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Bruna Biancardi se pronuncia após anunciar gravidez e revela planos: ‘Queremos três’

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“Estamos muito felizes, outra menininha, que loucura. Vou vestir ela e a Mavie, vai ser muito fofo, vão brincar juntas, vão crescer juntas, tipo eu e minha irmã”, começou Bruna. “Depois, queremos mais um. Queremos ter três. Se não falar, vão falar que a gente não planejou, que foi sem querer. Não teria nenhum problema se fosse sem planejar, estamos juntos, temos um relacionamento sério e podemos ter filhos se quisermos. Não seria nenhum problema, mas foi planejado”, contou ela, nos Stories do Instagram.

FONTE : MatoGrossoNews

Veja o que se sabe sobre o acidente aéreo na Coreia do Sul

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O acidente ocorreu às 9h03 deste domingo, pelo horário local, no aeroporto da cidade de Muan (21h03 de sábado, no Brasil). Segundo as autoridades, o avião saiu da pista logo após o pouso e bateu contra uma barreira de concreto nas proximidades do terminal.

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Fonte: G1

Batida entre carro e caminhonete mata jovem na BR-163; três pessoas ficam feridas

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KARINE ARRUDA

FERNANDA ESCOUTO

DO REPÓRTERMT

Um jovem, que não teve a identidade revelada, morreu na madrugada deste sábado (28) após se envolver em um acidente de trânsito no km 951 da BR-163, na zona rural de Nova Santa Helena (a 600 km de Cuiabá). Além dele, outras três pessoas ficaram feridas, mas foram socorridas e encaminhadas ao hospital.

De acordo com informações da Polícia Civil, o acidente aconteceu por volta das 4h, quando as equipes foram acionadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atender um acidente envolvendo uma caminhonete Ford Ranger e um carro modelo Astra, que haviam colidindo de frente.

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No local, uma equipe da Concessionária Via Brasil encontrou as vítimas presas às ferragens e uma delas fora dos veículos, aparentemente em óbito, que se tratava do jovem. As outras três vítimas que ficaram feridas no acidente foram socorridas e encaminhadas ao Hospital de Colíder.

Segundo o perito Leandro Vallendorf, a suspeita é de que o carro em que o jovem estava invadiu a pista contrária, provocando a batida. Entretanto, as circunstâncias do acidente ainda serão analisadas já que havia muita neblina no local, o que pode ter contribuído para a colisão.

“De forma preliminar, houve uma invasão de faixa por parte do veículo automóvel. É claro que estamos avaliando, mas é muito provável que seja essa a dinâmica e por esse motivo acabou causando o acidente”, afirmou.

Com o impacto da batida, o veículo de passeio perdeu praticamente toda a parte dianteira e a caminhonete saiu da pista e foi parar em um matagal às margens da rodovia.

Entre as três vítimas socorridas estão dois ocupantes da caminhonete, que estão fora de perigo, e um passageiro do veículo de passeio. O atual estado de saúde deles não foi divulgado.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

FONTE : ReporterMT

Moscou, iluminada, espera por 2025

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A maioria dos brasileiros que sabem que uma pessoa vive em Moscou, ou que visitou a cidade, pergunta antes de mais nada como anda a vida por lá, imaginando que, por causa da guerra, ela é sombria.

As ruas estão desertas? As lojas e os restaurantes estão fechados? Há falta de luz, água? As prateleiras dos supermercados estão vazias? Dá para comprar macarrão, carne? Como os russos de Moscou estão vivendo? Como eles se viram sem cartão de crédito?

As respostas: as ruas estão lotadas. As lojas e os restaurantes estão abertos e cheios.

A bandeira de cartão MIR, criada pelo Banco Central da Rússia em 2015, no contexto das sanções ocidentais contra o país por causa da anexação da Crimeia, um ano antes, substituiu as bandeiras estrangeiras. O sistema de pagamentos UnionPay, da China, cresceu. Estrangeiros podem trocar dólares por rublos, a moeda do país, em dezenas de bancos.

A coluna foi a Moscou em novembro para entrevistar Dimitri Peskov, o porta-voz de Vladimir Putin há duas décadas. E percorreu a metrópole.

A sensação de segurança, apesar da guerra, é semelhante à que se experimenta nas grandes capitais europeias. É possível caminhar sem receio inclusive depois que escurece. Os índices de criminalidade são baixos se comparados aos das cidades brasileiras.

Era inverno, e por volta das 16h30 já começava a anoitecer. Dois meses antes das festas de fim de ano, no entanto, a cidade estava intensamente iluminada.

O Natal não é comemorado no dia 25 de dezembro em Moscou por causa da herança comunista, que aboliu festas e feriados religiosos (quando foram reestabelecidos, o nascimento de Jesus passou a ser celebrado no dia 7 de janeiro, seguindo o calendário juliano adotado pela Igreja Ortodoxa, predominante no país).

As tradições natalinas, sob os bolcheviques, porém, foram incorporadas ao Ano Novo. As famílias se reúnem e trocam presentes. Árvores com bolas douradas e outros enfeites são instaladas por toda a cidade, bem como luminosos com os números “2025”, anunciando o novo período que se aproxima.

