os anúncios foram modificados no fim de abril.



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Hamas anuncia Khalil Al-Hayya como novo líder em meio a crise

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O Hamas, grupo que atua na Faixa de Gaza, anunciou a escolha de Khalil Al-Hayya como seu novo líder geral. Essa decisão ocorre após a morte de Yahya Sinwar e Ismail Haniyeh, figuras centrais do grupo, em um contexto de intensificação do conflito com Israel.

Contexto da mudança de liderança

A escolha de Khalil Al-Hayya para liderar o Hamas surge em um momento de grande turbulência para o grupo. Desde a morte de Yahya Sinwar em outubro de 2024 e de Ismail Haniyeh em julho de 2024, o Hamas enfrenta uma pressão interna e externa significativa. A situação na Faixa de Gaza se deteriorou, e o grupo se vê enfraquecido após dois anos de confrontos com Israel, que resultaram em perdas substanciais.

O que aconteceu

Na segunda-feira, 20 de julho de 2026, o Hamas anunciou oficialmente a nomeação de Khalil Al-Hayya como seu novo líder geral. Al-Hayya, que já atuou como principal negociador do grupo e chefe no exílio, é visto como uma figura mais linha-dura em comparação a outros líderes, como Khaled Meshaal, que também era cotado para o cargo. Essa mudança de liderança pode indicar uma nova fase para o Hamas, que busca reafirmar sua posição em meio a um cenário internacional desafiador.

Reações à nova liderança

A nomeação de Al-Hayya gerou diversas reações entre analistas e observadores da situação no Oriente Médio. Alguns acreditam que sua liderança pode intensificar a resistência do Hamas contra Israel, enquanto outros temem que isso possa levar a um aumento da repressão e da violência na região. A comunidade internacional observa atentamente essa transição, preocupada com as implicações para a paz e a estabilidade na área.

O que esperar do futuro

Com Khalil Al-Hayya no comando, espera-se que o Hamas adote uma postura mais agressiva em relação a Israel. Isso pode resultar em um aumento das hostilidades, o que é preocupante não apenas para a população civil, mas também para os cristãos que vivem na região, que já enfrentam perseguições e dificuldades. A comunidade cristã, que busca viver em paz e liberdade, pode ser afetada por um aumento na violência e na instabilidade.

Além disso, a mudança de liderança pode influenciar as relações do Hamas com outros grupos e países da região, o que pode ter repercussões significativas para a segurança e a estabilidade do Oriente Médio como um todo.



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Restinga de Maricá: disputa pelo território opõe empresa e comunidades

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Uma placa na Rodovia Amaral Peixoto, próxima de um dos acessos para a Restinga de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, anuncia o projeto turístico-residencial “Maraey”. A palavra significa “terra sem mal” na língua tupi-guarani, um lugar onde não há problemas nem conflitos.

A realidade na região, no entanto, é bem diferente. A disputa pelo território envolve distintos grupos e está perto de completar 20 anos, se for considerada apenas a fase mais recente. O marco inicial, neste caso, é a compra, em 2006, de um terreno pela empresa que responde, atualmente, pelo nome Maraey Rio de Janeiro S.A. (nome fantasia IDB Brasil).

A propriedade, de 844,16 hectares, engloba a maior parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, que tem 969,24 hectares e abriga espécies ameaçadas de extinção. Em uma APA, são permitidas atividades e construções de baixo impacto ambiental e licenciadas.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em parte do terreno que a empresa comprou, entretanto, ainda vivem pescadores da comunidade Zacarias e indígenas guaranis da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã) e da Aldeia Morada dos Pássaros (Guyra Ambá).

O projeto imobiliário prevê gastos de R$ 11 bilhões para construir um complexo hoteleiro e residencial de alto luxo, que deve gerar milhares de empregos permanentes. A promessa da IDB Brasil é unir ganhos econômicos e sustentabilidade, preservando 80% da vegetação da área. A prefeitura de Maricá também defende o projeto em nome do desenvolvimento local.

São contrários ao empreendimento a Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), pesquisadores de universidades públicas e organizações ambientais, como a Associação de Preservação Ambiental das Lagunas de Maricá (Apalma) e o Movimento Baía Viva.

Esses grupos apontam que o complexo trará impactos negativos e irreversíveis à fauna, à flora, aos recursos hídricos, às formações geológicas e aos sítios arqueológicos da região. Outros prejuízos elencados são o aumento da vulnerabilidade costeira, o comprometimento de pesquisas acadêmicas e danos a culturas e modos de vida tradicionais.

Início das obras

No mês passado, a empresa iniciou na restinga o que chama de “obras da primeira fase”, para “implantação do viário principal”. Isso motivou o MPRJ a entrar com um pedido de liminar na 2ª Vara Cível da Comarca de Maricá.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Canteiro de obras do empreendimento Maraey, na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Canteiro de obras do empreendimento Maraey, na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Canteiro de obras do empreendimento Maraey, na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

No dia 1º de julho, o juiz responsável, Fábio Ribeiro Porto, negou a suspensão imediata das licenças ambientais e a paralisação total das obras. Porém, indicou que a licença atual autoriza apenas a infraestrutura e o sistema viário. Hotéis e residências dependem de outros licenciamentos, segundo o magistrado.

O juiz proibiu qualquer intervenção no território da Aldeia Mata Verde Bonita sem autorização prévia e expressa da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Exigiu também o cumprimento dos direitos socioambientais dos pescadores, o que inclui a proibição de demolições sem anuência da comunidade.

