4 de abril de 2025 - 3:27

Cristão enfrenta pena de morte após ser adicionado sem saber a grupos do Facebook

Em 17 de março, Arsalan Gill, um jovem cristão de 24 anos, foi preso no Paquistão sob acusações de blasfêmia, após comentários considerados ofensivos compartilhados em grupos de bate-papo no Facebook, os quais ele alegou desconhecer.

A prisão ocorreu quando Arsalan Gill, que trabalhava como varredor, retornava para sua casa em Lahore, na província de Punjab. Sua família, que vive em condições financeiras precárias, foi informada à noite sobre sua detenção, mas não teve permissão para vê-lo naquele momento.

Segundo seu irmão, Suleman Gill, a acusação foi de que Arsalan havia compartilhado conteúdo blasfemo em grupos de Facebook, algo que ele desconhecia, pois teria sido adicionado a esses grupos sem seu consentimento.

O caso foi registrado pela Agência Federal de Investigação (FIA), que acusou Arsalan Gill sob várias seções da Lei de Blasfêmia do Paquistão, incluindo a Seção 295-C, que estabelece pena de morte em casos de blasfêmia contra o Islã. Além disso, ele foi acusado sob a Seção 11 do Pakistan Electronic Crimes Act de 2016, que prevê até sete anos de prisão por disseminação de informações que promovam ódio inter-religioso.

Defensores dos direitos humanos expressaram preocupações sobre a possibilidade de o caso fazer parte de uma série de prisões fraudulentas relacionadas à “indústria de blasfêmia” no país, uma prática que tem afetado várias minorias religiosas, incluindo cristãos.

De acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão e a Polícia de Punjab, centenas de pessoas, muitas das quais inocentes, foram presas com base em acusações falsas de blasfêmia online. O advogado Lazar Allah Rakha, que representa várias vítimas de acusações falsas, afirmou que a unidade anti-blasfêmia da FIA estaria conspirando com advogados e ativistas islâmicos para extorquir dinheiro e abusar das leis de blasfêmia para interesses próprios.

Suleman Gill, concedeu entrevista destacando as dificuldades financeiras de sua família, que vive em um quarto alugado e mal consegue cobrir suas despesas diárias. Eles não têm recursos para contratar um advogado e apelaram a organizações cristãs por apoio legal.

Este caso ocorre em meio a uma crescente preocupação sobre abusos das leis de blasfêmia no Paquistão. Em fevereiro, o Tribunal Superior de Islamabad recomendou ao governo a criação de uma comissão para investigar alegações de conluio entre a FIA e clérigos islâmicos em processos envolvendo mais de 400 pessoas, acusadas de compartilhar conteúdo blasfemo online.

A comissão deverá ser composta por um juiz aposentado, um funcionário da FIA, um estudioso religioso e um especialista em tecnologia da informação, conforme informado pelo The Christian Post.

Na audiência de 21 de março, o juiz Ejaz Ishaq Khan expressou insatisfação com a falta de progresso do governo em relação ao caso. O tribunal destacou a falha do Ministério do Interior em fornecer respostas claras e a ausência de uma avaliação definitiva sobre a autenticidade das provas.

Em um movimento para garantir maior transparência, o juiz ordenou a transmissão ao vivo dos procedimentos, dado o grande interesse público no caso.

O Paquistão, que figura na oitava posição na Lista Mundial de Observação de 2025 da Portas Abertas, continua a ser um dos países mais difíceis para cristãos viverem devido à crescente repressão e perseguição religiosa.

FONTE : Gospel Mais

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