Naquele domingo, 24 de novembro, o Selfie, um restaurante de cozinha autoral que recebeu uma estrela do guia Michelin em 2022, funcionava normalmente, e estava cheio. Ceviche fresco, ravioli de caranguejo, linguado com pêssegos fritos, manteiga de tangerina são algumas das comidas disponíveis em seu cardápio.

Ele fica em um centro comercial, no mesmo piso de lojas de eletroeletrônicos, casas de vinho e supermercados com prateleiras abastecidas em que se pode encontrar de Coca-Cola a vinhos franceses, passando por batatas Pringles. Um piso abaixo fica uma churrascaria que também estava lotada neste dia, com mesas ruidosas, algumas delas celebrando aniversários.

Mil dias depois do início da guerra contra a Ucrânia, que o governo Putin chama de “operação militar especial”, não há racionamento em Moscou. O crescimento da economia no país hoje gira em torno de 3%.

A cidade é tratada pelo governo como uma fortaleza inexpugnável, que não pode ser abalada de forma alguma pela guerra.

Essa blindagem já foi desafiada. Neste mês, um atentado com um patinete-bomba matou um general russo em uma avenida a 7 km do Kremlin. O ataque foi reivindicado pelo Serviço Secreto da Ucrânia (SBU). Em episódio anterior, em maio de 2023, um drone atingiu o Palácio do Senado, no Kremlin.

Depois disso, o GPS passou a sofrer interrupções no centro da cidade, o que traz um dos poucos inconvenientes da guerra para os moscovitas: ao chamar um carro por aplicativos como o Yandex Go, o passageiro provavelmente vai ter problemas para encontrá-lo no endereço indicado. Isso ocorre porque, com a instabilidade do sistema que permite a localização com precisão, o motorista acaba estacionando sempre um pouco antes ou um pouco depois do endereço correto. Seguir aplicativos de mapas também ficou mais complicado.

Apesar da quase normalidade, não necessariamente os moscovitas consideram a guerra natural e aceitável. Uma pesquisa feita pelo instituto independente Levada, classificado pelo governo Putin como “agente estrangeiro” por receber recursos de fora do país, mostrou em outubro que 52% dos russos acompanham muito de perto as notícias sobre a guerra. O apoio a ela, de 52% em março de 2022, ainda é alto, mas caiu para 45% neste ano.

Como os brasileiros que não são indiferentes à violência ou israelenses de Tel Aviv que se posicionam contra o conflito de Gaza, no entanto, os moscovitas tocam adiante o seu cotidiano.

Uma outra diferença: com 13 milhões de habitantes, Moscou sempre recebeu milhares de turistas. Depois da guerra, o perfil dos visitantes mudou. Houve queda drástica, de 96,1%, no fluxo de estrangeiros da União Europeia e dos EUA em relação a 2019, por causa da pandemia de Covid-19. Com o conflito na Ucrânia, a suspensão dos voos diretos das capitais europeias para Moscou, as sanções econômicas e a deterioração da relação entre os países aprofundaram o problema.

Mas em 2023 o turismo russo começou a se recuperar —em particular por causa do aumento no fluxo de visitantes da China, de países do Oriente Médio e da Ásia Central. Foram emitidos cerca de 340,7 mil vistos estrangeiros para a Rússia, ou 2,4 vezes mais do que em 2022. China e Turcomenistão lideraram os pedidos.

A mudança exigiu adaptações do comércio. “Nunca contamos muito com os turistas, porque eles vinham, mas compravam pouco. No geral nossa clientela são os russos e os que trabalham nas embaixadas, ou estrangeiros que têm negócios aqui. Mas agora surgiram turistas árabes em grande quantidade, e eles querem comprar pequenas xícaras de café”, diz Andrei Tikhamerov, dono de uma loja de produtos de cerâmica na Feira de Ismailovo, que tem também um mercado de pulgas.

As vendedoras da francesa Clarins no shopping Gum, na Praça Vermelha, também dizem que os árabes começaram a aparecer em maior quantidade, “e eles buscam os perfumes de que gostam”, e os estoques precisam ser abastecidos.

Depois das sanções econômicas decretadas pelos países ocidentais, marcas de alto luxo francesas como a Dior e a Tiffany’s mantiveram as lojas instaladas em Moscou, com seus letreiros e luzes acesas. Mas suspenderam as vendas. Nas portas, colaram cartazes com o aviso: estão “temporariamente fechadas por problemas técnicos”. Nele, informam o número de WhatsApp por meio do qual podem ser acessadas caso algum cliente se interesse por seus produtos.

Marcas italianas como Dolce & Gabbana e Giorgio Armani funcionavam normalmente —nesta, até com promoção de Black Friday, com descontos de 20% na primeira e 30% na segunda compra.

A vendedora Emilie Daskalipoulos percorreu os quatro andares da Dolce & Gabbana com a coluna, explicando que aquela é “a maior loja da marca fora da Itália”. Quando começou a guerra, diz ela, “houve limitação na importação dos modelos mais caros”. Mas a coleção principal sempre se manteve.