Esse é apenas um dos episódios em que a disputa foi parar nos tribunais. Há outras duas ações sobre o caso: uma tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e a outra, no Supremo Tribunal Federal (STF). Elas questionam os processos de zoneamento da restinga e de licenciamento ambiental do empreendimento.

Projeto de luxo

O projeto Maraey inclui três hotéis da Marriott International: o Ritz-Carlton Reserve, o JW Marriott All Inclusive e o Rock in Rio Autograph Collection.

Outra parte do terreno seria destinado para 392 branded residences, vilas residenciais de alto luxo. Está previsto ainda a Hospitality Business School, universidade de gestão hoteleira apoiada pelo Grupo EHL (École Hôtelière de Lausanne), o Maria Esther Bueno Tennis & Sports Club, um centro equestre internacional, campo de golfe e um Centro de Referência Ambiental.

A empresa diz que vai implantar vias principais, que funcionarão como eixo de ligação entre três regiões de Maricá (Itaipuaçu, Centro e Ponta Negra), o que contribuiria para melhorar a mobilidade local. Também são prometidas estações de tratamento de esgoto a nível terciário, uso de fontes renováveis, estímulo à mobilidade elétrica e híbrida, e mais de 20 km de ciclovia.

A expectativa do negócio é atrair 500 mil visitantes por ano para Maricá. Na fase de construção, são prometidos 9 mil empregos temporários, e a projeção é que 4,5 mil postos permanentes sejam gerados quando o empreendimento estiver em operação.

Território tradicional

Em um dos extremos da Restinga de Maricá, está a comunidade Zacarias. Segundo a associação local (Acclapez), criada em 1943, vivem ali cerca de 150 famílias de pescadores. Apesar de não possuírem documentos oficiais de propriedade, têm um histórico de ocupação que vem desde o Século 18.

Uma das principais comprovações utilizadas é um mapa de 1797 que identifica a comunidade. Eles tiveram acesso a ele por meio de uma cópia heliográfica do acervo do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Sede da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Sede da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sede da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A vila consolidou uma identidade ligada à pesca nas lagoas ao redor. Uma das marcas principais foi o desenvolvimento de uma técnica exclusiva chamada de “pesca de galho”, que consiste em colocar ramos de árvores no fundo da lagoa para atrair os peixes.

No Século 20, a comunidade enfrentou pressões de diferentes interesses imobiliários. O conflito se intensificou nos anos 1970, quando o empresário Lúcio Thomé Feteira reivindicou a propriedade da área. O objetivo era construir o megaprojeto “Cidade de São Bento da Lagoa”, o que não ocorreu.

Em 2000, Lúcio Thomé Feteira vendeu as terras ao Grupo Cintra, que as revendeu em 2006 para o IDB Brasil, hoje controlado pelos grupos espanhóis Cetya e Abacus.

Zacarias permanece no território até hoje, e as lideranças passaram a se autodenominar “os irredutíveis”. O título é usado para marcar a resistência aos projetos que, segundo eles, ameaçam a permanência da comunidade no território e colocam em risco modos de vida seculares.

“A gente quer a preservação da comunidade aqui. Não quer a destruição que isso [o empreendimento Maraey] vai provocar”, diz a presidente da Acclapez, Ni Marins.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Ni Marins, presidente da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Ni Marins, presidente da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ni Marins, presidente da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Eles vinham aqui fazer reunião e a gente perguntava: ‘Vocês vão tirar a gente daqui e vão colocar em que lugar no mapa?’. Eles nunca falaram”, complementa.

A empresa Maraey/IDB Brasil promete beneficiar mais de 200 famílias de moradores com regularização fundiária. A presidente da Acclapez rejeita a proposta por entender que é uma estratégia para, depois, expulsar a comunidade Zacarias.

“Acho isso horrível porque, como o título é individual, depois vai ter pressão para o pessoal começar a vender os terrenos. Eles vão conseguir derrubar os poucos que ficarem aqui e acabar nos obrigando a sair”, diz Ni Marins. “A gente quer um título coletivo que passe de pai para filho e que não possa ser vendido”.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional colônia de pescadores artesanais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Aldeias indígenas

No outro extremo da restinga, estão indígenas guaranis da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã) e da Aldeia Morada dos Pássaros (Guyra Ambá). As duas são separadas por uma estrada estreita de terra.

A primeira foi estruturada a partir de abril de 2013. Um dos líderes da aldeia, Amarildo Oliveira, conta que a ida para o território atual aconteceu depois de eles terem sofrido um incêndio criminoso em Camboinhas, bairro de Niterói.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã), localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Hoje, a aldeia em Maricá ocupa uma área de aproximadamente 70 hectares, onde vivem cerca de 300 pessoas. Eles possuem plantações, criam galinhas e têm acesso a peixes. Complementam a renda com artesanato e atividades turísticas.

No terreno, há construções feitas com técnicas tradicionais, com galhos, terra e palha, além de casas de madeira doadas pela ONG Teto e construções de alvenaria construídas pela Prefeitura, como uma escola e uma unidade de saúde. O abastecimento de água depende de caminhão pipa contratado pelo município.

Neste período de 14 anos vivendo na restinga, os indígenas se envolveram em mais de um protesto contra o empreendimento e pelo direito de permanecer no território. Amarildo explica que a ligação com a região é ancestral.

“Maricá era uma terra indígena. Daqui até Niterói, tinha mais de 80 aldeias indígenas. Temos aqui perto um cemitério nosso, no sítio do Mololô, que fica mais para trás de onde estamos. E, para a gente, é uma área sagrada”, diz o líder.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Amarildo Oliveira, um dos líderes da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Amarildo Oliveira, um dos líderes da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Amarildo Oliveira, um dos líderes da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Porém, depois de tanto tempo de luta e reviravoltas na Justiça, a aldeia cogita agora deixar o local.

