Chanceler alemão diz que jornalistas ficaram contentes ao sair de Belém após COP30
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz , minimizou a importância de sua polêmica fala sobre Belém que causou mal-estar nesta semana no Brasil.
Merz afirmou que sua comitiva ficou contente por deixar Belém, onde ele esteve para participar da COP30 (leia mais abaixo).
“Eu disse que a Alemanha é um dos países mais belos do mundo, e o presidente Lula provavelmente concordará com isso”, ironizou o líder alemão ao ser questionado sobre a polêmica durante uma entrevista coletiva de imprensa com o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, na quarta-feira (19) em Berlim.
Merz disse ainda que espera ter uma conversa “totalmente descomplicada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G20 na África do Sul, que começa no próximo sábado.
“Aguardo com expectativa o reencontro com o presidente Lula. Tivemos um encontro pessoal muito bom em Belém. Esta tarde, o ministro do Meio Ambiente alemão, Carsten Schneider, conversou com o presidente Lula, e pedi-lhe que transmitisse as minhas cordiais saudações ao presidente Lula. Espero que tenhamos outra boa conversa na África do Sul, sem qualquer constrangimento.
Merz afirmou estar ansioso por novos encontros com Lula, com quem já teve um “encontro pessoal muito bom” na ocasião da Cúpula de Líderes, em Belém, ocorrida entre 6 e 7 de novembro. Ele ressaltou ter transmitido seus melhores cumprimentos ao líder brasileiro através do ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider, que se encontrou com Lula no Brasil nesta quarta-feira.
‘Contentes por voltar daquele lugar onde estávamos’
Após elogiar a Alemanha como “um dos países mais bonitos do mundo” durante um discurso em um evento em Berlim na semana passada, o chanceler acrescentou: “Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”.
A fala causou mal-estar no Brasil e foi também criticada na Alemanha, e o presidente Lula rebateu , dizendo que Merz deveria ter aproveitado a cultura e a culinária paraenses durante a visita ao Brasil e listou uma série de atrações e atividades, afirmando que “Berlim não oferece 10% da qualidade” do Pará e de Belém. “[Merz], na verdade, deveria ter ido em um boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará”, afirmou o petista ao discursar na inauguração de uma ponte em Tocantins.
O porta-voz do governo Merz, Stefan Kornelius, afirmou nesta quarta-feira não acreditar que haja qualquer prejuízo às relações teuto-brasileiras, sublinhando que, pelo contrário, Merz “aproveitou intensamente sua curtíssima viagem ao Brasil para estreitar as excelentes relações entre a Alemanha e o Brasil”.
“O chanceler não teve a intenção de falar de forma depreciativa sobre o Brasil”, sublinhou Kornelius, negando que Merz tenha algum motivo e intenção de se desculpar pelo comentário.
Na Alemanha, políticos do Partido Verde e do Partido Social-Democrata (SPD) criticaram Merz. À DW, a deputada Isabel Cademartori, do SPD, disse que “um chanceler alemão deve evitar dar a impressão de que trata os importantes países parceiros do Sul Global com arrogância ocidental.”
O ministro da Fazenda e co-líder do SPD, Lars Klingbeil, afirmou na quarta-feira, em Xangai, em resposta a perguntas de jornalistas, que a visita de Merz a Belém foi muito positiva. Há projetos conjuntos com o Brasil. “Também notei esse incômodo, mas vamos resolvê-lo rapidamente”, disse Klingbeil. Ele sempre defendeu que os políticos tenham liberdade de expressão, acrescentou o líder do SPD. Porta-vozes dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento também afirmaram não ter notado qualquer desentendido.
md/cn (DPA, Reuters)
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Fonte: G1