Com o tempo, “nossos diretores chegaram a um acordo, e não há mais problemas agora. Inclusive nesta temporada recebemos uma coleção muito grande da linha Fashion, considerada das mais caras da Dolce”. Um casaco de inverno custava R$ 30 mil, um vestido, de renda, R$ 20 mil. Na francesa Saint Laurent, na mesma quadra, um casaco de peles custava R$ 66 mil.

As vendas seguem, a vida segue.

O comerciante Andrei Tikhamerov afirma que “as pessoas já se acostumaram com o conflito”. Ele mesmo sentiu poucas mudanças em sua rotina. “Não notei grandes diferenças”, afirma. “Os carros, por exemplo, ficaram mais caros. Meu carro já não está muito bom, e compreendo que não consigo adquirir um novo. É preciso consertar o antigo, dirigir com o que se tem. Os carros chineses [que agora são vendidos em maior quantidade na Rússia] são caros. E eu tenho a impressão de que não são de muito boa qualidade. Estou monitorando em fóruns [de consumidores], e não me parecem grande coisa”, relata.

Apesar das poucas alterações em seu dia a dia, Tikhamerov lamenta o conflito com a Ucrânia. “Quando uma guerra começa, é difícil dizer quem tem razão. Todos são culpados, via de regra. Na minha visão, não só a Rússia e a Ucrânia são culpadas, mas também os países ao redor, que empurraram para esse conflito. Que, na verdade, o geraram”, diz ele. “E isso é muito triste, porque temos parentes e familiares lá [na Ucrânia]. Mesmo antes da operação militar especial, muitos pararam de falar com a gente, porque lá [na Ucrânia] havia propaganda de que nós somos os seus inimigos. Foi dado um certo estímulo para que eles passassem a pensar assim. Mas o que, afinal, nos difere? [Eu dizia] ‘Vocês vivem aí, nós vivemos aqui, qual é a diferença?’. Tenho um primo de lá que reage com ódio aos russos.”

O comerciante afirma que “isso começou antes da dissolução da União Soviética”, em 1991. Relembra que parentes o visitavam em Moscou e diziam: “Vocês tomam a nossa manteiga”.

“Eu respondia ‘vamos ao mercado, vejam, a manteiga que consumimos é finlandesa, ou é feita na Rússia. Nunca vi manteiga ucraniana aqui’. Mas eles já viam essa propaganda de que nós somos os culpados, de que tomamos as coisas deles, isso e aquilo. E essa propaganda continuou, continuou. Até, no fim das contas, chegarmos a essa tragédia.”

noticia por : UOL

O que vai acontecer se os EUA criarem uma Reserva Estratégica de Bitcoins?

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Em 16 de setembro último, esta Gazeta publicou artigo no qual analisamos o que era então a possibilidade de que Donald Trump fosse eleito presidente dos Estados Unidos e endossasse o projeto de lei da senadora Cynthia Lummis (Republicanos/Wyoming) que prevê o estabelecimento de uma Reserva Nacional Estratégica de Bitcoin.

Trump foi eleito presidente em 5 de novembro e não apenas endossou o PL de Lummis, como também indicou David Sacks como principal autoridade (“czar”, no anedótico jargão político norte-americano) para temas de criptoativos e inteligência artificial. Em 12 de dezembro, o presidente-eleito concedeu entrevista à rede CNBC e confirmou que criará a mencionada reserva estratégica.

A declaração de Trump deflagrou (mais) uma onda de euforia nos mercados spot, futuros e de fundos de índice cotados (ETFs) de Bitcoin (BTC). Seis dias depois, o embalo foi interrompido por um comentário mal-interpretado de Jerome Powell, presidente da Reserva Federal (equivalente norte-americano do Banco Central), segundo quem o Fed “não pode possuir bitcoins”, pois eventual mudança da legislação corresponderia ao Congresso dos EUA.

A impossibilidade legal de que a Reserva Federal atualmente entesoure BTCs é — ou deveria ser — uma obviedade: se não fosse o caso, o projeto de lei da senadora Lummis seria desnecessário. A principal modificação legal visando a permitir que o Fed entesoure BTCs diz respeito a três dispositivos do Federal Reserve Act, lei de 1913 que instituiu a Reserva Federal, quais sejam os que tratam: i) das competências da Fed e dos colaterais admissíveis; ii) dos ativos que a Reserva Federal pode entesourar; e iii) dos ativos que lastreiam o meio circulante (dólar norte americano – USD).

Não se quer dizer, com isso, que eventual modificação da lei institutiva do Fed será simples, o que de resto rarissimamente ocorre em uma república constitucional de processo legislativo complexo como os Estados Unidos. Há, contudo, uma convergência de fatores que dificilmente se repetirá nos curto e médio prazos: um presidente pró-BTC e um Congresso com cerca de 47% de seus membros (250 dos 435 deputados e 100 senadores, segundo o canal Fox Business) favoráveis à adoção de leis integrativas de BTC ao sistema financeiro norte-americano.

Partindo da premissa de que a Reserva Estratégica de Bitcoin norte-americana será constituída, cumpre analisar suas possibilidades de funcionamento, com base tanto no projeto de lei da senadora Lummis quanto em eventuais modificações da lei institutiva do Fed.