“Tem a proposta da Prefeitura de Maricá de estruturar uma outra área para vivermos. Eles sempre falam que essa área em que vivemos agora é propriedade particular da IDB Brasil. Isso afeta o nosso dia a dia”, explica Amarildo.

 

Segundo a Prefeitura de Maricá, o projeto prevê a construção de “uma aldeia sustentável definitiva” para os indígenas no território.

“A gente não quer mais problemas. A promessa existe, e a gente quer ver o documento legalizado da terra para ter uma garantia antes de deslocar uma aldeia inteira de um lugar para outro. Queremos ver o papel para começar a negociar. Enquanto não resolverem, a gente vai permanecer aqui”, complementa.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Unidade de Saúde Indígena na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Unidade de Saúde Indígena na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Porã), comunidade indígena da etnia mbya guarani, localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Unidade de Saúde Indígena na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã), localizada na Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na Aldeia Morada dos Pássaros (Guyra Ambá), a situação é de maior vulnerabilidade. Não há energia elétrica, o volume de água potável é limitado, as casas são mais simples, há dificuldades para ampliar as plantações e lidar com resíduos, que se acumulam em alguns pontos.

Eles dependem diretamente de doações de alimentos e de água de entidades civis e da Prefeitura.

O grupo se estabeleceu no local em dezembro de 2024. Atualmente, há 67 pessoas. Parte do grupo é oficialmente considerada refugiada política, porque fez uma migração forçada da Argentina (Província de Misiones). Eles explicam que enfrentavam conflitos territoriais, falta de recursos e perseguição política.

O governo argentino de Javier Milei tem sido marcado por decisões que desregulamentam a proteção territorial dos povos indígenas. É o caso de um decreto presidencial de 2024, que limita o alcance de legislações anteriores que suspendiam os despejos de comunidades originárias de suas terras ancestrais.

O líder do grupo é Eugênio Ocampo, de 75 anos. O guarani acompanha os desdobramentos sobre o projeto imobiliário e diz que gostaria de manter a aldeia no local. Mas, depois de enfrentar tantas disputas territoriais em suas passagens pela Argentina e Paraguai, não descarta uma mudança que garanta a posse definitiva de uma terra.

“Ouvimos falar que esse território não está demarcado e que, a qualquer dia e a qualquer hora, eles [a empresa Maraey] podem usar essa área. A gente não sabe o que vai ser daqui para frente. Se eles quiserem usar essa área, precisam falar com a gente, mostrar qual seria uma área melhor para ficarmos”, diz Eugênio.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Eugênio Ocampo, líder da aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), familiares e outros membros da comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Eugênio Ocampo, líder da aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), familiares e outros membros da comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Eugênio Ocampo (de boné preto), familiares e outros membros da comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O genro de Eugênio, que ajuda a traduzir as falas do guarani para o português, é mais enfático sobre a permanência.

“Na minha visão, deveriam deixar essa área para nós, povos indígenas”, defende Edson, “Podem trazer coisas boas para a gente aqui também”.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fundador do Movimento Baía Viva, o ecologista de origem indígena Sérgio Ricardo Potiguara diz que o empreendimento viola normas internacionais ao não considerar os direitos de povos tradicionais.

“É um processo ilegal, porque desrespeita a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige a Consulta Prévia, Livre e Informada às comunidades tradicionais afetadas”, diz Sérgio Ricardo.

 


Rio de Janeiro (RJ), 24/06/2026 – O coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Potiguara, debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 24/06/2026 – O coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Potiguara, debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Potiguara, debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou dois inquéritos sobre a proteção ambiental da área e os impactos na vida dos povos indígenas. Procurado pela reportagem, o MPF disse que ainda existem diligências em curso, mas não irá comentar o andamento do caso neste momento.

Sítios arqueológicos

A ocupação indígena ancestral na restinga é comprovada por meio de vestígios encontrados no Sítio Arqueológico São Bento, que está cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Pesquisas identificaram fragmentos cerâmicos de tradição tupi-guarani, como um vaso funerário (igaçaba) com fragmentos de ossos, além de tigelas e panelas. No sítio, também foram encontrados fragmentos de cerâmica colonial e faiança inglesa decorada do Século 19.

Em outra área da restinga, foi identificado o piso de uma capela antiga e pequena construída pelos monges beneditinos, que habitaram a região no Século 17.

No dia 22 de junho, a deputada estadual Renata Souza (PSOL) encaminhou ofício ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre os possíveis impactos do empreendimento Maraey sobre “bens culturais, sítios arqueológicos, paisagens culturais ou patrimônio cultural associado à comunidade tradicional pesqueira de Zacarias”.

Existe a preocupação de que os vestígios arqueológicos sejam afetados pela movimentação de máquinas pesadas, terraplanagem e limpeza do terreno para as instalações do empreendimento.

O Iphan disse, em nota enviada à reportagem que acompanha pesquisas arqueológicas realizadas no local por uma empresa contratada pelo empreendimento, em conformidade com a legislação de proteção ao patrimônio arqueológico.

“A documentação necessária para as pesquisas arqueológicas está em situação regular, e a portaria que autoriza as atividades no local foi atualizada e publicada em 16 de março”.

Laboratório a Céu Aberto

Pesquisadores e ambientalistas defendem que a Restinga de Maricá é um dos últimos fragmentos contínuos deste tipo de ecossistema no estado do Rio de Janeiro. Outras restingas com importância semelhante seriam as de Marambaia, Jurubatiba e Massambaba.

