“Ao analisar o telefone celular de sua filha, identificou que os advogados Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz e Fabio Wajngarten estavam mantendo contato constante com sua filha menor [iniciais suprimidas], por meio dos aplicativos WhatsApp e Instagram”, disse Cid. “Ao analisar o conteúdo das conversas, percebeu que os dois advogados estavam tentando se aproximar do declarante, por meio de sua filha menor; que Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz utilizou como artifício para se aproximar de sua filha [nome iniciais suprimidas], assuntos relacionados a atividade de hipismo, pelo fato de [iniciais suprimidas] ser atleta de tal modalidade”, afirmou Cid à PF.
Ele disse ainda que Kuntz tentou se aproveitar da “inocência” da filha para obstruir as apurações. “Acredita que Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz estabeleceu esse contato para obter informações sobre o acordo de colaboração firmado pelo declarante e com isso, obstruir as investigações em andamento, aproveitando-se da inocência de sua filha menor de idade”, afirmou Cid à PF.
De acordo com o tenente-coronel, o advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social de Bolsonaro, também abordou sua filha e sua esposa para tratar do mesmo assunto. “Em uma das ligações com a esposa do declarante, Fábio Wajngarten tentou convencê-la a trocar os advogados que defendiam o declarante; que Fábio Wajngarten realizou várias ligações para a esposa do declarante”, afirmou Cid em seu depoimento.
Sua defesa apresentou uma declaração por escrito de sua esposa, Gabriela, na qual ela confirmou o teor dos diálogos com Wajngarten. “Atendi a ligação, após pedido de minha filha (…) que era alvo de ligações constantes e insistentes por parte dele. Nessa oportunidade, fiz uma gravação em vídeo da ligação onde ele tenta me persuadir a trocar de advogado. Isso aconteceu assim que Mauro passou a ser defendido pelo dr. Cezar Bitencourt. Ele me dizia que tinham diversos advogados muito melhores que poderiam fazer a defesa”, disse Gabriela, em seu termo de declaração. Ela afirmou que, depois, apagou o vídeo por receio de com a situação.
Para Cid, de acordo com seu depoimentos à PF, a ação do advogado de Bolsonaro tinha objetivo de “interferir” nas investigações. “Acredita que Fábio Wajngarten realizou esses contatos para obter informações do acordo de colaboração firmado pelo declarante, como forma de interferir nas investigações em andamento”, disse ele, segundo o depoimento.
Cid disse ainda que Luiz Eduardo Kuntz e Paulo Bueno abordaram sua mãe em um evento na Sociedade Hípica Paulista, no qual a filha de 14 anos estava participando de uma competição. Eles novamente sugeriram que a defesa do tenente-coronel deveria ser trocada.
noticia por : UOL