Uma reserva estratégica é constituída por estoque de recurso crítico que pode ser utilizada em tempos de crise (monetária ou financeira, sem prejuízo de outros tipos) ou em caso de choques de oferta e/ou de mau-funcionamento das cadeias de fornecimento (aplicável sobretudo a commodities energéticas como petróleo bruto, óleo diesel, gasolina e urânio, alimentícias como grãos e industriais metálicas como alumínio, cobre e terras raras, entre outras).

Essas funções clássicas desempenhadas pelas reservas estratégicas não afastam as possibilidades de que estoques de commodities sem precedentes históricos sirvam a propósitos ainda não registrados. Convém aqui esclarecer que o Bitcoin é considerado uma commodity digital pela Securities and Exchange Comission (SEC, equivalente norte-americano da Comissão de Valores Mobiliários), essencialmente porque sua emissão não é controlada por um ou mais agentes centralizados ou com personalidade jurídica (caso em que seriam securities).

Como tratado no artigo de setembro, o projeto de Lummis prevê a aquisição de 200 mil BTCs anuais ao longo de cinco anos, perfazendo um milhão de unidades. Somados aos atuais 210 mil BTCs já em posse do governo dos Estados Unidos, a Reserva Estratégica, consoante a proposta original da senadora de Wyoming, conteria 1,21 milhão de unidades em 2030, ou 5,7% do estoque total de 21 milhões (dos quais cerca de 20,5 milhões estarão em circulação no fim de 2030).

É um belo plano no papel, mas de difícil execução: as aquisições de tais volumes trariam instabilidade excessiva se realizadas no mercado spot, ainda que de maneira deliberadamente difusa, e há dúvidas bem fundamentadas quanto à possibilidade de aquisição de 200 mil BTCs anuais no mercado OTC (over-the-counter) sem que a cotação da commodity, em USD e outras moedas fiduciárias, seja significativamente afetada, já que a movimentação dos BTCs entre carteiras seria pública no blockchain.

Além disso, é oportuno ter em vista que a Reserva Estratégica provavelmente será estabelecida por lei, de modo que suas aquisições de Bitcoin (custeadas pela liquidação parcial de reservas de ouro após a atualização dos valores contábeis das reservas norte-americanas do metal, tema que abordamos no artigo de setembro, e, alternativa ou complementarmente, pela emissão de dívida) terão que atender a requisitos de transparência, não podendo, portanto, operar como um slush fund (fontes secretas de recursos utilizadas por diversos serviços de inteligência para financiar atividades frequentemente ilegais).

Volatilidade

Um grupo minoritário de juristas norte-americanos, contudo, argumenta que Trump poderia se valer de dos poderes presidenciais estabelecidos pelo artigo II da Constituição dos Estados Unidos para criar a Reserva Estratégica por meio de ordem executiva (executive order) que instruiria o Fundo de Estabilização Cambial do Departamento do Tesouro (Treasury’s Exchange Stabilization Fund) à compra dos BTCs a serem entesourados por no mínimo vinte anos.

Conquanto os críticos de uma Reserva Estratégica de Bitcoin progressivamente reconheçam a viabilidade legal de seu estabelecimento, muitos ainda sustentam que a commodity não tem “valor intrínseco”. Trata-se de um equívoco quase ontológico, já que valor, na acepção da Escola Austríaca de economia, existe exclusivamente desde a perspectiva individual humana, que o confere com base na utilidade marginal: um estoque de alimentos, por exemplo, não tem “valor intrínseco” para um ou mais indivíduos que já disponham de abundância dos mesmos alimentos, e a possibilidade de comercializar tais excedentes teria que levar em conta a perecibilidade dos estoques, os custos de armazenagem, transporte e seguro, entre outros.

No mesmo ensejo, a leitura marxista da teoria do valor-trabalho, segundo a qual o trabalho é o elemento que confere “valor intrínseco” a um determinado bem econômico, ignora que trabalho pode ser empregado em atividades que não geram qualquer valor, como o economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk bem demonstrou ao comparar que quantidades similares de trabalho empregadas na confecção de tortas de cereja e de lama resultariam em valores bem diferentes…

Outra crítica tange à volatilidade do Bitcoin, medida em dólares norte-americanos e outras moedas fiduciárias. O leitor que acessar um portal com escala linear do preço do BTC em USD desde 2010 certamente observará tremenda volatilidade no preço da commodity, mas essa volatilidade não seria muito diferente daquela observada na relação entre o ouro e o marco alemão entre 1921 e 1923.

No caso do par BTC/USD, a volatilidade é sobremaneira reduzida quando se substitui a escala linear pela logarítmica, que permite complementar a percepção de que o BTC se apreciou cerca de 26500% em relação ao dólar desde 2014 com outra que expõe a migração de valor de uma moeda inflacionária de estoque virtualmente infinito e politicamente controlado (USD) para uma progressivamente deflacionária de estoque finito e politicamente neutra (BTC).