O cálculo é de que existam mais de 500 estudos liderados por universidades públicas em Maricá. O que, segundo os pesquisadores, faz da região um “laboratório a céu aberto”.

Foram identificados mais de 400 tipos botânicos na restinga. Ela também é considerada um ambiente de influência para 265 espécies de aves, que a utilizam como local de reprodução, de pouso e de invernada, como é o caso de pássaros migratórios nacionais e internacionais.

O ecossistema é, ainda, habitat de diversas espécies ameaçadas de extinção nacionalmente, como a largatixa-da-praia, a borboleta-da-praia e o peixe-de-nuvem.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Área de Proteção Ambiental(APA) de Maricá, restinga de Maricá. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A geógrafa Désirée Guichard, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), diz que o empreendimento Maraey impossibilitaria a continuidade das pesquisas acadêmicas e teria impactos irreversíveis sobre fauna e flora.

“Não existe ambiente que consiga se manter protegido com supressão da vegetação nativa, nem com o volume de tráfego e pessoas previsto. Do ponto de vista geológico, é destruir uma formação do litoral brasileiro de 40 mil anos atrás”, diz a geógrafa.

“Além disso, dado o número de pesquisas no local, é a destruição do patrimônio científico da humanidade, patrimônio em que o próprio Estado brasileiro investiu, ao financiar boa parte destes estudos por meio do CNPq e da Finep”, complementa.

Ela indica ainda que haverá aumento da pressão sobre o saneamento, porque o empreendimento demandaria quantidade grande de água potável e produziria volume significativo de esgoto em uma região que já enfrenta problemas nestes serviços.

Outro ponto é a alteração na dinâmica costeira e o agravamento dos impactos das mudanças climáticas. A destruição da vegetação de restinga, segundo Désirée, reduziria a proteção natural contra ressacas, aumentando a vulnerabilidade do litoral às ondas.

Área de Proteção Ambiental

O entendimento de que a restinga é ambientalmente sensível foi o que motivou organizações civis e cientistas a pressionarem o governo estadual a proteger o local na década de 1980.

A solução do então governador Leonel Brizola foi criar a Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, por meio do Decreto Estadual nº 7.230, de 23 de abril de 1984. Uma APA é um tipo de unidade de conservação de uso sustentável, onde são permitidas atividades e construções, planejadas e licenciadas, de baixo impacto ambiental.

O decreto proibia o parcelamento do solo para fins urbanos. Porém, durante décadas, nunca houve um Plano de Manejo, o principal documento de uma unidade de conservação que define exatamente o que pode ou não ser feito em cada área.

Em dezembro de 2007, um ano depois do registro de compra de boa parte da APA pela empresa Maraey/IDB Brasil, o então governador Sérgio Cabral instituiu um Plano de Manejo que tornava mais flexível a urbanização da restinga, por meio do Decreto nº 41.048.

Com base nesse decreto, em 2011, a empresa começou o processo de licenciamento ambiental. Em 2014, apresentou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O órgão emitiu licença prévia, em 2015, licença de instalação, em 2021, e autorizações adicionais sobre manejo de fauna e flora, em 2026.

O zoneamento estabelecido em 2007 e o processo de licenciamento ambiental que se deu a partir dele são questionados nas ações judiciais que hoje estão em curso. A primeira delas, de 2009, tem como autores as associações Apalma e a Acclapez, representada pela Defensoria Pública, e tramita no STJ. A segunda, de 2018, tem como parte autora o Ministério Público e tramita atualmente no STF. 

As ações questionam o processo de licenciamento: o EIA-RIMA de 2014 é considerado defasado em relação à versão atual do projeto do empreendimento, que sofreu modificações e não teve reavaliação de impactos ambientais.

Também há denúncias de que o zoneamento da APA foi elaborado sem a participação da sociedade civil, da comunidade científica e dos pescadores.

“Nas unidades de conservação no Brasil, os planos de manejo envolvem estudos de cerca de 100 páginas. Esse estudo dá subsídios ao zoneamento, sobre o que pode ou não ser feito. Não existe isso no caso da APA de Maricá. Foi apenas assinado um decreto com uma divisão de zonas para atender aos interesses do capital”, argumenta a geógrafa Désirée.

 


Rio de Janeiro (RJ), 24/06/2026 – A geógrafa e professora da UERJ Désirée Guichard Freire debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 24/06/2026 – A geógrafa e professora da UERJ Désirée Guichard Freire debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A geógrafa e professora da UERJ Désirée Guichard Freire debate a restinga de Maricá, onde estão previstas obras do empreendimento Maraey. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Alternativas

Organizações ambientais e pesquisadores se mobilizam desde 2007 contra o projeto imobiliário por meio do Movimento Pró-Restinga. Boa parte dos argumentos para preservação do ecossistema são embasados em estudos do Fórum de Pesquisadores da Restinga de Maricá.

A presidente da Apalma, Flávia Lanari, defende alternativas para a região que seriam, segundo ela, mais adequadas do que um empreendimento de luxo.

“A ideia é fazer algo que envolva um turismo responsável. Precisa ser algo ambientalmente sustentável. Não algo que seja sustentável apenas para o bolso de alguém. Não temos nada contra o desenvolvimento, mas não se pode construir uma cidade lá dentro. O ideal é a preservação para o estudo e para o turismo”, defende Flávia.

Algo semelhante é defendido pela pesquisadora Désirée.

“A nossa proposta é a implantação de um mosaico de unidades de conservação. Toda a área privada deveria ser desapropriada pelo Estado. Do jeito que está agora, uma área privada dentro de uma APA, faz com que todos os patrimônios que estão ali fiquem vulneráveis”, diz a geógrafa.

