Crianças morrem dentro da própria casa enquanto extremistas atacam escolas
Isso desmente a falsa ideia vendida por grupos fundamentalistas religiosos e extremistas que o perigo vem daquilo que é de fora do principal círculo de segurança. Em outras palavras, que o “porto seguro” é a casa e a família, enquanto o risco está nos professores, nos desconhecidos e até em exposições de arte.
Pelo contrário: apesar de escolas serem frequentemente atacadas pela educação sexual (o que pode conscientizar estudantes e ajuda-los a identificar e denunciar casos de abuso), ainda assim são muitas vezes o único porto seguro real para crianças. Sim, elas são palco de outras formas de violências, como o bullying, mas também o local onde os pequenos podem encontrar acolhimento contra familiares que deles abusam.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, que sistematizam os boletins de ocorrência registrados pelas Polícias Civis de todo o país, apontam para 54.297 registros de estupro e estupro de vulnerável de vítimas do sexo feminino, dos quais 71%% são de autoria de familiares, parceiros íntimos ou ex.
Sim, apesar de artistas e suas exposições terem sido falsamente acusados de promoverem violência sexual contra crianças, ela ocorre predominantemente no seio da própria família. Com igrejas passando pano, ao menos nos casos de grande repercussão ou quando isso envolve padres e pastores.
Isso lembra grupos fundamentalistas que, anos atrás, tentarão impedir o aborto legal em uma menina de dez anos grávida após ter sido estuprada por quase metade da vida pelo próprio tio. O problema para eles não era um frágil ser humano carregar o fruto de estupro porque sua família e a sociedade falharam com ela, mas ela querer uma vida como qualquer criança de sua idade.
Por vezes, denúncias são soterradas em montanhas de silêncio para manter as aparências familiares. Isso quando são levadas a sério. Assim, a vítima é obrigada a conviver com a dor.
noticia por : UOL