É possível, nesse contexto, que a volatilidade do BTC, ainda que se reduza expressivamente nos próximos anos e décadas, constitua um dos fatores (mas não o principal) responsáveis por fazer da commodity sobretudo reserva de valor e unidade contábil, mas não meio de troca, que deve ser estável. Por outro lado, ainda que BTC venha a ter volatilidade similar à do ouro ou à de imóveis corporativos na ilha de Manhattan, em Nova Iorque, seus detentores — individuais, jurídicos ou soberanos — provavelmente não pagarão cafés, cervejas ou mesmo contas de restaurante em satoshi (a subunidade do BTC; cada BTC é integrado por 100 milhões de satoshi) por motivos similares àqueles que os levam a não pagar pelos mesmos itens com uma fração de ouro ou de um edifício empresarial.

Risco para o dólar?

A probabilidade de que o Bitcoin se consolide como reserva de valor e, futuramente, unidade contábil, põe em xeque os argumentos daqueles que se dizem contrários ao estabelecimento de reservas estratégicas da commodity, nos Estados Unidos e em outros países, porque tais estoques acarretariam a obsolescência do USD e de outras moedas fiduciárias.

O dólar só desempenha função de reserva de valor para nacionais de países com moedas hiperinflacionárias, como o Venezuela e o Zimbábue, que buscam converter quantias em moedas locais USD a fim de evitar a pulverização de seus poderes de compra. Nesse contexto, a Reserva Estratégica de BTC dos EUA, longe de enfraquecer o dólar norte-americano, possivelmente sinalizará ao mundo que o governo daquele país vê na commodity não um concorrente de sua moeda, mas um ativo a ser integrado ao sistema financeiro norte-americano com vistas a fortalecer o dólar.

Tal leitura adquire particular urgência quando se leva em conta a possibilidade de que países que os Estados Unidos veem como antagonistas, exemplos dos quais são China e Rússia, podem estar já acumulando BTCs, sem que tenham dado publicidade às hipotéticas iniciativas. Nesse caso, o acúmulo de BTCs em uma reserva soberana perfaz importante fator de dissuasão no contexto de investidas para erodir a presença internacional do dólar norte-americano.

Reserva brasileira de Bitcoin

No Brasil, a apresentação, em novembro, de projeto de lei 4501/2024, do deputado federal Eros Biondini (PL/MG), que dispõe sobre a formação de Reserva Soberana de Bitcoins (RESBit), é um passo importantíssimo para que o tema possa ser tratado com a relevância que lhe corresponde pelo Congresso Nacional.

Não nos parece, contudo, que as atuais circunstâncias econômicas e políticas do País permitirão que o projeto e, em sentido mais amplo, o temário, sejam debatidos, no curto prazo, pelo Congresso Nacional e pela sociedade brasileira.

O que não deixa de ser ao mesmo tempo desanimador e preocupante, já que, se outros países constituírem suas respectivas reservas, a demanda por Bitcoin concorrerá para majorar seu preço em USD e em outras moedas fiduciárias.

Como a cotação de BTC em USD informa o preço da commodity em real brasileiro (com base na cotação USD/BRL, à qual deve ser acrescido prêmio variável, decorrente da liquidez relativamente baixa das corretoras brasileiras de BTC), poderão sobrevir dificuldades para que o Estado brasileiro (e também particulares) adquiram BTCs em reais, particularmente se a depreciação do BRL em relação ao USD se aprofundar.

Há crescente insatisfação de libertários e anarcocapitalistas com a adoção – por eles definida como “sequestro” – do Bitcoin por instituições financeiras e Estados nacionais. A ideia fundamental de Satoshi Nakamoto, criador do protocolo BTC, e seus contemporâneos mais próximos, entre 2009 e 2010, seria promover a separação definitiva entre Dinheiro e Estado.

É uma frustração compreensível, mas há precedentes históricos aos montes, o mais destacado dos quais talvez seja a sintetização da pólvora, por alquimistas chineses do século IX, para fins medicinais, tendo a invenção, quase quatro séculos depois, deixado de servir a propósitos precipuamente medicinais para se tornar um insumo indispensável à guerra.

Nesse mesmo diapasão, os “puristas” de inspiração libertária e anarcocapitalista deverão ficar ainda mais desapontados quando começarem a emergir manifestações do emprego de BTC para propósitos não financeiros, tema pioneiramente desenvolvido por Jason Lowery, major da Força Espacial dos EUA, em dissertação de mestrado intitulada “Softwar: A Novel Theory on Power Projection and the National Strategic Significance of Bitcoin”, defendida em fevereiro de 2023 no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A dissertação de Lowery, que teve seu domínio público suspenso por determinação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, será comentada em um nosso artigo futuro.

Marcos Degaut, cientista político, é doutor em segurança internacional e pesquisador sênior na University of Central Florida (EUA); ex-Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa e ex-Secretário Especial Adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Lindolpho Cademartori, diplomata de carreira, é mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Suas opiniões são estritamente pessoais e não necessariamente refletem aquelas do MRE.

noticia por : Gazeta do Povo

Bombeiros resgatam tamanduá-bandeira de local de risco em Cuiabá

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O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) prestou os primeiros socorros, neste sábado (28.12), a uma mulher de 18 anos e à sua filha recém-nascida, após o parto realizado em sua residência, no bairro Nova Aliança I, em Sorriso (a 398 km de Cuiabá).

A equipe do 5º Batalhão de Bombeiro Militar (5º BBM) foi acionada, via 193, para atender a parturiente. No local, os bombeiros encontraram a mãe deitada na cama, segurando sua filha recém-nascida, que havia nascido de parto normal. A mulher estava consciente, orientada e comunicativa.