“O território dos pescadores poderia ser uma reserva extrativista ou território de uso coletivo. Igualmente o das duas comunidades indígenas. E a área da restinga poderia ser transformada em um parque de domínio público, onde seria permitido fazer pesquisas, lazer e turismo, mas sem uso urbano”, complementa.

Maraey/IDB Brasil

A reportagem entrou em contato com a Maraey/IDB Brasil e pediu posicionamento da empresa sobre os principais pontos de conflito. Uma das questões diz respeito à legalidade do início das obras.

A empresa respondeu que “possui todas as licenças ambientais emitidas pelos órgãos competentes e, hoje, não há nenhuma decisão judicial que impeça o andamento das obras de infraestrutura”.

Diz ainda que o processo de licenciamento contou “com numerosos estudos técnicos, realizados por renomados acadêmicos e especialistas nas diferentes matérias ambientais, que serviram de apoio e fundamento para a elaboração do EIA-RIMA”.

Sobre as críticas de que o EIA-RIMA, de 2014, não contempla mudanças posteriores no projeto e teria de ser refeito, a empresa discordou:

“A versão atualmente considerada no licenciamento ambiental é aquela que subsidiou a emissão da LP nº IN030651, correspondente à concepção do empreendimento consolidada ao final da análise de viabilidade ambiental, após os ajustes, complementações e adequações promovidos durante a instrução do processo. Portanto, não se trata do layout preliminar inicialmente apresentado pelo empreendedor, mas da versão ajustada que serviu de base à conclusão técnica pela viabilidade ambiental da localização e da concepção geral do empreendimento”.

Sobre as medidas compensatórias de impacto ambiental, a empresa disse que “o empreendimento ocupará somente 6,7% da área com edificações, o que representa a metade do limite permitido pelo Plano de Manejo decretado para a região.

“Considerando as áreas de intervenção, como vias de acesso, jardins e a área já ocupada pela comunidade de pescadores de Zacarias, 81% da área de Maraey será preservada ou recuperada com vegetação nativa de restinga e Mata Atlântica”, afirma a Maraey.

Uma das propostas da empresa é criar na região “a segunda maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de restinga do Estado do Rio e a quinta do Brasil”. O que é apresentado como “uma das medidas estruturantes do projeto”. O processo de formalização está “em trâmite junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea)”.

Em relação à possibilidade de o fluxo adicional de veículos e pessoas gerar impactos na fauna e flora local, a empresa disse que o projeto “foi concebido para ser o principal empreendimento turístico-residencial sustentável do país”, “garantindo que o desenvolvimento local ocorra em total harmonia com a capacidade de carga do ecossistema”.

Disse ainda que o projeto “também prevê soluções avançadas de gestão hídrica, reaproveitamento de recursos, tecnologias limpas, monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas e medidas específicas de proteção da fauna e da flora locais”.

Prefeitura de Maricá

Em nota, a Prefeitura de Maricá disse que “considera o complexo Maraey um marco de desenvolvimento sustentável, que alia crescimento econômico à rigorosa proteção ambiental, com a preservação de cerca de 80% da restinga original”. 

“O projeto gera impactos positivos diretos para a cidade, por meio da criação de empregos, do fomento ao ecoturismo e da regularização fundiária da comunidade pesqueira de Zacarias”.

Sobre os povos indígenas, disse que atua continuamente para fortalecer o suporte nas aldeias, que contam com unidades de saúde, escolas e acesso permanente aos serviços municipais. 

“Essa rede de apoio será ampliada pelo projeto Maraey, que prevê a construção de uma aldeia sustentável definitiva. Ações de acolhimento e garantia de direitos serão ampliadas para os demais grupos indígenas, assegurando assistência integral a todos”.

 


Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maricá (RJ), 30/06/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Aldeia Guyra Ambar (Morada dos Pássaros), comunidade indígena formada por famílias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Inea

O Inea disse, em nota, que “o empreendimento Maraey não se encontra suspenso por decisão judicial mais recente, tampouco houve suspensão das licenças e autorizações ambientais expedidas”.

O instituto também informou que “o rito do licenciamento ambiental foi cumprido, com a análise técnica pertinente, e que o empreendedor possui as licenças e autorizações ambientais cabíveis para a fase atual do empreendimento”.

E Inea afirmou ter participado da “audiência na 2ª Vara Cível da Comarca de Maricá, onde prestou as informações técnicas solicitadas”. O entendimento do Inea é o de que a Justiça referendou as licenças ambientais emitidas.




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GM, dona da Chevrolet, eleva previsão de lucro após alta nas vendas de picapes e SUVs nos EUA

