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Setembro amarelo: Hernandes Dias Lopes dá dicas de como identificar risco de suicídio

Redação by Redação
15 de setembro, 2025
in Sem categoria
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Os cristãos são chamados a entregar suas vidas para Deus, e a decisão de quando devem morrer pertence somente a Deus. “Não matarás”, mandamento em Ex 20.13, proíbe o homicídio, o suicídio e os pecados vinculados à violência. Esse mandamento atesta que a vida humana é sagrada.

Nas Escrituras, há seis relatos de suicídios: Abimeleque (Jz 9: 54), Saul (1 Sm 31: 4), o escudeiro de Saul (1 Sm 31.4-6), Aitofel (2 Sm 17.23), Zinri (1 Rs 16.18) e Judas (Mt  27.5).

Mas o que determina se um cristão ganha ou não acesso ao céu? O reverendo Hernandes Dias Lopes, autor do livro Não desista de você: Viva Uma Vida que Faça Sentido, concedeu entrevista para falar sobre mitos e verdades acerca desse tema.

Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana em Vitória e auxiliar na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, Hernandes defendeu uma perspectiva bíblica sobre o assunto, oferecendo uma abordagem de prevenção, já que a maioria das pessoas que atentam contra a própria vida dão sinais antes.

Confira a entrevista concedida à revista Comunhão na íntegra:

Suicídio ainda é tabu?

Sim, pois ele ainda não é tratado como deveria ser, ou seja, com transparência, e é exatamente por isso que se constitui em um risco tão grande para a sociedade. É claro que já estamos avançando, pois em alguns países o tema vem sendo tratado de forma preventiva, mas no Brasil ainda temos uma estatística maquiada, constrangimentos para tratar do assunto na mídia. O próprio Governo precisa encarar isso como um problema social e enfrentá-lo sem máscaras. Estou certo que de ainda temos um longo caminho pela frente; quanto mais se falar sobre o assunto, melhor.

Quem tenta o suicídio sempre tem algum distúrbio mental?
Duas escolas tratam dessa matéria: a sociológica e a psiquiátrica. A escola sociológica acredita que não. E eu também penso assim! Nós não podemos afirmar, por exemplo, que Getúlio Vargas tinha distúrbio mental. É possível que a pessoa tenha plena saúde mental, mas em determinado momento da vida sofra determinadas pressões ou seja acometida por doenças de outra ordem para que venha a cometer suicídio.
As causas para esse atentado contra a vida são várias, tais como: a depressão e o isolamento, a bipolaridade, a perda de um relacionamento significativo, sentimentos passionais, violência doméstica, drogas, motivações de cunho religioso, entre outras. Por essa razão, não podemos concluir que todas as pessoas que cometem suicídio têm distúrbios mentais.

Quem pretende se matar dá sinais?
É provado estatisticamente que mais de 80% das pessoas que cometem suicídios deram claros sinais de que iriam fazê-lo. Isso quebra o mito de que “quem fala em suicídio não se mata”. A verdade é o contrário! Os sinais precisam ser encarados como gritos de socorro. Nós precisamos estar atentos às pessoas que deixam pistas em suas falas – por exemplo, “Não aguento mais”, “Minha vida está sem sentido”, “Eu queria morrer” – ou ainda em seus comportamentos, como tomar uma dose exagerada de remédios, provocar cortes nos pulsos ou outros ferimentos. Tem algumas pessoas que ficam flertando com a janela ou demonstram desinteresse pela vida. Tudo isso são sinais que podem ser facilmente monitorados.

A depressão continua sendo a principal motivação para o suicídio?
Ainda hoje a depressão é tratada como a principal causa do suicídio, mas o que considero mais relevante explicar é que esse assunto, especialmente no meio evangélico, é muito mal interpretado, pois há dois extremos. O primeiro, vindo por um escritor e pregador conhecido como T. L Osborn, diz que depressão é “demônio”. Então, imagine, uma pessoa depressiva também tendo que carregar o peso de que está possessa ou sendo instigada por Satanás. O outro extremo vem de uma linha mais conservadora, de um escritor chamado Jay Adams, que acredita que depressão não é doença, mas que a pessoa está em pecado. Quem subscreve essas ideias acha que a cura é só pela Palavra, por não aceitar que a depressão seja uma doença, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) entende. Mas ela é uma doença e precisa ser tratada como tal, com medicamentos, terapia e fé. É bem verdade que uma das causas da depressão pode estar relacionada a problemas demoníacos e a pecados escondidos, como Davi retrata nos Salmos 32 e 51. Mas um crente cheio do Espírito Santo também pode ficar deprimido, assim como pode ter um problema renal, câncer, gastrite e outras doenças.

