Sete ex-ministros do governo Michel Temer lançaram um manifesto contra a decisão do governo do norte-americano Donald Trump de suspender o visto da filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Além do petista e de seus familiares, a medida atingiu ex-integrantes da pasta que participaram da implementação do programa Mais Médicos, Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman.
“Considerando que as sanções econômicas e pessoais impostas ao Brasil e a brasileiros pelo presidente dos EUA chegaram ao absurdo de punir uma criança de 10 anos de idade, filha de um ministro, nós, alguns ex-ministros de Estado abaixo assinados, que servimos ao Brasil no governo do presidente Temer, resolvemos manifestar nossa indignação diante deste ataque injustificado a autoridades, à economia e à soberania de nosso país”, diz a nota.
Endossam a carta os ex-ministros Carlos Marun (Secretaria de Governo), Esteves Colnagno (Planejamento), Gilberto Occhi (Saúde), Luislinda Vallois (Cidadania), Maurício Quintella (Transportes), Pádua Andrade (Integração Nacional) e Valter Casemiro (Transportes).
O grupo convocou a sociedade a se unir “na defesa da independência da Pátria neste momento ímpar da nossa História” e reafirmou compromisso com a soberania nacional. No texto, os ex-ministros também citam Michel Temer e ressaltam sua defesa do diálogo em momentos de crise.
Apesar da crítica, os signatários reforçam que os Estados Unidos são uma “nação tradicionalmente amiga” e defendem a continuidade da relação bilateral por meio da negociação. “Já lutamos ao seu lado em duas Guerras Mundiais e temos convicção de que o diálogo seja o caminho correto para que, em meio a eventuais divergências, sejam encontrados consensos que permitam a continuação desta amizade”, diz a nota.
O cancelamento do visto da mulher e da filha de Padilha foi confirmado pelo consulado americano em São Paulo.
Em entrevista à GloboNews, Padilha afirmou que a sanção busca “intimidar quem não baixa a cabeça para Trump” e classificou a atitude como “covarde”. Segundo ele, o episódio teria sido articulado pelo “clã Bolsonaro” e não tem justificativa plausível.
Os comunicados recebidos pela mulher e pela filha de Padilha dizem que “surgiram informações de que o senhor pode estar inelegível para o visto”. A informação foi antecipada pelo G1 e confirmada pela Folha.
Um dos comunicados diz que a revogação tem efeito imediato e explica as condições de aplicação da medida.
“Caso esteja atualmente fora dos Estados Unidos, a revogação do visto tem efeito imediato e o (a) senhor (a) não poderá viajar com o seu visto americano atual. Se estiver fisicamente presente nos Estados Unidos, a revogação do visto entrará em vigor imediatamente após a sua partida. Caso tenha intenção de viajar para os Estados Unidos, o (a) senhor (a) deverá solicitar um novo visto”, diz o texto.
Na quarta passada (13), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que revogaria vistos de autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas (Organização Pan Americana de Saúde) que tivessem atuado na contratação de médicos cubanos no Mais Médicos.
A gestão Trump afirmou que havia revogado os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman. O Departamento de Estado justificou a medida porque ambos “trabalharam no Ministério da Saúde do Brasil durante o programa Mais Médicos e desempenharam um papel no planejamento e na implementação do programa”.
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noticia por : UOL