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Linha 2027 da Chevrolet Silverado
Divulgação / GM
A General Motors (GM), dona das marcas Chevrolet e Cadillac no Brasil, elevou nesta terça-feira (21), pela segunda vez neste ano, sua projeção de lucro para 2026. As informações são da agência Reuters.
A GM elevou sua expectativa de lucro para 2026 em US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões), passando para uma faixa entre US$ 14 bilhões (R$ 71,12 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 81,28 bilhões).
A GM cita, entre outros fatores, a manutenção de preços elevados nos Estados Unidos de picapes e SUVs de maior valor, os veículos mais lucrativos da empresa.
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O lucro operacional da companhia no segundo trimestre cresceu 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os resultados da montadora de Detroit, EUA, superaram com folga as estimativas de lucro dos analistas, apesar de um ambiente econômico instável, enquanto consumidores enfrentaram preços mais altos dos combustíveis, inflação persistente e desaceleração na geração de empregos durante o trimestre.
O forte lucro no mercado da América do Norte, o maior da companhia, foi impulsionado pelos preços elevados.
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O preço médio de venda de um veículo da GM nos EUA ficou em cerca de US$ 52 mil (R$ 264.160, em conversão direta) no trimestre, ligeiramente acima do registrado um ano antes.
“Conseguimos superar parte dessa incerteza”, afirmou o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, à CNBC nesta terça-feira pela manhã, acrescentando que os clientes da empresa “têm demonstrado muita resiliência”.
As ações da GM avançavam cerca de 4% nas negociações da manhã desta terça-feira.
Executivos da GM demonstraram confiança de que esse ritmo poderá continuar em 2027, com expectativa de crescimento da receita, do lucro operacional e da geração de caixa.
Um dos motores desse crescimento é o negócio de equipamentos de defesa, que deve gerar quase US$ 700 milhões (R$ 3,56 bilhões) em receita neste ano e crescer, em média, 30% ao longo dos próximos anos.
Em relatório a investidores divulgado nesta terça-feira, o analista Chris McNally, da Evercore ISI, afirmou que a GM tem apresentado uma execução consistente, mesmo enquanto algumas concorrentes globais enfrentam dificuldades.
Logo da GM na sede da General Motors em Detroit, nos EUA.
Rebecca Cook/ Reuters
Repatriação da produção
O lucro antes de juros e impostos (Ebit) da companhia no trimestre subiu para US$ 3,9 bilhões (R$ 19,81 bilhões), ante cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,24 bilhões) um ano antes.
Em base ajustada, o lucro foi de US$ 3,57 por ação (R$ 18,14 por ação), acima da expectativa dos analistas, de US$ 3,20 por ação (R$ 16,26 por ação), segundo dados da LSEG.
A GM elevou sua projeção de lucro para 2026 em US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões), passando para uma faixa entre US$ 14 bilhões (R$ 71,12 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 81,28 bilhões), após já ter aumentado essa estimativa no mesmo valor anteriormente neste ano.
A demanda aquecida dos consumidores americanos ajudou a empresa a compensar as pressões provocadas pelo aumento dos custos de matérias-primas e das despesas relacionadas ao comércio exterior, incluindo os gastos adicionais com a transferência de parte da produção de veículos para os Estados Unidos para evitar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Chevrolet Equinox EV
Divulgação / GM
A GM começará a produzir o Chevrolet Equinox e o Chevrolet Blazer nos Estados Unidos a partir de 2027.
Atualmente, esses SUVs da Chevrolet são fabricados no México. A montadora também está transferindo parte da produção de picapes para uma fábrica no estado de Michigan.
Segundo a empresa, a transferência da produção do exterior para os Estados Unidos, somada ao aumento dos gastos com software, gerou custos adicionais entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões).
GMC Hummer EV
Divulgação / General Motors
Mais vendas de veículos a combustão impulsionam lucros
Ao mesmo tempo, a montadora foi beneficiada pelo aumento das vendas de veículos movidos a combustão e por uma forte queda nas vendas de veículos elétricos, segmento que historicamente gera prejuízo para a empresa.
A GM afirmou que as perdas com veículos elétricos deverão cair entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) neste ano.
Desde o segundo trimestre de 2025, a empresa registrou US$ 10,9 bilhões (R$ 55,37 bilhões) em despesas relacionadas aos veículos elétricos, incluindo US$ 2,3 bilhões (R$ 11,68 bilhões) neste trimestre.
Jacobson afirmou que a montadora concluiu as despesas em caixa relacionadas à redução de investimentos em veículos elétricos.
As medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump no ano passado para flexibilizar as regras de eficiência energética e emissões de veículos, permitindo que as empresas comercializem mais carros com motores a combustão, devem beneficiar o resultado financeiro da GM entre US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões) e US$ 750 milhões (R$ 3,81 bilhões) neste ano.
A maior montadora dos Estados Unidos em volume de vendas afirmou que seus resultados continuarão pressionados pelas tarifas e pelo aumento dos custos da cadeia de suprimentos.
A GM manteve a previsão anterior de que as tarifas terão um impacto negativo entre US$ 2,5 bilhões (R$ 12,70 bilhões) e US$ 3,5 bilhões (R$ 17,78 bilhões) em seus resultados.
A empresa também afirmou que a inflação dos custos de matérias-primas, semicondutores e logística deverá reduzir seus lucros entre US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) e US$ 2 bilhões (R$ 10,16 bilhões) neste ano.
Na América do Norte, a margem de lucro aumentou para 8,6%, ante 6,1% no mesmo período do ano anterior, apesar da queda de 4% nas vendas trimestrais.
Na China, onde a GM passa por um processo de reestruturação, a empresa registrou ganho de equivalência patrimonial de US$ 83 milhões (R$ 421,64 milhões), acima dos US$ 71 milhões (R$ 360,68 milhões) registrados um ano antes.
Já os negócios internacionais, excluindo a China, registraram queda de 7% no lucro operacional, para US$ 190 milhões (R$ 965,20 milhões).



