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Com renúncia, Santiago Peña ganha cargo de senador vitalício no Paraguai

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Com renúncia, Santiago Peña ganha cargo de senador vitalício no Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5), mas irá ganhar um cargo de senador vitalício do país e manter o foro privilegiado.
A posição é prevista no Artigo 189 da Constituição do Paraguai, chamado “Das senadorias vitalícias” (De las senadurías vitalícias). De acordo com o texto, “os ex-presidentes da República, eleitos democraticamente, salvo se tiverem sido submetidos a julgamento político e considerados culpados”, viram senadores sem direito a voto.
O senador vitalício pode participar das sessões e comissões, mas não vota e não conta para o quórum.

Ele pode recusar o cargo por escrito, previamente, ao presidente da Câmara de Senadores.
A condição é vitalícia, mas pode ser afastada se o ex-presidente for considerado culpado em um impeachment (julgamento político).
Saiba o que aconteceu
Peña era alvo de um processo de impeachment que havia angariado o apoio tanto da oposição quanto da base governista por conta de uma crise bancária envolvendo um banco do qual o presidente foi acionista (leia mais abaixo).
Em um vídeo, ele se desculpou com a população afetada pela crise bancária e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.
➡️ Conservador, Santiago Peña, era alvo de críticas por conta da crise bancária que começou após o banco digital Ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do grupo que controla a instituição, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades (leia mais abaixo).
Nesta manhã, o Congresso do Paraguai iniciou uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment, e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votarão a favor do impeachment. Mais cedo, aliados de Peña retiraram o apoio ao presidente nesta quinta e começaram a pedir sua renúncia, além de defender o processo de impeachment.
A sessão seria o primeiro passo do processo do impeachment, uma iniciativa que ganhou força após o Horário Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla de Peña, retirar o apoio ao governo. Cortes é considerado o mentor de Peña.
O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, do Partido Colorado, também havia retirado apoio.
Economista conservador, Santiago Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023 e seu mandato duraria até 2028. Seu vice, Pedro Alliana, assume o poder, mas ele também é alvo do processo de impeachment.
Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado
REUTERS
Acusação
Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026.
Cesar Olmedo/ Reuters
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outros pontos. A acusação também aponta que o banco central teria encoberto irregularidades.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.
A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.
👉 Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O Ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o banco central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Agora no g1
Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.
Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do Ueno. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.
Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026.
Daniel Duarte/ AFP

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