Atraso do modelo de gestão
A gente precisa discutir gestão e governança das instituições que estão consumidas por um modelo de gestão que não cabe mais nos dias atuais. Eu acho que isso envolve não só as nossas universidades, mas o sistema de uma maneira geral. Envolve a própria forma como a gente faz a discussão da política pública, daquela centralidade de Brasília. A gente tem que discutir e ter estratégia nacional, e as decisões precisam ser tomadas construídas coletivamente. As agências de fomento precisam colocar os recursos dentro de instituições preparadas e vocacionadas para desenvolver. Eu posso dizer que a legislação vigente, no que diz respeito aos marcos regulatórios para a ciência e tecnologia, avançou, mas as instituições estão na legislação anterior, e aí paira uma insegurança jurídica. Basicamente, quando você vai investir recursos em um projeto, seja na academia, seja na empresa, o grau de incerteza é muito alto. Muitas vezes você chega ao final do projeto sem ter conseguido a descoberta científica prevista. Mas você avança, mesmo no fracasso você avança, porque você retira dali alternativas de caminhos que não lhe interessa desenvolver.

Diálogo com setor produtivo
A gente precisa de um diálogo entre quem faz pesquisa e ciência com quem tem um problema. A ciência tem de ser usada para melhorar alguma coisa no mercado, na vida das pessoas, que é coisa da colaboração universidade-empresa. A gente sempre batalha, há muito tempo, por uma relação da pesquisa com o setor produtivo em uma linha de mais sinergia. A lei de inovação de 2004 se constituiu em um objeto sempre discutido pelas agências de financiamento, pesquisa e inovação do país na busca desse caminho em que as instituições de pesquisa se alinhem com um setor produtivo; não só para que eles tenham linha de inovação e competitividade, mas que incentivem que empreendimentos nasçam ali.
Desigualdades regionais
As assimetrias regionais são muito fortes. Quando a gente olha, por exemplo, a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], grande parte do crédito incentivador e da subvenção econômica está concentrada na região Sudeste; e muito concentrado no estado de São Paulo. Eu acho que isso é um problema de gestão e de governança. As empresas dessas outras regiões não têm acesso a uma qualificação, não sabem sequer como dialogar os seus problemas com essa linha de financiamento que a gente tem hoje. A gente precisa avançar, distribuir mais os quadros qualificados.
noticia por : UOL