Após a avaliação inicial, foi constatado que tanto a mãe quanto o bebê apresentavam sinais vitais estáveis. Assim, a equipe realizou o procedimento de clampeamento e corte do cordão umbilical conforme protocolo, com segurança para ambos.

Já na unidade de resgate, a equipe também auxiliou na dequitação da placenta, procedimento que ocorreu sem complicações. Em seguida, mãe e filha foram encaminhadas ao Hospital Regional de Sorriso, onde permanecem sob acompanhamento médico.

Orientações

Em casos de trabalho de parto fora de unidades hospitalares, o Corpo de Bombeiros Militar reforça a importância de acionar imediatamente o telefone 193. A rapidez no atendimento é crucial para garantir a segurança da mãe e do recém-nascido.

Além disso, é fundamental manter a calma e oferecer suporte emocional à parturiente, criando um ambiente de tranquilidade. Também é importante seguir todas as orientações fornecidas pela equipe de emergência até a chegada do socorro.

Fonte: Governo MT – MT

FONTE : MatoGrossoNews

Motorista de aplicativo é assaltada e esfaqueada durante falsa corrida

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DO REPÓRTERMT

Uma motorista de aplicativo de 31 anos foi vítima de uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) na noite dessa sexta-feira (27), no município de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), durante o atendimento de uma falsa corrida. A vítima foi atingida com um golpe de faca na mão. O crime foi cometido por dois suspeitos que foram presos pela Polícia Militar.

De acordo com informações do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), a motorista relatou que atendeu a uma chamada para um dos suspeitos com destino a Rua Alencar Bortolanza. Durante o trajeto, ele pediu para que a motorista desviasse o caminho pela Rua Luiz de Bona.

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Nesse momento, o homem pegou uma faca que estava no console do veículo da vítima e a puxou pelo cabelo, anunciando o roubo em seguida. O suspeito exigiu que a motorista passasse o dinheiro e realizasse transferências bancárias via Pix.

Indignada com a situação, a mulher entrou em luta corporal com o suspeito, sofreu um corte na mão e conseguiu sair do veículo. A vítima correu até a rodoviária e pediu ajuda para outros motoristas de aplicativos.

A condutora retornou até o seu veículo, mas o suspeito já havia corrido para uma região de mata. Após a denúncia, policiais militares da Rotam intensificaram o policiamento na região e se deslocaram até a casa de um homem que teria solicitado a corrida para o suspeito.

No local, o denunciado alegou que ambos passaram o dia ingerindo bebidas alcoólicas e que não sabia o que teria acontecido após o suspeito embarcar no veículo. O homem foi encaminhado à delegacia.

Em seguida, os policiais militares receberam informações de que o suspeito estava em um bar, na Avenida Tangará. O suspeito foi localizado, identificado e detido em seguida. Ele confessou à PM a participação no crime e foi encaminhado à delegacia para registro do boletim de ocorrência.

FONTE : ReporterMT

Problema no trem de pouso provavelmente causou acidente com Boeing 737 na Coreia do Sul, diz agência

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Segundo autoridades ouvidas pela Yonhap, avião da Jeju Air já havia feito uma primeira tentativa de pouso e arremetido antes da colisão. Imprensa sul-coreana exibe vídeo de avião explodindo após bater em muro
Um problema no trem de pouso foi, provavelmente, a causa primária da sequência de eventos que provocou o incidente com o Boeing 737-800 da Jeju Air na Coreia do Sul, neste domingo (29), segundo autoridades ouvidas pela agência de notícias Yonhap.
A aeronave havia decolado de Bangkok, na Tailândia, com destino a Muan, no sul da Coreia do Sul, com 181 pessoas a bordo. Até a última atualização desta reportagem, 62 mortes haviam sido confirmadas.
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A Yonhap disse, inicialmente, que o incidente ocorreu devido a uma falha no trem de pouso provavelmente causada por uma colisão com pássaros.
Um emissora de TV local obteve um vídeo que mostra o momento em que a aeronave tenta pousar sem o trem de pouso baixado, ultrapassa a extensão da pista e se choca contra um muro, em alta velocidade, provocando uma explosão.
Pousar “de barriga”, com o trem de pouso recolhido, é um procedimento de emergência, mas que ocorre eventualmente na aviação comercial. Não é comum que esse tipo de evento resulte em mortes.
Chamou a atenção dos analistas, segundo a agência sul-coreana, o fato de a aeronave ainda estar em alta velocidade no trecho final da pista.
Além disso, segundo os investigadores ouvidos, o piloto do Boeing havia feito outra tentativa de pouso em Muan, mas, sem sucesso, arremeteu. O incidente ocorreu na segunda tentativa, portanto.
Avião explodiu após sair da pista na Coreia do Sul, em 29 de dezembro de 2024
Yonhap via REUTERS
O Boeing 737-800 é um avião comercial amplamente utilizado em todo o mundo e considerado extremamente seguro. No Brasil, sua principal operadora é a Gol Linhas Aéreas.
O presidente em exercício Choi Sung-mok, nomeado líder interino do país na sexta-feira (27) depois que o presidente em exercício anterior sofreu impeachment em meio a uma crise política em curso, ordenou que todos os esforços sejam concentrados no resgate, disse seu gabinete.
Um porta-voz da Jeju Air disse que a companhia aérea estava verificando o ocorrido.
Trajeto do voo Jeju Air 2216, de Bangkok para Muan, na Coreia do Sul
Reprodução/FlightRadar24
VEJA TAMBÉM:
Avião sai da pista e explode na Coreia do Sul
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Fonte: G1

