quarta-feira, setembro 30, 2026
BandFM 99.3
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
  • MATO GROSSO
  • GERAL
  • POLICIA
  • DESTAQUES
  • TECNOLOGIA
No Result
View All Result
BandFM 99.3
No Result
View All Result

Como os libertários foram engolidos pela direita conservadora

Redação by Redação
21 de setembro, 2025
in Sem categoria
0
0
SHARES
1
VIEWS

Nos anos de 2015 e 2016, durante os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, cartazes como “Mais Mises, Menos Marx” ganharam as ruas. Assim como os termos “livre mercado” e “Estado mínimo” na boca dos ativistas durante os discursos. A projeção foi inédita no Brasil. Mas, menos de uma década depois, o debate sobre ideias liberais clássicas e libertárias parece ter perdido fôlego sem se traduzir em uma representação política consistente nos espaços de poder.

Quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República em 2018, ele logo colocou um liberal clássico ligado à Escola de Chicago, o Paulo Guedes, para ser ministro da economia. Assim, a liderança política em torno do tema convergiu em torno do capitão.

Por outro lado, liberais e libertários ou se adequaram à visão mais conservadora do pacote “bolsonarista”, ou descambaram para uma oposição ferrenha que mostrou a verdadeira face progressista dos seus membros.

O Partido Liberal (PL) reuniu a maioria do espectro de liberais e conservadores sob sua batuta depois que o próprio Bolsonaro decidiu pelo partido ao sair do antigo PSL. Já o Partido Novo, por exemplo, afastou João Amoedo da presidência chegando a expulsá-lo em 2022 quando ele declarou voto no Lula. Mesmo com uma postura de neutralidade, o Novo passou a ser o principal aliado do PL dentro do Congresso Nacional.

O Movimento Brasil Livre (MBL), por sua vez, surgiu como uma organização de jovens ativistas com discurso liberal e anticorrupção. Mas depois de ganhar projeção nas manifestações pró-impeachment da Dilma e apoiar o Bolsonaro no segundo turno em 2018, passou a adotar uma atuação política mais pragmática e menos leal aos antigos aliados.

A relação azedou de vez quando o MBL passou a atacar Bolsonaro com a mesma intensidade que atacava o PT, chegando até a pedir impeachment do então presidente durante a pandemia. Defesas do movimento em favor da legalização da maconha e de pautas LGBTs, fizeram com que o grupo se aproximasse mais do viés progressista do que conservador, como ocorreu com a maioria dos correligionários do Novo.

O libertarianismo perdeu espaço?

Para Rodrigo Constantino, comentarista e colunista da Gazeta do Povo, o recuo do protagonismo libertário é resultado direto da postura idealista e “desconectada da realidade” por parte dos seus defensores.

Segundo ele, na política atual, existem “monstros bem reais”, que estão “ameaçando com pautas insanas o bom senso e o legado da civilização ocidental judaico-cristã, a própria família e valores caros a qualquer indivíduo decente”. Em sua visão, o excesso de abstração e distanciamento da realidade política fez com que esses grupos fossem engolidos pela urgência de disputas mais concretas, como a defesa de valores ligados à família e à civilização ocidental.

Já Raphael Lima, empresário e fundador do canal libertário Ideias Radicais, argumenta que não houve propriamente uma redução, mas sim uma mudança de foco. Ele lembra que princípios como devido processo legal, liberdade de expressão e igualdade perante a lei são pilares liberais.

“A gente tende a associar liberalismo com economia e esquece que também tem toda uma doutrina política e filosófica ao redor disso”, afirma. Para ele, o que diminuiu foi a centralidade da pauta econômica, já que a criminalidade, a corrupção e o avanço do autoritarismo judicial passaram a ocupar o centro da preocupação pública.

Para o deputado federal Gilson Marques (NOVO-SC), a narrativa de que a esquerda teria assumido as bandeiras liberais nos costumes e a direita ficado apenas com a economia não faz sentido no Brasil. Ele considera que esse raciocínio pode até valer para os Estados Unidos, mas não se aplica à realidade nacional.

Em referência à esquerda, Marques diz: “Eles se tornaram o grupo político que defende censura, controle do discurso autorizado e até prisão de humorista”. Na visão dele, o país não vive uma disputa sobre costumes, mas um embate contra o gigantismo estatal e um sistema político que concentra poder.

O liberalismo na política atual 

A pergunta sobre quem ainda representa o liberalismo divide opiniões. Constantino é categórico: o Partido Novo ainda abriga parlamentares de perfil liberal clássico, como Marcel Van Hattem (Novo-RS), mas o MBL, na sua avaliação, se transformou em um grupo “neo-tucano, oportunista e cavalo de Troia da esquerda dentro da direita”. Para ele, o movimento perdeu qualquer ligação genuína com as ideias liberais e hoje não merece crédito político.