Após a suspeita ou confirmação de uma pessoa com pensamentos suicidas, como a família e os amigos devem proceder?
Primeiramente é preciso investigar as causas. É uma depressão?  Crise financeira? Uma dependência química? Ou seria o rompimento de um namoro, noivado ou casamento repentinamente? São várias as motivações, mas no momento em que a causa é identificada é preciso que se tomem ações imediatas para o acompanhamento da pessoa, como indicação ao psiquiatra, terapia, uso de medicamentos. A medicina é uma bênção de Deus. Mas só isso não basta! A pessoa também precisa cuidar da sua alma, buscando ter fé e esperança. A depressão, fundamentalmente, tem cura, porque Deus restaura a alma (Sl 42:27). Vale lembrar que a depressão é cíclica, ou seja, tem começo, meio e fim.

A crise financeira e o desemprego estão associados ao aumento de casos de suicídios em 2016. Como a Igreja pode dar suporte às pessoas que estão sofrendo os impactos dessa turbulência?
Via de regra, as pessoas mais carentes não se suicidam por causa de ausência do dinheiro, pois elas já estão acostumadas a lidar com a crise e com as dificuldades do dia a dia. Quem mais sofre são os ricos, pessoas que têm alto poder aquisitivo e que, de repente, perdem tudo. Muitos que viveram no luxo acham que não sabem viver sem ele e acabam cometendo o suicídio. A questão do desemprego acelera o processo, pois a pessoa passa a lidar com o sentimento de angústia e de vergonha por não conseguir sustentar a família. A Igreja tem papel importante nesse processo, com a pregação da Palavra, reforçando que a provisão vem de Deus e que Ele é o mesmo em tempo de crise. Além disso, também pode ajudar no atendimento às necessidades mais urgentes. No meio cristão, todos temos que nos ajudar.

A Bíblia nos ensina que nada pode separar um cristão do amor de Deus e que podemos ter a garantia da vida eterna a partir do momento em que verdadeiramente crermos em Cristo. O suicídio pode separar um cristão do amor de Deus?
Se eu falasse que sim, estaria contradizendo o texto. Nada é nada! O grande ponto dessa pergunta, que é a dúvida de muitos, é: se eu me suicido, posso ser salvo? O suicídio não é uma coisa simples. Ele é um atentado contra a autoridade de Deus. Só o Senhor é o autor da vida e só Ele tem o poder de tirar a vida. Quando alguém comete suicídio, está usurpando o direito que só pertence ao Pai. A Bíblia diz que ninguém vive para si mesmo e morre para si mesmo. Nós pertencemos a uma família, a uma igreja. Por isso, quando ceifo a minha própria vida, estou cometendo um ato totalmente egoísta. No entanto, afirmar que todo suicida vai para o inferno não tem base na Bíblia, porque a tese de que todo suicida é um Judas Iscariotes não é verdadeira. Judas não foi para o céu porque não era convertido. Olhe a vida de cada um desses homens citados na Bíblia que agiram como ele. Eles viviam no pecado, e o suicídio não foi a causa de sua condenação, mas a consequência. Dessa forma, afirmo que é possível um crente sofrer algum distúrbio mental ou uma depressão severa e chegar ao ponto de tirar a sua própria vida. Mas algumas denominações acreditam piamente que a salvação não se perde. Uma vez salvo, salvo para sempre. Nós não temos competência de nos assentar na cadeira do Juiz e lavrar a sentença de condenação dessa pessoa. Só Deus a conhece, e o julgamento cabe a Ele.

Como o senhor vê iniciativas como o “Setembro Amarelo”, o Centro de Valorização da Vida?
No meu livro “Suicídio: Causas, Mitos e Prevenção”, trato dessa questão e acho louvável iniciativas como essas. É preciso que a igreja use o púlpito e a Escola Bíblica para conscientizar e aconselhar. E que outras instituições promovam debates, para desmistificar e ajudar quem precisa. Se a grande mídia não aborda o tema com responsabilidade e camufla os fatos, como poderemos agir previamente e tratar desse grave problema? Esconder os números não é saudável nem eficaz. E ignorar os sinais de quem grita por socorro é um erro fatal.

Considerações finais
Se você está sofrendo com algum drama pessoal neste momento ou está desencantado com a vida, saiba que há esperança no amor de Deus e na família. Existem recursos legítimos para você sair desta fase ruim e que devem ser usados como bênção da providência de Deus. Valorize relacionamentos saudáveis, busque ajuda, rompa o silêncio, retire essa casca grossa que encobre suas feridas e aceite ser tratado com a graça de Deus.

FONTE : Gospel Mais

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