O pastor Zafar Bhatti, de 62 anos, morreu de parada cardíaca em 09 de outubro, apenas três dias após ser absolvido de uma condenação por blasfêmia que o manteve preso por 13 anos no Paquistão. Ele havia retornado para casa após a decisão de um tribunal superior, mas desmaiou antes que sua família conseguisse levá-lo para atendimento médico.
Bhatti, fundador da Igreja da Missão Mundial de Jesus, foi preso em julho de 2012 na cidade de Rawalpindi, província de Punjab, depois que um clérigo local o acusou de enviar mensagens de texto que insultavam a mãe do profeta islâmico Maomé. O pastor foi enquadrado no Artigo 295(C) do Código Penal do Paquistão, que prevê pena de morte para quem profanar o nome do profeta muçulmano.
Seu advogado, Saif ul Malook, declarou à UCA News que a saúde de Bhatti se deteriorou severamente durante sua detenção na Prisão de Adiala. Ele sofria de diabetes e doenças cardíacas, tendo sofrido dois ataques cardíacos leves enquanto estava sob custódia. A informação foi confirmada pelo grupo Christian Solidarity Worldwide (CSW), sediado no Reino Unido, que também noticiou sua morte.
Malook afirmou que solicitou fiança por motivos médicos diversas vezes, alegando que as condições da prisão eram precárias e agravavam o estado de saúde do pastor. Bhatti, que sempre manteve sua inocência, teria sido torturado durante os interrogatórios para que confessasse.
Em 2017, ele foi condenado à prisão perpétua, mas o caso permaneceu em apelação por vários anos. Segundo a organização Church In Chains, ao menos 47 audiências foram agendadas entre a condenação e a libertação, todas adiadas sem resolução.
Mesmo após um atestado médico emitido em 2019 alertando que um terceiro ataque cardíaco poderia ser fatal, o pastor permaneceu preso até sua absolvição em 06 de outubro. Três anos antes, em janeiro de 2022, um tribunal de sessões havia agravado sua pena para morte, embora a execução nunca tenha ocorrido.
A organização A Voz dos Mártires relatou que sua libertação foi celebrada por familiares e apoiadores. Reunido com a esposa, Nawab Bibi, Bhatti demonstrava esperança e bom humor, apesar do estado físico debilitado. Sua morte, dias depois, causou consternação entre cristãos paquistaneses, que há anos faziam campanha por sua libertação.
Durante o período de detenção, Nawab Bibi falou publicamente sobre o sofrimento vivido pelo casal. Em entrevista de 2017 ao jornalista Shamim Masih, da Associação Cristã Britânica Paquistanesa, ela descreveu as ameaças e agressões enfrentadas pelo marido. “Houve inúmeras tentativas de matar meu marido — ele sofre bullying todos os dias e não está a salvo nem dos detentos nem dos funcionários da prisão”, declarou. “Todos os dias me preocupo com a possibilidade de receber a notícia de que ele está morto.”
Ela relatou que, durante as visitas, os dois oravam juntos pedindo intervenção divina. “Sei que Deus o libertará um dia, mas peço aos cristãos de todo o mundo que orem por ele e desafiem seus governos a ajudá-lo.”
Segundo Nawab Bibi, o trabalho missionário do casal também provocou oposição de moradores locais. “Gostaria que nossos perseguidores vissem que os cristãos não são criaturas malignas. Somos seres humanos criados por Deus, o mesmo Deus que os criou, embora eles ainda não saibam disso”, afirmou.
As leis de blasfêmia do Paquistão têm sido amplamente criticadas por organizações internacionais de direitos humanos, como a Missão Portas Abertas. Essas entidades apontam que tais leis são frequentemente utilizadas para perseguir minorias religiosas, resolver disputas pessoais ou estimular violência coletiva. As condenações, segundo relatórios, costumam se basear em provas frágeis, e os recursos judiciais podem se estender por anos.
O diretor executivo da Christian Solidarity Worldwide, Scot Bower, afirmou que o caso de Bhatti demonstra como a legislação pode ser usada para punir inocentes. Ele defendeu que o governo paquistanês indenize a viúva e revogue integralmente as disposições sobre blasfêmia. “As leis de blasfêmia são redigidas de forma vaga e frequentemente mal utilizadas para acertar contas pessoais ou atingir membros de comunidades religiosas minoritárias”, declarou, de acordo com informações do portal The Christian Post.
FONTE : Gospel Mais



