O Estado Islâmico (EI) permanece como uma ameaça relevante no cenário internacional, mesmo após a perda territorial no Iraque e na Síria em 2017. A avaliação foi apresentada por Vladimir Voronkov, subsecretário-geral do Escritório das Nações Unidas para o Combate ao Terrorismo, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU em 20 de agosto.
Segundo Voronkov, o grupo tem demonstrado “volatilidade e complexidade” em suas operações, com ênfase em atividades na África, Síria e Afeganistão.
Expansão na África
Voronkov destacou que a África concentra atualmente mais da metade das mortes decorrentes de ataques terroristas no mundo: “A África continua significativamente afetada, vivenciando atualmente a maior intensidade de atividade do Daesh em todo o mundo. A situação na África Ocidental e no Sahel permanece particularmente urgente”. Entre os focos de atuação, estão o Grande Saara, a Província da África Ocidental e a Bacia do Lago Chade, regiões onde a organização mantém propaganda ativa e atrai combatentes estrangeiros. Prisões recentes na Líbia revelaram redes de financiamento e logística com conexões ao Sahel, indicando uma estrutura transfronteiriça consolidada.
Somália
Na Somália, o EI realizou um ataque em Puntlândia, envolvendo combatentes estrangeiros. A ofensiva antecedeu uma contraofensiva militar local. De acordo com Voronkov, cerca de 200 militantes foram mortos e mais de 150 detidos pelas forças de segurança somalis. Apesar das baixas, a presença do grupo continua apoiada por redes regionais, o que reforça a necessidade de pressão contínua para evitar o fortalecimento de suas operações.
Iraque e Síria
Após o colapso do califado em 2017, células do EI têm se reagrupado no deserto de Badia, no noroeste da Síria, e em áreas urbanas como Deir al-Zor, Hasakah e Kirkuk. Autoridades da Síria, Iraque, EUA e Europa afirmaram à Reuters, no início do verão de 2025, que jihadistas voltaram a atacar infraestruturas petrolíferas e áreas vulneráveis, aproveitando a redução das patrulhas da coalizão internacional. O Projeto Ameaças Críticas, do American Enterprise Institute, relatou em janeiro que o EI “reconstruiu gradualmente suas capacidades desde 2022 no deserto central da Síria” e avançou para áreas urbanas ao longo do Rio Eufrates.
Afeganistão
No Afeganistão, o braço local conhecido como Estado Islâmico da Província de Khorasan (EI-K) foi apontado por Voronkov como uma das “ameaças mais sérias” para a Ásia Central. O grupo intensificou ataques contra civis, minorias e estrangeiros, explorando a instabilidade do país. Natalia Gherman, diretora executiva da Diretoria Executiva do Comitê Antiterrorismo da ONU, declarou à Associated Press que o EI-K utiliza “táticas de propaganda e campanhas online” para recrutamento e financiamento, inclusive na Europa. Segundo ela, o uso de inteligência artificial e de plataformas criptografadas amplia os riscos de radicalização.
Riscos de radicalização
Outro ponto levantado por Voronkov foi a situação humanitária nos campos de detenção no nordeste da Síria, onde dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, vivem em “condições inseguras e indignas”. O subsecretário defendeu a repatriação segura, voluntária e digna dos detidos, em conformidade com o direito internacional. Ele alertou que a manutenção prolongada desses campos pode ampliar a vulnerabilidade ao recrutamento jihadista.
Combate ao terrorismo
Voronkov concluiu destacando que medidas de longo prazo, voltadas às causas estruturais do terrorismo, são mais eficazes do que a eliminação de lideranças isoladas. Ele defendeu maior participação de governos e organizações regionais nas iniciativas da ONU, mencionando o retiro do Pacto Global de Coordenação Antiterrorismo, realizado em junho de 2025, como exemplo de cooperação multilateral, de acordo com informações do The Christian Post.
FONTE : Gospel Mais