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IA impulsiona exportações mexicanas para EUA e dificulta cruzada comercial de Trump

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Presidente dos EUA, Donald Trump, durante pronunciamento em 16 de julho de 2026
Saul Loeb/Pool via AP
O avanço da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos impulsionou as exportações mexicanas de equipamentos de alta tecnologia.
A alta acontece em um momento em que o governo de Donald Trump tenta reduzir a dependência do paíse relação aos parceiros do acordo de livre comércio da América do Norte, o T-MEC.
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Trump pressiona por uma reformulação do tratado para diminuir o déficit comercial americano com Canadá e México.
No entanto, o forte crescimento das exportações mexicanas de equipamentos de informática tem produzido o efeito contrário. Ao ampliar o superávit comercial do México, o setor aumenta tensão a uma nova rodada de negociações do T-MEC, que começa nesta terça-feira (21), na Cidade do México.
Entre janeiro e abril, o México triplicou as vendas desses equipamentos aos Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações superaram US$ 50 bilhões — cerca de R$ 254 bilhões, na cotação atual —, enquanto as importações somaram US$ 2,23 bilhões, ou R$ 11,3 bilhões, segundo cálculos da AFP com base em dados oficiais.
Governo prepara ajuda em etapas a empresas afetadas por tarifaço
O setor já responde por mais de 30% das exportações mexicanas para os Estados Unidos, principal parceiro comercial do país. Com isso, ultrapassou a indústria automobilística, que durante anos foi a maior beneficiária do T-MEC e hoje é afetada pelas tarifas impostas por Trump.
“É um marco, em grande medida devido à demanda da indústria eletrônica avançada ligada à IA”, afirmou à AFP Diego Flores, responsável pelas indústrias eletrônicas e digitais da Secretaria de Economia do México.
O segmento, que inclui tecnologias como unidades de processamento e equipamentos para centros de dados, não está na pauta desta rodada de negociações.
Alta demanda
Entre os produtos mais procurados estão os chassis que abrigam as placas de processamento de IA, componentes essenciais para os centros de dados que se multiplicam em estados americanos como Arizona e Texas.
O principal polo exportador é Jalisco, conhecido como o “Vale do Silício mexicano”. O estado reúne grandes empresas globais do setor e um ecossistema de startups, segundo Flores.
A taiwanesa Foxconn monta chassis em Jalisco e é parceira estratégica da fabricante americana de chips Nvidia. Em março, a empresa anunciou investimentos de US$ 137 milhões — cerca de R$ 697 milhões — em duas subsidiárias mexicanas, após estimar que sua produção poderá dobrar neste ano.
“Estados Unidos e México continuarão sendo nossos principais centros de produção”, afirmou o diretor-executivo da empresa, Michael Chiang. Ele anunciou que a companhia investirá 30% a mais do que em 2025 para ampliar sua capacidade ligada à inteligência artificial.
Com a explosão da demanda, a Flextronics, outra empresa do setor instalada em Jalisco, precisou usar áreas de estacionamento para expandir sua capacidade de produção, segundo Flores.
O crescimento, porém, ocorre em meio a um cenário político incerto. O governo Trump rejeitou a prorrogação do T-MEC por mais 16 anos e decidiu submeter o acordo a revisões anuais.
Além disso, o governo americano insiste que mais produtos sejam fabricados nos Estados Unidos, embora continue aumentando a dependência das importações do México, de Taiwan e da China para impulsionar o avanço da inteligência artificial.
Washington também tenta restringir o uso de tecnologia asiática na América do Norte, segundo William Jackson, economista da Capital Economics.
“O governo Trump precisa equilibrar a demanda por essas tecnologias com a necessidade de manter o país na vanguarda do desenvolvimento da IA”, afirmou Jackson à AFP. Para ele, “as tarifas poderiam prejudicar esse objetivo”.
O desafio de conciliar a preservação de uma indústria em rápida expansão com o discurso protecionista deixa o setor “muito facilmente na linha de fogo”, acrescentou.



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Marisa Lobo rebate acusações de Damares Alves à direita: ‘Volte para a verdade’

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A psicóloga Marisa Lobo (União Brasil-PR), pré-candidata a deputada, publicou um artigo em que faz críticas à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) após declarações da parlamentar sobre a atuação da direita. No texto, a autora contesta a afirmação de Damares de que “a direita é um exército que deixa seus soldados para trás” e a acusa de adotar, ao longo de sua trajetória política, a mesma postura que atribuiu ao grupo.

Segundo Marisa Lobo, a senadora teria excluído aliados durante o período em que comandou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Como exemplo, ela cita o pastor Washington de Sá, da Lagoinha Global, Sandra Terena e outros nomes que, segundo afirma, teriam sido afastados para dar lugar a pessoas identificadas com posições progressistas.

A psicóloga também criticou a atuação política de Damares no Senado e afirmou que a parlamentar estaria prejudicando a articulação da direita em um momento considerado decisivo para o grupo. Para Marisa, divergências internas deveriam ser tratadas de forma reservada, sem exposição pública que, em sua avaliação, favoreceria adversários políticos.

No artigo, Marisa Lobo defende que críticas dentro do campo conservador fazem parte da liberdade de opinião e afirma que esse direito não deve ser tratado como ataque ao movimento. Ela também sustenta que a direita não deve restringir manifestações de apoiadores por discordarem de posicionamentos de lideranças.

Ao mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro, a psicóloga afirmou que ele representa o principal nome do movimento bolsonarista e declarou que Damares estaria contribuindo para o enfraquecimento desse grupo político ao fazer declarações públicas que, segundo sua avaliação, beneficiam adversários.

Marisa também manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por ela como pré-candidato à Presidência da República. A psicóloga defendeu que lideranças da direita concentrem esforços na pré-campanha do parlamentar e deixem divergências internas para um momento posterior.

Ao concluir seu racicínio, a autora afirmou que uma eventual derrota eleitoral da direita poderá ser atribuída, entre outros fatores, à postura adotada por Damares Alves durante o período pré-eleitoral e disse que a atuação da senadora será cobrada pelos apoiadores do movimento.





