A equipe de corte de gastos de Elon Musk enviou avisos de rescisão imprecisos aos funcionários da Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. De acordo com cinco pessoas ouvidas pela Reuters, essas notificações estavam cheias de erros, e versões corrigidas estão sendo emitidas para evitar impactos nas pensões e salários dos trabalhadores.
Um funcionário do governo americano falou sob condição de anonimato que o Doge (Departamento de Eficiência Governamental), onde atua Musk, agiu com tanta rapidez para as demissões em massa que acabou cometendo várias falhas .
O Departamento de Estado, que está assumindo algumas das funções da Usaid no plano do governo Trump de cortar a ajuda externa dos EUA, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.
A equipe de recursos humanos da Usaid, composta em sua maioria por funcionários em licença remunerada e ameaçados de demissão, foi convocada de volta ao escritório para corrigir os avisos e garantir sua precisão, segundo um funcionário dos EUA e uma pessoa próxima ao caso.
Um trabalhador da Usaid, que falou sob condição de anonimato, afirmou à Reuters que sua carta de rescisão estava completamente errada, e a única informação correta era o seu nome.
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Não é a primeira vez que avisos de rescisão imprecisos têm virado de cabeça para baixo a vida dos trabalhadores da Usaid desde que o presidente americano, Donald Trump, e Musk começaram em fevereiro a desmembrar o principal canal de ajuda externa dos EUA.
Uma primeira rodada estabeleceu 21 de abril como o último dia de emprego para a maioria do pessoal e 30 de maio para aqueles designados para ajudar a fechar a agência. Essas datas foram alteradas para 1º de julho ou 2 de setembro nos avisos enviados a cerca de 3.500 trabalhadores da Usaid na sexta-feira (28), disseram dois funcionários.
Outros erros nos avisos incluíram ano de início no trabalho incorreto, tempo de serviço e salários menores, conforme relatado por uma pessoa familiarizada com o caso. A mesma pessoa, juntamente com dois ex-altos funcionários da agência, um assessor parlamentar e quatro trabalhadores afetados, confirmou os problemas nos documentos enviados.
A menos que sejam corrigidos, esses erros podem resultar em pensões reduzidas ou canceladas ou em pagamento de rescisão incorreto, disseram os informantes.
Vários deles indicaram o site de aposentadoria do Escritório de Gestão de Pessoal dos EUA, o qual informa que a pensão anual dos funcionários federais é calculada com base no tempo de serviço e nos três salários médios anuais mais altos.
A Reuters não conseguiu saber quantos funcionários da Usaid receberam avisos imprecisos na última sexta.
Vários trabalhadores disseram à Reuters que eles e outros colegas receberam uma terceira carta de rescisão na noite de segunda (31), ainda contendo informações incorretas sobre promoções, tempo de serviço e outros dados.
Um trabalhador federal relatou erros nos avisos de tempo de serviço, com divergências de anos. No aviso de sexta, faltavam três anos, e no de segunda, seis anos. Ele trabalha desde 2008, totalizando 17 anos, e questionou o processo de redução de pessoal.
Trump afirma ter nomeado Musk, um grande doador para sua campanha de 2024 e dono de empresas com contratos federais bilionários, para liderar o Doge na identificação de desperdícios e fraudes no governo dos EUA.
O Doge estima ter economizado US$ 140 bilhões (cerca de R$ 795 bilhões) para os contribuintes dos EUA até 2 de abril por meio de uma série de ações, incluindo cortes massivos na força de trabalho, vendas de ativos e cancelamentos de contratos.
Seu total de economias não pode ser verificado, pois seus cálculos contêm erros. Musk disse que o Doge corrigirá as imprecisões quando as encontrar.
Desde fevereiro, a maioria dos funcionários da Usaid foi colocada em licença administrativa. Centenas de contratados foram demitidos, e mais de 5.000 programas foram encerrados, interrompendo operações globais de ajuda humanitária das quais milhões de pessoas dependem.
Avisos de rescisão da Usaid enviados na sexta-feira não consideraram pedidos de adiamento da data de rescisão de 1º de julho, afetando funcionários no exterior com filhos na escola e outros que precisam de mais tempo para se mudar para os EUA, segundo funcionários.
noticia por : UOL