O MBL, que surgiu em 2014 como um grupo liberal passou a criticado por antigos aliados por suposto oportunismo e por alianças consideradas contraditórias com seus princípios iniciais. Raphael Lima recusou-se a classificar o MBL como liberal ou conservador, mas enxerga no Novo a principal força de reconstrução de uma tradição liberal no Brasil.

Lima ressalta que o partido mantém como espinha dorsal a defesa de instituições sólidas, liberdade de expressão e igualdade perante a lei. Segundo ele o NOVO “parou de ser um absoluto purista” e que agora “aceita pessoas de direita com diferentes ideias para estar no partido”, incluindo aqueles com uma visão mais conservadora. “Até porque historicamente você não teve nenhum país com valores liberais que também não tinha valores conservadores”, explicou.

Já o deputado Gilson Marques que integra os quadros do Novo, rejeita a ideia de que a legenda teria se tornado mais conservadora nos últimos anos. Ele lembra que, desde sua fundação, a sigla foi pensada para abrigar tanto liberais quanto conservadores, dentro de uma lógica de convergência prática. “Quem discorda de você 20% não é seu inimigo, e sim 80% aliado”, cita, parafraseando Ronald Reagan.  

O deputado argumenta que o crescimento do conservadorismo é consequência direta da reação da sociedade ao perceber que está sob ataque. “Estamos há anos sendo bombardeados pela imprensa, setor artístico e o mainstream político chamando de ‘radical’ quem só deseja criar sua família num ambiente seguro”, explica. Para ele, o NOVO abriu as portas para esse público porque todos compartilham o mesmo objetivo: “combater a esquerda e permitir a volta da sanidade para a política”. 

A aceitação das ideias liberais

Todos os entrevistados avaliam que a sociedade brasileira está mais receptiva sobre as ideias liberais. Constantino tem a percepção de que “o livre mercado vem ganhando força”, mas lembra que até mesmo no governo Bolsonaro, com Paulo Guedes à frente da economia, havia resistência interna vinda de setores militares mais protecionistas, mais tecnocrata, montada por positivistas militares que não entendiam o conceito de liberdade na economia. “Ainda é incipiente. Temos um longo trabalho à frente para esclarecer as pessoas da importância do livre mercado”, avalia.

Na avaliação de Raphael Lima há uma contradição no comportamento do eleitor: “o brasileiro adora receber coisas, mas não gosta de pagar imposto”. Segundo ele, revoltas contra aumentos tributários e insatisfação com a inflação mostram que há, sim, adesão difusa a ideias de mercado.

Contudo, o país sofre com a falta de lideranças capazes de traduzir esses conceitos em linguagem popular. “Você tem o Bolsonaro com apelo popular, mas ele não fala disso. Inclusive, quando ele teve a oportunidade ele não seguiu esse caminho”, criticou Lima. Por outro lado, “O centro do Brasil está preocupado com a continuidade de democracia institucional no Brasil, seja com o Lula, seja com o Bolsonaro”, explica. Para Raphael Lima, seja de maneira legítima ou ilegítima, o tema prioritário do país agora é outro.

Milei e as lições argentinas para o Brasil

A vitória de Javier Milei na Argentina trouxe esperança de renovação para muitos liberais e libertários no Brasil. Mas até agora, o efeito de contágio não se confirmou.

Para Raphael Lima, o impacto deve ser medido em longo prazo. “O número de pessoas interessadas em o que é libertarianismo subiu.” Ele argumenta que mudanças ideológicas profundas raramente ocorrem em semanas ou meses — são processos que se consolidam em prazos de anos ou décadas. Ele destaca que Milei já conseguiu em poucos meses estabilizar a economia argentina com medidas duras, mostrando que “o impossível pode acontecer” e que o Brasil tem potencial ainda maior de recuperação caso adote reformas radicais. 

Constantino, por sua vez, chama atenção para a estratégia política do argentino. Para ele, Milei soube combinar uma agenda econômica de choque com valores conservadores em costumes, como a defesa da vida contra o aborto. “É um povo conservador, o povo de classe média, média baixa. É um povo que não quer saber de agenda Woke, agenda mais radical no individualismo e subjetivismo”, afirma.

Na visão do comentarista, a popularidade do presidente argentino está ligada justamente a essa capacidade de unir as propostas. “Já os libertários brasileiros, na minha opinião, não sabem, não entendem a importância disso”, conclui.

Quanto ao movimento libertário, o deputado Marques sustenta que sua relevância nunca foi tão importante no Brasil. Segundo o parlamentar, há uma geração inteira de jovens sem confiança no sistema de aposentadoria, convivendo com insegurança, impunidade e baixo crescimento devido a décadas de políticas de esquerda que, em sua visão, alimentaram o “monstro estatal”.  

O mapa do liberalismo 

O liberalismo no Brasil ganhou musculatura a partir dos anos 1980, com a fundação do Instituto Liberal, no Rio de Janeiro, por Donald Stewart Jr. Foi o primeiro think tank dedicado a difundir ideias de livre mercado, traduzindo obras de economistas e promovendo debates.

