A saúde mental das crianças é uma questão tão importante quanto a saúde física, mas frequentemente recebe menos atenção dos pais e cuidadores. Reconhecer sinais de sofrimento emocional e agir de forma preventiva pode ser crucial para o desenvolvimento saudável dos pequenos.
A preocupação com a saúde mental infantil tem se intensificado nos últimos anos, e os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam a relevância dessa questão: 20% das crianças e adolescentes passam por transtornos mentais em algum momento de suas vidas.
No Brasil, estudos indicam que entre 7% e 12,7% das crianças apresentam transtornos mentais diagnosticáveis. Além disso, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que metade dos transtornos mentais têm início antes dos 14 anos, e 75% deles se manifestam ainda na infância ou adolescência. Esses números alertam para a necessidade de uma abordagem mais atenta dos pais, para identificar os sinais de sofrimento emocional e agir rapidamente.
A psicóloga Paula Santos, especialista em saúde mental infantil, reforça a importância de uma abordagem holística, que envolva corpo, mente e espírito. Para ela, mudanças repentinas no comportamento das crianças são indicadores claros de que algo pode estar errado.
Importância do relacionamento
A comunicação dentro de casa, segundo Paula, é fundamental para perceber os sinais de sofrimento. “Quando a comunicação é bem estabelecida, os pais conseguem perceber, através das palavras e atitudes, se o filho está passando por algum tipo de sofrimento”, afirma.
A psicóloga também alerta para o perigo de banalizar o sofrimento psíquico. Assim como um problema físico exige a consulta a um pediatra, as questões emocionais também merecem atenção profissional. “Existem doenças do corpo que têm origem emocional. Portanto, a causa pode ser interligada ao aspecto psíquico”, explica.
O ambiente familiar tem um papel fundamental no desenvolvimento da saúde mental das crianças. Pais que mantêm um relacionamento funcional e aberto com os filhos têm mais chances de promover bem-estar emocional. “Crianças de famílias disfuncionais enfrentam mais dificuldades, especialmente quando não há uma comunicação aberta e uma conexão entre os pais”, observa Paula.
Essa visão sobre a importância do cuidado familiar encontra ressonância na Palavra de Deus. Em Provérbios 22:6, lemos: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”. Para Paula, esse ensino deve englobar não apenas o aspecto espiritual, mas também o emocional.
A psicóloga sugere algumas estratégias para os pais promoverem a saúde mental de seus filhos: Criar um ambiente saudável, fazendo pequenas mudanças no cotidiano; Dedicar tempo de qualidade às crianças; Ouvir o que elas têm a dizer; Demonstrar afeto.
Paula também enfatiza a importância de abordar assuntos difíceis com empatia, ajudando as crianças a compreender e expressar suas emoções. Ela lembra ainda da relevância da terapia, não apenas para tratar problemas, mas também como ferramenta de prevenção.
“Infelizmente, poucas famílias recorrem à terapia de forma preventiva. No entanto, estamos vendo uma mudança, com pais que já passaram por processos terapêuticos e entendem a importância dessa abordagem”, afirma.
Em relação à espiritualidade, Paula sublinha que corpo, mente e espírito estão interligados. Para ela, cuidar da saúde emocional das crianças deve incluir o aspecto espiritual, com a crença em Deus e o apoio de um líder pastoral de confiança. Esse equilíbrio fortalece não só os lares, mas também o futuro das crianças.
Cuidar da saúde mental na infância é um ato de amor, fé e responsabilidade. Assim como o corpo precisa de cuidados médicos, a mente também merece atenção profissional e espiritual. Investir no bem-estar emocional das crianças é semear para o futuro, preparando-as para enfrentar os desafios da vida de forma equilibrada e saudável.
FONTE : Gospel Mais