domingo, setembro 27, 2026
BandFM 99.3
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
No Result
View All Result
BandFM 99.3
No Result
View All Result

Leila Slimani lança livro inescapável sobre relação de França e Marrocos

Redação by Redação
9 de outubro, 2025
in Sem categoria
0
0
SHARES
0
VIEWS

Mathilde observa seu jardim no interior do Marrocos. Vê em seguida a enorme escavadeira enfiar os dentes metálicos na terra e desenraizar os jacarandás, salgueiros e abacateiros um por um. Vão construir uma piscina no lugar onde Mathilde havia anos antes brincado com os filhos.

Essa cena abre, com força, o romance “Vejam Como Dançamos”, da franco-marroquina Leïla Slimani. Está ali a mensagem central do texto, que explora as transformações sociais dessa família. A piscina marca sua transição rumo à classe média depois de anos de lavoura. Sublinha também a ideia de uma identidade desenraizada —a francesa Mathilde se sente transplantada no Marrocos.

Slimani é uma das autoras mais renomadas da França. Seu livro “Canção de Ninar” ganhou em 2016 o Prêmio Goncourt, o mais importante do mundo de fala francesa. No ano seguinte, foi nomeada representante oficial para os assuntos francófonos, um cargo com status de diplomata.

O nome de Slimani vai circular bastante no Brasil nos próximos anos. Está em andamento a produção de um filme da Globoplay inspirado em seu livro “No Jardim do Ogro“, de 2014, com Alice Braga.

O romance “Vejam Como Dançamos” é a segunda parte de uma ambiciosa trilogia inspirada na família de Slimani. A primeira foi “O País dos Outros”, que saiu no ano passado no Brasil. A terceira e última, “Levei o Fogo Comigo”, está programada para chegar por aqui em 2026.

É, no conjunto, o trabalho mais maduro de Slimani. Os livros começam nos anos 1940 e acompanham por décadas a vida de Mathilde, seu marido Amine, seus filhos e seus vizinhos. Segue em paralelo a história do Marrocos, que passou por grandes transformações estruturais.

“Vejam Como Dançamos” é bem mais interessante do que o primeiro volume da trilogia, em que a história se arrastava e demorava para criar raízes. Ajuda o fato de que o livro se passa nos anos 1960, um momento mais emblemático da história do país, marcado pela repressão do rei Hassan e por uma abertura cultural.

ISso é evidente, por exemplo, na construção da piscina, uma cena improvável anos antes no interior do Marrocos. “No país que durante séculos vivera da terra e da guerra, já não se falava em outra coisa senão em cidade e progresso”, diz o texto.

Slimani, ainda bem, evita o didatismo para tratar dessas questões. Da mesma forma, ela não explicita a sua mensagem sobre a justaposição das identidades francesa e marroquina expressa no casamento de Mathilde.

Tudo a Ler

Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias

A mistura da França com o norte da África é central no debate público francês desde o século 20. O país, vale lembrar, colonizou Marrocos, Argélia e Tunísia e depois recebeu uma onda de imigrantes daqueles países. A entrada de norte-africanos motivou um sem-fim de discussões sobre o que significa ser francês. Famílias de origem marroquina, argelina e tunisiana enfrentam racismo a partir da ideia de que não são tão francesas como as demais.

Essa conversa aparece de maneira sutil e genial em “Vejam Como Dançamos”. Mathilde nasceu na França, se casou com um marroquino e fala árabe fluente. Seu marido Amine entrou para um clube de elite francês. Seu filho Selim nasceu no Marrocos, mas é loiro, traço que o distingue dos conterrâneos. Sua filha Aïcha se casou com um judeu.

Com tudo isso, a fronteira entre francês e marroquino vai se complicando. Slimani parece perguntar, a cada página, o que constitui a identidade de uma pessoa. Pode ser o local de nascimento, a língua, o status social, a fisionomia, a religião —ou nada disso, sugere.

A trilogia impressiona pelo fôlego de acompanhar gerações de uma só família, em um esforço parecido com o da trilogia do egípcio Naguib Mahfouz, o único autor de língua árabe a receber o Nobel da Literatura.

Slimani troca de cenário, passando por cidades como Meknes, Rabat e Essaouira. Muda também de narrador, apresentando pontos de vista complementares e conflitantes. Esse talvez seja um de seus pontos mais vulneráveis, cansando o leitor, que peleja para se apegar a um dos inúmeros personagens que vão se alternando no livro.

Dito isso, a autora escreveu uma trilogia inescapável para quem se interessa pelas literaturas da França e do Marrocos. Até nisso parece confundir as classificações —produziu um texto que se refere ao mesmo tempo a duas culturas que costumam aparecer divorciadas na ficção.

noticia por : UOL

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Trending
  • Comments
  • Latest

Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

Em iniciativa da primeira-dama de MT, Governo e Cuiabá Esporte Clube abrem espaço para autistas assistirem jogos na Arena Pantanal

Sine-MT disponibiliza mais de 2,4 mil vagas de emprego nesta semana

Municípios de MT já podem imunizar pessoas maiores de 18 anos com vacina da bivalente

Adolescente é detido e três pessoas são presas com 130 pinos de cocaína

Candidatos participam de gravações, entrevistas e eventos nesta quarta

Presidenciáveis realizam eventos de rua em diversas regiões do país

OpenAI para treinamento após agentes de IA agirem por conta própria

OpenAI para treinamento após agentes de IA agirem por conta própria

Veja o que muda e saiba datas para devolução de valores

Veja o que muda e saiba datas para devolução de valores

Em 13 anos, doença inflamatória intestinal cresce 5 vezes no Brasil

Em 13 anos, doença inflamatória intestinal cresce 5 vezes no Brasil

Popular Stories

  • Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Tolerância Zero à Bandidos que Aterrorizaram Confreza-MT

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
BandFM 99.3

We bring you the best Premium WordPress Themes that perfect for news, magazine, personal blog, etc. Check our landing page for details.

Follow Us

Browse by Category

  • DESTAQUES
  • GERAL
  • MATO GROSSO
  • POLICIA
  • TECNOLOGIA
  • Uncategorized

Recent News

Candidatos participam de gravações, entrevistas e eventos nesta quarta

Presidenciáveis realizam eventos de rua em diversas regiões do país

OpenAI para treinamento após agentes de IA agirem por conta própria

OpenAI para treinamento após agentes de IA agirem por conta própria

No Result
View All Result

© 2026 <

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In