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Nova York não precisa cheirar a maconha

Redação by Redação
28 de dezembro, 2024
in Sem categoria
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Entre todos os problemas gerados pela legalização da maconha, poucos se mostraram mais pungentes do que o cheiro. De Los Angeles a Washington D.C., os moradores reclamam regularmente do cheiro forte da erva. Talvez por isso, uma pesquisa recente do Manhattan Institute descobriu que uma maioria considerável é a favor de leis que proíbam fumar em parques públicos, no transporte público, em restaurantes e perto de escolas.

Poucas cidades sofrem mais com o cheiro de maconha do que Nova York. Está nas ruas, nos parques e até mesmo, alguns moradores reclamam, em apartamentos particulares. O prefeito Eric Adams notou o fedor penetrante. As reclamações sobre a qualidade do ar na linha de atendimento ao público da cidade aumentaram, passando de quase 4.000 em 2020 para quase 9.000 em 2022 e mais de 7.000 no ano passado.

Mas a cidade não é impotente para lidar com o fedor. Na verdade, embora a maconha seja legal em Nova York, fumar em público não é, graças às leis de ar livre da cidade. Um pouco de fiscalização dessas regras pode ajudar muito a limpar o problema do odor de maconha da Grande Maçã [apelido da cidade].

Os nova-iorquinos veteranos se lembrarão de que a repressão da cidade ao fumo em público é significativamente anterior à legalização da maconha. O prefeito Michael Bloomberg assinou o Smoke Free Air Act [Lei do Ar Livre de Fumaça] em 2003, como parte de sua campanha contra o tabaco. Quando ele deixou o cargo, a proibição de fumar em restaurantes continuou sendo uma de suas iniciativas mais populares.

Como as leis de ar livre da cidade foram aprovadas antes que a erva fosse legal, elas não contemplam explicitamente a maconha. Mas elas definem fumar incluindo qualquer “forma de objeto ou dispositivo aceso projetado para uso humano ou consumo pela inalação de fumaça”. O Marijuana Regulation and Tax Act, a lei que legalizou a erva, na verdade expandiu o número de lugares onde fumar é proibido, e o Departamento de Saúde e Higiene Mental da cidade emitiu regras reconciliando os dois projetos de lei.

Sob essas regras, é ilegal fumar maconha em parques públicos, praças de pedestres, pátios escolares, transporte público e vários outros locais. Então, por que os pedestres no Washington Square Park conseguem sentir o cheiro de pessoas acendendo cigarros?

Usuário fuma maconha no “4/20” ou Dia da Erva no Washington Square Park, em Nova York, EUA, 20 de abril de 2023. O feriado anual é conhecido na cultura da cannabis pela celebração e consumo de maconha. Desde a legalização da maconha recreativa no estado de Nova York, mais e mais pessoas visitam o parque no feriado, onde é comum comprar produtos de maconha em qualquer dia do ano. Foto: EFE/EPA/SARAH YENESEL (Foto: EFE)

A resposta simples é que as regras não são aplicadas. É fácil entender o porquê: os recursos policiais são limitados, e os líderes de Nova York acabaram de argumentar que a aplicação da lei da maconha é maligna, racista e socialmente destrutiva. Como eles podem justificar punir pessoas por fumar em público, dado que a erva é supostamente uma substância tão benigna, até benéfica?

Mas todos os nova-iorquinos têm o mesmo direito de desfrutar de espaços públicos. O fedor da fumaça da maconha exclui aqueles que não desejam sentir o cheiro, sem falar nos danos potenciais do fumo passivo. O fato de o público estar tão obviamente insatisfeito com o cheiro onipresente é razão suficiente para agir.

Além disso, Nova York pode fazer algo sem precisar acionar a polícia ou jogar fumantes na prisão. As disposições do Smoke Free Air Act não são aplicadas pela polícia, mas por representantes do Departamento de Saúde e Higiene Mental, ou por qualquer um dos vários outros departamentos designados, incluindo o Departamento de Saneamento. A aplicação é feita por meio de penalidades civis: US$ 200 a US$ 400 na primeira infração, US$ 500 a US$ 1.000 na segunda infração e US$ 1.000 a US$ 2.000 em cada infração subsequente dentro de um ano.

Uma explosão de multas poderia atingir um lugar como o Washington Square Park, onde muitas pessoas se reúnem para fumar maconha abertamente. Os funcionários da cidade poderiam emitir sumariamente avisos de violação para todos os presentes. Repita essa ação por alguns dias ou semanas, e a atividade seria reduzida a um nível mais administrável, após o qual um único funcionário designado poderia ser responsável pela aplicação. Como bônus, a lei geraria um belo aumento na receita.

O fato de Nova York não ter feito algo tão óbvio, de forma deliberada e claramente comunicada, diz muito sobre a política da maconha e o desconforto da cidade em conter seus danos. Mas os nova-iorquinos estão fartos do cheiro de maconha em todo lugar. Um pequeno esforço para controlá-lo seria amplamente aplaudido.

Charles Fain Lehman é editor colaborador do City Journal e membro do Manhattan Institute.

noticia por : Gazeta do Povo

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