Como o pequeno computador Jetson Orin Nano Super, da Nvidia, pode revolucionar acesso à IA

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Jensen Huang, CEO da NVIDIA, apresentou no começo de dezembro de 2024 seu mais novo computador para Inteligência Artificial, o Jetson Orin™ Nano Super. Alguns chamam de supercomputador, até, mas seu mérito não está em capacidade de processamento. O Orin tem muito mais a oferecer e pode revolucionar o mercado. Como a NVIDIA já fez.

Para entender a importância do Orin, é preciso entender a posição da NVIDIA, antes vista como uma empresa voltada para gamers, e como ela conseguiu se tornar referência em Inteligência Artificial e chegar a um valor de mercado de US$ 3,34 trilhões, maior que o PIB do Brasil em 2023.

Qual o segredo da IA?

Inteligência Artificial é pura matemática. IA é apenas Álgebra Linear e Estatística aplicadas. Uma rede neural é formada por neurônios simples, que recebem uma informação, processam e retornam um valor numérico. Em um exemplo simples: Se eu colocar sensores nos quatro cantos de uma casa, do lado de fora, um sensor sozinho me diz se está claro ou escuro. Combinando os quatro, eu consigo descobrir se está de dia, de noite, amanhecendo ou anoitecendo.

Uma rede neural de uma IA como o ChatGPT possui bilhões de neurônios, representados por matrizes com milhares de dimensões. Processar esses dados exige muita capacidade de computação, mas são contas simples, apenas repetitivas. Os chips como os Ryzens e Intels são extremamente rápidos, mas não conseguem dividir tarefas em milhares de subtarefas de forma eficiente. Isso sempre foi problema em um campo bem popular: GAMES, e daí surgiram as GPUS.

O que é uma GPU?

Uma GPU – Graphics Processing Unit, Unidade de Processamento Gráfico — é um chip de computador projetado para receber uma tarefa, dividi-la em partes discretas, e executá-las de forma paralela. Um objeto 3D em um jogo é composto de triângulos. Cada triângulo tem dimensões específicas, cor, textura e dezenas de outros parâmetros. Ao invés de desenhar cada triângulo individualmente, a GPU recebe uma lista deles, e repassa para unidades que irão desenhar vários ao mesmo tempo. Quantos vários? Uma placa gráfica NVIDIA RTX 2080 é capaz de gerenciar 20 bilhões de triângulos por segundo.

Na prática há diversos outros fatores que afetam a velocidade de geração de imagem, mas mesmo as cenas mais complexas são renderizada em tempo real com milhões de triângulos. Além disso as GPUs possuem módulos especializados em compressão / descompressão de vídeo em tempo real, simuladores de efeitos de Física, sombreadores e uma imensa lista de outros recursos, com foco no paralelismo, a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo. E no caso da NVIDIA, temos o CUDA.

CUDA?

CUDA (Arquitetura de dispositivo unificado de computação) é uma tecnologia introduzida em 2007. Proposta pelo engenheiro Ian Buck, CUDA é uma forma de dar acesso aos recursos de paralelismo das GPUs, sem que sejam especificamente para games. Ian e sua equipe tiveram a visão de que cientistas poderiam se beneficiar da capacidade de processamento das GPUs, que em tarefas simples são milhares de vezes mais rápidas que a CPUs.

Digamos que eu tenha uma CPU Ryzen 5600, com 6 núcleos, 12 threads. Eu quero aplicar um filtro a uma imagem. A forma mais eficiente é dividir a imagem em 12 partes, cada thread cuida de uma (descontando o tempo de CPU usado pelo Sistema Operacional, claro).

O filtro consiste em diversas operações matemáticas, funções, etc.

Com o CUDA, em uma GeForce RTX3060, é possível dividir a tarefa entre 3584 núcleos de hardware independentes, que retornarão o resultado muito mais rápido. Em um teste simples, multiplicando matrizes de 128×128 células, uma placa GeForce3060 é 40,76 vezes mais rápida que um chip Ryzen 5600.

Então por que tudo não é CUDA?

O CUDA não é uma solução genérica. CUDA possui núcleos capazes de lidar com Transformadas de Fourier, Álgebra Linear, Matrizes, Análise de Grafos e muitos outros processos matemáticos, mas não são processadores genéricos. Eles fazem algumas coisas muito rapidamente, mas não coisas genéricas. É como explicar para seu sushiman japonês como formatar um PC. Até consegue, mas dá trabalho e não será eficiente.

