Imagens de cerimônias fúnebres coletivas na Nigéria, onde ocorre um genocídio cristão, ganharam destaque em plataformas digitais nesta semana. Os registros mostram grupos de civis transportando caixões em multidão, em contexto de protesto contra a violência que afeta o país.
O jornalista israelense Hananya Naftali foi um dos que compartilharam o material em seu perfil no Instagram. Em publicação, ele escreveu textualmente: “Cenas de partir o coração do genocídio cristão na Nigéria: famílias inteiras em caixões. Nenhuma indignação. Nenhuma cobertura da mídia. Apenas silêncio. Eu me recuso a ficar em silêncio! Orem comigo”.
A influenciadora Naz Hashem também se manifestou, afirmando: “Dentro de cada caixão está uma criança, um pai, um irmão, um amigo — famílias inteiras dizimadas, aldeias apagadas”. E em continuidade, questionou: “Porque o mundo está silencioso quando os cristãos na Nigéria e no Sudão estão sendo massacrados?”.
Contexto da violência
Segundo relatório da Sociedade Internacional para Liberdades Civis e Estado de Direito (Intersociety), referente ao período entre janeiro e agosto de 2025, foram registradas 7.087 mortes e 7.800 sequestros de cristãos no país. O documento indica uma média de 30 mortes diárias.
Estima-se que, desde 2009, aproximadamente 185 mil nigerianos tenham falecido em ataques de grupos extremistas, sendo 125 mil identificados como cristãos e 60 mil como muçulmanos de vertentes não radicalizadas. No mesmo período, contabilizam-se 19 mil igrejas destruídas e mais de 1.100 comunidades cristãs atingidas.
Posicionamento oficial e internacional
O governo nigeriano classifica os episódios classificado como genocídio de cristãos como “conflitos entre agricultores e pastores fulani”, não reconhecendo o caráter de perseguição religiosa. Essa posição oficial tem sido contestada por organizações internacionais de direitos humanos e líderes religiosos.
A International Christian Concern (ICC), organização não governamental, emitiu declaração através de seu porta-voz: “Trata-se de um genocídio silencioso. A liberdade religiosa só existe quando há vontade política de protegê-la”.
Recentemente, parlamentares dos Estados Unidos manifestaram solicitação para que a Nigéria seja reinserida na lista de “Países de Preocupação Particular”, designação aplicada a nações onde são registradas graves violações à liberdade religiosa.
A Nigéria ocupa atualmente a sétima posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, elaborada pela Missão Portas Abertas. Dados da International Christian Concern apontam que 82% das mortes de cristãos por perseguição religiosa registradas entre 2022 e 2023 ocorreram em território nigeriano.
FONTE : Gospel Mais