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Brasil tem quase 2 milhões de eleitores com deficiência, aponta TSE

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As eleições gerais deste ano contarão com o maior número de eleitoras e eleitores com deficiência aptos a votar.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral revelam que 1.963.551 pessoas têm algum tipo de deficiência, um crescimento de 42,5% em relação a 2022, quando esse número era de 1.377.787 pessoas.

Os tipos de deficiência incluem pessoas com dificuldade de locomoção, deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência física, intelectual ou outras condições que demandem adaptações no local de votação.

Entre os eleitores com deficiência aptos a votar nas Eleições 2026, 45,46% do total se enquadram na categoria “outros”.

Aproximadamente 617 mil pessoas declararam ter deficiência de locomoção; 319 mil têm deficiência visual e mais de 182 mil têm deficiência auditiva.

Mais de 64 mil pessoas com deficiência informaram ter dificuldade para o exercício do voto.

Para acompanhar esse aumento, a Justiça Eleitoral ampliou a estrutura destinada a garantir o exercício do voto com autonomia e segurança.

O número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296 em 2022 para 223.587 este ano, um crescimento de 43%.

Quem necessita de um local de votação adaptado pode solicitar a transferência para uma seção eleitoral acessível, instalada em locais com rampas, elevadores e trajetos livres de obstáculos físicos, por exemplo.

Para isso, é necessário atualizar o cadastro junto à Justiça Eleitoral, informando a condição de deficiência ou mobilidade reduzida.

O pedido pode ser feito pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral ou presencialmente no cartório eleitoral.

O prazo para solicitar a transferência para uma seção acessível termina no dia 20 de agosto.



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Tarifaço: setor de máquinas diz não apoiar reciprocidade e defende ampliação de programa de crédito para empresas afetadas

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Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmaram nesta terça-feira (21) que são contra a aplicação, pelo Brasil, de reciprocidade tarifária sobre produtos americanos importados pelas empresas brasileiras.
Os representantes do setor de máquinas e equipamentos se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda).
O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC) está realizando uma série de reuniões com setores que devem ser mais afetados pelo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. O objetivo é encontrar medidas para diminuir os efeitos da taxação norte-americana na economia do país.
Após o encontro, representantes da Abimaq defenderam a ampliação do programa Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito com melhores condições para os setores afetados pelo tarifaço. O governo já indicou que deve reforçar esse programa.
O setor de máquinas e equipamentos também pede o reforço das negociações diplomáticas e a adoção de medidas para ampliar a competitividade da indústria nacional.
Entenda o caso
Indústria de máquinas agrícolas da região de Ribeirão Preto (SP)
Thiago Aureliano/EPTV
Na semana passada, o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).
🔎A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.
Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. A tarifa começa a ser aplicada nesta quarta-feira (22).



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Chade reconhece plataforma inter-religiosa em busca de paz

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O Chade deu um passo significativo em direção à paz e unidade nacional ao reconhecer legalmente uma plataforma inter-religiosa que reúne líderes muçulmanos, católicos e protestantes. Esta iniciativa surge em um momento crítico, marcado por uma transição política e crescente instabilidade regional.

Contexto da iniciativa

O Chade, um país da África Central, tem enfrentado desafios políticos e sociais que afetam a coesão entre suas diversas comunidades religiosas. A nova plataforma inter-religiosa visa promover o diálogo e a colaboração entre as diferentes tradições de fé, buscando mitigar tensões e fomentar um ambiente de paz. A iniciativa é um reflexo da necessidade urgente de unir forças em tempos de crise, especialmente considerando a diversidade religiosa do país.

O que aconteceu

Recentemente, o governo do Chade formalizou o reconhecimento legal da plataforma inter-religiosa, que inclui representantes de várias denominações, como o Islã, o Catolicismo e o Protestantismo. Essa ação é vista como um marco importante para a liberdade religiosa e a convivência pacífica entre as diferentes comunidades de fé. O reconhecimento legal permite que a plataforma opere de maneira mais estruturada e eficaz, promovendo eventos, diálogos e iniciativas conjuntas que visam a construção de um futuro mais harmonioso.

Reações à iniciativa

Líderes religiosos e membros da comunidade têm recebido a notícia com otimismo. Acredita-se que essa plataforma possa servir como um modelo para outras nações que enfrentam divisões religiosas. A união de diferentes tradições de fé em prol de um objetivo comum é um testemunho poderoso da capacidade de superação e da busca pela paz. Além disso, a iniciativa foi elogiada por organizações que defendem a liberdade religiosa e os direitos humanos, que veem nela uma oportunidade de fortalecer a coesão social.

O que esperar no futuro

Com a formalização da plataforma, espera-se que novas iniciativas de diálogo e cooperação surjam, contribuindo para a construção de uma sociedade mais pacífica e inclusiva. A participação ativa de líderes religiosos é crucial para o sucesso dessa empreitada, pois eles têm a capacidade de influenciar suas comunidades e promover valores de respeito e compreensão mútua. Além disso, a plataforma pode abrir portas para a realização de projetos sociais que atendam às necessidades das populações mais vulneráveis, fortalecendo ainda mais os laços entre as diversas comunidades.

“A união de diferentes tradições de fé em prol de um objetivo comum é um testemunho poderoso da capacidade de superação.”

O reconhecimento da plataforma inter-religiosa no Chade não é apenas um passo em direção à paz, mas também um exemplo de como a fé pode ser um instrumento de mudança social. À medida que o país navega por tempos difíceis, a colaboração entre diferentes comunidades religiosas pode ser a chave para um futuro mais harmonioso.



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