A grande visão

Quando o CUDA surgiu, ninguém deu bola, era algo que quase não se usava em jogos, e cientistas são bem avessos a novidades, então demoraram a aceitar a ideia de usar placas para joguinhos em seus laboratórios, mas a NVIDIA foi persistente, entendeu que era um esforço a longo prazo, e continuou, ano após ano, criando novas versões, aprimorando os recursos, promovendo e fomentando o CUDA entre estudantes e pesquisadores. Uma geração inteira de gamers nasceu acostumada com a NVIDIA e o CUDA, e eventualmente, as GPUs começaram a ser usadas no mundo acadêmico.

Empresas e Universidades começaram a desenvolver bibliotecas de software com suporte ao CUDA, como PyTorch, cuBLAS, cuDNN e outras. E aí, o jogo virou.

Mas e os games?

A NVIDIA não podia vacilar e perder o mercado de games. Logo conseguiram utilizar sua tecnologia de Inteligência Artificial em recurso como DLSS (Deep Learning Super Sampling), que renderiza os jogos em resolução menor e usa IA para ampliar a imagem, resultando em mais performance e frames por segundo. Sua concorrente, a AMD, desenvolvia tecnologias semelhantes, mas sem uma arquitetura popular como o CUDA, então era ignorada pelo mercado acadêmico.

Então todos compram GPUs gamers?

Não, não. A NVIDIA expandiu sua arquitetura para chips de altíssima capacidade, como o NVIDIA® Grace™ Hopper™ Superchip, processando terabytes por segundo, mas cada brinquedo desses começa na faixa de US$ 65 mil [equivalente a R$ 402 mil na cotação atual]. Existe uma clara divisão entre pesquisadores, universidades e datacenters de empresas como a Microsoft, que em 2024 adquiriu o dobro (485 mil) de chips Grace Hopper da NVIDIA que a concorrência.

Projetos menores usam, claro, CPUs gamers, mas mesmo isso pode ultrapassar o orçamento de empresas mais humildes e projetos menores.

O que é o Jetson Orin™ Nano Super?

O Orin é uma plataforma de desenvolvimento para IA, parte de uma família de computadores da NVIDIA. Baseado na arquitetura Ampere, das GeForce 30XX, ele tem 1024 núcleos CUDA, 8GB de memória unificada, e um processador ARM Cortex-A78AE v8.2 de seis núcleos.

O kit de desenvolvimento traz o Orin acoplado a uma placa com duas portas para SSD NVME, quatro portas USB 3.2, Gigabit Ethernet, Display Port, leitor de cartão SD, WIFI e conexão para câmera. O preço sugerido é de US$250.

É um supercomputador?

Muita gente está chamando o Orin assim, mas as especificações não chegam nem perto. Uma GeForce 3060 consegue processar 102 TOPS (Trilhões de Operações Por Segundo). O Orin chega a 67. Uma GeForce topo de linha como a RTX 4090, com 16384 núcleos CUDA, atinge 1320 TOPS.

Em termo de performance o Orin se equipara a uma GPU de três gerações atrás.

Então qual a vantagem?

Um trem é um excelente meio de transporte, mas não faz sentido usar um para entregar uma pizza na sua porta. Uma placa de vídeo high-end pode ser bem mais poderosa que o Orin, mas exigirá um computador potente, com uma fonte parruda. Uma GeForce 4090 sozinha pode consumir 450 watts. Um Orin tem consumo máximo de 25 watts.

Ele é uma solução completa para desenvolvimento de aplicações em Inteligência Artificial, com baixíssimo consumo de energia e um custo total inferior ao de uma GPU isolada.

Quais as aplicações do Orin?

Ele pode ser uado em salas de aula. Turmas inteiras podem ser equipadas com Orins, a uma fração do custo de montar um laboratório com PCs e GPUs.

O Orin, claro, não consegue rodar um ChatGPT, mas pode executar aplicações mais simples, como monitorar uma câmera em tempo real e identificar atitudes suspeitas, coletar placas de carros, fazer avaliação visual de estoques, dizendo quais produtos em um supermercado precisam ser repostos.

Com o Orin é possível aplicar Inteligência Artificial em tarefas onde seria caro e complicado demais implantar esse tipo de solução. Seria trivial usar o Orin para criar um serviço de autoatendimento no WhatsApp, com capacidade de conversar com o cliente.

Aplicações que hoje exigem um PC dedicado com uma GPU cara, podem rodar no Orin a uma fração do custo.

O Orin também possui um conector de 40 pinos GPIO, usados para conectá-lo a dispositivos como sensores de temperatura, detectores de gases, radares, sensores de movimento e muitos outros. Todos podem ser integrados a aplicações de Inteligência Artificial.

O Orin é para todo mundo?

Definitivamente não. Ele não vai rodar jogos complexos nem gerar um vídeo em IA de alta resolução. Para o indivíduo com verba que quer trabalhar com IA de ponta, um PC parrudo com uma GPU topo de linha é o indicado. O Orin é uma excelente ferramenta de aprendizado, uma excelente solução para casos específicos, mas não deve ser confundido com uma alternativa a equipamentos que custam dez vezes mais. Cada um no seu cantinho.

Em um mundo ideal, você teria o PC parrudo e um Orin, para testar e implementar aplicações a um custo bem mais acessível para seus clientes.

noticia por : Gazeta do Povo

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noticia por : UOL