No mesmo período, surgiu em Porto Alegre o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), que criou o Fórum da Liberdade. Até hoje, o maior evento anual de disseminação do pensamento liberal na América Latina e que mobiliza empresários, políticos e jovens ativistas.

Nos anos 2000, a necessidade de um discurso mais moderno deu origem ao Instituto Millenium, com base no Rio e em São Paulo, que buscava aproximar a elite intelectual liberal da mídia tradicional. O Millenium hoje atua como um espaço de formulação de políticas públicas e artigos de especialistas.

Já o Instituto Mises Brasil (IMB), criado em 2007, foi responsável por massificar o pensamento libertário e da Escola Austríaca no país. Com forte presença digital, traduziu livros, publicou artigos e atraiu uma geração de jovens que se firmaram contra o estatismo. Desde os anos 2010, sua influência cresceu junto a canais no YouTube e podcasts, e hoje amplia sua atuação com cursos livres e pós-graduação representando o maior difusor do libertarianismo no país.

Outro ator relevante é a rede de Institutos de Formação de Líderes (IFLs), surgida em Belo Horizonte e replicada em várias capitais. Voltados a jovens empreendedores, os IFLs se tornaram celeiros de lideranças políticas e empresariais. A presença digital do IFL é moderada, mas o impacto em eventos e no networking político é notável.

Em paralelo, o Students for Liberty Brasil (SFLB), braço do movimento internacional, conquistou espaço em universidades, treinando militantes e lideranças estudantis liberais. Sua força está nas redes sociais e na mobilização de base jovem.

Em seguida, nasceram iniciativas como o Instituto Mercado Popular, que tenta aproximar o liberalismo de pautas sociais, e o Instituto Liberal de São Paulo (ILISP), de viés mais combativo, com forte presença em redes como X e Instagram. 

Com foco na defesa das liberdades individuais, do livre mercado e de pautas sociais, o LIVRES surgiu em 2016 como uma corrente liberal dentro do PSL, mas rompeu com o partido após a guinada bolsonarista em 2018 e se transformou em um movimento suprapartidário. Ao longo dos anos, ganhou espaço em universidades e em partidos como Cidadania e Rede, apoiando candidaturas alinhadas ao liberalismo progressista. 

Esses novos think tanks mostram como o campo liberal se diversificou: de espaços mais acadêmicos e empresariais para movimentos digitais, conectados às batalhas de opinião. O resultado é um ecossistema fragmentado, mas persistente.

O futuro dessas ideias, portanto, dependerá não apenas de coerência programática, mas também da capacidade de conectar-se com os anseios da sociedade.

noticia por : Gazeta do Povo

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Trending
  • Comments
  • Latest

Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

Em iniciativa da primeira-dama de MT, Governo e Cuiabá Esporte Clube abrem espaço para autistas assistirem jogos na Arena Pantanal

Sine-MT disponibiliza mais de 2,4 mil vagas de emprego nesta semana

Municípios de MT já podem imunizar pessoas maiores de 18 anos com vacina da bivalente

Adolescente é detido e três pessoas são presas com 130 pinos de cocaína

Rodrigo Pacheco toma posse como novo ministro do TCU

Rodrigo Pacheco toma posse como novo ministro do TCU

EUA abrem investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após agentes de IA invadirem sistemas

EUA abrem investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após agentes de IA invadirem sistemas

Representantes do Brasil e dos EUA podem voltar a discutir tarifaço

Representantes do Brasil e dos EUA podem voltar a discutir tarifaço

Doação de sangue: espera para quem fez tatuagem e piercing será menor

Portaria libera doação de sangue de pessoas com mais de 70 anos

Popular Stories

  • Fiel influente no círculo de oração tira a própria vida no templo da Assembleia de Deus

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Modelo foi expulsa de mercado por roupas ‘curtas demais’

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Oitava Presbiteriana de BH organiza bloco de carnaval e sofre críticas

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Conselho Político da COMADEMAT realiza evento de confraternização em Nova Mutum

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
  • Tolerância Zero à Bandidos que Aterrorizaram Confreza-MT

    0 shares
    Share 0 Tweet 0
BandFM 99.3

We bring you the best Premium WordPress Themes that perfect for news, magazine, personal blog, etc. Check our landing page for details.

Follow Us

Browse by Category

  • DESTAQUES
  • GERAL
  • MATO GROSSO
  • POLICIA
  • TECNOLOGIA
  • Uncategorized

Recent News

Rodrigo Pacheco toma posse como novo ministro do TCU

Rodrigo Pacheco toma posse como novo ministro do TCU

EUA abrem investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após agentes de IA invadirem sistemas

EUA abrem investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após agentes de IA invadirem sistemas

No Result
View All Result

© 2026 <

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In